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Finais não são adiáveis

07 julho 2016




Quando eu gosto muito de algo, quero que essa determinada “coisa” dure pelo maior tempo possível. Devoro meu chocolate preferido devagar, entre a luta de saborear cada pedacinho que se desfaz na boca e manter o sabor doce pelo maior tempo possível. Leio as últimas páginas de um bom livro lentamente, vivendo entre a curiosidade de saber o que acontecerá e a tristeza do fim.

Eu gosto de me iludir achando que a gente pode esticar um final como quem estica um chiclete que já perdeu o gosto. Mas, será que é saudável? Será que é suficiente? Tenho minhas dúvidas.



É bom acreditar que o melhor dia da vida pode durar para sempre, que as pessoas podem mudar e que relacionamentos não acabam. Eu já lutei tanto, mas tanto, contra as marés que me diziam que aquilo não ia funcionar, que o seu jeito não batia com o meu e que merecíamos encontrar algo que realmente nos fizesse feliz.

Mas o que fazer com o vício que tenho em permanência? Tenho medo de ir embora e perceber que o melhor era ficar. Sinto uma angustia infinita ao pensar que só temos uma vida e que errar pode ser fatal. E sabe o que eu não percebo de verdade? Que é mudando a rota que a gente encontra o caminho. É encarando o medo de frente que descobrimos nossa força.

Eu sempre sei quando algo chegou ao fim ou está prestes a acabar. A gente nota a fria diferença, mesmo tapando os olhos, os ouvidos e queimando as provas. E o que eu descobri com o tempo? O aperto no peito não passa, a sensação de fracasso não vai embora e a frustração de não ter se permitido uma segunda chance vivida por um outro ângulo é mortal.

A gente sabe, bem lá no fundinho, que adiar um final certo é permitir que o veneno mate aos pouquinhos, em doses dolorosas e traumáticas.

Um conselho? Permita-se pôr um fim naquilo que te impede de viver plenamente feliz e tenha coragem para fazê-lo quando necessário.






Raiane Ribeiro: 23 anos, publicitária por formação, redatora por paixão e agora youtuber em ascensão. Ariana cabeça dura, extremista e cheia de querer tudo "pra ontem". Criou o lema "chora e não me liga" para o blog e acabou adotando para a vida. Conheça meu canal no youtube clicando aqui > YouTube.

Nunca

29 junho 2016



Nós nunca acordaremos face a face. Eu nunca vou preparar seu café da manhã todas as manhãs. Você nunca me agarrará por trás no balcão da cozinha beijando-me a nuca. Nunca.

Nunca andaremos aos beijos pela casa no caminho para o quarto. Nunca voltaremos para a cama juntos num sábado de manhã.

Nunca iremos a cinemas, jantares ou programas de casal. Nunca como tal. Nunca irei lhe fazer uma surpresa de Natal. Nunca verei em seu rosto de menino, um sorriso por ter ganho de mim um presente que só eu saberia lhe dar. Nunca.

Nunca vou afagar teus medos e sentir sua dor numa madrugada triste. Nunca vou me enterrar no seu peito após acordar de um pesadelo terrível.

Eu nunca vou segurar sua mão por debaixo da mesa do gerente do banco. Nunca vou vibrar vendo seu sorriso ao assinar os documentos de nossa primeira casa própria, um lugar que você chamaria de “fortaleza da solidão conjunta” ou “bat-caverna do amor”. Brega.

Nunca haverá celebrações só nossas. Nunca haverá códigos que criamos em nossas cabeças e que só funcionam para nós. Nunca viveremos brigas tolas porque sou uma pessoa mimada. Nem porque você às vezes age como o completo bobão ou é quadrado demais. Nunca.

Nunca irei preparar seus pratos favoritos. Nunca iremos nos olhar nus no meio da sala, desinibidos. Nunca irei tirar fotos de você feliz ao lado de sua nova motocicleta favorita. Nunca vou rir de você na estrada, sendo palhaço, fazendo piada.

Nunca terei a chance de te abraçar forte antes de uma partida e dizer que você é minha vida. Nunca vou me entregar a você como se nunca antes tivesse, numa chegada.

Nunca vou receber de você presentes que só você saberia me dar. Nem surpresas num dia sem nome, ou serenatas toscas num bar. Nunca vou pegar você me olhando com malícia, amando-me com o olhar.

Nunca vou chorar com você porque a primeira tentativa não deu certo. Nunca vou ter dúvidas sobre termos escolhido o caminho correto. Nunca vou dar pulos de alegria no meio da rua porque finalmente aconteceu.

Nunca vou brigar com você porque eu queria roxo e você azul. Nunca irei ver de perto o grande pai que você vai se tornar. Nunca vou sentir orgulho por ter a família mais linda do mundo todo, e por tê-la formado com você.

Nunca sairemos de férias após deixar o Lucas com a vovó. Nunca nos sentiremos velhos e chatos juntos.

Nunca.

Eu nunca vou viver a vida que eu nunca esperei viver com você. E dentre tantos nuncas, há um que para sempre me acompanhará: eu nunca vou deixar de te amar.




Anderson B. Monte Rei: 22, publicitário, viciado em trabalho e perdidamente apaixonado por escrita. Escreve nas baladas, no ônibus e claro, na agência. Cabelos coloridos, poesia e bad's esporádicas. Sim, Lana Del Rey é um mood constante. E Paramore! (Banda favorita). Punk, séries de drama, animes, comida e memes: amo.
Fim da conversa no bate-papo

Para quando eu disser sim

28 março 2016



Quando esse dia chegar, você vai me ver mais falante do que o normal. Provavelmente eu andarei de um lado para o outro, gritarei com algumas pessoas por puro nervosismo e talvez sinta um frio na barriga que não passará até chegar o grande momento. Mas medo? Não, isso eu tenho certeza que não sentirei.

Quando entrar no carro, farei todo o trajeto com minha música preferida tocando no rádio. Contarei ao motorista o quanto você é especial e como já passamos por maus bocados. Mas nada disso importa agora, não é? Nós viramos o jogo porque sabíamos que éramos perfeitos um para o outro. Uma ligação de outra vida, eu diria.

Quando eu estiver atrás da porta, esperando o momento em que ela se abrirá e a marcha nupcial anunciará minha entrada, vou imaginar seu sorriso lindo me esperando por um corredor que, aparentemente, não tem fim. E, inconscientemente eu sorrirei também.

