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Talvez seja sempre nós dois

23 novembro 2014




Talvez seja essa nossa situação confortável e descontrolada que me faça pegar a estrada na contramão algumas vezes. Talvez seja essa minha capacidade de te persuadir que te faça voltar correndo pra me abraçar logo em seguida de ser um verdadeiro ogro. Talvez seja o meu perfume que te hipnotize e talvez seja a minha incapacidade de viver longe da tua conchinha que me faça ficar até mesmo quando não devo. Talvez seja tudo que tenho descoberto ao seu lado e você, aprendido comigo, mesmo que você faça o tipo dono da verdade.


Talvez eu te faça ir embora correndo pra ter certeza que é também dessa maneira que vou te ver voltar. Admito que toda vez que isso acontece eu sinto um apertinho no peito, um medo de que você realmente não reapareça de novo no meu olho mágico. Talvez eu seja realmente aquela pessoa esquisita que você não consegue parar de admirar mesmo quando esta cansado e talvez eu tenha aparecido na sua vida na hora errada. Talvez o errado seja a nossa maneira de ser.


Talvez a noite continue virando dia toda vez que eu te encontrar e os mil copos de café por dia pra se manter em pé no outro dia continuem valendo a pena. Talvez você enjoe da minha gargalhada alta e me peça pra sumir. Eu, desobediente, sempre vou te ligar numa hora inesperada, você sabe. E eu sei que você vai me atender com a sua voz de sono e com o seu ego lá em cima, mas vai pedir pra deixar pra lá mais uma vez e tentar. Talvez esse monte de incertezas que nos rodeiam seja o que nos mantenha tão encantados nessa coisa desajeitada que temos tido. Talvez as descobertas não parem por aí, e não terminem nem daqui a 20 anos... mas eu sei, já descobri que você detesta essa minha mania de pensar no futuro.



Talvez seja no meu jeito de rir até da dor que você encontre paz. Talvez seja no teu riso descompensado dos meus medos que eu encontre a coragem. Talvez seja uma mania que a gente tenha e a gente só descobriu agora que tem. Porque descobrir ainda é tudo que eu tenho feito... a cada hora, olhar, sorriso, abraço, e até nas suas seriedades. Me descobrir com você, cedo ou tarde, na hora que der, porque nós somos assim. Vem que eu continuo a te dar paz, mas não me deixa aqui no escuro, no medo, na falta de coragem de encarar esse mundo fajuto que nos colocaram e que só vale a pena porque eu te descobri e me descobri em você.




Declaração de amor

10 novembro 2014



Passei a noite toda pensando em nós. Estou dizendo o que houve logo no começo, para que você não perca o interesse de ler esta carta. Primeiramente, eu gostaria de lhe pedir desculpas e talvez isso te assuste um pouco. Perdão por, às vezes, falar demais e não pensar antes de pronunciar algumas palavras. Eu sei que esse meu jeito machuca, mas é que eu prefiro a dureza da sinceridade. Sei também que muita gente não entende esse meu jeito, às vezes mandona, noutras estupidamente sincera. Acredite, já perdi muita gente por culpa do meu gênio forte, já sofri demais tentando agir na melhor das intenções. Por isso não culpo você, nem o nosso relacionamento e nem a vida que eu escolhi para nós dois.

Eu não sou romântica, mas aprendi a ser menos seca por você. Não que você tivesse qualquer direito de me mudar, mas é que quando a gente ama de verdade, nós queremos ver o sorriso no rosto do outro. E para isso não medimos esforços, não planejamos caminhos, muito menos calculamos quedas. Vamos seguindo, indo até onde dá e quando não dá mais, traçamos outra rota, inventamos um caminho, criamos pontes, estradas e viadutos. Quando o amor é tão grande que esgota, nós cavamos mais fundo para que caiba mais e paramos em um momento para que transborde, para que inunde e leve para longe as coisas ruins.

