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Sou quem eu quero ser

06 janeiro 2015



Eu não sou a pessoa mais forte do mundo, mas se precisar, levanto o peito e crio coragem, porque não gosto de levar desaforo para casa. Não sou a mais feliz, nem tenho uma vida perfeita, admito. No corre-corre do dia a dia às vezes me perco, me assusto e choro, mas e daí? Não sou a mulher maravilha, mas uso a força que tenho para driblar meus problemas, meus dramas e as consequências dos meus atos.

Sempre fui meio louca. Falo alto, bebo, faço piadas impróprias, falo palavrões e isso nunca me fez menos feminina. Sou ansiosa, nervosa, dramática e escandalosa. Tenho o hábito de mexer demais no cabelo e me entregar nos pequenos detalhes. Gosto de conhecer pessoas novas e manter os velhos amigos. Acredito em amizade verdadeira e no melhor das pessoas.

Sou extremamente realista, tenho os pés no chão e a cabeça nas nuvens. Sempre voo mais alto quando abro meu Word e boto pra fora tudo o que me incomoda. Vomito palavras, sentimentos, amores e indignações. Gosto de pessoas que se entregam de corpo e alma, porque coisas mornas esfriam rápido demais. Prefiro o intenso, o inesperado e as peças que a vida nos prega.

Gosto de pessoas decididas, porque sou muito indecisa a respeito de tudo e sempre preciso de um empurrãozinho. Já perdi pessoas por ser quem eu sou. Ariana, temperamento forte e mandona demais, sabe? Não que isso seja proposital ou seja feito na pior das intenções. Tudo acontece quando estou pensando no bem do próximo. Esse é um fato importante sobre mim: preciso melhorar minha forma de me expressar. Ser sincera sem magoar demais.

A verdade é que eu sempre sou quem eu quero ser. Um dia uma menina meiga e indecisa, noutro uma mulher decidida e que sabe bem o que quer. Um dia de um jeito, noutro dia do avesso e assim eu sigo. Só gosto das ordens que são dadas por mim. Dito meus limites, minhas regras e meu jogo. A vida é curta demais para que não seja vivida conforme nosso próprio plano.

Todos os dias eu decido o que é importante para mim e dou um passo em direção a minha felicidade. Se vou quebrar a cara? Não sei. Mas tenho certeza que qualquer coisa é melhor do que ficar nessa ânsia do “se” que nos assombra no final do dia.



A nova eu e o velho você

03 janeiro 2015


Tenho sido incrível no que diz respeito a te deixar pra lá. Tenho sido impecável na arte de gostar mais de mim, de cuidar de mim, de viver pra mim e de  fazer apenas aquilo que me dá prazer. Tenho sido expert em sorrir, até mesmo nos dias de chuva que me deixavam tão pra baixo. Os lamentos não fazem mais parte da nova eu, mas ainda tem um pouco a ver com o velho você.

Olha, você iria adorar a nova eu. Tomo banhos mais rápidos, a não ser quando pretendo esticar a noite por aí. Continuo cheirosa, mas o perfume de agora é um pouco mais fraco e certamente não irritaria seu nariz. Emagreci e passo creme nas pernas antes de dormir todos os dias. Aprendi a lógica de dormir com edredom e ventilador e conclui, de novo, que você tinha razão.

Parei de fumar e tenho bebido menos – com exceção daquela semana, você sabe... álcool e saudade é uma dupla infalível. Tenho praticado o auto controle que você dizia que eu não tinha e, pasme: viu há quanto tempo eu não te ligo e nem te mando um torpedo em que eu era a entorpecida? Tenho tido orgulho de mim mesma e você nem sonha.

Continuo com aquela mania chata de ver vídeos do youtube, morrer de rir e querer mostrar pra meio mundo. Também sigo lendo bastante, mas sei que você não é um leitor assíduo, então seguiria apenas colando URLs pra te importunar.

Enfim, você adoraria fazer parte da minha nova vida. Não mudei no que diz respeito a carinho, ainda arranho costas masculinas como ninguém e faço uma voz dengosa quando acordo. Ás vezes ainda é estranho ver que tenho que desligar o despertador e que ninguém vai me puxar pela cintura e formar uma conchinha irresistível mesmo quando estou atrasada. Ás vezes ainda é estranho ser tão novidade e não ter o você de sempre.

Continuo rindo com muita facilidade, mas não fico mais com a cara fechada por qualquer coisa. Tenho sido incrível, sim, mas a saudade continua aqui, gritando. Fingir surdez e desentendimento se tornou banal, mas hoje não deu. Resolvi escrever e cá estou. Espero que você goste, espero que você entenda, espero que você ressurja, de algum ponto que não sei direito que foi onde te perdi. Tenho sido incrível em te deixar pra lá, mas eu seria mais incrível ainda caso você voltasse, pro lado de cá.



Dicas para superar o fim de um relacionamento

27 dezembro 2014



Términos nunca são fáceis. Conhecemos alguém, nos apaixonamos e, justamente por viver o momento, não pensamos que isso um dia vá chegar ao fim. Algumas pessoas lidam com esta situação muito melhor do que outras. O fato é que todo mundo está sujeito a passar por isso. Eu já passei, você que está me lendo com certeza já passou e se não aconteceu ainda, aguarde, você também vai passar.

Faz parte do ciclo natural de todo e qualquer relacionamento. Conhecemos pessoas, quebramos a cara e terminamos, até chegar o momento em que encontramos alguém que fique para sempre. Até lá, muita gente ainda vai passar pela sua vida. Por isso, é importante saber superar sempre e não se prender aos finais.

O processo de cura envolve algumas etapas, vamos listar algumas e esperamos (sinceramente) que elas te ajudem daqui para frente!

1) Tenha amor próprio


Quando um relacionamento termina, tudo soa muito difícil. Temos vontade de ligar, ir atrás e tentar um recomeço. Justamente por isso, é importante que você estabeleça limites. Nunca, eu disse NUNCA, se humilhe para ganhar o amor de alguém. Amor não se implora, nem se mendiga, nem nada disso. Ou a coisa é recíproca ou não é. Então, valorize-se. Ame-se! Lembre-se: as pessoas recebem o amor que elas merecem. Já decidiu qual é o amor que você está disposta a ganhar?

2) Corte relações

Essa é uma fase realmente difícil, porém muito importante. Você não vai conseguir esquecer o cara se continuar falando com ele toda noite antes de dormir. Isso só vai alimentar suas esperanças e fazer com que você sofra futuramente. Se o término for recente, você precisa deletar o número, bloquear nas redes sociais, etc. Calma, não estou falando para você deletar ele da sua vida para sempre, vocês podem voltar a serem amigos um dia. Mas é que neste período de abstinência (sim, é isso mesmo!) é importante que você mantenha distância para poder se curar. Tenha um tempo só para você, sem o espírito e as lembranças do ex para te atazanar!