Quando eu caminhar pela igreja a passos lentos, sendo observada por todas as pessoas que vivenciaram conosco cada parte da nossa história, é possível que role uma lágrima. Ou duas, talvez. Mas olha, não se assuste, ok? É o meu jeito de dizer que a felicidade é tanta que não dá para ser contida. E aí, rola a terceira.

Quando você me pegar pela mão, eu entenderei e enxergarei de forma clara e óbvia, os porquês de termos passado por tudo o que passamos e, mais do que isso, como passamos. Se não fosse isso, não estaríamos aqui, não é?

Quando eu te olhar nos olhos e ouvir você jurar amor e fidelidade, farei um sinal de aprovação discreto, como quem diz “não precisa dizer em voz alta, eu sei que seremos (somos) assim”.

Quando esse momento chegar, eu vou afirmar e mostrar ao mundo inteiro, sem medo, a pessoa que eu escolhi para viver ao meu lado. Sem dúvidas, sem dramas, sem o medo da entrega. Eu me comprometerei a viver um amor real, dia a dia, debaixo do mesmo teto, dividindo a mesma cama.

Eu me despirei de todo o meu passado e tudo o que me prende às velhas lembranças, porque sei que arquitetaremos outras ainda mais deslumbrantes. Serei sua e você será meu, dentro da liberdade que estabelecemos desde o início.

E nesse momento, você saberá que eu vou te amar como nunca amei ninguém.

Seja lá quem você for.

Sua hora vai chegar

15 fevereiro 2016



Calma, querido. Se tem uma coisa que eu gostaria de te pedir, é para que tenha calma. Dizem por aí que a ficha demora um pouco a cair, principalmente quando se trata de um homem. Faz o seguinte, vai lá curtir seus amigos e encher a cara naquela festa que você odeia. Vai, anota o telefone de todas as garotas que você encontrar na balada e diz que vai ligar no dia seguinte. E liga, tá? Marque aquele jantar que vai ser inesquecível e perceba, com cautela, que você não vai encontrar necessariamente o que procura. Mas tenta, tudo bem?

Quando acordar no dia seguinte e perceber que ela foi embora antes do despertador tocar, você vai ver o quanto é difícil encontrar alguém que permaneça. No momento em que contar suas histórias que, convenhamos, só você acha engraçado, pode ser que ela não faça o menor esforço para manter o brilho nos seus olhos e feche a cara. Ouça bem ela dizer seu nome sem mostrar qualquer tipo de sentimento que transborda, que acolhe e que traz paz e perceba que esse tipo de coisa é praticamente impossível forjar. Não se assuste quando notar que ela não faz o mínimo esforço para não te magoar, nem escolhe as palavras cuidadosamente para não te atingir. Nem todo mundo tem esses cuidados que nós tínhamos um com o outro.



No dia a dia, pode ser que você perceba que detalhes fazem toda diferença. Um sms desejando bom dia, café na cama em dia especial, brincadeiras que aconteciam apenas para alegrar o outro em dias um pouco mais escuros, sabe? Todas essas coisas que parecem comuns quando estamos em um relacionamento há tanto tempo, fazem falta quando estamos sozinhos. Mas calma, eu não preciso adiantar nada sobre como você irá se sentir.

No dia que você perceber que a pessoa que escolheu para viver não é nem metade daquilo que você espera – e que tivemos por tanto tempo - aí, nesse exato momento sua ficha vai cair: você vai perceber que ela poderia ser eu, mas não é. E anote o que eu estou dizendo: você vai lembrar de mim e de tudo o que vivemos nesse tempo juntos. É bem provável que até lá eu já tenha finalizado esse texto, o capítulo, o livro e a saga. Já terei seguido em frente, sozinha ou acompanhada, mas que fique registrado aqui: eu sempre soube que isso aconteceria.

A lembrança vai chegar, calma e lenta para te tirar o sono. Nesse dia, eu não vou lhe desejar mal, nem bem, nem nada. Apenas que a falta, que será quase palpável de tão real, passe. E que você consiga ser feliz novamente um dia.

O amor que você sente pelo outro é problema seu

10 fevereiro 2016



Se tem uma coisa que eu aprendi nessa vida, é que ninguém tem a obrigação de carregar o peso das expectativas que depositamos nas pessoas. Verdade seja dita: nós somos responsáveis por nossos próprios sentimentos, sejam eles controláveis ou não. Não é justo que o outro leve toda a culpa por querermos demais. Amarmos demais. Idealizarmos demais.

Quando nos apaixonamos, criamos uma imagem em nossa mente de como o relacionamento seria perfeito se a tal pessoa agisse de formas predeterminadas. Mas, bem lá no fundinho, sabemos que não é bem assim. Cada pessoa tem sua forma, sua cor, sua maneira. E o sentimento? Bem, ele se mostra de formas muito distintas.

Quantas vezes você se pegou indo contra suas emoções? Você sabe o que quer, o que precisa e os inúmeros motivos que tem para seguir à risca todos os seus objetivos. Mas aí, vem o coração e muda tudo. Muda a rota, a maneira de pensar, de sentir e de agir. Que culpa tem o outro? Ele também tem suas idealizações, seus sonhos, seus próprios sentimentos. Ninguém, ninguém mesmo, tem a obrigação de readequar uma vida baseada nos desejos do outro.

Você não pode – e nem deve – exigir que alguém o ame da maneira que você deseja. É preciso fazer por merecer, entende? As coisas, inclusive o sentimento, acontecem de forma muito natural. E quando você tenta usar de fórmulas e jeitos para alterar o percurso, tudo soa artificial demais. Como uma flor de plástico que enfeita, mas não traz a cor, o cheiro e o sentimento natural.

Se nós amamos uma pessoa profundamente e não somos correspondidos, não temos que culpar o outro por não tentar, por não querer ou por não se doar ao máximo. Isso é um problema nosso. Você quer, realmente, viver eternamente tentando provar para uma pessoa por que você é a pessoa ideal e por que ela deveria te amar?

Quase sempre o problema é nosso, e está muito ligado a nossa forma de ver o relacionamento ideal. Se você não está feliz no relacionamento em que está hoje, reflita antes de pedir para o outro mudar por você. É preciso nos encontrarmos e descobrirmos o que realmente nos tira o chão, nos faz vibrar e faz com que a gente se sinta pleno. É preciso avaliar, de dentro para fora, quem nós somos e o que queremos. E, só depois disso, gastarmos nossa energia em busca daquilo que realmente nos faz feliz.

