Mostrando postagens com marcador orgulho. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador orgulho. Mostrar todas as postagens

Pode ir embora

19 junho 2014



Todas as frases, textos e trechos que me diziam para te esquecer nunca fizeram muito sentido. Todas as rezas da minha mãe e súplicas das minhas amigas, sempre foram em vão. Me cansei de bater de frente com o “você precisa virar a página, se quiser começar um novo capítulo”. Tentei a escrita, música e até um novo amor, mas sempre terminei em você. Hoje, depois de tanto tempo vivendo às cegas, tudo parece muito óbvio e claro. Então, te liberto. Pode seguir seu caminho em paz.

Depois de tantas idas e vindas, memorizei o caminho de volta para casa. O beco sombrio da rua 12 não me assusta mais. Logo, não preciso de você para passar por ele. A verdade é que você se afastou demais, sabe? Repentinamente e demasiadamente. Graças a Deus o ser humano tem essa capacidade enorme de adaptação. Se dependesse de mim, levaria anos. Mas acontece que mesmo não querendo, a gente se acostuma. Mesmo não suportando algumas coisas, a gente aprende a lidar. 

Sua ausência se tornou constante. Meu cachorro se acostumou com o canto vazio da cama e nem chora mais quando olha para ele. Acredite, eu também não. Aprendi, entre choros e filmes dramáticos, que o maior drama da vida é se submeter a esse sofrimento louco e doentio por quem nunca mereceu.

Pode seguir seu caminho, vai. Pode pegar a mala onde você escondeu todas as minhas lembranças e jogar bem longe. Ou abandonar em qualquer canto para que algum estranho me encontre perdida por aí. Só sei que não te pertenço mais. Talvez isso tenha acontecido há muito tempo. Digo, você abriu mão de nós antes de eu abrir mão de você. Dizem que a ordem dos fatores não altera o produto, descobri pelo nosso romance que isso só funciona na matemática mesmo. No meu caso, alterou o romance, as atitudes, os sorrisos... Tudo. Me perdoe por ser a última a abandonar o barco. Estou saindo, deixei a casa limpa e vou apagar a luz.

Não vou mais me importar se você não lembrar a data do meu aniversário, nem vou esperar ansiosa pela sua ligação. Não vou mais segurar uma lágrima, nem pedir perdão. Cansei de me culpar por um fim que foi mais seu do que meu. Cansei de sentir a falta de ar tomando conta de mim na busca incansável de te alcançar. Eu cansei de você e de nós e de ser estupidamente idiota quando o assunto é você. Eu cansei de me importar. Pode ir embora, aqui já não é mais o seu lugar.

*Texto inspirado na música Veranizar - Léo Fressato.

Eu soube

03 junho 2014





Foram quatro horas de sono apenas, sonhei 3 horas e 45 minutos com você. Sabe porque eu só dormi 4 horas? As outras 3 que me eram disponíveis foram de insônia e algumas lágrimas, até meu corpo implorar por descanso. E olha só, minha cabeça me pregou uma peça me fazendo estar contigo até na minha suposta hora de descanso. Sabe o pior? Estávamos felizes enquanto sonhava, sorríamos e era algo muito parecido com o que vivemos. As lembranças me acertaram com um soco no rosto, me fazendo levantar sem ânimo.

Eu tentei com todas as minhas forças, você e o mundo inteiro sabem disso. Eu sinto doer todos os dias, sinto uma dor que você parece ser incapaz de sentir. Sabe o porquê disso também? Eu me importo. Devia me importar bem menos, mas me importo e não dá para controlar isso. Eu desisti de me fazer desistir sabe? Parece que suga mais minhas energias, como sugou quando seus olhos encontraram os meus e eu vi que só eu estava em pedaços.

Eu soube antes de você. Eu soube duas semanas antes da nossa conversa bagunçada fazer meu coração assinar forçadamente os papéis do desapego. Eu soube quando você me deu um beijo na testa e foi embora naquela manhã ensolarada de domingo. Eu soube quando sentei no chão do quarto desesperada, nocauteada com a certeza que eu havia me apaixonado e aquilo não terminaria bem. Foi ai que eu soube, bem antes de você, o fim de tudo. O fim de algo que eu tentei construir com tanta calma, o fim de bases que eu achei que fossem tão sólidas.
Mas eu fingi que não havia descoberto, eu queria ter me enganado.

Ainda lembro claramente dos teus olhos nos meus, dizendo que se eu falasse algumas palavras você moveria o mundo. É, talvez eu devesse ter tido para você ficar.

Melhor ainda, talvez você devesse querer ficar. Mas isso já é outra história, que outro dia podemos conversar, agora se trata da dor de ir e não ter uma posição para ficar ou saber se vai voltar. Ainda dói, mas vai passar. Vai passar e eu vou ser feliz, com ou sem você. Cada dor que me fez sentir e cada hora de sono que foi perdida está guardada dentro de uma caixinha que produz energia para outra que se chama esperança. E não é em você não, nem em nós, é em mim e em tudo que eu sou capaz de suportar. 


Eu levei mais uma porrada e elevei mais ainda a eficiência da minha armadura. Você me fez sentir tantas coisas boas e agora finalizando com a dor é o fim de tudo e um renascer meu.

E sem dúvidas a única pessoa de escolhas erradas nessa história, é você.


Sobre a autora: Aline Madera, mais uma radialista criativa em formação. 18 anos, apaixonada pela faculdade de Rádio, Televisão e Internet, só encontrou uma válvula de escape: escrever.Talvez tenha nascido com o dom de jogar bem as palavras em uma folha de papel, talvez seja súbita inspiração, só lendo para descobrir.




A Aline agora é colaboradora aqui do blog (uhul!). Sigam ela no Instagram, no Twitter e conheça o Tumblr dela! 

Digite aqui sua saudade

07 maio 2014



Chego em casa, abro o e-mail. Nada. Olho o celular, sem bateria. Tá. Agora tem 0,0000000000001% de chances de você ter me ligado ou mandado sms ou feito um sinal de fumaça, vai saber. Espero que você tenha esquecido o que eu disse ontem porque eu estava terrivelmente embriagada e absurdamente sozinha. Ou solitária, como preferir. Acontece que todas as vezes que toca um blues qualquer eu me lembro de você. Lembro que você me dizia que John Mayer era péssimo e eu deveria refinar meu gosto musical. Mas, e daí? Você nunca entendeu nada de música mesmo. Então tudo bem falar mal do meu cantor preferido, eu entendo.