O engraçado é que eu nunca quis que você mudasse, mas você mudou. Assim como eu, você se despiu de todos os seus vícios para experimentar os meus. E eu vi você gostando tanto disso, a ponto de não desistir mais. Quantas pessoas, no mundo, nós encontramos assim? Dois corpos, duas almas e duas pessoas completamente diferentes trocando peles e experiências sem desistência? Por quantas pessoas no mundo você mudaria? Eu acho muito provável que sua contagem não dê mais que 5 dedos. E é justamente por isso que passei a noite em claro. 


Eu mudei por você e dizem que o que vale nisso tudo é o bem um do outro, certo? Eu não sou difícil de decifrar. Quando me escondo, quero alguém que me encontre. Quando digo que não é nada, é muita coisa e eu não estou afim de discutir. Quando digo que te odeio, é só meu jeito de dizer que te amo sem querer. Eu sou o oposto de muita coisa que eu digo, por isso não se concentre tanto nas minhas palavras e sim nas atitudes que não precisam de descrições. Não desiste de mim, não. Cê sabe que a minha vontade louca de jogar tudo pro alto só existe porque eu sei que, depois, nós temos todo o tempo do mundo para reorganizar a casa. Não desiste de mim, não. Vamos arrumar a casa, a bagunça, a vida e os sentimentos. Nosso final feliz mora numa tarde fria de segunda-feira.



Vem

08 novembro 2014



Não faz eu te explicar um monte de coisas que você já sabe. Sobe nesse ônibus e vem logo, eu to aqui te esperando e te esperar é uma das coisas que mais fiz na vida até hoje.

Vem, que a minha sede do teu beijo que sempre tem um fundo de Heineken misturado com Trident – aquele cinza com preto – é grande.

Vem logo, porque eu uso um monte de metáforas bestas e tento ser uma pessoa super criativa e alegre pra chamar sua atenção. E no fim, quando você finalmente vem, eu entendo que você vem justamente por eu ser eu mesma, sem precisar de metáforas, criatividade ou alegria que não seja minha.

Vem e congela a queda livre do meu coração na hora que você me abraça. Eu te beijo de olhos fechados somente pra disfarçar. E a minha sorte é que você abre o pára-quedas e, segurada no seu braço, do jeito mais forte que eu sei, a gente coloca os pés no chão de novo.

Vem com toda aquela alegria de garoto que tem a vida ganha e mesmo assim ta correndo atrás porque vida ganha não quer dizer estagnar. Vem com seus sorrisos, suas cervejas, suas piadas e seus planos. Vem e me apaixona mais a cada palavra.

Vem porque eu to cansando, vem porque eu to de salto, vem porque o batom não dura a noite toda e eu nem espero que dure. Vem, porque eu tenho um quadrilhão de motivos pra que você venha mas eu não quero falar, porque quero que as coisas sejam como sempre foram: que você venha, sem motivo nenhum pra isso.




Sobre a autora:
Rossely Rodrigues. Baladeira, botequeira, caseira, namoradeira e solteira. Estudante de Letras da FURG, 23 aninhos de muitas histórias pra contar e outras que é melhor deixar pra lá. Escreve pra registrar o que é todos os dias: ela mesma.

Não sei dizer: uma homenagem ao indescritível.

11 setembro 2014



Se existisse, na concepção mais ampla que alguém é capaz de ter sobre o amor, alguma palavra que fosse capaz de definir ou expressar o que sinto quando você sorri na minha direção, eu certamente a usaria. Mas, meu amor, acredite em mim, já que você me considera tão letrada: não há. Não há e provavelmente nenhuma criatura que habite este planeta seria capaz de inventar.