Não é justo, nem com você e nem com o outro, procurar um culpado pelo conto de fadas moderno sem um final feliz. O outro, aquele que está ao seu lado nesse momento e que, assim como você, fez tanto por esse relacionamento, não merece carregar a infeliz culpa do fracasso. Nós somos responsáveis por nossos próprios sentimentos e pela forma como ele afetará nossas vidas.


Se você não está feliz com o que tem recebido, assuma a responsabilidade de mudar por si mesmo. Sem culpa, apenas por um bem maior.

5 sinais de que ele não está tão afim de você

05 fevereiro 2016



Quando estamos realmente muito interessadas em uma pessoa e, de repente, essa pessoa muda conosco, ficamos tentando buscar na memória o que fizemos de errado ou o que pode ter acontecido para recebermos tal comportamento. No entanto, o que muitas vezes não passa na cabeça de uma mulher, é que o cara pode ter simplesmente perdido o interesse. Nesse caso, é preciso ficar atenta em alguns detalhes.

Se tem uma coisa que é comum em muitos homens, é o sumiço. Quando um homem não quer mais uma relação, quase todos agem da mesma maneira. Então, que tal identificar os indícios de que ele não está mais tão afim de você e cair fora dessa cilada?

1 - Ele toma chá de sumiço

Essa é uma das principais técnicas usadas pelos homens para dispensar uma garota. Para eles, é muito mais fácil sumir aos poucos do que colocar um ponto final. Então, preste bem atenção: você tem corrido muito atrás? Mais do que deveria? Cuidado!

2 - Ele nunca tem tempo

Você liga e ele está muito ocupado no trabalho. Tem que ir ao médico, mecânico, cuidar da mãe, passear com o cachorro, sair com os amigos e nunca tem tempo para você. Nós sabemos: quem quer, dá um jeito. Quem não quer faz o que? Inventa uma desculpinha, é claro.

3 - Ele se torna frio/seco

Se o assunto de vocês gira em torno apenas do que VOCÊ quer saber, significa que ele não está tããão interessado assim em manter um diálogo. Se você liga, ele conversa. Se dá bom dia, ele dá. Se pergunta como está, ele apenas responde. Quando uma pessoa perde o interesse no relacionamento, consequentemente ela perde o interesse em todas as outras coisas (rotineiras ou não).

4 - Ele não te conta mais nada sobre o que ele faz e você descobre pelas redes sociais

E aí você vai dar aquela espiadinha básica no perfil do facebook dele e vê que ele foi pra uma balada com os amigos ontem. Caiu na gandaia e não se importou nadinha em te contar. TCHARAM! É possível que ele não esteja mais tããão na sua.

5 - Ele até sai com você, mas não nos finais de semana

Quando o cara não está mais tão envolvido, mas não quer colocar um ponto final de vez, ele até topa sair com você de vez em quando. Mas perceba: as saidinhas são sempre nos dias de semana, nunca às sextas ou sábados, que geralmente são os dias de balada, paquera, etc. Quando o cara está realmente afim, ele não se importa de abrir mão de um sábado à noite.

Gostou das dicas? Então, aproveite para ficar de olho naquele carinha que você acha que não está mais tão afim de você. E, caso realmente não esteja, saiba colocar um ponto final e partir para outra. Todo mundo merece ter alguém que queira estar ao seu lado.

Um rio que passou em minha vida

17 dezembro 2015



Heráclito, um antigo filósofo disse que: "Ninguém entra em um mesmo rio uma segunda vez, pois quando isso acontece já não se é o mesmo, assim como as águas que já serão outras”.

Os relacionamentos são assim, transformamo-nos rio-corpo das pessoas.

É clichê dizer que todas as pessoas entram em nossas vidas, entram para nos ensinar exatamente aquilo que precisávamos aprender, mas a pergunta é: a gente realmente aprende ou finge que aprende?

São tantas as desculpas que damos para os fins, justificando os meios. A culpa é quase sempre do outro, nessa visão gasta. Perdemos energia criticando ou nos justificando e não nos damos conta de que todos são culpados e inocentes, mas que isso não é o importante. O que importa, de fato, é aprender. De verdade, sem as máscaras que nos colocamos ou aquilo que colocamos nas costas do outro.

O rio mudou? Quanto? Mas mudou mesmo?

É importante que, a cada nova curva (vide fins, términos e tempos) paremos para ouvir o som das águas. Aquela voz que vem lá de dentro, e que julga as situações com imparcialidade, nos questionando: onde foi que eu deixei-me poluir? Deixe-me, afinal? Quando foi que minhas águas foram puras? De tudo, em algum momento puderam me beber sem receios? O que houve de bom? O que houve de ruim?

Quem sou eu de verdade? Repare: verdade não é aquilo que nos fizeram acreditar ou aquilo que queremos vender. Verdade é verdade. E você sabe qual é a sua.

O que o outro errou, é do outro, ele que faça suas próprias análises. Ele que faça o tratamento da própria água, se quiser matar a sede de alguém uma vez mais. Mas que possamos usar de honestidade com nós mesmos. Que no silêncio de nossa autoanálise possamos admitir: errei aqui, acertei ali e daqui em diante é assim que as águas vão rolar.


Uma coisa é fato: ninguém é o mesmo depois dos relacionamentos, mas ser melhor ou pior é uma opção de cada um. Nenhum rio é mesmo na segunda vez que você o vê. Jamais. E nós também não. A transformação é contínua.


*Texto colaborativo.

Carta ao Destino

14 agosto 2015




Querido destino,

Eu e minha vida estamos preocupados com você. Ou melhor, eu, minha vida e minha sanidade mental. Às vezes acho que a culpa é minha, por sempre ter confiado tanto em você e deixado você decidir como as coisas seriam. Claro que já dei minhas interferidas, meus empurrõezinhos, mas sempre tive a sensação de que é inútil e que você que realmente comandou tudo. Sei que você é muito amigo do tempo - esse danado que parece se arrastar quando a gente quer dormir e acordar daqui a  3 meses e voar quando temos 38 trabalhos pendentes da faculdade. Então, mesmo sem saber bem qual endereço colocar nessa carta, venho através desta fazer um pedido: deem um jeito, ok? Isso mesmo que você leu, destino. Pegue seu amigo tempo pela mão e deem um jeito nas coisas por aqui, antes que eu enlouqueça. Sabe que nunca enchi seu saco e pouco o questionei, mas como boa humana de carne, osso e coração, também me revolto.