Eu entendia sua mania de solidão. Entendia você preferir cachorro ao invés de gato e acreditar em vida após a morte, em estrela cadente e mentir que meu bolo era bom. Eu entendia seu ciúme, que de tanto proteger, feria. E sempre me culpei pelo nosso fim por nunca estar pronta para alguém. Ou para me encarar de frente e assumir que meu coração ainda bate. Intensamente. Ininterruptamente. Mas tudo bem, essa parte você entendia. E muito bem. Das poucas vezes que você concordou comigo, dessa você deixava bem claro: “eu fiz tudo por nós, você abandonou o barco”. Ok. Se não fosse o melodrama que envolve seu modo novela mexicana de viver, talvez dessemos certo. Ou não, porque nem eu me aturo às vezes.



A verdade é que me pegar sozinha me faz querer ter você. Porque aí me lembro que você dizia que viver sozinho é aceitável, mas ser solitário a vida toda é sofrimento demais. Eu, que nunca concordei com seus devaneios, sou obrigada a dizer que sim. É triste. E dói. Mas em todas as vezes que senti dor, eu fugi. Não vou correr atrás de um amor mal curado. Não vou me submeter à vontade passageira que tenta controlar minhas razões. Talvez essa seja a hora de pular de cabeça em você, mas tô aqui procurando um lugar que dê pra pôr o pé porque me afogar e morrer de amor é demais pra mim. Então que fique clara e registrada minha saudade i-m-e-n-s-a de você. Mas que por motivo de força maior, vai morrer aqui. À míngua. Não me leve a mal, é que pra não morrer, eu tive que matá-la. E espero que você me entenda, como sempre fez.



Texto publicado no blog da Isabela Freitas no dia 21/08/2013.

Você vai lembrar de mim

13 janeiro 2014


Quando seu despertador tocar amanhã de manhã, talvez você perceba mais que depressa como seu pretérito imperfeito chegou cedo demais. Já não estarei mais aqui para ocupar o outro lado da cama, nem para dar credibilidade ao seu drama, muito menos para dar continuidade a essa ideia ilusória de relacionamento a dois. Verdade seja dita: eu cansei de você. E cansei das suas mentiras, do seu ciúme que mais parece uma busca incessante por motivos para brigar, cansei da sua indiferença em horas erradas e de tudo o que compõe essa sinfonia totalmente fora de ritmo. Cansei de tudo o que envolve seu nome ou o que restou do nosso amor. E só me dei conta disso quando vi meu sentimento mais puro e sincero se transformando em uma solidão inteiramente infinita. Minha alegria se transformando em choro e minha confiança se resumindo a investigações virtuais. 

Nesse tempo percebi que andava inventando desculpas demais pros seus erros. E não há amor que resista se alimentando de veneno. Eu fui e você ficou. Eu fui e levei comigo todas as minhas inseguranças que tanto te incomodavam. Levei meu abraço e coração e que te pertenceram por tanto tempo. Levei meu sorriso e a covinha que aparecia com ele, as rugas e as olheiras que esse amor mal acabado desenhou em mim. 

Talvez quando você acordar nem se dê conta de que eu parti, já que estamos tão distantes ultimamente. Talvez me substitua sem dó, piedade, nem luto por esse sentimento que dividimos ao longo desses anos. Em um dia qualquer você vai perceber que amor de verdade não se encontra nos cantos sujos em que você tanto se esconde. Nem com mulheres vazias, cansadas e desiludidas com as quais você se diverte. Aí sim, nesse exato momento, você vai lembrar de mim. E vai se tocar de que o brilho nos olhos e a pupila dilatada pela pessoa certa não há madrugada de diversão que compense.

E então você vai repassar os flashes em sua cabeça e lembrar que seu final feliz estava bem próximo da felicidade que eu te proporcionava. Quando você perceber que a superficialidade e o amor verdadeiro seguem por estradas completamente diferentes, você vai lembrar de mim.

Aí sim, nesse exato momento eu estarei bem longe. Vivendo a minha vida e, provavelmente, sendo feliz de verdade.

Reencontro

07 janeiro 2014




Pode ser que quando eu te reencontre daqui um, dois ou dez anos, você ainda seja o mesmo irresponsável de riso fácil. Talvez ainda seja apaixonado por coisas que fogem ao natural e tenha aquela melhor amiga que esconde um grande amor por você. Há uma grande possibilidade de, até lá, você já ter superado o nosso fim e ter aprendido a agir normalmente a respeito disso. Bem, talvez eu não. Não porque você foi o meu primeiro amor, talvez o único que eu tenha amado e desejado de verdade. Talvez não, porque eu contei todas as linhas do seu corpo e me descobri em cada uma delas. Não, porque por muito tempo foi só você para mim e me desprender dessa ânsia de você me soa quase impossível. Não, porque antes mesmo de te reencontrar eu me flagro relembrando o passado e pensando nas inúmeras formas, jeitos e trejeitos que tínhamos para dar certo.


Quando eu te reencontrar prometo (tentar) agir naturalmente. Se você piscar, piscarei de volta. Se você sorrir, sorrirei de volta. Se você se mostrar bem mais feliz sem mim, te farei crer que assim estou também. E, caso você venha em minha direção para saber como estou, engolirei meu mundo de fantasias e sentimentos para me focar no meu teatro e agir normalmente. Enquanto você me conta as novidades, vou sorrindo e esmagando meu coração e digerindo sua felicidade e acidificando as borboletas no estômago para que assim, eu consiga responder à sua altura: "Continuo com minha vida, estou feliz, preciso ir". Sem muito auê seguirei a minha vida. Retomarei minha rotina e você não me assombrará mais.