Sabe aqueles momentos em que você caminha pela praia e quando se dá conta já é hora do sol se pôr, então você para um pouco, senta para contemplar, se entrega ao momento mas não há um fio condutor dentro da sua cabeça, porque os pensamentos já não se ordenam mais. E você esta ali, absorto em algo que você não sabe o que é e não sabe como definir, mas você esta ali e isso diz tudo. É você dentro da paisagem emoldurada pela emoção indescritível, e tudo é tão profundo e abstrato que você consegue se visualizar do lado de fora da imagem e admirar esta tela por completo.

Eu poderia tentar com toda esta habilidade que você vive dizendo que eu tenho, mas logo eu que confio tanto em mim já te aviso de ante mão: vou falhar. Porque a falha é o resultado de expressar o inexpressável, definir o indefinível, narrar o inenarrável, dizer o que não tem como ser dito. Não é minha culpa e nem de sua. Não é culpa de ninguém que sejamos incapazes e se você olhar com seus olhos de criança que me encantam todo o dia, entenderá do que estou falando. É bonito. É puro e instigante, como só o sentimento que se sente passear pelas veias pode ser.

Nenhuma palavra no mundo contempla a dimensão do meu amor por você. Nem mesmo a palavra amor. Nem mesmo tudo que esta palavra implica. A gente sente e só , e é mágico porque você por muitas vezes nem percebe que sente... mas sente. E sente desde a ponta dos seus dedos até o buraco do seu estômago. Não sabe dizer se é bom ou ruim, mas é alguma coisa que se encontra, talvez, nesta linha tênue e sublime, que somente o mundo abstrato, o outro mundo, o que esta fora do espaço de inteiração que a linguagem nos permite viver, o mundo onde não há palavras. É lá que se encontra tudo que sinto, e não sei dizer.




Sobre a autora: Rossely Rodrigues. Baladeira, botequeira, caseira, namoradeira e solteira. Estudante de Letras da FURG, 23 aninhos de muitas histórias pra contar e outras que é melhor deixar pra lá. Escreve pra registrar o que é todos os dias: ela mesma.

Mulher abusada

04 setembro 2014




Ela gosta mesmo é de trepar, sabe?! Aquele sexo bagaceiro de escandalizar as repressões, gritar toda baixaria para a quadra inteira ouvir. Sem eufemismo. Sem vergonha. Sem pudores. Sem todo aquele falso moralismo ou aquele medo patético de ir não para o céu.

Aquela expressão de vem-quente-que-eu-tô-fervendo, a cama que se move mais que os movimentados, a glorificação aplaudida de pé por Eva ter mordido a maçã. Aquela noite úmida que dispensa lareira e aposta no calor da cobertas. O abafamento pelo esforço, ladrões de beijos suados e as promessas jogadas no tapete junto às roupas espalhadas pelo quarto. Sem a menor importância; onde elas estrategicamente devem estar: lá no chão. Bem abaixo das expectativas.

Porque homem gosta mesmo é de uma mulher abusada. Aquela que se escuta antes de ouvir a gritaria no lado de fora, que é tarada por desafios, amante por mudanças, esperançosa por natureza e idealizadora de um amor piegas. Intensidade é o seu sobrenome, falta de vontade é a sua maior agonia. Não tem endereço fixo, viaja o mundo e volta à família. É preciso ter asas para acompanhá-la, cumplicidade para continuar a segui-la. Tem o sorriso frouxo, a alma acompanhada pela positividade e o corpo sensual confirmado por seu amor próprio. Não é fácil fazer verão ao seu lado, requer empenho pelo encantamento contínuo. Ela até sentirá tua falta se fores embora, mas jamais deixará a si mesma. Não peças para ficar, não feches a porta sem antes dizer adeus. Não migres para outro bando, não sejas quem tu não és. Naturalidade é a tua identidade, mentiras são o investimento para o abandono. Quando tu tiveres a oportunidade rara de tê-la na cama e na tua vida, seja homem! Porque de tanto conhecer macaco e cachorro, a danada decidiu bater as asas e voar por aí.





