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Um amor para chamar de meu

07 agosto 2014



Você reconheceria esse momento antes? Você poderia jurar por todos os deuses e todas as crenças que nunca sentiu algo assim? Eu nunca soube quando era amor. Nunca soube distinguir um batimento cardíaco acelerado por paixão de um ataque de desgosto. Eu fazia um esforço absurdo para sentir alguma coisa além de nada, mas sempre desistia na metade do caminho. É como me imaginar agachada no chão do quarto, com dedos cruzados, esperando por um milagre chamado sentimento verdadeiro, mesmo defendendo a irracionalidade dele. Inevitável. Lamentável. Por favor, não pense que sou louca. Ou perseguidora. Muito menos dramática. É que sou sensível, sabe? Passei a vida toda escondendo minha sensibilidade em buracos negros dentro de mim. É como se, caso ela fosse descoberta, tudo acabaria. Tudo desmoronaria e eu ficaria em pedaços.


Amar é sofrer. Mas como conviver com a solidão de não amar? Sempre me isolei emocionalmente para que não tivesse frustrações indesejadas. Sempre carreguei o meu deserto particular para que, em meio à multidão, eu pudesse ter meu cercadinho branco cheio de cactus dolorosos e afiados. Aí você vem com lindos lábios e palavras insistentemente doces, o que eu poderia fazer? Eu não encontrei nenhuma estrada que não me levasse até você. Ouvir "eu te amo" e ficar corada nunca fez parte de mim, nem do meu sistema nervoso. Mas você se infiltrou até nas minhas veias e eu te carrego para todos os lados agora. Eu nunca amei de verdade, mas você, com sua droga de meiguice me convenceu de que a vida é muito mais bonita e encantadora quando partilhada.


Eu lutei arduamente contra esses sentimentos coloridos que invadiram meu mundinho preto e branco. Mas, provavelmente todos os poetas e poetisas estejam certos sobre a necessidade de amar e eu perdi a batalha. Eu encontrei um amor para chamar de meu. E essa foi, provavelmente, a guerra mais bonita que eu perdi.

Pode ir embora

19 junho 2014



Todas as frases, textos e trechos que me diziam para te esquecer nunca fizeram muito sentido. Todas as rezas da minha mãe e súplicas das minhas amigas, sempre foram em vão. Me cansei de bater de frente com o “você precisa virar a página, se quiser começar um novo capítulo”. Tentei a escrita, música e até um novo amor, mas sempre terminei em você. Hoje, depois de tanto tempo vivendo às cegas, tudo parece muito óbvio e claro. Então, te liberto. Pode seguir seu caminho em paz.

Depois de tantas idas e vindas, memorizei o caminho de volta para casa. O beco sombrio da rua 12 não me assusta mais. Logo, não preciso de você para passar por ele. A verdade é que você se afastou demais, sabe? Repentinamente e demasiadamente. Graças a Deus o ser humano tem essa capacidade enorme de adaptação. Se dependesse de mim, levaria anos. Mas acontece que mesmo não querendo, a gente se acostuma. Mesmo não suportando algumas coisas, a gente aprende a lidar. 

Sua ausência se tornou constante. Meu cachorro se acostumou com o canto vazio da cama e nem chora mais quando olha para ele. Acredite, eu também não. Aprendi, entre choros e filmes dramáticos, que o maior drama da vida é se submeter a esse sofrimento louco e doentio por quem nunca mereceu.

Pode seguir seu caminho, vai. Pode pegar a mala onde você escondeu todas as minhas lembranças e jogar bem longe. Ou abandonar em qualquer canto para que algum estranho me encontre perdida por aí. Só sei que não te pertenço mais. Talvez isso tenha acontecido há muito tempo. Digo, você abriu mão de nós antes de eu abrir mão de você. Dizem que a ordem dos fatores não altera o produto, descobri pelo nosso romance que isso só funciona na matemática mesmo. No meu caso, alterou o romance, as atitudes, os sorrisos... Tudo. Me perdoe por ser a última a abandonar o barco. Estou saindo, deixei a casa limpa e vou apagar a luz.

Não vou mais me importar se você não lembrar a data do meu aniversário, nem vou esperar ansiosa pela sua ligação. Não vou mais segurar uma lágrima, nem pedir perdão. Cansei de me culpar por um fim que foi mais seu do que meu. Cansei de sentir a falta de ar tomando conta de mim na busca incansável de te alcançar. Eu cansei de você e de nós e de ser estupidamente idiota quando o assunto é você. Eu cansei de me importar. Pode ir embora, aqui já não é mais o seu lugar.

*Texto inspirado na música Veranizar - Léo Fressato.

Hora de partir

31 março 2014

 

Minha dúvida neste momento era saber se ligava ou não para marcar nosso último encontro. Você sabe, sempre levo tempo demais para decidir sobre qualquer coisa em minha vida. Mas aqui estou, numa espécie de súplica para que você não deixe de ir. Não se abstenha da obrigação de me dizer adeus dignamente. Talvez eu demore, mas cumprirei meu papel com força e a sanidade que ainda me resta. Ou não. E se você perceber que meu carro não vem pela avenida, retome seu caminho que só vai adiante e não olhe para trás. Me espere uma hora, mas não mais que duas. Você não tem mais a amarga obrigação de esperar qualquer coisa de mim.

A verdade é que eu me cansei. Estou cheia, farta e saciada dessa nossa relação sem nexo algum. Não dá para viver em um relacionamento que só leva a gente para baixo, sabe? Não dá para aceitar uma relação que ao invés de acrescentar, aprisiona. Não dá para aceitar – não mais – esses silêncios intermináveis e a falta de um “eu te amo” verdadeiro. Você nem precisaria dizer, apenas mostrar, demonstrar e viver essas três palavrinhas. Mas ambos sabemos que eu ando fazendo isso tudo por nós e você assistindo a tudo de camarote.