Não fantasiarei nenhum final para quando eu te reencontrar. Apenas vou torcer para que tudo dê tudo certo tanto para mim quanto para você. E se esse reencontro não acontecer, acompanharei de longe suas vitórias e aplaudirei em silêncio cada uma delas. Gostaria que você soubesse que eu descobri o que é amor quando me vi te amando dessa forma: quietinha, de longe, renunciando ao escândalo da paixão. Descobri que te amava mais do que eu imaginava quando me afastei para te ver feliz. Não me maltratei para te ver bem, nem quis que você forçasse felicidade ao meu lado: tudo aconteceu naturalmente.


Quando nosso reencontro acontecer, talvez entre beijos, abraços e novidades a gente perceba o quanto nos fizemos bem ao tomarmos decisões sensatas. Talvez, nesse instante, a gente não precise forçar nada, estaremos bem e felizes. Viveremos a forma mais linda de amor: conscientes do nosso passado, indiferentes a mágoas, nada de ensaios, nem de falsa alegria. Assim como o destino planejou.

Guia de como me deixar

17 novembro 2013

Peço encarecidamente, se é que eu ainda posso te pedir qualquer coisa, que você apague a luz quando sair. Deixe tudo limpo, tranque bem as portas e se despeça deixando este lugar assim como você o encontrou. Não é justo que as outras pessoas que entrarem aqui convivam com a bagunça que você fez. Peço também que você esvazie os armários, porque não quero me deparar com qualquer peça sua perdida pela casa. Elas não me fariam bem em uma noite chuvosa. Me devolva a cópia da chave do apartamento. Deixe embaixo do tapete assim como te ensinei, até que eu encontre um novo esconderijo para minha chave extra. Vai ser difícil colocar as coisas no lugar depois que você fechar a porta, mas continua sendo necessário.





Quem nos viu há meses atrás, não conseguiria imaginar o final dessa história. Eu me encaixava muito bem no seu peito e seu calor era o ideal para minha cama. Seu sorriso combinava com o meu e nossas mãos se entrelaçavam perfeitamente sem nenhum esforço exagerado. Tudo natural. Eu não sei muito bem aonde a gente se perdeu. Digo, estávamos predestinados a sermos felizes para sempre, certo? E agora, a única coisa que restou foi essa minha lista com instruções de como você deve fazer para deixar este lugar - supostamente - em paz.


Eu não me importaria em ter você aqui reclamando, gritando por melhoras ou fazendo qualquer alarde para salvar nosso final feliz. Mas acontece que de uns tempos pra cá você mudou muito. E ao invés de me transbordar, como costumava fazer, só aumentou meu vazio. Remexeu todas as minhas feridas numa tentativa incansável de reabri-las e me deixou aqui para que eu me virasse com um kit de primeiros socorros que eu nem tenho. Minha decepção foi tão grande que nem me lembro mais sobre como era ser feliz ao seu lado.


Te dei todas as opções e você poderia ter sido qualquer uma delas: amor, paixão, amizade, carinho, flerte. Só não imaginava que você escolheria, sem titubear, ser um adeus. Estou aprendendo a lamentar menos, cada vez mais, todos os dias. 


Torço muito para que não demore e que essa ânsia de ter você se vá junto com as malas que você está levando consigo hoje. Para bem longe.

Chega de saudade

05 novembro 2013

Vai, vai embora daqui. Pegue suas malas, seus finais, suas desconfianças, neuroses e suma da minha vida. Leva para longe esse medo de sentir que fica aqui me segurando, me amarrando e me mantendo longe. Quero me permitir, entende? E para isso preciso que você me liberte. Então, vá logo antes que eu me perca. Está na hora de eu me encontrar. Ouviu, orgulho?


Estou pronta para viver o amor em sua totalidade. E, para isso, preciso me sentir completa novamente. Chega de noites mal dormidas, textos inacabados e sentimentos incompletos. Chega de "adeus" ao invés de "até amanhã". Chega de drinks pesados para suportar a dor de negar abraços apertados. Quero morrer de amor. Quero viver a dor. Quero sentir uma vez mais.




Nunca imaginei que imploraria por uma chance. Digo, sou cabeça dura demais para isso. Não peço perdão, nem licença. Sempre fiz e desfiz na mesma intensidade sem pesar algum. Mas acontece que, vez ou outra, a lua brilha mais forte. E aí a gente sente falta daquela dor que nunca existiu. Eu sinto falta de sofrer.


Sinto falta de esperar pelo toque do telefone ansiosamente. Sinto falta do brilho nos olhos e do coração batendo forte. Sinto falta da minha cabeça martelando possíveis lugares, sentimentos e opções. Sinto falta de me sentir viva, entende? É na raiva, nas borboletas e na cabeça nas nuvens que a gente vê a mágica disso tudo.


Qual a graça de continuar essa vida monótona e sem perspectiva alguma? Não dá. Não quero. Me recuso. Torço e busco muito o novo todos os dias. Quero me surpreender em cada esquina, cada olhar e em cada silêncio que diz muito mais que discussões infinitas. Chega de sofrer pelo que não existe. Chega de saudade pelo que não aconteceu. Chega de esperar que a vida passe e que algo aconteça do nada. Vai embora, orgulho. Está na hora de eu quebrar a cara para formar alguma imagem num quebra-cabeça qualquer. Está na hora de viver. E para isso, preciso me despedir de você.


Vá de uma vez por todas, para que assim, eu suporte a dor de ser feliz novamente.

Tentativas

27 outubro 2013

Tento te esquecer, tento te arrancar de mim a qualquer custo, tento não pensar, tento não lembrar, tento não vincular você a cada movimento meu. Acordo tentando, levo o dia tentando, respiro tentando e durmo tentando não sentir, não te querer, não te desejar.

Mas você é insistente, por mais que eu consuma todas as minhas forças e concentrações, você tá presente em mim, tá presente nos meus atos, nos meus métodos, nos meus sonhos.

Cada dia é mais difícil te tirar de mim, um enorme buraco se forma e aumenta a cada minuto sem você. Saber que você não vai voltar, não vai me ligar dando boa noite, não vai brigar comigo por ficar na net até tarde ou por não comer direito, não vai mais querer saber como foi meu dia, isso tudo dói, isso tudo me tira a vontade de acordar no outro dia.