É bem verdade que você encaixa as coisas, não precisa responder esfregando isso na minha cara. Mas às vezes você me coloca em cada uma... hoje mesmo, são 3 da manhã, eu deveria estar dormindo pois daqui a pouco já tenho que levantar e encarar um novo dia que você preparou pra mim. E adivinhe? Estou aqui tentando entender de onde viemos, para onde vamos e porque meu celular não toca. A cada sinal que esse aparelho emite, meu coração quase sai pela boca, mas é sempre alarme falso: ou é o surfista bonitinho que dá oi pras pessoas na rua fazendo um sinal de hang loose, ou é o nerd que atira pra vários lados, ou o projeto de Lucas Lucco que não consegue formular uma frase inteira. Com sorte, tem aquele com quem rola uma conversa bem produtiva, é razoavelmente bonito, estuda, trabalha e gosta de se divertir, mas as nossas exatidões não tem somado numa conta de mais. Você parece estar se divertindo com isso, né? 

De fato, nenhum desses me interessa. Até interessariam em outra fase da vida. Antes daquele menino largado, vadio, bem humorado, espirituoso, pervertido, carinhoso, bom de papo, bom de lábia e bom de cama, seja dormindo ou acordado. E agora estou aqui desqualificando uns e qualificando outro como se isso influenciasse alguma coisa. Ah, destino, você me conhece e bem sabe que isso não tem nada a ver. Ninguém se apaixona pelas qualidades da pessoa. A gente se apaixona pela pessoa. E todas que você colocou por aqui até agora tem qualidades admiráveis, mas você as coloca por aqui, damos umas voltas e quando vi, a pessoa dobrou numa rua que nunca mais cruzou com a minha. Porquê você faz isso, hein? A propósito, eu sei que você me ensinou a não julgar ninguém, então, desculpa essas características que atribuí pra todos esses caras, mas você entendeu, né? Só quero que você não continue me tirando as coisas que me dá. 

Por favor, caríssimo, não me entenda mal. E nem faça muita fofoca minha pro tempo, pois por mais que eu reclame, muito ele já me consolou. Não estou criticando a eficácia de vocês, mas tenho precisado de uma agilidade no trampo, estamos entendidos? Deus me livre ficar de mal com vocês! Já basta o amor - aquele cretino - que volta e meia vem, pede desculpas, fazemos as pazes, conhecemos alguém (geralmente apresentado por você) e daqui a pouco brigamos. Cansei dessa rotina de confiar em você, viver em altos e baixos com o amor e acabar no colo do tempo, ganhando cafuné dele e comendo brigadeiro. Então é assim que me despeço, com afeto e fé no meu pedido de colocar por aqui só o que puder ficar. Mil beijos e bom trabalho!

Não se esqueça

27 abril 2015




Eu não quero que você esqueça as flores do seu caminho e nem daqueles sonhos que surgiram no fundo do seu peito. Que você não tenha medo do destino, mas mantenha a cautela nas suas escolhas. Você não deve esquecer as suas verdades, mas principalmente você deve lembrar os seus questionamentos. Que você jamais esqueça o que faz seu coração vibrar e que faça, cada vez mais, aquelas coisas que fazem você sorrir de imediato. Que a sua frequência esteja em sintonia com aquele amontoado de coisas boas da vida e que a sua paz continue sendo encontrada dentro de você. Eu não quero que você esqueça que assim como seu corpo, sua alma também precisa de cuidados, carinho e alimentação.

Eu não quero que você esqueça que o sol nasce todos os dias pra gente poder mudar o que incomoda e acomodar com o que faz bem. Eu não quero que você esqueça de parar a sua correria pra prestar um pouquinho a atenção naquele fim de tarde e que isso ajude a seguir em frente. Que você siga em frente mesmo que não tenha pôr do sol. Eu não quero que você esqueça de ter um tempinho pra si, de ter um tempinho pra aquele velho amigo, de ter um tempinho pra conhecer gente nova e de bom astral.

Eu não quero que você esqueça de se perguntar se você esta aonde queria estar ou, ao menos, na direção certa. Que não se esqueça que cada um tem a sua concepção de certo e se te faz feliz, não pode ser errado. Eu não quero que você esqueça que o mundo vai te julgar, mas a sua consciência será sempre o seu maior guia. Não se esqueça que o que você é ninguém pode ser. Não se esqueça de ser a exceção quando achar que deve, de seguir o fluxo quando achar que deve, de tomar um bom vinho quando achar que deve, de dormir as 10 em uma sexta quando achar que deve, de virar a noite fazendo amor com alguém por quem você sinta amor quando achar que deve.

Eu não quero que você esqueça daquela canção que te arrepia e, de coração, que a sua alma não se petrifique com a ação do tempo, permitindo que o arrepio aconteça por tantas outras canções e todas sensações que a vida te permitir. Que você filtre aquela velha mágoa, que quebre as regras de vez em quando, que se iluda com alguém por aí e ria, ria muito e descompensadamente dos tombos que não te arranharam. Os que deixaram cicatrizes, que você guarde numa caixinha junto com o que chamamos de experiência.

Eu não quero que você se esqueça das trilhas que não deu tempo de trilhar e que recupere o tempo perdido com um pouco de pressa. Que a correria do dia a dia não te tire a tranquilidade e que sempre dê tempo de admirar algo bonito. Que você se surpreenda com você mesmo, pra descobrir que dá ainda pra se surpreender de forma positiva e bela com o que os outros podem nos proporcionar. Que os bons momentos virem rotina, com mil pessoas, uma só, mas principalmente sozinho, pra você perceber o quanto seu amor próprio também te move.


Eu não quero que você se esqueça de ser grato todos os dias, que contabilize alegrias e que esqueça da ruindade do mundo na hora de dormir. Eu não quero que você esqueça que somos um todo e que fazer o bem a alguém é fazer bem pra você. Que você não esqueça que atrai aquilo que transmite. Que você estoure aquela espumante pra comemorar a beleza que é estar vivo. E daí que é segunda-feira? Eu não quero que você esqueça de se sentir vivo, que tenha astral bonito, tranquilidade nos lábios e alegria no olhar. Eu não quero, meu amor, de jeito nenhum, que você se esqueça de ser feliz e de ser você. De ser feliz sendo você e só.