A gente sabe que acabou quando percebe que ficar de joelhos não muda o estado da porta, que continua aberta anunciando uma partida. Dizer que vai ser diferente não altera sentimento algum. Lágrimas não libertam comoção. E o amor é mais que isso, entende? É bem mais que qualquer busca pelo inevitável. É bem mais que conversas e discussões que não chegam a lugar nenhum.
Eu estou farta. E eu vejo que portas batidas, gritos e climas fúnebres pelo o que está prestes a morrer de vez não recuperam sentimentos antigos. A gente precisa aprender a deixar as coisas irem. E mais que isso, eu precisava aprender a hora certa de abrir mão da gente, antes que nos destruíssemos de vez. A nossa hora de partir chegou.

Estou levando nossas boas lembranças na mala e deixando as minhas com você neste momento. Estou deixando você ir adiante. Talvez você sinta tristeza, agonia e pense que não sabe viver sem mim, mas acredite, você sabe. A gente acredita que ama muito mais uma pessoa depois que ela vai embora. E isso não é amor, querido. Entende onde quero chegar? Chegamos ao nosso limite. É uma pena que ainda não tenham inventado remédio para exaustão de amores.

Guia de como me deixar

17 novembro 2013

Peço encarecidamente, se é que eu ainda posso te pedir qualquer coisa, que você apague a luz quando sair. Deixe tudo limpo, tranque bem as portas e se despeça deixando este lugar assim como você o encontrou. Não é justo que as outras pessoas que entrarem aqui convivam com a bagunça que você fez. Peço também que você esvazie os armários, porque não quero me deparar com qualquer peça sua perdida pela casa. Elas não me fariam bem em uma noite chuvosa. Me devolva a cópia da chave do apartamento. Deixe embaixo do tapete assim como te ensinei, até que eu encontre um novo esconderijo para minha chave extra. Vai ser difícil colocar as coisas no lugar depois que você fechar a porta, mas continua sendo necessário.





Quem nos viu há meses atrás, não conseguiria imaginar o final dessa história. Eu me encaixava muito bem no seu peito e seu calor era o ideal para minha cama. Seu sorriso combinava com o meu e nossas mãos se entrelaçavam perfeitamente sem nenhum esforço exagerado. Tudo natural. Eu não sei muito bem aonde a gente se perdeu. Digo, estávamos predestinados a sermos felizes para sempre, certo? E agora, a única coisa que restou foi essa minha lista com instruções de como você deve fazer para deixar este lugar - supostamente - em paz.


Eu não me importaria em ter você aqui reclamando, gritando por melhoras ou fazendo qualquer alarde para salvar nosso final feliz. Mas acontece que de uns tempos pra cá você mudou muito. E ao invés de me transbordar, como costumava fazer, só aumentou meu vazio. Remexeu todas as minhas feridas numa tentativa incansável de reabri-las e me deixou aqui para que eu me virasse com um kit de primeiros socorros que eu nem tenho. Minha decepção foi tão grande que nem me lembro mais sobre como era ser feliz ao seu lado.


Te dei todas as opções e você poderia ter sido qualquer uma delas: amor, paixão, amizade, carinho, flerte. Só não imaginava que você escolheria, sem titubear, ser um adeus. Estou aprendendo a lamentar menos, cada vez mais, todos os dias. 


Torço muito para que não demore e que essa ânsia de ter você se vá junto com as malas que você está levando consigo hoje. Para bem longe.

A arte de amar

29 setembro 2013

Eu não sei o que é, de fato, o amor, disse baixinho. Uma frase curta e simples se propôs a causar uma catástrofe em mim. Depois de muito pensar, eu não sei definir o que é. Quando digo "eu te amo", me refiro a quê? Para mim, amor é assistir a um pôr-do-sol em boa companhia, sentir a chuva caindo de mansinho, ser feliz com alguém ou sozinho. É ter aquele abraço que chega sem que seja preciso pedir e, em meio ao silêncio, diz mais que todos os meus textos reunidos em uma folha qualquer.




Eu me lembro quando disse que amava alguém pela primeira vez. A gente estava em um carro e em meio a uma conversa qualquer eu soltei: "eu te amo". Acho que nunca assustei tanto um cara em toda minha vida. Ele foi educado o bastante para dizer que amor era uma palavra forte demais. Coisa que só fui entender um bom tempo depois. Acontece que hoje é normal amar. Você ama tanto quanto odeia e são raros os relacionamentos que prezam por carinho e não declarações virtuais. O amor é muito mais que isso, entende? Talvez leve tempo para que você veja isso, assim como aconteceu comigo. Mas esse dia ainda chega.


Quando o amor de verdade chegar, você vai saber que é ele. Vai se sentir livre e presa ao mesmo tempo. Vai andar nas nuvens. Já se sentiu infinita? É o que acontece quando ele aparece. Eu não sei o que é o amor, talvez seja verdade. Mas sinto que amo muitas coisas. Amo receber aquela sms que chega de surpresa no meio do dia. Amo beijo roubado enquanto estou andando na chuva. Amo sentir uma paz profunda mesmo que esteja em total agitação. Amo o cheiro que fica na minha roupa depois de um abraço apertado. Amo ouvir uma música, que apesar de triste, é linda e me faz chorar de felicidade. Eu não sei nada de amor, só sei que amo. E saber lidar com o amor é uma arte. Ele é tão contraditório que me joga em certos abismos e me salva todos os dias.

Ausência

20 setembro 2013

Sabe o que eu queria nesse exato momento? Queria que você estivesse aqui. Eu já disse isso antes? Me desculpe, é a força do hábito. Queria provar para você que tudo o que eu sinto é real, mesmo que você já saiba. Queria sussurrar no seu ouvido que nossa sintonia é única e que nossas raras brigas não alteram em nada meu sentimento puro e transparente por você. Eu poderia jurar que dessa vez seria diferente. Digo, nada mais foi igual desde que te conheci, concorda? Você era o frio, eu o calor. E em nossas certidões nossas distâncias eram bem claras e óbvias. No entanto, o que importava naquele momento era que você estava próximo o suficiente e eu não precisava de mais nada.