Você foi a melhor coisa que me aconteceu. Em meio aos meus erros, você talvez tenha sido o único acerto, a minha única vontade de acertar. Nunca me importei em fazer o errado, em ser sempre a errada da história, sempre assumi esses erros e suas responsabilidades. Mas por você eu quis acertar, eu quis ser melhor, eu quis me mudar e seguir um caminho diferente.

Não me conformo com a teoria de você ter entrado na minha vida só para acertá-la, só para me mostrar o caminho a seguir. Quero seguir o melhor caminho com o meu melhor, com você, quero você comigo na hora de desfrutar dos meus acertos.

Não quero um pai para me buscar bêbada numa balada qualquer, não quero alguém para me tirar de confusões, não quero alguém que só sirva para ligar quando estou na pior. Quero alguém que compartilhe comigo os momentos bons e ruins, afinal não sou a “garota problema” que só se mete em confusão e traz coisas ruins.


Sei que posso te fazer feliz, que podemos trocar conhecimentos e experiências, que temos um futuro diferente do que muitos pensam. Mas enquanto você não se dá a chance de tentar ser feliz, eu vou tentando a cada segundo que respiro te tirar de mim.




 
Sobre a autora: Letícia Pinho, publicitária em formação que se encontrou de corpo e alma nas palavras. Uma intensa desastrada que transforma tudo que vive e sente em frases desconexas que um dia amanhecem fazendo sentido. Tem pensamentos que pedem por liberdade e é movida por sentimentos. Uma eterna apaixonada pelo som, sentido e forma das palavras. Segue ela lá no twitter: @LettyPinho.

Revelação

19 outubro 2013

Hoje de manhã uma estação de rádio qualquer tocou Sweet child O' Mine e adivinhe quem me veio a mente? No momento em que sua imagem apareceu, pude admitir, sinto tanto a sua falta. Eu queria ter dito isso antes de você mudar seus conceitos, percepções e sentimentos, mas sabe, é tão difícil falar sobre o amor, não é? Assumir sentimentos, para mim, sempre pareceu um sinal de fraqueza. Eu estaria levantando bandeira branca, iria baixar a guarda e te deixaria entrar. O que você nunca soube é que você já tinha conseguido tudo isso. Você balançou meu mundo, como ninguém nunca havia feito antes. Você mudou minha forma de ver as coisas, como eu nunca havia visto antes. Eu me apaixonei perdidamente por você com um amor que nunca foi capaz de nascer em mim, entende? Eu sou outra pessoa, você é você e o fato de não sermos um "nós" tem me incomodado bastante.




Queria que você estivesse aqui para ouvir a música comigo e te lembrar como seu sorriso fica bonito com o meu. Queria ter sua mão segurando a minha durante um beijo rotineiro e ouvir você dizendo, mais uma vez, como se importa. Eu sei que é tarde demais para um recomeço, mas é que se eu não te falar essas coisas agora, temo que nunca mais consiga. Eu sou um pouco fria, sabe? Meu medo de sentir sempre falou mais alto e então minha armadura sempre se manteve firme. Mas aí você foi embora e eu não pensei que isso fosse me perturbar tanto assim. Eu, que sempre estive em total inércia, tenho vontade de correr pros seus braços e discutir sobre qualquer bobeira sentimental. Se isso fizer com que você tome o caminho de volta, pois bem, aqui estou. Quero mudar, revirar, reviver, bagunçar sua vida. Quero assumir as consequências dos meus erros. Eu, euzinha, toda orgulhosa admito minha culpa no cartório. E em linhas meio tortas e desajeitadas te dou de bandeja tantas revelações.


Eu poderia terminar esse texto te pedindo para que fosse meu, apesar de já ter sido clara o suficiente sobre tudo. Cansei de me poupar do desgaste emocional. Cansei de não me familiarizar com a permanência. Cansei de ser a estrada que faz com que as pessoas cheguem a algum lugar que não seja a minha vida. Quero deixar de ser um atalho qualquer, para me tornar sua única razão para continuar caminhando. Quero deixar de ser solitária para ser sua companhia. E deixar de ser fria para me derreter por você. Quero dar tudo de mim para ser só sua. Viu o que você faz comigo? Tudo aquilo que ninguém nunca conseguiu fazer. Eu fugia do amor por medo perder a lucidez. E olha que contraditório, só a encontrei depois que te perdi.


Texto encomendado por Isabela Martins. Quer sua história escrita por mim? Mande um e-mail para raianeribeirocontato@gmail.com e boa sorte =)

Lembranças

06 outubro 2013

Talvez eu me cansasse logo cedo se minha busca por você não fosse tão infinita assim. O desgaste seria menor, entende? Não seriam inúmeras noites de drinks, fossas e baladas românticas. Demorou, mas eu sobrevivi. Superei. Estou aqui. Ando testando receitas novas com outro alguém. Ele não é tão sincero quanto você sobre minhas estranhas combinações, mas se esforça muito para me ver feliz. Ele não dá risada do meu mau humor matinal como você fazia, mas tenta - de todas as formas possíveis - melhorá-lo. Ele está certo, nem todo mundo leva a vida de forma tão estranha como nós fazíamos.


Ele tem sido muito meu. Não que eu não goste de amores por completo, mas é que sei lá. Estava confortável viver em meio ao seu charmoso desapego. Mas sabe, estou tentando. Me esforçando. Lutando. É que as vezes não dá para segurar e tapar os ouvidos não silencia o sentimento. Me escondo tanto nessa brincadeira de fugir de você, que acabo me perdendo. Procuro você nos livros, nas músicas, na novela das sete, nos meus sonhos e até nos lugares em que você não vai. E graças a Deus não te encontro. Digo, seria uma pena ver todo o meu esforço indo por água abaixo, mas você sabe, recaídas acontecem.



Eu não poderia te esperar eternamente. Até poderia, mas não seria justo. Não enquanto tem tanta gente querendo dar amor. Dar valor. Dar a mão, o ombro e abraços apertados. Não vivemos em um filme, nem sou protagonista de novela mexicana que vive de sofrimento e acaba em felizes para sempre. Segui em frente. Eu estou feliz em outra cama, outro drama, nesse novo amor. Mas é que o tempo está meio chuvoso ultimamente e as enxurradas insistem em me trazer suas lembranças. Não se iluda, não te quero de volta. Não pense que vou bater à tua porta. Não pense. Apenas entenda meu momento e espere até que passe.