Sou quem eu quero ser

06 janeiro 2015



Eu não sou a pessoa mais forte do mundo, mas se precisar, levanto o peito e crio coragem, porque não gosto de levar desaforo para casa. Não sou a mais feliz, nem tenho uma vida perfeita, admito. No corre-corre do dia a dia às vezes me perco, me assusto e choro, mas e daí? Não sou a mulher maravilha, mas uso a força que tenho para driblar meus problemas, meus dramas e as consequências dos meus atos.

Sempre fui meio louca. Falo alto, bebo, faço piadas impróprias, falo palavrões e isso nunca me fez menos feminina. Sou ansiosa, nervosa, dramática e escandalosa. Tenho o hábito de mexer demais no cabelo e me entregar nos pequenos detalhes. Gosto de conhecer pessoas novas e manter os velhos amigos. Acredito em amizade verdadeira e no melhor das pessoas.

Sou extremamente realista, tenho os pés no chão e a cabeça nas nuvens. Sempre voo mais alto quando abro meu Word e boto pra fora tudo o que me incomoda. Vomito palavras, sentimentos, amores e indignações. Gosto de pessoas que se entregam de corpo e alma, porque coisas mornas esfriam rápido demais. Prefiro o intenso, o inesperado e as peças que a vida nos prega.

Gosto de pessoas decididas, porque sou muito indecisa a respeito de tudo e sempre preciso de um empurrãozinho. Já perdi pessoas por ser quem eu sou. Ariana, temperamento forte e mandona demais, sabe? Não que isso seja proposital ou seja feito na pior das intenções. Tudo acontece quando estou pensando no bem do próximo. Esse é um fato importante sobre mim: preciso melhorar minha forma de me expressar. Ser sincera sem magoar demais.

A verdade é que eu sempre sou quem eu quero ser. Um dia uma menina meiga e indecisa, noutro uma mulher decidida e que sabe bem o que quer. Um dia de um jeito, noutro dia do avesso e assim eu sigo. Só gosto das ordens que são dadas por mim. Dito meus limites, minhas regras e meu jogo. A vida é curta demais para que não seja vivida conforme nosso próprio plano.

Todos os dias eu decido o que é importante para mim e dou um passo em direção a minha felicidade. Se vou quebrar a cara? Não sei. Mas tenho certeza que qualquer coisa é melhor do que ficar nessa ânsia do “se” que nos assombra no final do dia.



A nova eu e o velho você

03 janeiro 2015


Tenho sido incrível no que diz respeito a te deixar pra lá. Tenho sido impecável na arte de gostar mais de mim, de cuidar de mim, de viver pra mim e de  fazer apenas aquilo que me dá prazer. Tenho sido expert em sorrir, até mesmo nos dias de chuva que me deixavam tão pra baixo. Os lamentos não fazem mais parte da nova eu, mas ainda tem um pouco a ver com o velho você.

Olha, você iria adorar a nova eu. Tomo banhos mais rápidos, a não ser quando pretendo esticar a noite por aí. Continuo cheirosa, mas o perfume de agora é um pouco mais fraco e certamente não irritaria seu nariz. Emagreci e passo creme nas pernas antes de dormir todos os dias. Aprendi a lógica de dormir com edredom e ventilador e conclui, de novo, que você tinha razão.

Parei de fumar e tenho bebido menos – com exceção daquela semana, você sabe... álcool e saudade é uma dupla infalível. Tenho praticado o auto controle que você dizia que eu não tinha e, pasme: viu há quanto tempo eu não te ligo e nem te mando um torpedo em que eu era a entorpecida? Tenho tido orgulho de mim mesma e você nem sonha.

Continuo com aquela mania chata de ver vídeos do youtube, morrer de rir e querer mostrar pra meio mundo. Também sigo lendo bastante, mas sei que você não é um leitor assíduo, então seguiria apenas colando URLs pra te importunar.

Enfim, você adoraria fazer parte da minha nova vida. Não mudei no que diz respeito a carinho, ainda arranho costas masculinas como ninguém e faço uma voz dengosa quando acordo. Ás vezes ainda é estranho ver que tenho que desligar o despertador e que ninguém vai me puxar pela cintura e formar uma conchinha irresistível mesmo quando estou atrasada. Ás vezes ainda é estranho ser tão novidade e não ter o você de sempre.

Continuo rindo com muita facilidade, mas não fico mais com a cara fechada por qualquer coisa. Tenho sido incrível, sim, mas a saudade continua aqui, gritando. Fingir surdez e desentendimento se tornou banal, mas hoje não deu. Resolvi escrever e cá estou. Espero que você goste, espero que você entenda, espero que você ressurja, de algum ponto que não sei direito que foi onde te perdi. Tenho sido incrível em te deixar pra lá, mas eu seria mais incrível ainda caso você voltasse, pro lado de cá.



O quanto você está disposto?

28 dezembro 2014


O quanto você se dispõe a lutar? Acordar todos os dias e ter uma motivação permite que o primeiro suspiro do dia seja o mais revigorante. Com motivos, você acorda e tem a necessidade de ir lá e mudar tudo, trabalhar mais, estudar mais, viver mais. O motivo certo te faz mover montanhas.

Onde você encontra forças pra não ficar no sofá, esperando o mundo girar e as coisas funcionarem? Qual é a necessidade de fazer as coisas funcionarem?
Levantar é preciso. Respirar fundo e dizer "vamos lá" a si todos os dias, é acreditar, com todas as forças e do fundo do coração, que é possível ser feliz, que os sonhos se tornarão realidade e que, por mais que o caos se instale a nossa volta, nosso coração permanecerá em paz, se manterá na certeza de que as coisas boas acontecem pra quem pensa positivo, pra quem sonha cada dia mais, pra quem acredita no amor.

Lutar é essencial para que a essência do seu ser e da sua vida sejam aflorados. Acreditar faz com que a luta faça sentido, é como remar com o destino de uma ilha paradisíaca. Vai doer, vai haver dias que você vai preferir dormir e comer um pote de sorvete, vai ser cansativo para mente e para o espírito. Você vai cogitar desistir inúmeras vezes, vai considerar ligar pra sua mãe chorando, vai querer voltar pra casa, se trancar em um quarto e ficar sozinho, vai até jurar que não acredita no amor porque alguém te machucou tão profundamente a ponto de te fazer desistir. 

Eu te entendo, eu quis sair correndo, eu liguei pra minha mãe, eu chorei enquanto implorava por descanso, mas nunca deixei de remar. Com dores musculares, com dores no músculo do coração, com dores que faziam minha cabeça rodar e meu estômago enjoar, eu continuei a remar. 