Queria te contar um segredo: me flagrei fazendo questionamentos sobre quando foi que vacilei com o destino. Porque eu devo ter cometido um crime imperdoável para merecer um castigo tão grande assim. Ele precisava mesmo te tirar de mim? Te levar para longe e puxar todos os meus sonhos - que queriam permanecer aqui - pelo braço dessa forma? Tudo bem, coisas da vida, eu entendo. Eu sempre soube que nós duraríamos, sabe? Talvez não deixasse isso claro sempre. Mas você viu minha luta por nós dois. Percorri caminhos que não conhecia muito bem, enfrentei estradas, pessoas estranhas e nossa distância de frente. Fui em frente. E de tanto ir, segui sozinha.





Talvez tenha aparecido outra pessoa naquela época ou seus amigos estavam te consumindo demais. Não sei explicar muito bem o que aconteceu. Mas, convenhamos, eu não precisava vir aqui te contar nossa história, até porque você já a conhece por inteiro, não é mesmo? Eu sei. Mas é que ainda não consigo entender muito bem o que houve. Você era o cara perfeito que vivia no meu conto de fadas e de repente, não era mais. E eu me peguei lutando sozinha por nós dois. E ver você escorrendo por meus dedos me corroía por dentro todos os dias. Dói falar sobre você. Dói falar seu nome. Dói ter que conhecer lugares novos para ver se encontro um outro você perdido por ai. Um outro alguém que mexa comigo tanto quanto você conseguiu. Dói ter esse alguém e ainda assim me sentir sozinha. Que fique claro que este não é um pedido para que você volte. Esta não é mais uma súplica por atenção. Sou só eu, de novo, tentando encaixar fatos tão desconexos. Não vou forçar surpresas do destino.


Ainda ouço sua voz dizendo que me ama, mas que por motivo de força maior, era o fim. E quero que você saiba que aqui tudo continua igual. Que por mais que eu fuja para um outro continente, nada muda. Talvez a gente se reencontre, talvez só a minha presença baste para você um dia. Talvez você volte. Talvez, numa outra ocasião, os quilômetros não maltratem tanto o nosso amor.



Texto encomendado por Beatriz Perçú. Quer sua história escrita por mim? Mande um e-mail para raianeribeirocontato@gmail.com e boa sorte =)

Pelo direito de amar um canalha

29 agosto 2013

Nunca amou um canalha quem não conhece o gosto da busca desiludida. Você corre atrás da sua felicidade, mas nunca chega ao final da estrada. Grita, xinga, berra, faz birra mas não deixa de gostar. Diz que nunca mais vai voltar e seu adeus dura apenas algumas horas. O sorriso dele te fascina, não é mesmo? Eu sei. Só quem desiste da promessa de eternidade sabe o que é amar um cara inconstante. Instável. Ele te leva da Antártida ao Nordeste em questão de segundos. Um olhar, um toque e toda a sua frieza desce pelo ralo.



Nunca amou um canalha quem não sabe o que é esperar por aquela ligação que não vem no dia seguinte. Se irritou, odiou e logo após perdoou, não é mesmo? Se deixou levar pela conversa mole, jeito meigo e por aquele mistério que serve apenas para esconder sentimentos que não existem e declara mentiras doces demais. O veneno dele te cura, é isso? Você sabe que não deve, mas foge do que precisa e se agarra ao perigo? Pois bem, bem-vinda ao clube.


Nunca amou um canalha quem nunca perdeu o controle dos pensamentos. O dia está atarefado, tem reunião, casa, faculdade, mas ainda assim, ele se faz presente. Aí você perde seu tempo e seu orgulho em uma briga qualquer. Vai negar? Ele tem esse poder, menina. Você não foi a primeira, nem será a última. É a lei da vida amar um canalha. Eles vêm, chegam rápido e vão embora na mesma velocidade. Eles são aquelas coisas proibidas que você faz pelo prazer de não poder.


Quem nunca amou um canalha, que atire a primeira pedra. Eles aparecem do nada, você se entrega, se apaixona, sofre, supera e aprende a se amar de verdade. Esse é seu ciclo, são os espelhos da vida. Tem essa função: nos ensinar a nos valorizarmos. Nove em cada dez mulheres sofreram por um canalha e nem por isso deixaram de viver. Um canalha é o remédio para todo mal de amor. Amar um canalha é bom pela diversão, necessário pelo amadurecimento e indispensável pela experiência. Amar um canalha é amar. Dispensa maiores comentários.

Quem sou eu

25 agosto 2013



Eu sou o tipo de pessoa que não liga no dia seguinte, nem me dou o trabalho de mandar mensagem. Está assustado? Acontece que os homens criaram esse tipo de expectativa em relação as mulheres. O que não me faz menos feminina, claro. Eu já acreditei muito nas pessoas. Já quebrei a cara, chorei, voltei sozinha para casa. Sabe esses dilemas sentimentais que toda adolescente-menina-quase mulher desabafa em seus tumblrs por aí? Passei todos em silêncio. Engoli sapos que não eram príncipes e meu orgulho ferido.


Agora você me encontra perdida por aí, cheia de indiferença e se pergunta o que houve comigo. Quer que eu diga mesmo? Acontece que eu decidi fugir da dor. Eu corro, fujo, me escondo embaixo da cama. Decidi ignorar cada chamado do passado e deletei qualquer lembrança assombrosa. Uso sorrisos que não são meus mas que, eu sei, um dia serão. Compro perfumes que não me remetem a nenhuma carência escandalosa. Percorro caminhos que me levam a lugar algum porque o destino é meio assustador. Me deixo levar.