3) Divirta-se

Ligue para suas amigas! Vá ao cinema, as compras, ao museu, teatro, balada ou qualquer outra coisa. Ocupe sua cabeça com coisas que gosta e seu tempo com as pessoas que ama. Nessa etapa, o apoio de suas amigas(os) será de extrema importância. Faça coisas que distraiam seu pensamento e não te lembrem o fim do namoro.

4) Não se culpe
Não fique procurando os motivos da separação, nem calculando cada passo que você deu. Lembre-se: um relacionamento é feito de duas pessoas e não existe essa de que um é totalmente errado e o outro totalmente certo.

5) Não compare
Se você encontrar outra pessoa com a qual tenha vontade de ter um relacionamento, POR FAVOR, não tente encontrar seu ex no atual. Muitas pessoas cometem esse erro. Ai, ele é fofo, educado, gentil, bonito, mas não fala comigo como o fulano falava. Ou não faz o que o fulano fazia. PARE! Entenda que as pessoas são diferentes e únicas, cada uma com suas qualidades e defeitos. Você nunca vai encontrar seu ex no atual. E mesmo que encontrasse, não seria nada legal, concorda?

6) Se preferir ficar sozinha, fique!
Não existe uma lei que diz que você só cura um desamor com outro amor. Então, se quiser aproveitar seu tempo sozinha, aproveite! Curta bastante, aprenda a se amar e a se valorizar. Quando você estiver preparada para embarcar em outro relacionamento, você vai saber. Antes de tudo, cultive sua autoestima e amor próprio. Entenda que para amar outra pessoa, você precisa, primeiramente, se amar. Tenha um tempo sozinha para se curtir.


E aí, gostaram das dicas? Se tiver algum conselho para acrescentar ou experiência que queira compartilhar, é só deixar nos comentários. Espero que este post ajude você. :)



CTRL C + CTRL V: ciclos

09 dezembro 2014



Não adianta insistir, algumas coisas possuem um prazo de validade na nossa vida. Pessoas também. Não raro, ignoramos certos sinais, claros e evidentes, que tentam nos mostrar o encerramento de um ciclo. Não enxergamos porque o coração não deixa. Ou não quer. Não nos ensinaram como dizer Adeus, ainda mais no pleno do sentimento. Um dia a gente descobre que amar não é o suficiente.


Não existe felicidade diária, ou um relacionamento sem divergências. Uma relação pode, inclusive, terminar sem brigas. O que indica o fim é exatamente uma ausência de reação que o outro possa lhe causar. Pro bem e pro mal. Se o abraço dele não lhe provoca mais aquele arrepio na nuca, é hora de repensar a paixão. Se o descuido dela em relação ao beijo, não mais lhe chatear, é provável que você não precise mais dele. A harmonia até existe, um entra pela casa e já vai lavando a louça, enquanto o outro deixa o lixo ao sair pela porta. Ao deitar, o casal promove um balé de movimentos, cruzando a cama. Um estende o lençol e o outro ajeita os travesseiros. Enquanto um escova os dentes, o outro busca a água e liga a TV. Por fim, os dois se colocam na mesma posição na cama. Seja lendo um livro, ou mexendo no celular, os dois trocam raras palavras.


O amor precisa romper a linearidade da rotina, quebrar os paradigmas da convivência. Pode haver harmonia no caos, desde que haja uma união consentida, sorrisos em meio à bagunça do lar. Um casal sabe que ainda tem mais a descobrir, quando consegue rir das próprias bobagens; quando ao despertar, o mesmo café de todos os dias tem um toque de carinho; quando o bom dia é feito pela vontade de ver o parceiro abrindo os olhos e enxergando você como a primeira imagem do dia. Nada automático, simplesmente por viver a dois, sem motivo ou razão. Apenas querer conviver com a alegria dos detalhes. Trocar olhares como um oxigênio da alma, como um suspiro feliz.


Muitas vezes amamos mais o que sentimos, do que quem pensamos amar. É bom estar apaixonado. É até bonito. Nos permite uma troca de experiências, uma parceria que nos leva a conhecer outras pessoas, outra realidade. Mesmo que haja um sentimento puro e verdadeiro, é importante reconhecer quando aquela jornada chegou ao fim, já ensinou a lição que vocês precisavam. E acredite, sempre há o que aprender.


Não é fácil perceber o fim de um ciclo, ainda mais imersos em um envolvimento emocional. Mas os sinais não mentem. Existe uma linha imaginária de evolução pessoal em que o casal só pode cruzar de duas formas: juntos ou separados. O principal alerta ocorre quando você percebe que poderia atravessar a ponte, mas o seu parceiro não. Uma jornada a dois precisa da vontade de ambos, na mesma vibração. Chega um momento em que você tem que decidir, e, mais do que a sua relação, é a sua vida que está em jogo.


Nada é definitivo. Especialmente as mulheres tem pressa de viver e estão sempre um passo à frente dos homens. Às vezes é preciso um tempo para que ela possa voar, descobrir o que precisa e não está proibido um retorno para nos buscar. Um ciclo pode encerrar e recomeçar muitas vezes e a frequência das tentativas podem nos mostrar o quanto estamos insistindo em algo que já terminou, ou apenas renovando nosso passaporte para mais uma viagem do amor.


A gente sempre sabe quando o ciclo encerra. E essa não é uma escolha nossa. Insistir ou não em algo que já terminou, sim. O fim de um ciclo não é, necessariamente, um fim. Pode ser um recomeço. Depende de você.





Sobre o autor: Chico Garcia, pós-graduado em Jornalismo Esportivo, repórter, apresentador e Coord.Esportes BANDTV-RS. Escritor e amante de história. Leia mais textos do Chico em: http://chicogarcia.blogspot.com.br/

Depois

06 dezembro 2014



Depois de muito pensar, depois de muito bater com a cabeça na parede e apanhar na cara, eu entendi que o mundo é movido por reciprocidade. Eu não sei onde foi que perdi o senso e fui tão além na minha falta de amor próprio e te dei mais do que recebi. Mas, é pra isso que a gente vive, não é? Pra saber o certo, fazer o errado e ainda assim se sentir vivo. 

Depois de muito sentir, depois de muito sangrar e depois de gastar muito lenço de papel com nariz entupido por quem não valia a pena eu entendi que o mundo dá voltas. E isso é um processo natural, não tem o que ser feito. Foi depois de desidratar por você que te tive em minhas mãos, mas então... ah, então já era tarde, eu  estava gastando lenços de papel por outro e era pra arrumar o batom que ele borrava, e não o rímel.