Eu cheguei na bendita ilha, eu tive a honra de chegar exatamente na hora que o sol nascia e fui recepcionada com um show de cores e novos ares. Eu senti na areia todas as experiências que eu iria ter e todos os sorrisos que eu ia dar. Eu valorizei cada pedacinho da ilha por me lembrar dos dias péssimos em alto mar. Eu valorizo a ilha por ter sido tão doloroso chegar até ela.
Eu encontrei na ilha e lá um motivo pra continuar. Você ainda tem forças pra encontrar o seu?



CTRL C + CTRL V: ciclos

09 dezembro 2014



Não adianta insistir, algumas coisas possuem um prazo de validade na nossa vida. Pessoas também. Não raro, ignoramos certos sinais, claros e evidentes, que tentam nos mostrar o encerramento de um ciclo. Não enxergamos porque o coração não deixa. Ou não quer. Não nos ensinaram como dizer Adeus, ainda mais no pleno do sentimento. Um dia a gente descobre que amar não é o suficiente.


Não existe felicidade diária, ou um relacionamento sem divergências. Uma relação pode, inclusive, terminar sem brigas. O que indica o fim é exatamente uma ausência de reação que o outro possa lhe causar. Pro bem e pro mal. Se o abraço dele não lhe provoca mais aquele arrepio na nuca, é hora de repensar a paixão. Se o descuido dela em relação ao beijo, não mais lhe chatear, é provável que você não precise mais dele. A harmonia até existe, um entra pela casa e já vai lavando a louça, enquanto o outro deixa o lixo ao sair pela porta. Ao deitar, o casal promove um balé de movimentos, cruzando a cama. Um estende o lençol e o outro ajeita os travesseiros. Enquanto um escova os dentes, o outro busca a água e liga a TV. Por fim, os dois se colocam na mesma posição na cama. Seja lendo um livro, ou mexendo no celular, os dois trocam raras palavras.


O amor precisa romper a linearidade da rotina, quebrar os paradigmas da convivência. Pode haver harmonia no caos, desde que haja uma união consentida, sorrisos em meio à bagunça do lar. Um casal sabe que ainda tem mais a descobrir, quando consegue rir das próprias bobagens; quando ao despertar, o mesmo café de todos os dias tem um toque de carinho; quando o bom dia é feito pela vontade de ver o parceiro abrindo os olhos e enxergando você como a primeira imagem do dia. Nada automático, simplesmente por viver a dois, sem motivo ou razão. Apenas querer conviver com a alegria dos detalhes. Trocar olhares como um oxigênio da alma, como um suspiro feliz.


Muitas vezes amamos mais o que sentimos, do que quem pensamos amar. É bom estar apaixonado. É até bonito. Nos permite uma troca de experiências, uma parceria que nos leva a conhecer outras pessoas, outra realidade. Mesmo que haja um sentimento puro e verdadeiro, é importante reconhecer quando aquela jornada chegou ao fim, já ensinou a lição que vocês precisavam. E acredite, sempre há o que aprender.


Não é fácil perceber o fim de um ciclo, ainda mais imersos em um envolvimento emocional. Mas os sinais não mentem. Existe uma linha imaginária de evolução pessoal em que o casal só pode cruzar de duas formas: juntos ou separados. O principal alerta ocorre quando você percebe que poderia atravessar a ponte, mas o seu parceiro não. Uma jornada a dois precisa da vontade de ambos, na mesma vibração. Chega um momento em que você tem que decidir, e, mais do que a sua relação, é a sua vida que está em jogo.


Nada é definitivo. Especialmente as mulheres tem pressa de viver e estão sempre um passo à frente dos homens. Às vezes é preciso um tempo para que ela possa voar, descobrir o que precisa e não está proibido um retorno para nos buscar. Um ciclo pode encerrar e recomeçar muitas vezes e a frequência das tentativas podem nos mostrar o quanto estamos insistindo em algo que já terminou, ou apenas renovando nosso passaporte para mais uma viagem do amor.


A gente sempre sabe quando o ciclo encerra. E essa não é uma escolha nossa. Insistir ou não em algo que já terminou, sim. O fim de um ciclo não é, necessariamente, um fim. Pode ser um recomeço. Depende de você.





Sobre o autor: Chico Garcia, pós-graduado em Jornalismo Esportivo, repórter, apresentador e Coord.Esportes BANDTV-RS. Escritor e amante de história. Leia mais textos do Chico em: http://chicogarcia.blogspot.com.br/

Meu vício não é você

07 dezembro 2014



Eu não sei que tipo de droga você colocou na minha bebida, nas flores que me deu ou no travesseiro onde seu cheiro ficou por tanto tempo. Eu não sei o que você borrifou no meu apartamento, que não te deixa ir embora nunca. Eu não amo mais você, não. Agora eu amo a mim. Me abraço, me beijo, me olho no espelho e me namoro.

Eu não sei de onde é que vem essa ânsia meio louca e torta de saber sobre seu paradeiro. Assim, não vai mudar em nada a minha vida se você tiver encontrado um outro alguém. Na verdade, eu até espero que isso já tenha acontecido. Porque, convenhamos, eu não quero ser a única a ter seguido em frente.

Eu desejo a sua felicidade em todas as vezes que alguma recordação sua me atinge na cabeça. Eu mentalizo coisas boas, emano luz, raios de amor e paz para que você trilhe seu caminho sem obstáculos e para que todas as portas boas se abram para você. Sempre desejei, do fundo do meu coração, que você fosse muito feliz.

O que eu sei, é que você foi uma das pessoas mais importantes da minha vida. E, não é porque seguimos caminhos opostos que eu vou te odiar e desejar que sua vida sem mim seja um lixo. Muito pelo contrário, eu desejo o melhor para as pessoas que amo. E atingi o ápice do desapego quando torci para que você se acertasse com a sua namorada nova ou para que conseguisse ir sempre além do que espera.

Meu vício não é você. É saber sobre como anda a sua vida e se tudo tem permanecido no seu devido lugar. Meu vício é saber que você está se alimentando, vivendo bem, conquistando seus objetivos e sendo você mesmo. Meu verdadeiro vício é um “Como vai você?” num esbarro acidentalmente forjado.


Porque não importa quantas vezes eu te esqueça, lembrar você ainda é meu exercício predileto.