Sou egocêntrica, teimosa, difícil de lidar e escandalosamente diferente de tudo o que você já viu ou imaginou ver nessa vida. Não a mais bonita, nem mais engraçada, nem mais inteligente, nem nada em exagero de qualquer adjetivo comum. Eu sou tudo e nada ao mesmo tempo, fora do comum. Não espere muito de mim porque eu frustro minhas próprias expectativas. Saio do roteiro pela graça de quebrar a rotina. Esqueça seus conceitos sobre mim e me descubra. Eu sou o mistério que você vai adorar desvendar.

(Re)escrever

23 agosto 2013

Há muito tempo não escrevo sobre você, e talvez por esse mesmo motivo, você pense que eu o esqueci completamente. Não me leve a mal, me desliguei de tudo. Tenho escrito bastante ultimamente e todo mundo acha que me conhece, acredita? Você que me rotulava como "a misteriosa", "a indesvendável", cairia o queixo se soubesse disso. Acontece que nem tudo é tão simples assim. Não é fácil falar de mim, nunca foi. Escrevo sobre tudo o que vejo, tudo o que imaginei, senti, idealizei. E as pessoas me tratam como se conhecessem até o fundinho obscuro da minha alma. Calma lá, não é bem assim.



Mesmo que raramente, eu me exponho completamente. Abro as feridas, remexo cicatrizes curadas, faço um auê sentimental por puro hobby. Algumas pessoas acham graça, sentem minha dor, choram comigo ou se colocam no meu cenário individual. Tudo bem, eu quem escolhi dar a cara para bater. Será que elas ainda agiriam assim se soubessem o quanto fui covarde com você? Eu poderia ser franca e dizer logo: perdi o amor da minha vida por puro medo. Elas entenderiam? Você não. Mas eu te entendo, nunca fui das mais fáceis de lidar mesmo.

Acontece que soltar um "eu te amo, caramba!" não é lá das tarefas mais fáceis. É árduo e leva tempo até a coragem aparecer. E nem todo mundo está disposto a esperar. Então vamos lá, não sou fã de segundas chances, mas o destino está gritando no meu ouvido como fui burra e terminar aqui, sozinha, não é lá das melhores opções a se escolher. Tenho um lápis, um papel em branco e uma vontade louca de permanecer ao seu lado, sei lá, até que a morte nos separe? Não seria tão mau assim.

Mau mesmo é essa dúvida. Esses "e se" rodopiando em minha mente. É isso, tenho todos os apetrechos para escrever a mais linda história. E você, topa fazer parte dela?

Diz para elas

30 julho 2013



Está decidido, não vou mais escrever textos no passado. Estou no presente observando você vivenciar todo seu tempo livre com outras pessoas. Não me dou o direito de te culpar ou julgar, sabe disso. Eu sigo minha vida, você segue a sua. Ambos não sabemos onde isso vai parar, mas não paramos de viver. O que me deixa cheia de você é ver sua patética tentativa de me substituir. Tá bom. Vai lá, tenta forçar o melhor abraço do mundo e volta aqui para me contar se deu certo, ta? Tenta forçar aquela sua piada mais sem sal, na qual eu sorria verdadeiramente. Vai lá e me diga qual foi a reação de cada uma delas, eu vou adorar saber de tudo isso. 


Diz para elas que você só fuma quando bebe e que isso nunca se tornará um hábito. Que esquecerá todas as pessoas com quem se envolveu, ou melhor, aquelas as quais você iludiu. Diz que é tudo muito novo para você e que nunca amou verdadeiramente. Elas vão adorar te desvendar. Conta que seu apartamento é uma bagunça e sua vida mais ainda, mas que elas podem arrumar tudo, se quiserem. Desabafa com elas sobre o quanto você se frustrou no seu último namoro e o quanto odeia pessoas ciumentas demais. Logo, elas se controlarão e você não terá problemas. Não esquece de dizer para elas o quanto você ama dias de chuva. Diz que eles te dão motivos para dar beijos quentes dentro do carro ouvindo qualquer música sem sentido, elas vão delirar. 




Se você me perguntasse, eu te diria que seu dia vai chegar. Que não dá pra conhecer o amor de verdade vivendo casinhos superficiais. Um relacionamento não serve só para matar a carência. Tem mil e um motivos para existir, entende? E as pessoas com quem você se envolve são sempre as erradas. Vazias, rasas, sem mil e um porquês. Faz um bom tempo que aprendi a ser direta com as pessoas. Seja sobre negócios ou sentimentos. Ah, quase me esqueci. Conta para elas que você adora fingir não ver o que elas sentem ou pensam ou te dizem nas entrelinhas, mas que sabe tudo. Aí elas vão te poupar das indiretas e falar tudo na lata.


E quanto a mim, vou sempre esperar por notícias suas. E se você não as der, vou procurar, vasculhar, te sugar. Talvez ainda diga algo sobre covardes por aí e você vista a carapuça, mas nada mais faz sentido. Nunca fez. Eu nunca deixei de ser a garota perfeita para você. Não sou muito superficial, nem exageradamente sentimental. Sou aquela que se encaixa perfeitamente no lado vazio da sua cama, no banco do seu carro e no seu coração. Mas nossas distâncias são erradas demais e os quilômetros que nos afastam não me deixam te fazer feliz. Uma pena. Um desperdício. Nossa história foi uma grande sacada do destino: pessoas perfeitas, distâncias erradas. Bem que me disseram que o amor não fazia o mínimo sentido.

As verdades que ninguém conta

01 julho 2013

Há quem diga que amor de verdade a gente só tem uma vez na vida. Queria eu que fosse verdade. Ah, seria ótimo. Encontraríamos aquela pessoa que muda a temperatura do nosso corpo em questão de segundos, que com uma palavra conforta uma vida inteira de lamentações e saberíamos que se ela partisse, acabou. Seria bom ter plena convicção de que nunca mais sentiríamos a enorme dor do adeus, mesmo que o disséssemos milhares de vezes. Nossa alma gêmea partiu, e nenhum outro envolvimento é digno de dor. Não teríamos medo de confiar, nem mediríamos as entregas. Seria perfeito!