Depois de muito sorriso forçado e alegria que não era minha, eu entendi que é preciso se recolher pra se curar. Não tem festa, porre ou ficada que vá apagar aquela pessoa que até pouco tempo atrás segurava a barra do seu lado, segurava o seu copo de cerveja, segurava a onda pra te ver sorrir e segurava as palavras rudes pra não te fazer chorar. Não dá pra compensar sentimento com coisas que não fazem sentido. Mas dá pra aprender a se sentir feliz sozinha de novo e isso acontece aos poucos.

Depois de muito cuspir no prato em que comi e depois de muito achar que superação era sinônimo de esquecimento entendi que há como lembrar sem dor, mas esquecer o que já tirou o seu sono, não. Não se esquece um furacão depois que ele passa, nem mesmo depois que se juntam os destroços e se limpa a bagunça. Não se passa reto na rua por quem já foi alvo das suas SMS de madrugada e se fica apático. Sempre vai haver um barulhinho no fundo da alma, um pequeno tremor, uma saudade escondida e um perdão nunca dito pelos erros de ambos. 

Depois de muito sentir, eu entendi que vou continuar sentindo. Depois de muito errar, eu entendi que vou continuar errando. Depois de muito aprender, eu entendi que vou continuar aprendendo. Depois de muito viver, eu entendi que vou continuar vivendo. Mas, principalmente, mesmo depois de muito doer, eu entendi que vou continuar amando.



Pode ir embora

19 junho 2014



Todas as frases, textos e trechos que me diziam para te esquecer nunca fizeram muito sentido. Todas as rezas da minha mãe e súplicas das minhas amigas, sempre foram em vão. Me cansei de bater de frente com o “você precisa virar a página, se quiser começar um novo capítulo”. Tentei a escrita, música e até um novo amor, mas sempre terminei em você. Hoje, depois de tanto tempo vivendo às cegas, tudo parece muito óbvio e claro. Então, te liberto. Pode seguir seu caminho em paz.

Depois de tantas idas e vindas, memorizei o caminho de volta para casa. O beco sombrio da rua 12 não me assusta mais. Logo, não preciso de você para passar por ele. A verdade é que você se afastou demais, sabe? Repentinamente e demasiadamente. Graças a Deus o ser humano tem essa capacidade enorme de adaptação. Se dependesse de mim, levaria anos. Mas acontece que mesmo não querendo, a gente se acostuma. Mesmo não suportando algumas coisas, a gente aprende a lidar. 

Sua ausência se tornou constante. Meu cachorro se acostumou com o canto vazio da cama e nem chora mais quando olha para ele. Acredite, eu também não. Aprendi, entre choros e filmes dramáticos, que o maior drama da vida é se submeter a esse sofrimento louco e doentio por quem nunca mereceu.

Pode seguir seu caminho, vai. Pode pegar a mala onde você escondeu todas as minhas lembranças e jogar bem longe. Ou abandonar em qualquer canto para que algum estranho me encontre perdida por aí. Só sei que não te pertenço mais. Talvez isso tenha acontecido há muito tempo. Digo, você abriu mão de nós antes de eu abrir mão de você. Dizem que a ordem dos fatores não altera o produto, descobri pelo nosso romance que isso só funciona na matemática mesmo. No meu caso, alterou o romance, as atitudes, os sorrisos... Tudo. Me perdoe por ser a última a abandonar o barco. Estou saindo, deixei a casa limpa e vou apagar a luz.

Não vou mais me importar se você não lembrar a data do meu aniversário, nem vou esperar ansiosa pela sua ligação. Não vou mais segurar uma lágrima, nem pedir perdão. Cansei de me culpar por um fim que foi mais seu do que meu. Cansei de sentir a falta de ar tomando conta de mim na busca incansável de te alcançar. Eu cansei de você e de nós e de ser estupidamente idiota quando o assunto é você. Eu cansei de me importar. Pode ir embora, aqui já não é mais o seu lugar.

*Texto inspirado na música Veranizar - Léo Fressato.

O grito

27 maio 2014



Ele saiu no meio do meu pavor para se tornar uma gargalhada inteira. Meu grito ecoou por toda rua quando um pastor alemão latiu, me tirando do planeta em que eu estava. Sabe quando você está andando lentamente e muito, mas muito distraída mesmo e de repente… TCHARAM! Vem um cachorro filho da mãe que ameaça te atacar. Me arrepiei por conta do susto. O grito alto e escandaloso saiu como consequência e sem vergonha. E aí, nesse exato momento, me vi despida de todas as minhas defesas e estereótipos. Eu, que sempre me julguei espontânea, precisei de um pastor alemão para soltar um grito verdadeiro e rir alto enquanto as pessoas me encaravam.

Estamos tão acostumados com o julgamento alheio, que nos aprisionamos em um casulo de onde só sai o que é aceitável. Mulher que é mulher senta de perna cruzada, se veste como uma lady, anda maquiada como uma Barbie, ri baixo, não fala nomes feios, tampouco pensa. A gente deixa de acreditar no que realmente é e acaba levando tudo assim. Seguindo assim. Fingindo assim. E quando somos pegas de surpresa por uma atitude estranhamente escandalosa e engraçada, nos sentimos bem.

Acontece que ninguém veio a esse mundo para ser um robô. Se você me irritar, provavelmente eu mande você ir se danar. A possibilidade de eu beber em um dia ruim é tão grande quanto meu ódio dessas coisas ensaiadas. Se eu bater o dedinho em alguma quina qualquer, é bem provável que eu mande um puuuuuuuuta queeeeeeee pariuuuuuuuu, porque às vezes só um xingamento traduz nossa raiva momentânea. Nós somos humanos, entende? E não há nenhuma lei de etiqueta no mundo inteiro que te dê tanta felicidade quanto uma reação natural.

As pessoas querem que sejamos ideais. Isso quer dizer, uma boa companhia, moça de família, boa namorada, esposa e mãe. Acontece que ser ideal não precisa ser, necessariamente, uma máquina entediante. Eu posso ser eu mesma e ainda assim ser legal. Posso ser divertida e ainda assim mulher. Se a vida se resumisse a essa busca pela monótona perfeição, todos já teríamos morrido de tédio. Então, não espere a chegada de um grito de pavor, para ver que pavor mesmo é não gritar. Seja de alegria ou indignação. De amor ou ódio. E perceba que o grito mais bonito e libertador que você pode dar, é esse que, como um desabafo, vem da alma.