Acredite, eu estou amando novamente. Vivo o presente inteiramente. Me apaixono mais e mais a cada dia. Mas, entre uma lua e outra, meu apego pelas memórias que tive com você retorna. Não sei porque isso acontece, só tenho torcido muito para que o tempo se estabilize.

Ausência

20 setembro 2013

Sabe o que eu queria nesse exato momento? Queria que você estivesse aqui. Eu já disse isso antes? Me desculpe, é a força do hábito. Queria provar para você que tudo o que eu sinto é real, mesmo que você já saiba. Queria sussurrar no seu ouvido que nossa sintonia é única e que nossas raras brigas não alteram em nada meu sentimento puro e transparente por você. Eu poderia jurar que dessa vez seria diferente. Digo, nada mais foi igual desde que te conheci, concorda? Você era o frio, eu o calor. E em nossas certidões nossas distâncias eram bem claras e óbvias. No entanto, o que importava naquele momento era que você estava próximo o suficiente e eu não precisava de mais nada.


Queria te contar um segredo: me flagrei fazendo questionamentos sobre quando foi que vacilei com o destino. Porque eu devo ter cometido um crime imperdoável para merecer um castigo tão grande assim. Ele precisava mesmo te tirar de mim? Te levar para longe e puxar todos os meus sonhos - que queriam permanecer aqui - pelo braço dessa forma? Tudo bem, coisas da vida, eu entendo. Eu sempre soube que nós duraríamos, sabe? Talvez não deixasse isso claro sempre. Mas você viu minha luta por nós dois. Percorri caminhos que não conhecia muito bem, enfrentei estradas, pessoas estranhas e nossa distância de frente. Fui em frente. E de tanto ir, segui sozinha.





Talvez tenha aparecido outra pessoa naquela época ou seus amigos estavam te consumindo demais. Não sei explicar muito bem o que aconteceu. Mas, convenhamos, eu não precisava vir aqui te contar nossa história, até porque você já a conhece por inteiro, não é mesmo? Eu sei. Mas é que ainda não consigo entender muito bem o que houve. Você era o cara perfeito que vivia no meu conto de fadas e de repente, não era mais. E eu me peguei lutando sozinha por nós dois. E ver você escorrendo por meus dedos me corroía por dentro todos os dias. Dói falar sobre você. Dói falar seu nome. Dói ter que conhecer lugares novos para ver se encontro um outro você perdido por ai. Um outro alguém que mexa comigo tanto quanto você conseguiu. Dói ter esse alguém e ainda assim me sentir sozinha. Que fique claro que este não é um pedido para que você volte. Esta não é mais uma súplica por atenção. Sou só eu, de novo, tentando encaixar fatos tão desconexos. Não vou forçar surpresas do destino.


Ainda ouço sua voz dizendo que me ama, mas que por motivo de força maior, era o fim. E quero que você saiba que aqui tudo continua igual. Que por mais que eu fuja para um outro continente, nada muda. Talvez a gente se reencontre, talvez só a minha presença baste para você um dia. Talvez você volte. Talvez, numa outra ocasião, os quilômetros não maltratem tanto o nosso amor.



Texto encomendado por Beatriz Perçú. Quer sua história escrita por mim? Mande um e-mail para raianeribeirocontato@gmail.com e boa sorte =)

Confissão

15 setembro 2013

Odeio o amor. Decidi isso logo que acordei. Odeio proteger demais, cuidar demais, querer demais. Odeio você. Bem, ódio é uma palavra muito forte, né? Tá bom, é desejo. É essa vontade louca de fazer você me enxergar de uma vez e não apenas me ver passando perdida no meio da multidão. Eu quero saber como foi teu dia, como anda a tua vida e teu coração. Mas eu não tenho mais nada a ver com você, entende? Chego a pensar se algum dia tive. Acontece que isso realmente não importa. Eu quero que você perca essa mania de ignorar minhas chamadas enquanto a consciência tá pesada demais e me sufocando. Eu quero você.


Nunca entendi esse papo de que o amor acaba. Nunca acreditei em finais. Como você pode tratar como um completo estranho aquele que dividiu as dores, os amores e a sua cama? Não dá. Tem carinho escondido no cantinho daquela antiga mágoa, eu sei. É sempre amor, meu bem. Mesmo que acabe, que mude, que quebre ou apenas trinque. É amor desde o dia em que deixou de ser. A gente mascara o sentimento com ódio, rancor ou qualquer outra coisa, mas sabe, bem no fundinho, que o toque da ligação já remete a respiração da pessoa no seu ouvido. Dá calafrios, o estômago revira, você sente náuseas. É o amor.


Aí você vem e me diz "quanto tempo!". Você, como sempre, reaparece nos momentos errados e nos lugares mais inóspitos. E todas as vezes eu decido que um planeta inteiro é pequeno demais para nós dois. Não dá para habitar o mesmo lugar que você, porque você me sufoca. E eu te encho de saudade. E a gente revive momentos mentalmente, sorrindo, agindo como se não houvesse nada. E isso machuca. Então, eu preciso manter distância. Preciso de amores e pessoas novas. Não dá para amar de novo com você aqui, porque não dá para te amar menos, entende?


Eu quero você, se for para vir inteiro. Pode vir com defeitos, manias e afins. Pode vir sendo você mesmo, porque te quero por completo. Quero que você me ligue para saber como foi meu dia, como anda meu coração e se quero você para sempre. Você nem precisaria da minha resposta para ter certeza, mas eu saberia o quanto você se importa. Eu quero você me questionando sobre coisas inúteis, mas que nos rendem boas gargalhadas. Eu quero odiar seu amigos, seus erros e te perdoar sempre. Eu quero que você seja meu aqui, agora, de novo. Eu quero você. Estou tirando meus devaneios e saindo das minhas viagens mentais, para dizer o que eu quero e quem eu quero. Dá para ser mais clara que isso?