A questão é que nossos amores são sempre passageiros. Vez ou outra tentam dirigir nossas vidas e nos levam à loucura. Nos dão uma rasteira daquelas e, de repente, estamos de joelhos e sem reação. O que não nos contaram sobre eles, é que sempre vai haver um outro amor. Diferente, melhor. São únicos em sua essência, mas a variedade é enorme. E todas as vezes em que um partir seu coração, você saberá que um próximo o aguarda.



Metades da laranja não existem. Tampa da panela? Que nada! Somos um mundo repleto de frigideiras que, de vez em quando, se mostram capazes de viver em harmonia. Trocadilhos à parte, somos sozinhos. Mas sempre encontramos em alguém uma vontade de cuidar, estar perto, de ter. Entende o que quero dizer? Os contos de fadas criaram em nossa cabeça uma visão de um amor que não existe. Estamos constantemente trocando de amores e modificando o sentimento. Um dia encontraremos aquela pessoa que nos faça não querer ser de mais ninguém. E aí termina a busca. Isso não significa que ela é insubstituível, mas que a vontade de ficar junto é maior.

Eu gostaria muito de amar apenas uma vez na vida para nunca mais sofrer por amor de novo. E sabe o que eu vejo? Que isso é impossível e faz parte da graça que há em viver. Não te contaram ainda, mas você vai se apaixonar sempre. Pela mesma pessoa ou por várias outras. E ela vai te decepcionar, acredita? Vai sim. E quando você pensar que não nasceu para isso e que o amor não faz o mínimo sentido, vai se flagrar amando. De novo.

Sobre conselhos, fórmulas e sorrisos

27 junho 2013


Solte os braços. Inspire. Vá para a academia. Medite. Diga o que sente, mas não exagere. Estes são conselhos que ouço todos os dias. E quase todos os dias alguém tenta uma nova forma de me moldar. Não entendo como algo tão incerto pode atrair tantos ajustes indesejados. Eu não quero que me consertem. Nem que me digam para manter a calma ou amar mais ao próximo. Meu amor tem sido grande e egoísta o suficiente para amar apenas o sorriso que vejo no reflexo do espelho. Às vezes aberto, às vezes acanhado, outros que só chegam até o canto da boca e tem também aqueles que pedem licença as minhas orelhas pois eles querem passar.

Aprendi a fórmula certa para que ele ocupe sempre o mesmo lugar. E não revelo. Vez ou outra aparece um desses cavalheiros de armadura prateada que prometem o céu e a terra no intuito de roubá-lo de mim. Mas mal sabem eles do meu seguro. E da minha segurança em relação aos amores de verão, primavera, outono ou qualquer outra estação que necessite de algum estoque de sentimentalismo barato, vinhos e romances clichês de filmes sem a mínima noção do que é bom gosto.

Sabe o arrepio que vai da última ponta de fio de cabelo até o dedinho do pé? Nem reconheço mais. Ou finjo não conhecer. A verdade é que essa história de arrepios e frio na barriga sempre acaba com um iceberg no lugar de um coração. E isso tudo já encheu o saco. E todos os melodramas não tem mais sentido. Porque tenho um apego imenso pelo meu desapego e pelo meu vazio - denominado assim por parentes e amigos próximos. O que chamam de vazio, eu chamo de paz. O que chamam de egocentrismo exagerado, eu chamo de amor próprio. E sei que os significados distorcidos não vão parar aí.



Gosto de brindar minha felicidade de um jeito sutil. Sempre lutei por minhas coisas e nunca precisei passar por algo que não fizesse parte do meu eu. Sempre fui clara, mesmo em meio a escuridão em que às vezes vivo. Sempre mantive minha fé intacta em minhas míseras chances de sucesso. E acreditei em mim quando mais ninguém fez isso. Depois sorri pelo prazer de mostrar o resultado para aqueles que torceram contra. Quer um conselho? Sorria. Só ria. Ria de tudo aquilo que tenta, de uma forma inútil, te prender a coisas passadas, ultrapassadas ou aquele velho lixo sentimental. Sorria, porque a única coisa que vale a pena nesse mundo é a sua felicidade. Depois dela, priorize apenas as pessoas indispensáveis para que você seja feliz: você, você, você de novo...

Plano B

23 junho 2013



Olhe para mim enquanto viro a esquina? Tá, fiz isso rápido demais. Vamos tentar de novo. Corre lá, pegue o jornal e veja como anda nosso horóscopo e se fomos feitos um para o outro. Se ele disser que não, brigue com ele. O faça saber que independente do que diz nossa condição astrológica, eu ainda me importo com você. Agora se ele insistir, conheço um site que dá exatamente a probabilidade de dar certo entre a gente. Mas se nada disso der um resultado positivo para o nosso futuro, a gente muda a rota.

Podemos seguir os passos daquela revista sobre conquistas. Eu te ignoro no começo da nossa futura relação para que você me note toda preto e branco no meio de tanta gente colorida - e iguais. Aí você vê algo de diferente em mim. Vê que tenho um papo legal e mania de mexer no cabelo quando estou nervosa. Que dou sorriso sarcástico para disfarçar a dor e tenho más respostas sobre o amor para esconder a necessidade de sentir. 

Te deixo descobrir tudo sobre mim. Aos poucos, que é para não perder o encanto logo cedo. E me atrevo a dizer que já sei praticamente tudo sobre você, só de te olhar. Sei que gosta de preencher a falta que não cabe em seu peito com noites vazias que só aumentam o rasgo do teu coração. Mas sua masculinidade nunca te permitiria admitir isso e eu te entendo. Sei que tem um jeito meio egoísta, daquele tipo que sabe tudo, mas no fundo não entende nada. E faz piadinhas sem graça para disfarçar a falta de assunto.