Por favor, não volte

08 abril 2014



Quem você pensa que é? Sério, diz logo e de uma vez. Já me antecipo e peço desculpas por parecer rude demais, ansiosa demais ou nervosa demais. Mas é que você sabe, não sou fã de mudanças radicais. Logo, continuo sendo a mesma. O que me interessa mesmo é saber sobre sua volta repentina e o motivo de você perguntar tanto de mim por aí. Preciso saber o porquê desse interesse e o que você quer saber especificamente. Porque isso deveria ter acontecido há muito tempo atrás, entende? Sua busca por notícias minhas, por preocupação, respeito ou educação, que seja, deveria vir naqueles maus tempos e naquelas noites infinitamente solitárias. Eu ainda te queria aqui, mas compreendia seus motivos. Eu entendi o fato de você ter ido embora perfeitamente e aceitei – depois de noites e noites e noites de profunda tristeza e lamentação – o seu adeus.

Mas não, não dá para simplesmente aceitar seu retorno agora e fingir que nada aconteceu. Não dá para caminhar em passos lentos em sua direção e lamentar pelo tempo perdido. Não dá para viver você de novo e não me arrepender logo após. Porque eu continuo com minha personalidade e defeitos e angústias, mas você não faz mais parte disso tudo. Eu não vivo mais em sua sombra porque, depois de muito tempo, consegui acender a luz e acreditar que um dia ensolarado me traz muito mais felicidade do que as madrugadas tão tristes e cheias de você.

Levou muito tempo para que eu chegasse até aqui e tomasse decisões certas assim. Depois de muitas promessas quebradas, eu desejei nunca ter te conhecido. E depois de tanto esforço em vão, eu desejei que você nunca mais voltasse. E você voltou e continua o mesmo. Acha que pode sair por aí colecionando corações, fazendo cortes e deixando cicatrizes cada vez mais profundas, destruindo sonhos e esperanças. Mas você não pode, entende? Eu desejo, verdadeiramente, que você aqueça seu coração antes que ele te empedre. Que você ocupe seu tempo arrumando espaço para coisas novas dentro dele, não esvaziando o de outras pessoas. E que permaneça onde está ou vá para bem longe.

Mas, por favor, não volte. Não tente abrir a porta, pular a janela ou forçar a fechadura. Sério, não faça isso nunca mais. Eu não sei quem você pensa que é, mas sei que não tem lugar para você aqui.


Texto publicado no dia 07/04/2014 no blog da Isabela Freitas.

Hora de partir

31 março 2014

 

Minha dúvida neste momento era saber se ligava ou não para marcar nosso último encontro. Você sabe, sempre levo tempo demais para decidir sobre qualquer coisa em minha vida. Mas aqui estou, numa espécie de súplica para que você não deixe de ir. Não se abstenha da obrigação de me dizer adeus dignamente. Talvez eu demore, mas cumprirei meu papel com força e a sanidade que ainda me resta. Ou não. E se você perceber que meu carro não vem pela avenida, retome seu caminho que só vai adiante e não olhe para trás. Me espere uma hora, mas não mais que duas. Você não tem mais a amarga obrigação de esperar qualquer coisa de mim.

A verdade é que eu me cansei. Estou cheia, farta e saciada dessa nossa relação sem nexo algum. Não dá para viver em um relacionamento que só leva a gente para baixo, sabe? Não dá para aceitar uma relação que ao invés de acrescentar, aprisiona. Não dá para aceitar – não mais – esses silêncios intermináveis e a falta de um “eu te amo” verdadeiro. Você nem precisaria dizer, apenas mostrar, demonstrar e viver essas três palavrinhas. Mas ambos sabemos que eu ando fazendo isso tudo por nós e você assistindo a tudo de camarote.

A gente sabe que acabou quando percebe que ficar de joelhos não muda o estado da porta, que continua aberta anunciando uma partida. Dizer que vai ser diferente não altera sentimento algum. Lágrimas não libertam comoção. E o amor é mais que isso, entende? É bem mais que qualquer busca pelo inevitável. É bem mais que conversas e discussões que não chegam a lugar nenhum.
Eu estou farta. E eu vejo que portas batidas, gritos e climas fúnebres pelo o que está prestes a morrer de vez não recuperam sentimentos antigos. A gente precisa aprender a deixar as coisas irem. E mais que isso, eu precisava aprender a hora certa de abrir mão da gente, antes que nos destruíssemos de vez. A nossa hora de partir chegou.

Estou levando nossas boas lembranças na mala e deixando as minhas com você neste momento. Estou deixando você ir adiante. Talvez você sinta tristeza, agonia e pense que não sabe viver sem mim, mas acredite, você sabe. A gente acredita que ama muito mais uma pessoa depois que ela vai embora. E isso não é amor, querido. Entende onde quero chegar? Chegamos ao nosso limite. É uma pena que ainda não tenham inventado remédio para exaustão de amores.

Chega de você

06 fevereiro 2014




Ontem quando te liguei pela milésima vez, você me pediu que esperasse alguns minutos e que assim que terminasse suas tarefas, me retornaria. Me senti como se estivesse sendo transferida de um setor para outro por atendentes de telemarketing incompetentes que jogam cartas enquanto seus clientes esperam na linha. Me senti idiota. Por que, meu Deus, eu nunca aprendo? Eu sei que você é um tremendo canalha e sem escrúpulos. E sei que não vai me retornar como em todas as outras vezes. Sei também que toda essa minha carência sempre termina nessa ligação sem resposta. Mas sabe, é que minha terapeuta me disse que tenho que arriscar mais. Sair dessa monotonia em que me meti por ter medo das perdas. Aí o que acontece? BOOM, li um trecho que me fez lembrar de você. Ouvi uma música que me remete aos nossos momentos felizes. Isso só poderia ser um sinal, certo? É a hora de correr atrás dos meus sonhos e o motivo deles? Errado. Pena que só descobri que estava caindo depois que pulei no abismo.


E eu caio nesse buraco enorme onde o fundo é o número do seu telefone. E aí você, indiferente como sempre, me faz esperar. E eu viro uma múmia do outro lado da linha enquanto você brinca de fazer de conta que eu não existo. Então ligo para minha terapeuta. Ela me diz que arriscar é preciso. Que eu me arrependeria pelo resto da minha vida se não o fizesse na hora da vontade. Mas com tanta indiferença como resposta pela minha coragem, eu chego a conclusão de que arriscar é masoquismo demais. Desrespeito demais comigo e com nosso passado. Arriscar é um porre de ressaca incurável. E você ainda é o mesmo.