Segunda Opção

10 setembro 2013

Olha, sou eu de novo. É, de novo. Você já deve ter se acostumado com esses aparecimentos repentinos que em nada te satisfazem ou alteram sua vida, não é? Bate a saudade, eu pego o telefone. A noite fica escura demais, te mando sms. O outro não veio no devido encontro, é você que eu vou encontrar. O fato é que eu não queria ter você como uma escolha, entende? Cada parte do meu corpo grita para que eu ame, que eu devore ou que eu morra de amores por você, mas é complicado. Você é o tipo de cara que nunca mereceu um texto meu. É verdade, não se sinta ofendido por esta afirmação, mas é que você é perfeito demais para que eu te desmereça em parágrafos sem sentidos e cheios de qualquer tipo de rancor.




Eu quero perder essa minha mania de sofrimento, mas nada faz passar. E você esteve tão ausente nos últimos tempos. Talvez tenha se esbarrado em qualquer estranha por aí e esteja feliz. Ou esteja me dando um gelo só porque eu não sei me decidir entre nada. Não sei se quero pintar minha sala de azul bebê, rosa ou se quero ficar com você para sempre. Nessa noite eu quero, sabe? Quero você aqui, agora, comendo pipoca, rindo da vida, morrendo de amor. Quero você. Tenho pensado em você o tempo todo simplesmente porque você não me corresponde com aquele amor sobrenatural de sempre. Eu quero o que eu não tenho, entende?


A vida toda foi assim. Meu enjoo das pessoas nunca acaba. Quero enquanto não tenho, amo enquanto está distante, frio, pedindo calor. Eu sou aquele enfeite que as pessoas tanto namoram em lojas chiques e inalcançáveis. Sirvo por algum tempo e depois sou guardada naquela caixa empoeirada de lembranças. Eu sou de temporada, feriados ou qualquer tempo curto que você encontre definição. Não sei - nem sei se quero - ser permanente. Tenho ânsia de mundo, de pessoas, de amores, de vida e liberdade. Tenho essa vontade louca de fechar os olhos e pular de cabeça em tudo o que eu não consigo ver a profundidade. Mas eu sei nadar. E geralmente quem pula comigo não sabe.


Não quero ver você se afogando em ilusões ou num amor obsessivo que não cessa. Eu prefiro que você seja feliz com alguém que seja melhor do que eu e consiga te fazer feliz. Alguém que seja de verdade e não escorra pelas beiradas quando for colocada contra a parede. Eu sinto tanto a sua falta e gosto tanto de você, que te deixo livre. Prefiro que você seja você e me deixe em paz com minhas máscaras e disfarces. Seu nome fica lindo no registro de chamadas do meu celular, mas o sofrimento que isso te causa não vale a pena. Espero que você seja feliz. Do meu jeito, eu serei feliz também.

O Combate

06 setembro 2013



Não me olha assim, vai. Toda vez é isso. Você faz o que bem entende e não se preocupa com o que eu sinto, nem com a luta interna que sua indecisão causa em mim. Se entope de mulheres que não têm meu cheiro, para se esquecer de mim. Vai em todas as festas de todos os finais de semana do mês, para esquecer que o quentinho da minha cama é o melhor lugar do mundo. Pensa que me engana? Você pode dizer que não se apega, que a liberdade é o seu lema de vida e tudo mais, mas quando te pego me olhando com olhos doces, eles não mentem, sabe? Não dá para disfarçar. Quando é de verdade, não adianta você esconder com palavras. É tapar o sol com a peneira. Você pensa que está descansando em sombra fresca e prefere não ver que não é bem assim.


A verdade é que eu sempre me canso de nós. Nós? Isso existe mesmo? Deixa pra lá, preciso me focar no que realmente importa. Eu te odeio com todo meu amor. Já ouviu essa expressão? Nem eu. É que você tem atitudes desprezíveis e tantas personalidades, que me fazem te odiar. Mas o engraçado é que eu vejo um certo tipo de beleza em cada uma delas. A sua loucura se parece muito com a minha e o seu medo de se prender também. Aí você quer fugir de tudo e que eu adivinhe o que você sente, mas não dá, entende? Eu não sei nem o que eu sinto. E nem por isso estou fugindo amedrontada.



Eu sou a coragem que falta em você e tudo o que você sonhou em ter um dia. Mas esse texto não era para ser sobre mim. Essa sou eu, de novo, perdendo o foco. Foco, fico, permaneço. Tudo isso porque é você e não outro. Tantos deles já vieram, foram e em nada alteraram a minha vida. Você balançou meu mundo, mudou minhas certezas e manipulou minhas escolhas. Você é um filho da mãe que de tanto odiar, aprendi a amar. Me desculpe por isso, me traí de novo falando sobre amor. Eu sou desapegada, tá? E não te amo nadinha, nem minto sobre sentimentos. Você gosta de mim assim? Então tá. Já vesti minha armadura e tô pronta para o combate. Acho que nunca protagonizei uma peça tão difícil assim. Mas é isso, tudo pronto. Pode vir frio, que eu já estou fervendo.


Texto encomendado por Ana Paula Andrade. Quer sua história escrita por mim? Mande um e-mail para raianeribeirocontato@gmail.com e boa sorte =)

Pelo direito de amar um canalha

29 agosto 2013

Nunca amou um canalha quem não conhece o gosto da busca desiludida. Você corre atrás da sua felicidade, mas nunca chega ao final da estrada. Grita, xinga, berra, faz birra mas não deixa de gostar. Diz que nunca mais vai voltar e seu adeus dura apenas algumas horas. O sorriso dele te fascina, não é mesmo? Eu sei. Só quem desiste da promessa de eternidade sabe o que é amar um cara inconstante. Instável. Ele te leva da Antártida ao Nordeste em questão de segundos. Um olhar, um toque e toda a sua frieza desce pelo ralo.



Nunca amou um canalha quem não sabe o que é esperar por aquela ligação que não vem no dia seguinte. Se irritou, odiou e logo após perdoou, não é mesmo? Se deixou levar pela conversa mole, jeito meigo e por aquele mistério que serve apenas para esconder sentimentos que não existem e declara mentiras doces demais. O veneno dele te cura, é isso? Você sabe que não deve, mas foge do que precisa e se agarra ao perigo? Pois bem, bem-vinda ao clube.