Eu poderia te contar tudo que sei de mim e em que parte da sua vida eu me encaixo perfeitamente. Mas seria uma brincadeira de muito mau gosto com o destino. Eu vejo todo o esforço que você faz para parecer menos infeliz quando a receita pronta que você tanto precisa está bem diante de você. Seu egocentrismo te cega às vezes, não é mesmo? Eu sei bem disso. Você precisa se encontrar urgentemente e não cabe a mim fazer o trabalho sujo para que isso aconteça. Eu observo tudo e sei todas as chances que temos, mas no momento só consigo pensar que o melhor seria você procurar um plano B. Porque o seu atual está cada vez mais insuportável. E logo você descobrirá isso.

Tarde demais

09 junho 2013

Ouvi o barulho da batida da porta e colei meu corpo no chão assimilando seu olhar frio que seguia em frente. Eu gritei com a alma para que você ouvisse, olhasse, falasse ou fizesse qualquer coisa que te fizesse parecer mais humano e mais sentimental, mas nada funcionou. Você seguiu adiante como havia dito e, sem sombra de dúvidas, tomou seu rumo e partiu. A questão aqui nunca foi o fato de você ir embora, mas sim o fato de nunca ter olhado para trás. Nem sequer por um segundo.


Eu li todas as revistas e livros e assisti a todos os filmes cults para ter assunto com você. Descobri mais sobre astrologia e sobre os planetas, mas nada disso funcionou. Eu engoli um dicionário inteiro e guardei minhas melhores metáforas para você, mas aí o que você fez? Virou as costas e não me deu nem uma olhadinha de canto de olho. Nadinha. E eu fiquei lá, agarrada ao meu último suspiro e de luto pelo nosso amor.


Continuei a ir nas reuniões dos nossos amigos. Todos eles me diziam que não te reconheciam mais e que eu não deveria sofrer tanto assim. A cada palavra de conforto, eu enfiava uma espada no meu peito que era pra tapar a dor de não te ter sentado naquela mesa. E me enchia de coragem para dar o sorriso mais covarde que poderia escapar da minha boca. Eu conseguia.


Me desculpei por todas as suas burrices e falhas diante deles. Assumi total responsabilidade pelo seus erros. Disse que eu era cheia desses sentimentos loucos e que quase sempre sufocam a gente. Disse também que eu era muito para sua mente livre e te livrei de todo e qualquer possível julgamento. Engoli o orgulho, vomitei um mundo de certezas e promessas que nem eu mesma sabia que existiam. E você? Não tentou nem espiar pelo buraco da fechadura. Nada de me encarar de vez e acabar com todo martírio.


Aí então eu resolvi aceitar o seu adeus que de tanto doer, não me doía mais e esquecer o seu olhar que não me viu. Sequei o rio de lágrimas que inundava todos os meus dias e comprei um óculos novo para enxergar melhor quem está perto. Observar mais essas pessoas próximas que realmente importam, sabe? E comecei a seguir em frente. Não como nesses surtos de adolescentes que acham que postar frases de desapego no facebook resolve alguma coisa. Doía, doía todos os dias. E eu me levantava cada vez mais forte. Curei todas as suas cicatrizes dia após dia, choro após choro. E num belo dia o sol brilhou mais forte. E as feridas? Bem, nem percebi que elas estavam ali. Me senti tão aliviada, tão curada, tão eu, que nem percebi que era você passando do meu lado.


E então, nesse dia, eu descobri que a vida é estranhamente e absurdamente irônica: nossos olhos se desencontraram. Porque, exatamente no dia em que eu resolvi olhar para frente, você olhou para trás. 

As coisas que eu não disse

28 maio 2013


No dia em que você foi embora, milhares de coisas passaram pela minha cabeça. Eu tinha vontade de te ligar e dizer que você era estúpido demais para permanecer ao meu lado por muito tempo. Que meu sorriso era grande e aberto e seu pavor não poderia me entristecer. Mas enquanto isso, permanecia dura na cama feito estátua olhando para o relógio, congelada por sua frieza. Tentei toalha úmida e banho-maria que era para ver se meu corpo aquecia, mas nem que eu entrasse em água fervente eu conseguiria isso. Meus pais, amigos e qualquer outro familiar - que a gente tanto criticava baixinho nas festas - me olhavam com pena e sussurravam como se eu não pudesse os ouvir dizendo: "essa aí, coitada, perdeu os sentidos depois de que o fulaninho lá partiu, só Deus na causa".


Eu tentava me reerguer para discutir com eles sobre como nosso caso nunca foi qualquer casinho digno de fofocas familiares em festas dominicais. Em vão. Não que sua falta me doesse tanto assim, acredito até que já havia superado você e sua infantilidade sem tamanho. Mas é que a dor de amor renova a gente, perceba. Você quer acordar melhor para a vida e o mundo, mesmo sabendo que é possível que isso não funcione e que a perca de tempo talvez te afunde mais ainda. Mas você tenta. Contra a preguiça, o mau humor e tudo o que te arrasta para trás vira motivo para se manter em pé. Eu vejo beleza na dor. Eu me vejo no espelho com o rímel borrado e a maquiagem velha e não enxergo absurdo algum nisso, porque a solidão de amar corrompe qualquer princípio ou forma regrada de viver.



As coisas que eu não disse talvez não façam o minimo sentido para você, porque tenho certeza que você espera arrependimento, choro ou esse texto terminando comigo te implorando para voltar, mas não. A dor de amor machuca na mesma proporção em que cura. Irônico isso, não? Todas as vezes em que sofri por amor, me renovei. Todas as vezes em que chorei, me banhei de felicidade logo após. E todos os dias em que passei na cama por não ter forças e nem a minima vontade de seguir em frente, eu me recompus e compus as melhores partes que poderiam haver em mim.