Você é um idiota que não tem a mínima consideração por mim e eu decidi parar de idealizar esse príncipe que você não é. Porque eu tô cansada de me iludir em cima de fatos tão claros e óbvios e diretos. O mundo não é um mar de rosas, a fada do dente não vai vir me dar moedas, desenhos em nuvens são coisas da minha mente, encontrar o final ou começo do arco-íris não vai me deixar rica e, por Deus, você não é o amor da minha vida.

Chega de puxar a corda para me enforcar com pensamentos tão mirabolantes assim. Eu demorei muito tempo para permitir que a ficha realmente caísse. É que a verdade é dura, entende? E eu sempre te dava a chance de retornar. Deixava rastros em todas as minha idas para que você, quem sabe um dia, resolvesse me seguir. Mas a verdade, dura como pedra, foi a melhor saída para esse nosso último final. Eu quero viver uma realidade verdadeiramente feliz e para isso eu preciso me desprender desse passado. Chega de dar e nunca receber. Chega de tapar a visão com falsos sentimentos e me alimentar de migalhas. Chegou a hora de sentir de verdade, para amar da melhor e mais bonita forma que existe.

No momento certo

27 janeiro 2014



Tenho que admitir, coisa que não faço com muita frequência, que estive errada sobre você. Quando te conheci, achei que desistiria de mim numa briga qualquer. Num dia ensolarado ou noite chuvosa. Achei que abriria mão logo na primeira prova de resistência ou com a minha falta de paciência. Eu estive errada todo esse tempo porque me julguei boa demais para você. Quando tudo o que você fez foi me mostrar o contrário. Eu não quero viver uma mentira como das outras vezes, entende? Não quero que você seja como todos os outros a quem enganei. Não quero te dar o que eu não tenho, nem te fazer acreditar no que eu não sinto.

Seria de uma covardia sem tamanho se eu te levasse até a minha casa e te embebedasse com meus vinhos, histórias, desafetos e carências. Seria muito aceitar o fardo de te tratar como nada logo após. Eu não aceitaria conviver com a dor de te abraçar, sentir seu cheiro e todo o carinho envolvente e não poder retribuir. Não quero forçar sentimento. Não quero ensaiar falas e fazer parte de uma peça de teatro ao invés de estrear num romance verdadeiramente bonito. Porque o amor de verdade vai muito além disso. É tudo natural. É tanta paz. É leve.

E a forma como tenho vivido só me leva para baixo. Não dá para ser feliz aceitando uma vida tão solitária. Para mim, não é justo te incluir nisso. Te fazer engolir goela abaixo meu jeito infeliz de levar a vida. Não quero ser como todo mundo. Não quero expor a minha dor para despertar a piedade alheia. Quero ficar quietinha. Quero me afastar de tudo e de todos como um bicho ferido, para me recompor sozinha. Não dá para ser feliz agora. Não dá para ser feliz nesse momento tão frágil e tão “in” em que vivo. Estou aprisionada em mim mesma para ver se dentro desse casulo alguma coisa vira borboleta.

Não me queira tanto por enquanto. Não me procure em todos os cantos. Não espere que eu te dê o que eu não tenho, nem que te faça sentir o que nem eu sinto. Sinta minha falta mesmo eu não merecendo nem uma parte dela. Eu vou amadurecer. Eu estou vivendo esse processo e é tudo muito novo para mim. Eu me despedacei em mil fragmentos para me tornar inteiramente sua. E em nosso tempo, ambos seremos sem sacrifício algum. Tenho em mente que amor que tem que ser, será onde quer que esteja. E no momento certo, ao invés de te guardar de mim, te levarei comigo.

Você vai lembrar de mim

13 janeiro 2014


Quando seu despertador tocar amanhã de manhã, talvez você perceba mais que depressa como seu pretérito imperfeito chegou cedo demais. Já não estarei mais aqui para ocupar o outro lado da cama, nem para dar credibilidade ao seu drama, muito menos para dar continuidade a essa ideia ilusória de relacionamento a dois. Verdade seja dita: eu cansei de você. E cansei das suas mentiras, do seu ciúme que mais parece uma busca incessante por motivos para brigar, cansei da sua indiferença em horas erradas e de tudo o que compõe essa sinfonia totalmente fora de ritmo. Cansei de tudo o que envolve seu nome ou o que restou do nosso amor. E só me dei conta disso quando vi meu sentimento mais puro e sincero se transformando em uma solidão inteiramente infinita. Minha alegria se transformando em choro e minha confiança se resumindo a investigações virtuais. 

Nesse tempo percebi que andava inventando desculpas demais pros seus erros. E não há amor que resista se alimentando de veneno. Eu fui e você ficou. Eu fui e levei comigo todas as minhas inseguranças que tanto te incomodavam. Levei meu abraço e coração e que te pertenceram por tanto tempo. Levei meu sorriso e a covinha que aparecia com ele, as rugas e as olheiras que esse amor mal acabado desenhou em mim. 

Talvez quando você acordar nem se dê conta de que eu parti, já que estamos tão distantes ultimamente. Talvez me substitua sem dó, piedade, nem luto por esse sentimento que dividimos ao longo desses anos. Em um dia qualquer você vai perceber que amor de verdade não se encontra nos cantos sujos em que você tanto se esconde. Nem com mulheres vazias, cansadas e desiludidas com as quais você se diverte. Aí sim, nesse exato momento, você vai lembrar de mim. E vai se tocar de que o brilho nos olhos e a pupila dilatada pela pessoa certa não há madrugada de diversão que compense.

E então você vai repassar os flashes em sua cabeça e lembrar que seu final feliz estava bem próximo da felicidade que eu te proporcionava. Quando você perceber que a superficialidade e o amor verdadeiro seguem por estradas completamente diferentes, você vai lembrar de mim.

Aí sim, nesse exato momento eu estarei bem longe. Vivendo a minha vida e, provavelmente, sendo feliz de verdade.

Acabou

13 dezembro 2013



Acordar e ter a certeza de que tudo terminou ainda parece um pesadelo. Eu não imaginei que houvesse um jeito de desistir de nós. Não cogitei a possibilidade de viver num mundo que você não habitasse. Você se fez tão presente nos meus dias, que sinto você em meus poros. E todas as vezes em que tentei te arrancar de mim, é como se um pedaço meu fosse junto. Nunca imaginei que olhar nossa cama me tiraria o sono. Nem que tomar café da manhã sem sua ladainha e reclamações de como o mundo vai mal, me tiraria a fome. Verdade seja dita, nunca me imaginei sem você.