Depois

06 dezembro 2014



Depois de muito pensar, depois de muito bater com a cabeça na parede e apanhar na cara, eu entendi que o mundo é movido por reciprocidade. Eu não sei onde foi que perdi o senso e fui tão além na minha falta de amor próprio e te dei mais do que recebi. Mas, é pra isso que a gente vive, não é? Pra saber o certo, fazer o errado e ainda assim se sentir vivo. 

Depois de muito sentir, depois de muito sangrar e depois de gastar muito lenço de papel com nariz entupido por quem não valia a pena eu entendi que o mundo dá voltas. E isso é um processo natural, não tem o que ser feito. Foi depois de desidratar por você que te tive em minhas mãos, mas então... ah, então já era tarde, eu  estava gastando lenços de papel por outro e era pra arrumar o batom que ele borrava, e não o rímel.

Depois de muito sorriso forçado e alegria que não era minha, eu entendi que é preciso se recolher pra se curar. Não tem festa, porre ou ficada que vá apagar aquela pessoa que até pouco tempo atrás segurava a barra do seu lado, segurava o seu copo de cerveja, segurava a onda pra te ver sorrir e segurava as palavras rudes pra não te fazer chorar. Não dá pra compensar sentimento com coisas que não fazem sentido. Mas dá pra aprender a se sentir feliz sozinha de novo e isso acontece aos poucos.

Depois de muito cuspir no prato em que comi e depois de muito achar que superação era sinônimo de esquecimento entendi que há como lembrar sem dor, mas esquecer o que já tirou o seu sono, não. Não se esquece um furacão depois que ele passa, nem mesmo depois que se juntam os destroços e se limpa a bagunça. Não se passa reto na rua por quem já foi alvo das suas SMS de madrugada e se fica apático. Sempre vai haver um barulhinho no fundo da alma, um pequeno tremor, uma saudade escondida e um perdão nunca dito pelos erros de ambos. 

Depois de muito sentir, eu entendi que vou continuar sentindo. Depois de muito errar, eu entendi que vou continuar errando. Depois de muito aprender, eu entendi que vou continuar aprendendo. Depois de muito viver, eu entendi que vou continuar vivendo. Mas, principalmente, mesmo depois de muito doer, eu entendi que vou continuar amando.



Nós e as engrenagens

04 dezembro 2014



Eu estou tentando ligar pra casa há pelo menos duas horas, a agonia que domina meu peito impede meu cérebro de raciocinar como se deve e o nó formado na garganta me impede de respirar com a facilidade que uma tarde de sábado ensolarado traria. Mas não é sábado, tão pouco ensolarado. Aqui dentro continua chovendo pra caramba, doendo e maltratando a falta que você me faz. Minha mente insiste em repassar as cenas boas em meio as ruins, os gritos e aos insultos que ecoam na minha cabeça como as fórmulas que eu precisava estudar e não consigo. 

Nós nunca fomos assim, eu já busquei muitas alternativas para entender o que está acontecendo e nada funciona. Nada funciona como você e eu e é ai que mora o perigo. Somos a engrenagem perfeita, um defeito ou a falta de óleo faz as coisas pararem de funcionar como devem. Eu não quero ser dependente de você, luto contra isso todos os dias, acredite. Talvez seja esse meu orgulho misturado com a sua implicância, não dá pra saber. Não dá pra entender a quantidade de coisa que somos capazes de dizer, viver, suportar. Tantas coisas podem ser, como tantas foram e na verdade elas deveriam ser.

Hoje você não está aqui pra fazer a engrenagem rodar e os ponteiros do relógio também. Hoje o telefone não atende mas prometi sempre ligar quando o mundo estivesse desabando sobre mim ou sobre nós. 

Hoje, não existe o nosso nós, então pra quem eu ligo quando o mundo desabar?



Talvez seja sempre nós dois

23 novembro 2014




Talvez seja essa nossa situação confortável e descontrolada que me faça pegar a estrada na contramão algumas vezes. Talvez seja essa minha capacidade de te persuadir que te faça voltar correndo pra me abraçar logo em seguida de ser um verdadeiro ogro. Talvez seja o meu perfume que te hipnotize e talvez seja a minha incapacidade de viver longe da tua conchinha que me faça ficar até mesmo quando não devo. Talvez seja tudo que tenho descoberto ao seu lado e você, aprendido comigo, mesmo que você faça o tipo dono da verdade.


Talvez eu te faça ir embora correndo pra ter certeza que é também dessa maneira que vou te ver voltar. Admito que toda vez que isso acontece eu sinto um apertinho no peito, um medo de que você realmente não reapareça de novo no meu olho mágico. Talvez eu seja realmente aquela pessoa esquisita que você não consegue parar de admirar mesmo quando esta cansado e talvez eu tenha aparecido na sua vida na hora errada. Talvez o errado seja a nossa maneira de ser.


Talvez a noite continue virando dia toda vez que eu te encontrar e os mil copos de café por dia pra se manter em pé no outro dia continuem valendo a pena. Talvez você enjoe da minha gargalhada alta e me peça pra sumir. Eu, desobediente, sempre vou te ligar numa hora inesperada, você sabe. E eu sei que você vai me atender com a sua voz de sono e com o seu ego lá em cima, mas vai pedir pra deixar pra lá mais uma vez e tentar. Talvez esse monte de incertezas que nos rodeiam seja o que nos mantenha tão encantados nessa coisa desajeitada que temos tido. Talvez as descobertas não parem por aí, e não terminem nem daqui a 20 anos... mas eu sei, já descobri que você detesta essa minha mania de pensar no futuro.



Talvez seja no meu jeito de rir até da dor que você encontre paz. Talvez seja no teu riso descompensado dos meus medos que eu encontre a coragem. Talvez seja uma mania que a gente tenha e a gente só descobriu agora que tem. Porque descobrir ainda é tudo que eu tenho feito... a cada hora, olhar, sorriso, abraço, e até nas suas seriedades. Me descobrir com você, cedo ou tarde, na hora que der, porque nós somos assim. Vem que eu continuo a te dar paz, mas não me deixa aqui no escuro, no medo, na falta de coragem de encarar esse mundo fajuto que nos colocaram e que só vale a pena porque eu te descobri e me descobri em você.