Sua falta me doeu muito naqueles dias. E naquelas noites. E nas palavras não ditas. Mas hoje, querido, a lua muda a forma, o vento bate mais forte e a chuva chega sem trazer melancolia alguma. A cicatriz nem lateja mais. É como se nunca houvesse algum você em minha vida. E não digo isso para cuspir no prato em que comi ou para disfarçar um passado sujo. Digo verdadeiramente: sua presença me doeu, sua falta me doeu, viver você e não viver contigo me doeu muito. Mas as coisas que eu não disse não vieram para trazer à tona sentimentos amargos sobre passado, pelo contrário. Eu os trouxe para dizer que você me doeu muito, mas viver frente à angústia que foi amar você me fez crescer. A ponto de fazer eu nem conseguir te enxergar mais.

Ciranda da vida

17 maio 2013

Cabeça baixa, olhando o chão nos olhos e o fone de ouvido gritando algo que parecia uma música, ou deveria ser, não sei. Ando meio distraída e tentando me preocupar mais com a previsão do tempo do que qualquer outra coisa. Já me preocupei demais. Já me ocupei demais. Já me descabelei demais. Dei um basta, isso mesmo. Decidi que escolher entre ser mais ou menos, boa ou ruim pros outros não faz a menor diferença e o que importa no final do dia é o peso da minha consciência no travesseiro. Sei que na maior parte das vezes não faço nada certo, mas prezo pelo reconhecimento quando tenho algum acerto perdido no meio das minhas inúmeras falhas. E todo mundo insiste o tempo todo em atirar pedras nos outros pra tentar tapar os próprios buracos.

 


Foi assim que eu aprendi a vestir minha armadura e preparar meu escudo sempre que possível ou então logo me canso e visto apenas uma capa da invisibilidade pra me poupar dessas caras abatidas que tanto procuram o que julgar. Tem muita gente se fantasiando de triste pra questionar a felicidade alheia. Tem muita gente se escondendo no escuro pra apontar o brilho do outro. Tem muito homem se cobrindo de músculos pra esconder o coração. Tem muita mulher fechando a alma e abrindo os braços, as pernas e todo o resto. É muita gente se enfiando em buracos escuros pelo simples medo de encontrar o que procura e não ter mais pelo quê procurar. E eu me canso constantemente da hipocrisia humana e da busca por motivos para se tornar vítima da própria história e decido me importar menos, me valorizar mais, olhar mais pro fundo da minha alma e esquecer toda essa tolice e mundinho preto e branco em que a gente vive. E de repente todos os clichês do mundo são minha única e melhor saída, mas então percebo que odeio clichês e retorno pra minha realidade agitada vivida em cima da minha cama enquanto olho pra um quadro abstrato. As saídas parecem um pouco tortas demais, mas que se dane, porque nada é certo nessa vida.


E aí eu me lembro de esquecer dessas bobagens todas. Deve ser pedir muito que as pessoas sejam de verdade. E que deem sorrisos verdadeiros. E que se doem e se doam quando for preciso. Deve ser muito pra alguém dar um sorriso aberto e um bom dia pro porteiro. Ser inteiro e, ainda assim, deixar que alguém seja sua metade. É pedir demais que a gente sinta nossa alegria em paz sem que a inveja chegue e acabe com tudo e que as pessoas parem de usar os outros como escada pra subir na vida? Não, não é pedir muito. Mas eu peço. Eu suplico, na verdade. É que tá doendo, sabe? Machuca. Ser de verdade em um mundo de mentiras me corrói a alma quase que por completo.

Riscos

28 abril 2013

Você bateu a porta me deixando sozinha, mas não posso reclamar já que ameacei fazer isso por tantas vezes, a diferença é que eu pensei em você, em mim e na gente. As minhas tentativas frustradas de ir embora foram bombardeadas pelo seu olhar triste e pela sua carinha de medo de ficar só. Uma música inacabada, uma melodia solta no ar, dois corações quebrados e um medo inexplicável. Muitas coisas passaram a não fazer sentido mais. Me pegava no clichê de pensar em você a todo momento. Carreguei a culpa de ter cometido os erros que te fizeram partir.


Após dias de angústia e solidão você voltou. Voltou com chateações e tristezas estampadas na cara, eu sentia cada respiração aflita sua como uma pontada de culpa no meu coração. As coisas já não são mais iguais, já não fluem naturalmente. O seu medo de se machucar entra em conflito com o meu de errar novamente, seu tempo de cura me deixa sem saber como agir e acabo não agindo.

Cada “bom dia”, “boa noite”, “saudades” ditos são cautelosamente pensados e pensados. Todo ato se torna arriscado, um momento de descuido e tudo pode voltar a ser passado. Vivendo em alta adrenalina 24 horas por dia. Mas a felicidade que você me proporciona, o bem que você me faz, o quanto seu sorriso ilumina meu dia, faz tudo valer a pena. E cada risco vira uma brincadeira nada divertida do tipo “faça o seu melhor”, e meus dias vão sendo assim.




Texto escrito pela nova colaboradora do blog, Letícia Pinho, uma publicitária em formação que se encontrou de corpo e alma nas palavras. Uma intensa desastrada que transforma tudo que vive e sente em frases desconexas que um dia amanhecem fazendo sentido. Tem pensamentos que pedem por liberdade e é movida por sentimentos. Uma eterna apaixonada pelo som, sentido e forma das palavras. Vocês encontram a Letícia no Twitter (segue lá).


*Gosta de escrever? Mande um e-mail para raianeribeirocontato@gmail.com com seu texto/blog, seu texto pode ser publicado aqui!

Tudo o que você poderia ter feito

27 abril 2013

Você bem que podia ter mudado. Deveria ter dito coisas vagas que, de um jeito ou de outro, preenchiam buracos no peito. Você deveria atender as minhas ligações no meio da noite, elas revelariam coisas que você levou toda uma vida pra tentar descobrir. Você bem que podia ter notado certas coisas e não ignorado como sempre fez. Fingir não ver um sentimento não é a melhor forma de destruí-lo, sabia? Nunca entendi suas atitudes, mas sempre as aceitei. Em silêncio. Tinha em mente que por pior que fossem seus erros, em nome do nosso amor, valia a pena relevar.