Recentemente me perguntaram como vai a minha vida. Eu, mais uma vez, disse que tudo corria bem e sem grandes novidades. Ninguém merece carregar o peso do meu pseudo-sofrimento. E quando me perguntam de você, digo que se foi, que está bem, que sumiu, se mudou, se casou ou sabe se lá qual desculpa esfarrapada arrumarei na hora. Não gosto de expor a minha dor, porque não quero ser o motivo da pena de ninguém. Nem eu sei dizer muito bem o que ando sentindo ultimamente. Não sei se é amor, revolta, ódio, indignação ou carência. Mas é que sei lá, num belo dia você resolveu desistir de nós e eu simplesmente não esperava por isso. Não esperava descobrir tão cedo que o sentimento que dividimos se acabaria antes de virar eterno.


A raiva já passou, admito. O que me entristece é não saber o que fazer com o que ficou. Não sei se me desfaço das suas coisas ou se preparo um café e te espero voltar. Não sei se vou a uma festa ou bater à sua porta pedindo explicações para essas suas atitudes desconcertantes. Não sei se me jogo de cabeça em minhas emoções reprimidas ou aceito o xeque-mate e parto logo para outra.


Mas você sabe, a vida não é bem assim. Nada é tão 8 ou 80, nem tudo é tão drástico quanto parece. Eu sei onde e como você está. Você sabe bem onde e como eu estou. Ambos temos o endereço, telefone, e-mail ou qualquer outra forma de comunicação um do outro. Logo, não há tantas desculpas ilusórias que justifiquem você não voltar.


Então, está decidido: não vou mais lutar sozinha por amores perdidos. Cansei de remar, afundar e tentar virar o barco de novo. Cansei de ser só uma em um relacionamento de duas pessoas. Cansei de buscar motivos no fundo da memória para te procurar. Minha mente está tranquila e meu coração também. Se quiser travar uma luta onde nós dois vamos lutar por um objetivo, pois bem, você sabe onde me encontrar. Do contrário, esqueça e deixe pra lá.


Um final qualquer não mata. E a gente aprende mais uma lição.

Guia de como me deixar

17 novembro 2013

Peço encarecidamente, se é que eu ainda posso te pedir qualquer coisa, que você apague a luz quando sair. Deixe tudo limpo, tranque bem as portas e se despeça deixando este lugar assim como você o encontrou. Não é justo que as outras pessoas que entrarem aqui convivam com a bagunça que você fez. Peço também que você esvazie os armários, porque não quero me deparar com qualquer peça sua perdida pela casa. Elas não me fariam bem em uma noite chuvosa. Me devolva a cópia da chave do apartamento. Deixe embaixo do tapete assim como te ensinei, até que eu encontre um novo esconderijo para minha chave extra. Vai ser difícil colocar as coisas no lugar depois que você fechar a porta, mas continua sendo necessário.





Quem nos viu há meses atrás, não conseguiria imaginar o final dessa história. Eu me encaixava muito bem no seu peito e seu calor era o ideal para minha cama. Seu sorriso combinava com o meu e nossas mãos se entrelaçavam perfeitamente sem nenhum esforço exagerado. Tudo natural. Eu não sei muito bem aonde a gente se perdeu. Digo, estávamos predestinados a sermos felizes para sempre, certo? E agora, a única coisa que restou foi essa minha lista com instruções de como você deve fazer para deixar este lugar - supostamente - em paz.


Eu não me importaria em ter você aqui reclamando, gritando por melhoras ou fazendo qualquer alarde para salvar nosso final feliz. Mas acontece que de uns tempos pra cá você mudou muito. E ao invés de me transbordar, como costumava fazer, só aumentou meu vazio. Remexeu todas as minhas feridas numa tentativa incansável de reabri-las e me deixou aqui para que eu me virasse com um kit de primeiros socorros que eu nem tenho. Minha decepção foi tão grande que nem me lembro mais sobre como era ser feliz ao seu lado.


Te dei todas as opções e você poderia ter sido qualquer uma delas: amor, paixão, amizade, carinho, flerte. Só não imaginava que você escolheria, sem titubear, ser um adeus. Estou aprendendo a lamentar menos, cada vez mais, todos os dias. 


Torço muito para que não demore e que essa ânsia de ter você se vá junto com as malas que você está levando consigo hoje. Para bem longe.

Chega de saudade

05 novembro 2013

Vai, vai embora daqui. Pegue suas malas, seus finais, suas desconfianças, neuroses e suma da minha vida. Leva para longe esse medo de sentir que fica aqui me segurando, me amarrando e me mantendo longe. Quero me permitir, entende? E para isso preciso que você me liberte. Então, vá logo antes que eu me perca. Está na hora de eu me encontrar. Ouviu, orgulho?


Estou pronta para viver o amor em sua totalidade. E, para isso, preciso me sentir completa novamente. Chega de noites mal dormidas, textos inacabados e sentimentos incompletos. Chega de "adeus" ao invés de "até amanhã". Chega de drinks pesados para suportar a dor de negar abraços apertados. Quero morrer de amor. Quero viver a dor. Quero sentir uma vez mais.




Nunca imaginei que imploraria por uma chance. Digo, sou cabeça dura demais para isso. Não peço perdão, nem licença. Sempre fiz e desfiz na mesma intensidade sem pesar algum. Mas acontece que, vez ou outra, a lua brilha mais forte. E aí a gente sente falta daquela dor que nunca existiu. Eu sinto falta de sofrer.


Sinto falta de esperar pelo toque do telefone ansiosamente. Sinto falta do brilho nos olhos e do coração batendo forte. Sinto falta da minha cabeça martelando possíveis lugares, sentimentos e opções. Sinto falta de me sentir viva, entende? É na raiva, nas borboletas e na cabeça nas nuvens que a gente vê a mágica disso tudo.


Qual a graça de continuar essa vida monótona e sem perspectiva alguma? Não dá. Não quero. Me recuso. Torço e busco muito o novo todos os dias. Quero me surpreender em cada esquina, cada olhar e em cada silêncio que diz muito mais que discussões infinitas. Chega de sofrer pelo que não existe. Chega de saudade pelo que não aconteceu. Chega de esperar que a vida passe e que algo aconteça do nada. Vai embora, orgulho. Está na hora de eu quebrar a cara para formar alguma imagem num quebra-cabeça qualquer. Está na hora de viver. E para isso, preciso me despedir de você.


Vá de uma vez por todas, para que assim, eu suporte a dor de ser feliz novamente.