Sobre o autor: Guilherme Pintto é blogueiro, abusado e pai de Hermione, a filha que late. Trabalha no Hospital Escola da Universidade Federal de Pelotas inserido no programa que atende pacientes com câncer e outras patologias. Além de ser apaixonado por histórias, nutri um amor incondicional: escrever sobre pessoas e seus comportamentos.

Vocês o encontram também no blog Amor Abusado. Corre lá que vale a pena conhecer!

Vida Breve

17 julho 2014



Não importa o quanto você corre, foge ou o quanto tenta se esconder, o fim do dia sempre chega para que um novo possa começar. Não importa o quanto você adie os ensaios e os dramas da sua vida, ela acontece da mesma forma e em uma intensidade absurda. Não importa quantos amigos você deixa ou encontra, quantos amores liberta ou aprisiona, quantas idas e vindas se deixa viver, porque tudo gira em torno da ideia de que o mundo gira. E tudo volta e vai embora e depois retoma o caminho e muda a direção e assim sucessivamente. A vida acontece enquanto você brinca de se esconder. Ela escorre pelos dedos enquanto você faz joguinhos sentimentais ao invés de se entregar de uma vez por todas e ser feliz de verdade.


Não fica parado aí, não. Não se acomode tanto ao ponto de acreditar em tudo o que te dizem. Vá atrás das tuas verdades, dos teus anseios, crie novos medos e ria de você mesmo por ser mole demais às vezes. Os dias têm a mesma quantidade de horas, mas não são iguais. Cada um deles nasce com o propósito de criar mais uma experiência na sua vasta lista guardada na memória. Cada manhã traz uma oportunidade diferente da de ontem e as coisas mudam sempre. Busque as bênçãos que estão estocadas esperando seu acordar. A beleza da vida está nos detalhes do cotidiano, nas pequenas coisas que muitas vezes passam despercebidas. Tudo depende de você: a forma como você vive e as coisas que você recebe como recompensa.


A vida passa e tudo acontece rápido demais. Saiba viver. Saiba ir além. Descubra quais são seus limites e ultrapasse-os. Esteja por um triz para que alguém te salve ou brinde a insanidade de viver a vida verdadeiramente.



“Vida louca, vida breve. Já que eu não posso te levar, quero que você me leve.”

Possibilidades

12 junho 2014



Qual meu problema em atrair gente que não presta? Vamos lá, qual a necessidade disso, universo? De conspirar para fazer meu coração acelerar quando ele passa, mesmo sabendo que as intenções são as piores. Eu sou uma pessoa boa, não dá para entender porque atraio esse tipo de personalidade, entende? Ele me olha com aquele sorriso torto, manda uma mensagem e me pergunta onde eu estou, dando a entender que quer me encontrar. Me faz rir quando estou perto e ao mesmo tempo que tira minha paz, também me direciona ao caminho de encontrá-la. Os dados da sorte desse jogo são lançados todo momento. Cada risada, olhar e toque. Um jogo extremamente perigoso que eu já conheço o final como a palma da minha mão e mesmo assim eu me deixo levar. 

Eu estou começando a achar que isso se encaixa na categoria de vícios, sou viciada na sensação de perigo que ele me traz quando me falta o ar enquanto tento descobrir qual vai ser a próxima ação dele. Se ele vai sorrir e chegar mais perto, se vai fechar os olhos enquanto acha graça de algo que eu disse e depois vai embora. Eu não sei se vai ou se fica e não quero cobrar entende? Vocês conseguem me entender? Isso tudo é errado! Eu estou insistindo em apertar a mesma tecla que outras vezes já deu defeito! Mas sabe aquela esperança? Aquela chaminha que insiste em arder lá no fundo do nosso coração? 