Sabe as flores que eu tanto gosto? Você arrancaria enormes sorrisos da minha boca se me surpreendesse com uma delas num dia completamente normal. Não precisava de serenata, nem de jantar romântico ou alarde algum. Poderia ser assim, no ouvido mesmo, quietinho, calmo. Sabe que nunca gostei de coisas mirabolantes. Mas você preferiu a frieza do silêncio à tentativa de restauração do nosso amor. E deixou meu coração em pedaços.


Você bem que podia ter recolhido os cacos mas preferiu reduzi-los a pó para que não houvesse chances de renascimento. E me cortou tanto. Me doeu tanto, você nem imagina. Mas como era de costume, resolvi (re)levar. Levei pra fora da casa, da alma e do coração tudo o que me trazia você. E me esqueci de te lembrar nas noites de chuva, nas comédias românticas e em nossa roda de amigos. Conheci pessoas novas. As levei pra dentro da minha insanidade que você tanto julgava. Descobri que há quem goste, acredita?


Fiz e refiz várias coisas e deixei de pensar nas chances que você perdeu por não estar totalmente preparado pra mim. Ou pra qualquer coisa que te tomasse a alma por completo. Você bem que podia ter feito tantas coisas no ontem, no agora, no nosso amanhã. Mas não fez. Nem ao menos tentou, o que é pior. E depois de tanto tempo sofrendo por você, me propus a te dar uma missão pro nosso hoje: você bem que podia sumir, porque de tanto tentar se matar na minha vida, você conseguiu morrer aqui dentro de mim.

Sem você

21 abril 2013

E de repente me dá uma vontade de saber como você está, onde tá, o que tá fazendo, se tá bem ou com outra crise de dor de cabeça. Mas me lembro que você se foi e nem sequer teve o trabalho de olhar para trás pra saber se eu ficava bem. Sua partida me doeu, sangrou e ainda sangra. A ferida não fecha, não seca, não diminui, e a cada dia lágrimas e mais lágrimas são derramadas ao deitar. 


Lembra como eram nossos domingos? Nós dois de conchinha, filmes e séries, conversa ao pé do ouvido, John Mayer no violão, mãos nas mãos... Hoje os domingos são frios e solitários, não faz mais sentido levantar da cama. “The walking dead” só me traz tristeza, pois comecei a assistir porque você gosta, assim como você se encantou por “Dexter” por ele ter um pouco de mim.

Os dias começam e acabam com a mesma sensação de vazio, um sinal no Whats app e o coração vem parar na boca, mas não é você. Aliás, nunca é você, não é você no carro de trás, não é você no chat do facebook, não é você nas ligações durante a noite, só é você nas minhas lembranças.
Não vou dizer que vai doer pra sempre, o tempo cura e há de curar todas as feridas, mas ainda dói. A vida continua, levo nosso “caso”, “rolo”, ou qualquer outra definição que vier a preferir, como um aprendizado, uma experiência de vida. Não para não amar ou me entregar mais, mas para ter a certeza que antes assim do que não ter a oportunidade de sentir... Talvez tenha valido a pena!




Texto escrito pela nova colaboradora do blog, Letícia Pinho, uma publicitária em formação que se encontrou de corpo e alma nas palavras. Uma intensa desastrada que transforma tudo que vive e sente em frases desconexas que um dia amanhecem fazendo sentido. Tem pensamentos que pedem por liberdade e é movida por sentimentos. Uma eterna apaixonada pelo som, sentido e forma das palavras. Vocês encontram a Letícia no Twitter (segue lá).

Gosta de escrever? Mande um e-mail para raianeribeirocontato@gmail.com com seu texto/blog, seu texto pode ser publicado aqui!

Férias de mim

07 fevereiro 2013

Não sei se deixo um bilhete, uma carta, um e-mail ou só um sinal de fumaça pra dizer que estou partindo. Isso mesmo, vou fazer uma viagem. Preciso mergulhar de cabeça em mim e respirar ares que não conheço ainda. Preciso me descobrir pra poder ser algo diferente do que sou agora. Não quero desabafar com amigas e ouvir os mesmos clichês que dizem "você merece o melhor", "você precisa tentar" e blablabla. Quero quebrar a cara sozinha e aprender com minhas lágrimas, porque quebrar a cara com os outros só tem me feito chorar e aprendizado zero. 



Quero deixar de ser adeus. Quero deixar de ser distração. Quero deixar de ser um conto breve ou um drink num bar qualquer, entende? Preciso me desprender de tudo o que me impede de ser feliz. Olhando sua foto eu vejo que tenho tudo o que preciso, mas não permito que seja só isso. Quem se contenta com finais felizes? E então eu vejo que tenho algum problema porque sinto que sou a única pessoa no universo que não se contenta com a felicidade. Ser feliz me dói. Sorrir me dói. Viver sendo eu mesma me dói, então me escondo em qualquer fantasia empoeirada dentro de mim.


Entende a complexidade do sentir? Tudo o que eu quero, quero logo. E de repente, não quero mais. Tudo o que eu faço, faço às pressas pra combinar com a minha intensidade. E logo em seguida, desfaço tudo porque só cometo erros imperdoáveis nessa ânsia de viver. Exatamente por isso estou me ausentando, procurando me desligar de tudo. Tirei férias de mim pra limpar toda a bagunça e colocar as emoções em seus devidos lugares. É o jeito mais sensato de voltar inteira e ser metade e renovada e com menos cansaço do mundo. Talvez dessa forma perca essa mania de não colocar vírgula em nada e ir acrescentando coisas que não cabem em certos parágrafos, nem dentro do peito. Preciso saber a hora de colocar vírgula em meus textos e, principalmente, na minha vida.
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