Pelo direito de amar um canalha

29 agosto 2013

Nunca amou um canalha quem não conhece o gosto da busca desiludida. Você corre atrás da sua felicidade, mas nunca chega ao final da estrada. Grita, xinga, berra, faz birra mas não deixa de gostar. Diz que nunca mais vai voltar e seu adeus dura apenas algumas horas. O sorriso dele te fascina, não é mesmo? Eu sei. Só quem desiste da promessa de eternidade sabe o que é amar um cara inconstante. Instável. Ele te leva da Antártida ao Nordeste em questão de segundos. Um olhar, um toque e toda a sua frieza desce pelo ralo.



Nunca amou um canalha quem não sabe o que é esperar por aquela ligação que não vem no dia seguinte. Se irritou, odiou e logo após perdoou, não é mesmo? Se deixou levar pela conversa mole, jeito meigo e por aquele mistério que serve apenas para esconder sentimentos que não existem e declara mentiras doces demais. O veneno dele te cura, é isso? Você sabe que não deve, mas foge do que precisa e se agarra ao perigo? Pois bem, bem-vinda ao clube.


Nunca amou um canalha quem nunca perdeu o controle dos pensamentos. O dia está atarefado, tem reunião, casa, faculdade, mas ainda assim, ele se faz presente. Aí você perde seu tempo e seu orgulho em uma briga qualquer. Vai negar? Ele tem esse poder, menina. Você não foi a primeira, nem será a última. É a lei da vida amar um canalha. Eles vêm, chegam rápido e vão embora na mesma velocidade. Eles são aquelas coisas proibidas que você faz pelo prazer de não poder.


Quem nunca amou um canalha, que atire a primeira pedra. Eles aparecem do nada, você se entrega, se apaixona, sofre, supera e aprende a se amar de verdade. Esse é seu ciclo, são os espelhos da vida. Tem essa função: nos ensinar a nos valorizarmos. Nove em cada dez mulheres sofreram por um canalha e nem por isso deixaram de viver. Um canalha é o remédio para todo mal de amor. Amar um canalha é bom pela diversão, necessário pelo amadurecimento e indispensável pela experiência. Amar um canalha é amar. Dispensa maiores comentários.

Quem sou eu

25 agosto 2013



Eu sou o tipo de pessoa que não liga no dia seguinte, nem me dou o trabalho de mandar mensagem. Está assustado? Acontece que os homens criaram esse tipo de expectativa em relação as mulheres. O que não me faz menos feminina, claro. Eu já acreditei muito nas pessoas. Já quebrei a cara, chorei, voltei sozinha para casa. Sabe esses dilemas sentimentais que toda adolescente-menina-quase mulher desabafa em seus tumblrs por aí? Passei todos em silêncio. Engoli sapos que não eram príncipes e meu orgulho ferido.


Agora você me encontra perdida por aí, cheia de indiferença e se pergunta o que houve comigo. Quer que eu diga mesmo? Acontece que eu decidi fugir da dor. Eu corro, fujo, me escondo embaixo da cama. Decidi ignorar cada chamado do passado e deletei qualquer lembrança assombrosa. Uso sorrisos que não são meus mas que, eu sei, um dia serão. Compro perfumes que não me remetem a nenhuma carência escandalosa. Percorro caminhos que me levam a lugar algum porque o destino é meio assustador. Me deixo levar.


Sou egocêntrica, teimosa, difícil de lidar e escandalosamente diferente de tudo o que você já viu ou imaginou ver nessa vida. Não a mais bonita, nem mais engraçada, nem mais inteligente, nem nada em exagero de qualquer adjetivo comum. Eu sou tudo e nada ao mesmo tempo, fora do comum. Não espere muito de mim porque eu frustro minhas próprias expectativas. Saio do roteiro pela graça de quebrar a rotina. Esqueça seus conceitos sobre mim e me descubra. Eu sou o mistério que você vai adorar desvendar.

De amor em amor

22 agosto 2013

Um dia desses desisti de ser eu. Cortei o cabelo. Arranquei você em cada fio que foi ao chão. E então, dormi tranquila. Depois acordei me sentindo sozinha. E sabe o que a gente sente quando isso acontece? Dor. Dói muito não ter ninguém para abrir o coração quando a madrugada chega. E então, logo que acordei, decidi mudar completamente, fiz uma tatuagem. Eu esperava que a cada vez que a agulha fincasse no meu corpo, eu sentisse uma dor superior a de não ter um "por quê" para sentir dor. Amar dói.


Não me lembro muito bem o momento em que me tornei tão clichê. Ficar por aí divagando sobre o amor e seus desastres não é para mim. Ou será que é? Não sei. Parece que acordei sem identidade. Sem porquês. Sem dúvidas. Sem sonhos. Simplesmente acordei. E me vi no espelho. Egocentrismo a parte, eu estava linda. Me senti leve. E descobri que não parei mais para me observar. É trabalho, faculdade, amigos, festas, trabalho, trabalho, trab... E eu? E meu eu de verdade? Ainda tenho um coração?

Acontece que o amor às vezes é um porre. A gente se deixa levar, para cair logo adiante. E nos afundamos tanto em mágoas e dores, que nos esquecemos de viver. E não se pode abandonar a própria vida para viver a de outra pessoa, entende? Vai me dizer que nenhuma garota no mundo nunca teve vontade de se vingar daquele babaca que a deixou sozinha numa festa qualquer? Ou de pedir desculpas a alguém que não dá (nem nunca deu) a mínima para ela? E a vida se torna uma eterna busca pelo inalcançável. A gente quase sempre quer salvar um amor que morreu. Ou que, às vezes, nem chegou a existir. E isso é cansativo. Viver em função de um outro alguém soa mórbido para mim.

Eu estou leve. E livre. Não vou me permitir mais fazer qualquer tipo de loucura que me coloque em segundo plano. Eu sou o centro do meu próprio universo e nada vai mudar isso. Eu decidi que preciso ser mais áspera. De amor em amor, a gente deixa de ser rosa vermelha para virar cactus. Endurece, deixa de fechar os olhos para não enxergar a falta de inocência humana. De amor em amor, a gente cresce, deixa de confiar e mais umas outras mil coisas acontecem. De amor em amor, a gente se perde, aí vem alguém e nos encontra de novo. De amor em amor, a gente vive. Amar dói, mas a solidão de não ter a quem amar, fere muito mais.