A gente se engana na esperança de que ele vá mudar, nos iludimos achando que vai ser diferente. E não há mal nenhum nisso, há? Eu preciso tentar! Eu não tenho como descobrir antes de tentar, ninguém conhece o final desde o começo, o amanhã faz parte do tempo e o tempo é volúvel. Talvez um dia o sorriso dele me enoje, talvez eu realmente quebre a cara e precise de algumas sessões de terapia e mais paginas de textos que me ajudem a superar as lembranças ou talvez, um talvez realmente alimentado por esperança, eu encontre aquele sorriso em um altar e em todas as tardes tediosas de domingo. Vai saber.




Sobre a autora: Aline Madera, mais uma radialista criativa em formação. 18 anos, apaixonada pela faculdade de Rádio, Televisão e Internet, só encontrou uma válvula de escape: escrever.Talvez tenha nascido com o dom de jogar bem as palavras em uma folha de papel, talvez seja súbita inspiração, só lendo para descobrir.

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Eu voltei

18 maio 2014



“Eu não sei como vim parar aqui”, é um ótimo jeito de começar meu pedido de desculpas e fazer com que você ao menos tente me entender. Estou parada, em frente sua porta, sem saber se a escancaro logo de uma vez ou se te dou a chance de digerir meu retorno. Eu voltei. E estou aqui, com a bandeira branca na mão, coração aberto e olhos marejados. Estou preparada para te contar sobre as minhas experiências e detalhes das pessoas que conheci depois de você. Quero te explicar os motivos e porquês de eu realmente precisar partir. O que aconteceu é que se eu ficasse, nos destruiríamos, entende? Se eu explicasse assim, só com palavras, você não entenderia. Se eu permanecesse, logo você iria embora. Porque eu precisei de muito tempo para me aceitar e aprender a viver a dois sem deixar que a outra pessoa fosse sozinha. E justamente por isso te dei este tempo também.

Fui para bem longe e desatei nossos nós porque precisava que você se desligasse por completo de mim. Eu precisava de tempo e deduzi que você precisaria também. E fui. Caminhei para longe. Conheci pessoas novas. Estudei em lugares diferentes. Bebi drinks que nunca tinha experimentado e não me preenchi em nada muito novo. Sabe quando você está no lugar ideal, com música boa e pessoas bacanas, mas sente bem lá no fundinho que tá faltando algo? E estava. Estava faltando a pessoa que ria das mesmas coisas que eu, sem que eu precisasse dizer nada. Estava faltando as mãos entrelaçadas debaixo da mesa e o carinho natural no cabelo. Estava faltando a metade do meu sorriso que eu deixei em um lugar bem longe por achar que não o merecia, e exatamente por isso, eu me encontrava incompleta.


Virei metade para perceber que eu era tão inteira com você. Não é necessidade, obsessão ou qualquer outra coisa parecida. É vontade, entende? Eu te olho e me bate o desejo de ser sua para sempre. Eu te beijo e me vejo preparando a mesa do nosso jantar, alimentando nosso cachorro e usando aliança na mão esquerda. Eu preciso de você justamente por não precisar. E é nessa loucura toda que eu te peço: volta? Passa a borracha nisso tudo e vamos seguir em frente. Talvez ainda fique aquela marca, uma magoazinha ou algo do tipo, mas se precisar, a gente rasga a folha ao invés de virá-la. 

Começamos um livro novo ou mudamos nosso gênero de drama para romance. A gente muda a rota, a rotina e reinventa o riso que era tão presente. Eu precisei ir para longe para ver que o ciclo da minha felicidade termina em você. Eu fui para me preencher e voltei vazia de amor e tão cheia de você. Cheia da sua saudade, do seu perfume, da sua personalidade e de tudo o que te compõe. Eu voltei porque muito do que eu quero está aqui, do outro lado da porta. Eu voltei. E preciso urgentemente saber sobre você: fica ou volta?