Nunca amou um canalha quem nunca perdeu o controle dos pensamentos. O dia está atarefado, tem reunião, casa, faculdade, mas ainda assim, ele se faz presente. Aí você perde seu tempo e seu orgulho em uma briga qualquer. Vai negar? Ele tem esse poder, menina. Você não foi a primeira, nem será a última. É a lei da vida amar um canalha. Eles vêm, chegam rápido e vão embora na mesma velocidade. Eles são aquelas coisas proibidas que você faz pelo prazer de não poder.


Quem nunca amou um canalha, que atire a primeira pedra. Eles aparecem do nada, você se entrega, se apaixona, sofre, supera e aprende a se amar de verdade. Esse é seu ciclo, são os espelhos da vida. Tem essa função: nos ensinar a nos valorizarmos. Nove em cada dez mulheres sofreram por um canalha e nem por isso deixaram de viver. Um canalha é o remédio para todo mal de amor. Amar um canalha é bom pela diversão, necessário pelo amadurecimento e indispensável pela experiência. Amar um canalha é amar. Dispensa maiores comentários.

Judas

27 agosto 2013



Vem, pode vir. Tá escuro mas dá pra ver. Vem! Que medo é esse de arriscar? Se for preciso, você pula? Esquece o medo de altura, não vai te levar a nada. Ok. Vamos pular. Você me agarra forte? Se segura em mim, já fiz isso antes. Abre os braços e deixe o vento te guiar. Estamos seguros, tá? Relaxa.
Vem, hora de correr. Vou chegar aos 180 km/hr, quer ver? Abra os vidros. Eu não sei que queda é essa que tenho pelo vento, mas ele me conforta. É como se em um toque, eu conseguisse diminuir minha alma num tamanho que ela caiba dentro do meu peito. Gosto de correr riscos quando me sinto perdida. Eu preciso me reencontrar por alguns instantes, mas não dá pra fazer isso sozinha, entende? Tá, então continua aí, fica do meu lado.
Vem, pode mergulhar. A água aqui é rasa e o pé fica no chão o tempo todo. Afunda a cabeça nas suas paranoias e esquece os problemas. Solte os braços e pensamentos. Aprenda a se encantar por tudo aquilo que é belo. Aprenda a ver que tudo vai muito além, sabe? O coração, a mente, a boca, esse mar. Vai andando em frente. Segue seu rumo, seu coração, seus próprios riscos. Não tenha medo de maiores profundidades. Isso, vai fundo, você está próximo, chegando, espera. Aí não dá pé. Pensando bem, é melhor eu ficar por aqui. Eu não sei nadar, moço, nem remar. Me desculpa, tá? Segue sozinho. Eu não sei amar.

Quem sou eu

25 agosto 2013



Eu sou o tipo de pessoa que não liga no dia seguinte, nem me dou o trabalho de mandar mensagem. Está assustado? Acontece que os homens criaram esse tipo de expectativa em relação as mulheres. O que não me faz menos feminina, claro. Eu já acreditei muito nas pessoas. Já quebrei a cara, chorei, voltei sozinha para casa. Sabe esses dilemas sentimentais que toda adolescente-menina-quase mulher desabafa em seus tumblrs por aí? Passei todos em silêncio. Engoli sapos que não eram príncipes e meu orgulho ferido.


Agora você me encontra perdida por aí, cheia de indiferença e se pergunta o que houve comigo. Quer que eu diga mesmo? Acontece que eu decidi fugir da dor. Eu corro, fujo, me escondo embaixo da cama. Decidi ignorar cada chamado do passado e deletei qualquer lembrança assombrosa. Uso sorrisos que não são meus mas que, eu sei, um dia serão. Compro perfumes que não me remetem a nenhuma carência escandalosa. Percorro caminhos que me levam a lugar algum porque o destino é meio assustador. Me deixo levar.


Sou egocêntrica, teimosa, difícil de lidar e escandalosamente diferente de tudo o que você já viu ou imaginou ver nessa vida. Não a mais bonita, nem mais engraçada, nem mais inteligente, nem nada em exagero de qualquer adjetivo comum. Eu sou tudo e nada ao mesmo tempo, fora do comum. Não espere muito de mim porque eu frustro minhas próprias expectativas. Saio do roteiro pela graça de quebrar a rotina. Esqueça seus conceitos sobre mim e me descubra. Eu sou o mistério que você vai adorar desvendar.

(Re)escrever

23 agosto 2013

Há muito tempo não escrevo sobre você, e talvez por esse mesmo motivo, você pense que eu o esqueci completamente. Não me leve a mal, me desliguei de tudo. Tenho escrito bastante ultimamente e todo mundo acha que me conhece, acredita? Você que me rotulava como "a misteriosa", "a indesvendável", cairia o queixo se soubesse disso. Acontece que nem tudo é tão simples assim. Não é fácil falar de mim, nunca foi. Escrevo sobre tudo o que vejo, tudo o que imaginei, senti, idealizei. E as pessoas me tratam como se conhecessem até o fundinho obscuro da minha alma. Calma lá, não é bem assim.



Mesmo que raramente, eu me exponho completamente. Abro as feridas, remexo cicatrizes curadas, faço um auê sentimental por puro hobby. Algumas pessoas acham graça, sentem minha dor, choram comigo ou se colocam no meu cenário individual. Tudo bem, eu quem escolhi dar a cara para bater. Será que elas ainda agiriam assim se soubessem o quanto fui covarde com você? Eu poderia ser franca e dizer logo: perdi o amor da minha vida por puro medo. Elas entenderiam? Você não. Mas eu te entendo, nunca fui das mais fáceis de lidar mesmo.

Acontece que soltar um "eu te amo, caramba!" não é lá das tarefas mais fáceis. É árduo e leva tempo até a coragem aparecer. E nem todo mundo está disposto a esperar. Então vamos lá, não sou fã de segundas chances, mas o destino está gritando no meu ouvido como fui burra e terminar aqui, sozinha, não é lá das melhores opções a se escolher. Tenho um lápis, um papel em branco e uma vontade louca de permanecer ao seu lado, sei lá, até que a morte nos separe? Não seria tão mau assim.