Guia prático do desapego

11 agosto 2013



Acho que mesmo com todas as definições que já inventaram para a palavrinha "desapego", muita gente ainda tem uma opinião equivocada sobre o que, de fato, ela significa. Se você acha que ser desapegada é pegar 10 na balada ou bancar a grossa, estúpida e ignorante que afasta todas as pessoas que se aproximam de você, volte 10 mil casas e procure seu cérebro (rs). O desapego nada mais é que se desprender de conceitos formados, pré-conceitos, se amar em primeiro lugar, saber a hora de ir embora, não deixar que ninguém seja "o motivo de sua existência", etc, mas isso é assunto pra ooooutro post. Quer aprender a se desapegar de pessoas e coisas? Eis minhas dicas:

1 - Não se importe tanto

Esse item vale para qualquer aspecto da sua vida. Um dos primeiros passos é não se importar tanto com o julgamento ou babaquice alheia. Ou simplesmente não se importar. Aquela menina escrota da sua faculdade te odeia? E daí? Sua vizinha critica sua forma de pensar e/ou viver? Que se dane. Seu namorado te deixou? Foda-se! As pessoas se prendem demais as opiniões de pessoas que em nada agregam e isso é errado e cansativo. Pois bem, ligue o foda-se e seja feliz.

2 - Se apaixone sempre. Por você.

Amor / próprio essas são suas palavras chaves de agora em diante. Gostar de si mesmo é o primeiro passo para o desapego. Para você "ligar o foda-se", precisa estar preparada para ficar com sua própria companhia, se necessário for. E não há nisso problema algum. Se você não curte sua presença, quem o fará? Pois é. Não tente ser perfeita pois ficará terrivelmente frustrada. Não há necessidade de ser uma bonequinha de porcelana. Seja humana, e ainda assim, seja incrível. Reconheça seus defeitos e se apaixone perdidamente por eles.

3 - Todo mundo tem defeitos

Tenha em mente que NINGUÉM é perfeito. Você pode estar apaixonada, de joelhos, morrendo de amoreOPA, vamos parar por aí. Morrer de amores não é algo que aconselho, faz mal para a saúde. Tudo o que é demais estraga, fica podre. Todo mundo tem defeitos e você precisa estar sempre ciente deles. "Ele é educado, mas preguiçoso. Fofo, porém galinha. Paciente, mas feio." Sempre tem um "mas, porém, todavia, entretanto" e sempre nos recusamos a enxergá-los. Saiba reconhecê-los, porque caso você se desiluda, é nesses pontos que você vai se concentrar para começar o processo de superação.




4 - Imponha limites e selecione corretamente

Limites são sempre necessários para qualquer tarefa. Não deixe que os defeitos de alguém te afaste dessa pessoa, pelo contrário. Imponha limites e saiba até onde os mesmos são toleráveis ou não. Pense no quanto essa pessoa é importante para você, na diferença que ela faz em sua vida e por quanto tempo você consegue permanecer ao lado dela. Isso é bom para selecionar as pessoas com quem você se envolve, tantos nos relacionamentos amorosos, quanto com amigos. Quando descobrir estas pessoas, não se desapegue delas. Sua família não merece ser vítima de sua frieza. Nem todos os seus amigos. Saiba separar as coisas, as pessoas, os fatos. E pelo contrário, os ame e valorize-os muito.

5 - Me apeguei, rodei. E agora?

Não importa quão fria-coração-de-pedra-desapegada você seja, um dia a armadura cai. E você vai se apaixonar. Isso mesmo, vai gostar de alguém profundamente, ver graça em casos com finais felizes e, pior, se ver neles. Não importa o quanto você siga fielmente esta lista, sua hora vai chegar. E quando chegar, permita-se. Surpreenda-se. Caso você caia, quebre a cara ou se machuque, aprenda a dar uma direção a sua dor. O ápice do desapego é isso, saber seguir em frente na hora certa. Se sair com suas amigas te faz feliz, vá em frente. Se lutar boxe te faz se sentir melhor, por que não? Use os métodos que mais lhe convém e seja feliz.


E aí, se sentem preparadas ou não pra desapegar total de agora em diante?

Beijinhos!

Solidão não é ser sozinho

25 julho 2013

Eu me considero a pessoa mais feliz (por ser sozinha) do mundo. Tenho dois namorados, mil amigos e uns três amantes e ainda sou a pessoa que mais se dá bem com a solidão. Por que me aproximaria se logo após partirei? Por que confiaria se tenho plena convicção de que quebrarei a cara novamente? Você sabe, tudo dá errado quando se coloca sentimentos. Porque aí vem a tal neurose e a gente perde o medo. Aí quando bate aquela vontade de perder o controle, eu me afasto. Digo que não estou preparada, que tenho algo melhor para fazer, que não tenho tempo, que prefiro viver sozinha. Não vejo cúmulo algum em ser just me numa sala de estar à noite com um vinho qualquer. O que me mata é ter que fingir que não ligo o quanto realmente ligo pra isso tudo.




Existem pessoas que se escondem para se achar. Tem sempre aquela desapega-que-a-vida-leva que faz tratamento com psicólogo para descobrir porque não consegue ser feliz e, principalmente, porque não consegue fazer alguém feliz. É sempre decepção, decepção, decepção e um dicionário inteiro de significados tristes restantes. Acontece que não dá para amar ao outro sem se amar antes, mas isso leva tempo para descobrir. Tem aquela misteriosa, que no fundo nem é tão misteriosa assim. Às vezes ela só não tem assunto mesmo. E quando abre a boca, seu mistério se transforma em um horror inteiro, porque a gente se decepciona quando descobre que nada era aquilo que imaginávamos. Têm pessoas que nos conquistam de cara e logo após, nos fazem descobrir que perdemos tempo. E a graça logo se vai. Eu me desencanto o tempo todo. Não confio, não esqueço, raramente concedo o perdão a alguém e queria eu me livrar logo dessa mágoa toda. Porque ver o mundo de perto é melhor que observar as notícias no jornal. Cair e quebrar a cara é melhor que chorar com os erros dos outros em filmes sem finais felizes. Viver é melhor que assistir. E ser sozinha não é o mesmo que ser solitária. Quanto mais penso nisso tudo, mais me afundo em sentimentos surreais. 



Não dá para desistir da minha vida, do meu trabalho, dos meus estudos, dos meus sonhos e, principalmente, de você. Mas, no final das contas, prefiro ser só eu. Ter meus próprios sentimentos, minha própria vida, meus próprios medos e objetivos. E sou feliz assim. Não sou do tipo que cultiva a solidão do modo que me torna uma pessoa extremamente solitária, sem amigos e amores. Sou só eu, e ainda assim, milhares de coisas ao mesmo tempo. Sou só eu e, ao mesmo tempo, nós dois debaixo de um edredom quentinho, cobertos de sonhos e despidos de esteriótipos. 


Ser só eu não me impede de ser de alguém. Ou de ser várias pessoas. Ser sozinha é ter a liberdade de decidir em que lugar permanecer. Ser solitária é ter que permanecer à um único lugar. Apenas por não ter aonde ir.
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