Estou apaixonada por você

18 abril 2014




Eu queria começar este texto jurando que não existe nada entre você e eu, além de uma linda amizade. Afinal, sempre fomos melhores amigos. Eu queria poder abraçar o fato de que você estar com outra pessoa não me incomoda em nada e acreditar nisso para sempre. Tudo o que eu sempre quis – e fiz – foi que você me visse como seu ombro amigo, seu consolo e um caminho certo no meio de tantas escolhas erradas. Hoje tive a absoluta certeza de que cumpri muito bem o meu papel de segunda opção. Digo, você sempre corre para os meus braços para lamentar algo, e sempre caminha na direção oposta quando quer se livrar da sua ânsia por amar.

Hoje eu descobri que poderia matar sua sede de amor. Mas, depois de tanto tempo perdido, a canção do Renato não faz mais sentido para mim: não tenho todo tempo do mundo. Estou almejando o agora e tentando esquecer os silêncios do passado. Estou parada em frente sua porta sem saber o que fazer. Não tenho ninguém. Estou sozinha e você com outra pessoa. Por tanto tempo eu achei que minha necessidade de você fosse apenas essa coisa de amigo. Por tanto tempo eu lutei contra mim mesma negando um sentimento que já existia desde sempre. Era muito, entende? Era de transbordar a alma e vazar pelas beiradas. Era de assustar e arrepiar. Então, fui levando, indo, empurrando e hoje, aqui e agora, estes sentimentos querem me devorar.

Minha vontade é de jogar pedras na sua janela e fazer uma serenata de amor. É de recortar todos os nossos momentos e te mostrar como ainda há brilho e como minha coragem de amar foi embora, junto com você. Era você, entende? Você era a força que não me deixava ter medo de arriscar e sofrer e me machucar. Você era a corda na qual eu me agarrava e pulava de alturas absurdas sem nem me preocupar com os metros de distância. Eu sabia que você estava lá e que me curaria, caso eu me machucasse.

Quero que você não se assuste com minhas palavras, nem que elas te levem para longe. Porque esse desabafo é mais que necessidade, esses sentimentos não me deixariam respirar nem mais um segundo. Não sei nada sobre a vida. Não entendo nada de economia e minha comida nem é tão boa. Entendo superficialmente de política e a geografia me confunde bastante. Nesse momento tenho inúmeras questões existenciais para resolver, e dentro delas, uma certeza: estou incansavelmente despretensiosamente e absurdamente apaixonada por você. Sempre estive, mas precisei te perder para outra pessoa para curar minha miopia sentimental. Eu não preciso de óculos, lentes ou colírio, preciso de você. 


Só espero que eu ainda seja insubstituível para você, tanto quanto você sempre foi para mim.

Deixa de orgulho, e vem!

09 março 2014




Não vou começar esse texto com promessas. Que fique claro que não é que eu não tenha vontade de te prometer toda felicidade e amor do mundo, mas é que hoje, só hoje, quero focar nos fatos reais e cotidianos. Sinto sua falta. Pensou que eu nunca admitiria isso, não é? É que a saudade me acorda toda madrugada com um tapa na cara e eu apanho quieta. Tem seu lugar vazio no outro lado da cama, seus vestígios espalhados pelo quarto e eu me sentindo sufocada no meio de tanto espaço. Eu sei que nunca fomos perfeitos juntos e na verdade, eu nem quis que fôssemos. Não, porque eu gostava (e ainda gosto) do seu jeito meio inconsequente que batia sempre de frente com a minha razão. Desde o gosto musical a um ser mais caseiro e outro amante da balada, entende? As diferenças são complementares. E a beleza disso tudo era evidente, porque cada um fazia um esforço sob humano para se encaixar na rotina, no peito e no coração do outro.


Cá entre nós, eu não quero mais ficar sozinha. E faço questão de remeter minhas palavras a você, porque a minha saudade é específica demais. Tem nome, sobrenome, endereço, telefone e um gosto musical horrível. Mas o sorriso encantador compensa todo o resto. Você sabe, meu amor por você é enorme e minha preguiça por coisas novas também. O novo nunca é o suficiente, nem preenche por muito tempo. E a culpa nem é dele, é minha, que só aceito um velho amor como consolo. Não quero encontrar novas saídas e caminhos, mas ficaria feliz em refazer nossas trilhas de mil modos diferentes. Quero amanhecer, dormir e enrolar uns minutos na cama ao teu lado. Quero você. Faz assim, esquece tudo o que passou e vem. Volta para o lugar de onde você nunca deveria ter saído e a gente esquece tudo de uma vez. 