Declaração de amor

10 novembro 2014



Passei a noite toda pensando em nós. Estou dizendo o que houve logo no começo, para que você não perca o interesse de ler esta carta. Primeiramente, eu gostaria de lhe pedir desculpas e talvez isso te assuste um pouco. Perdão por, às vezes, falar demais e não pensar antes de pronunciar algumas palavras. Eu sei que esse meu jeito machuca, mas é que eu prefiro a dureza da sinceridade. Sei também que muita gente não entende esse meu jeito, às vezes mandona, noutras estupidamente sincera. Acredite, já perdi muita gente por culpa do meu gênio forte, já sofri demais tentando agir na melhor das intenções. Por isso não culpo você, nem o nosso relacionamento e nem a vida que eu escolhi para nós dois.

Eu não sou romântica, mas aprendi a ser menos seca por você. Não que você tivesse qualquer direito de me mudar, mas é que quando a gente ama de verdade, nós queremos ver o sorriso no rosto do outro. E para isso não medimos esforços, não planejamos caminhos, muito menos calculamos quedas. Vamos seguindo, indo até onde dá e quando não dá mais, traçamos outra rota, inventamos um caminho, criamos pontes, estradas e viadutos. Quando o amor é tão grande que esgota, nós cavamos mais fundo para que caiba mais e paramos em um momento para que transborde, para que inunde e leve para longe as coisas ruins.

O engraçado é que eu nunca quis que você mudasse, mas você mudou. Assim como eu, você se despiu de todos os seus vícios para experimentar os meus. E eu vi você gostando tanto disso, a ponto de não desistir mais. Quantas pessoas, no mundo, nós encontramos assim? Dois corpos, duas almas e duas pessoas completamente diferentes trocando peles e experiências sem desistência? Por quantas pessoas no mundo você mudaria? Eu acho muito provável que sua contagem não dê mais que 5 dedos. E é justamente por isso que passei a noite em claro. 


Eu mudei por você e dizem que o que vale nisso tudo é o bem um do outro, certo? Eu não sou difícil de decifrar. Quando me escondo, quero alguém que me encontre. Quando digo que não é nada, é muita coisa e eu não estou afim de discutir. Quando digo que te odeio, é só meu jeito de dizer que te amo sem querer. Eu sou o oposto de muita coisa que eu digo, por isso não se concentre tanto nas minhas palavras e sim nas atitudes que não precisam de descrições. Não desiste de mim, não. Cê sabe que a minha vontade louca de jogar tudo pro alto só existe porque eu sei que, depois, nós temos todo o tempo do mundo para reorganizar a casa. Não desiste de mim, não. Vamos arrumar a casa, a bagunça, a vida e os sentimentos. Nosso final feliz mora numa tarde fria de segunda-feira.



Vem

08 novembro 2014



Não faz eu te explicar um monte de coisas que você já sabe. Sobe nesse ônibus e vem logo, eu to aqui te esperando e te esperar é uma das coisas que mais fiz na vida até hoje.

Vem, que a minha sede do teu beijo que sempre tem um fundo de Heineken misturado com Trident – aquele cinza com preto – é grande.

Vem logo, porque eu uso um monte de metáforas bestas e tento ser uma pessoa super criativa e alegre pra chamar sua atenção. E no fim, quando você finalmente vem, eu entendo que você vem justamente por eu ser eu mesma, sem precisar de metáforas, criatividade ou alegria que não seja minha.

Vem e congela a queda livre do meu coração na hora que você me abraça. Eu te beijo de olhos fechados somente pra disfarçar. E a minha sorte é que você abre o pára-quedas e, segurada no seu braço, do jeito mais forte que eu sei, a gente coloca os pés no chão de novo.

Vem com toda aquela alegria de garoto que tem a vida ganha e mesmo assim ta correndo atrás porque vida ganha não quer dizer estagnar. Vem com seus sorrisos, suas cervejas, suas piadas e seus planos. Vem e me apaixona mais a cada palavra.

Vem porque eu to cansando, vem porque eu to de salto, vem porque o batom não dura a noite toda e eu nem espero que dure. Vem, porque eu tenho um quadrilhão de motivos pra que você venha mas eu não quero falar, porque quero que as coisas sejam como sempre foram: que você venha, sem motivo nenhum pra isso.




Sobre a autora:
Rossely Rodrigues. Baladeira, botequeira, caseira, namoradeira e solteira. Estudante de Letras da FURG, 23 aninhos de muitas histórias pra contar e outras que é melhor deixar pra lá. Escreve pra registrar o que é todos os dias: ela mesma.

Longe demais

14 setembro 2014



A minha tentativa idiota de não falar sobre você chegou longe demais. Foi tão além que não coube nas linhas em que eu usava para desabafar. Foi tão grande que explodiu o peito e queimou tudo o que havia restado. Eu parei minha vida na tentativa de neutralizar você. Tentei fazer com que sua bateria acabasse e o carregador estivesse quebrado. Tentei cortar suas tranças, jogar fora sua capa, mas seus poderes só ficaram mais fortes. Suas lembranças ainda apareciam e meus dedos insistiam em discar seu telefone.

Minha busca por você foi longe demais. Tão longe, tão solitária e fria que me afastei de mim. E na tentativa de ser mais eu, fui tão mais você. Fui tão mais nosso passado e nossas músicas e fossas. E as vírgulas que separavam minha respiração da sua, se juntaram em rimas e súplicas de sentimento. O que foi que você fez comigo, ein? Diz pra mim para que eu possa me desfazer disso tudo. Diz pra mim para que nasça flores na minha estrada e brote pessoas no meu destino. Diz o que é que eu tenho que fazer para regar meus sentimentos e fazer com que deles cresçam ramos e não morram tão secos entre tanta água. É muita lágrima e pouco sentimento de verdade. É muita saudade e pouco você aqui.

Minha busca por você foi longe demais, porque eu não me conformo com a ideia de que você veio para ficar tão pouco assim. Não gosto de pessoas que vêem meu coração como uma forma idiota de turismo. Você não pode chegar aqui, deixar suas marcas, me consertar e ir embora. Não pode me entregar perfeita para outra pessoa me amar, enquanto cada molde do meu corpo tem o teu formato.

Você não podia ter ido embora enquanto as minhas intenções eram claras demais e cheias de sentimentos eternos. Você não podia ter virado as costas e achar que estava tudo o.k no seu adeus sem enormes e cansativas explicações.

Eu fui longe demais por você. Só queria que você tivesse me acompanhado na caminhada e chegado a um final mais bonito comigo, onde nós poderíamos ser, enfim, nós.
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