Mau mesmo é essa dúvida. Esses "e se" rodopiando em minha mente. É isso, tenho todos os apetrechos para escrever a mais linda história. E você, topa fazer parte dela?

Diz para elas

30 julho 2013



Está decidido, não vou mais escrever textos no passado. Estou no presente observando você vivenciar todo seu tempo livre com outras pessoas. Não me dou o direito de te culpar ou julgar, sabe disso. Eu sigo minha vida, você segue a sua. Ambos não sabemos onde isso vai parar, mas não paramos de viver. O que me deixa cheia de você é ver sua patética tentativa de me substituir. Tá bom. Vai lá, tenta forçar o melhor abraço do mundo e volta aqui para me contar se deu certo, ta? Tenta forçar aquela sua piada mais sem sal, na qual eu sorria verdadeiramente. Vai lá e me diga qual foi a reação de cada uma delas, eu vou adorar saber de tudo isso. 


Diz para elas que você só fuma quando bebe e que isso nunca se tornará um hábito. Que esquecerá todas as pessoas com quem se envolveu, ou melhor, aquelas as quais você iludiu. Diz que é tudo muito novo para você e que nunca amou verdadeiramente. Elas vão adorar te desvendar. Conta que seu apartamento é uma bagunça e sua vida mais ainda, mas que elas podem arrumar tudo, se quiserem. Desabafa com elas sobre o quanto você se frustrou no seu último namoro e o quanto odeia pessoas ciumentas demais. Logo, elas se controlarão e você não terá problemas. Não esquece de dizer para elas o quanto você ama dias de chuva. Diz que eles te dão motivos para dar beijos quentes dentro do carro ouvindo qualquer música sem sentido, elas vão delirar. 




Se você me perguntasse, eu te diria que seu dia vai chegar. Que não dá pra conhecer o amor de verdade vivendo casinhos superficiais. Um relacionamento não serve só para matar a carência. Tem mil e um motivos para existir, entende? E as pessoas com quem você se envolve são sempre as erradas. Vazias, rasas, sem mil e um porquês. Faz um bom tempo que aprendi a ser direta com as pessoas. Seja sobre negócios ou sentimentos. Ah, quase me esqueci. Conta para elas que você adora fingir não ver o que elas sentem ou pensam ou te dizem nas entrelinhas, mas que sabe tudo. Aí elas vão te poupar das indiretas e falar tudo na lata.


E quanto a mim, vou sempre esperar por notícias suas. E se você não as der, vou procurar, vasculhar, te sugar. Talvez ainda diga algo sobre covardes por aí e você vista a carapuça, mas nada mais faz sentido. Nunca fez. Eu nunca deixei de ser a garota perfeita para você. Não sou muito superficial, nem exageradamente sentimental. Sou aquela que se encaixa perfeitamente no lado vazio da sua cama, no banco do seu carro e no seu coração. Mas nossas distâncias são erradas demais e os quilômetros que nos afastam não me deixam te fazer feliz. Uma pena. Um desperdício. Nossa história foi uma grande sacada do destino: pessoas perfeitas, distâncias erradas. Bem que me disseram que o amor não fazia o mínimo sentido.

Vai ser sempre você

26 julho 2013


Ele gosta de U2, o que rendeu uns bons pontos comigo logo de cara. E gosta de futebol, uísque e conversas ao pé do ouvido. Ele é um desses caras que a gente encontra poucas vezes na vida, e que toda garota vive sonhando por aí: compreensivo, legal, amigo, bom ouvinte, bom de cama, bom de coração. De todos os caras que já passaram na minha vida, ele, com certeza, foi o que eu menos mereci. Logo eu, toda errada e cheia de manias. Logo eu, que vivo entrando na contramão da minha própria vida para me sabotar. Se eu pudesse, de verdade, escolher, eu escolheria ele. Você sabe.

Eu tentei escolher. O cara da voz calma, dos planos reais, das escolhas certeiras. Foi ele que bateu na porta e entrou de mansinho, conquistando tudo aqui por dentro. Conquistou um espaço que eu nem sabia que existia, depois de você. Ele me deu a mão e se dispôs a encarar a coisa toda ao meu lado, acredita? Corajoso o menino, de sair por aí querendo enfrentar a minha vida e o meu jeito desafiador. Ele não se acuou quando eu recuei. E eu nem precisei contar de você. Aliás, o que mesmo eu tenho para contar de você? Você foi embora antes de começar a história. 

Já ele...ele não foi embora por medo. Não tremeu na base temendo me perder. Ele sabia que ainda nem me tinha, mas tentou me puxar de todas as formas. Chegou uma hora em que eu me deixei ir. Ficar parada no mesmo lugar esperando que você voltasse atrás e me roubasse para si não dava. Porque, ainda que por outro caminho, até você estava seguindo em frente. No fim, eu só tinha que dar os primeiros passos também. 

Ele me ensinou a me sabotar menos. Me fez descobrir que eu também merecia ser feliz. Colocou esse sorriso na minha cara e todos viviam falando que eu nunca estive tão bem. Ele gosta das mesmas pessoas que eu, dos mesmos lugares, das mesmas histórias e dos mesmos desafios. Dizem, até, que nós nascemos um para o outro. No final feliz, era com ele que eu deveria ficar. 

Só que, na minha história, eu nunca fui mocinha. Sempre levei mais jeito para vilã. E, por mais que eu sofra com o nosso fim, é ele que chora de saudade de mim. Porque, no fundo, eu nunca pude escolher. 

Eu sei e você sabe: vai ser sempre você.



*Post escrito pela colaboradora Karine Rosa. Karine: "Não sei cantar, não sei atuar, não sei desenhar e não me dou bem com cálculos. Um dia, uns desavisados aí disseram que eu sabia escrever. E eu, boba, acreditei. A verdade é que é a única coisa em que eu me dou razoavelmente bem. Então, vou indo, acreditando, escrevendo umas palavras, umas histórias, uns romances nunca publicados. Vai que dá em alguma coisa! Meu punhado de sonhos e meu coração bobo já deu nisso aqui." Leia mais textos da Karine AQUI.
Raiane Ribeiro: orgulho © 2011 - 2015 - Todos os Direitos reservados
Desenvolvido por: Pamella Paschoal