Eu falto do trabalho, levo um atestado na faculdade e sumo do mapa com você. Dou-nos uma semana, só nossa, sem interrupções, que é pra gente refazer nossos planos e nos amarmos sem medidas. Aprendemos a cozinhar coisas novas. Vamos dar risada até a barriga doer e esquecer a falta de tempo que nos rouba tanto de nós mesmos. Vem, coloca teu orgulho naquela estante empoeirada da sua casa que é pra você olhar futuramente e se orgulhar de tê-lo abandonado. Não demora não, sua cerveja ainda tá na geladeira, seu cigarro na cabeceira e eu ainda estou aqui, tudo continua do jeitinho que você deixou.


Viu só? Eu poderia jurar que não falaria sobre promessas neste texto, mas como sempre, você me fez repensar minhas falas, atitudes e tudo mais. Então, abaixe suas armas de combate e levante a bandeira branca. Segundas chances são sempre bem vindas aqui, querido. Vem que eu te dou mil beijos, te faço um carinho e um poema. Vem, que já passou muito tempo e nosso destino foi escrito há vidas atrás. Aproveita que ainda é cedo e não se esqueça de que o nosso infinito começou há muito tempo. Aproveita essa segunda chance, e vem!

Amor tranquilo

14 fevereiro 2014



Amor bom é esse que chega de mansinho, bem devagarinho, sem causar muito auê. Não me leve a mal, não estou diminuindo os sentimentos de ninguém, mas a paz de um amor tranquilo me traz muita felicidade. É que eu me cansei de viver a vida em perigo a todo momento. Um dia, pode ter certeza, você vai se cansar do medo, da insegurança, da inconstância e vai querer qualquer tipo de certeza que te dê coragem e firmeza. Eu vivi a mil por hora e tive alguns acidentes que me causaram feridas profundas. Não que não tenha valido a pena, sabe? Mas é que sei lá, alguns machucados demoram muito a sarar. E cicatrizes doem bastante conforme a lua muda, vai entender.

Já vivi o amor em sua totalidade, pela metade, já amei sozinha e fiz loucuras. Aprendi também que ele não precisa ser devastador o tempo todo. É bom amar baixinho, quentinho, debaixo de um edredom assistindo a qualquer filme enquanto chove. Tem coisa melhor que colocar a cabeça no travesseiro e saber que há alguém que pensa em você antes de dormir? Ou quando, no meio do seu dia de trabalho agitado, você recebe aquela sms que te faz dar um sorrisinho em meio a tanto estresse?

Eu descobri muito mais sobre o amor depois que amei de verdade. Não adianta nos basearmos nos filmes de comédia romântica que, para qualquer que seja a história, há um final feliz. No começo é tudo fofo. Tudo é aceitável, perdoável, tudo é lindo. Mas o tempo passa e aí passamos a conhecer mais um ao outro. Tem confronto de ideias, sabe? Tem projeções para o futuro totalmente diferente umas das outras. E tem ciúmes, meu Deus, o ciúme. Quem disse que seria moleza viver um amor da realidade? Amor, para ser de verdade, não é perfeito. E o bom do amor é saber que os sinais positivos compensam os negativos. Tem turbulências, falta paciência e sobra vontade de permanecer juntos.

Você só vai conhecer o amor de verdade quando sobreviver a um. E acredite, a recompensa é linda.



Texto publicado no blog da Isabela Freitas no dia 23/10/2013.

Tu que ainda não chegaste

12 fevereiro 2014



Tu não precisas me ligar todas as noites, nem dizer bom dia todas as manhãs. Eu gosto de pessoas simples e de respirar simplicidade ao lado de alguém. Eu não suporto mentiras, detesto despedidas e, de vez em quando, gosto de beber um pouquinho de saudade. Saudade pra mim se mata na boca, no corpo, no colo, no afago, no alô e no palpável. Saudade é aquele desespero no peito, a irritação na pele, o som da caixa postal e as horas que não passam. Tu não precisarás ter doutorado para me entender bem. Eu sou fácil de ser decifrado, mas difícil de ser mantido. Confesso que sou metido a durão, mas que, por baixo da falsa casca grossa, não troco um namoro sólido por nenhum título do Grêmio.

No início evite contatos com a minha mãe. Ela é uma pessoa adorável, simpática ao extremo e, se ela te avaliar como um cara de futuro, passará a te amar pelo resto da vida. Assim como ela, comigo é 8 ou 80. Não sobrevivo de meios termos e já risquei a palavra talvez do meu Aurélio. O segredo para me manter por perto é me ter por perto. Gosto de ter a certeza que tu irás voltar, mas ela só pode ser subjetiva. Certezas bem certas são chatas. Hipóteses, podem ser mentiras.

Às vezes, eu posso querer dar uma sumida e não te dizer aonde vou. Entenda isso e respeite minhas opiniões. Ouça minha dor com interesse e se faça presente. Gosto de pessoas pró-ativas, ajuda a excitar minhas ações e masturbar minhas ideias. Além de seres perfumado, sejas educado, digas obrigado e peças licença ao entrar. Eu estou longe de levar uma vida certinha, mas sou meio metódico quanto à organização. Tudo para mim tem que estar no seu devido lugar. Relacionamento, no meu conceito retrógrado, é composto entre dois envolvidos. União poliafetiva não funciona junto ao meu egoísmo.

Eu sei! Eu sei que tu vais dizer que estou idealizando o inexistente e potencializando a solidão preso ainda a um estereótipo. Só que depois de um tempo, em meio a tantas decepções, a gente passa a ser mais frio, seletivo e exigente. Não é culpa minha, eu juro! Mas o coração cansa, joga a toalha e pede arrego. Sabe aquela sensação de monotonia, acobertado pela rotina? Pois é. É a hora que o coração grita e a carência vem fazer visita. A abusada ainda vem de mala e cuia e já avisa que passará algum tempo por aqui. Como aqui em casa só tem um quarto, uma cama e só cabem duas pessoas. Vê se não demora, tá? Tem bolo de cenoura dentro do forno e suco de soja na geladeira. Os copos ficam no armário aéreo em cima do microondas e os pratinhos, para não sujar a casa, no armário ao lado do fogão.
Vem logo e a gente bota ela para correr. 

Só não demora. Tenho um péssimo hábito de não ter paciência e uma característica de não me prender aonde não me seguram. 



Sobre o autor: Guilherme Pintto é blogueiro, abusado e pai de Hermione, a filha que late. Trabalha no Hospital Escola da Universidade Federal de Pelotas inserido no programa que atende pacientes com câncer e outras patologias. Além de ser apaixonado por histórias, nutri um amor incondicional: escrever sobre pessoas e seus comportamentos. 


Vocês o encontram também no blog Amor Abusado. Corre lá que vale a pena conhecer!

Vai ser sempre você

20 janeiro 2014



Se não fosse pedir muito, eu pediria a Deus e aos céus para que fosse possível voltar no tempo. Uma vezinha. Uma chancezinha qualquer e eu mudaria tudo. Voltaria no dia em que você apareceu e ao invés de “não”, eu gritaria um estrondoso sim. Deixaria de ser livre, leve e desatenta demais. Distraída que só, não te dei muita atenção, nem meu coração, muito menos te deixei ver a importância que você tinha em minha vida. Você veio e me cuidou, me amou, delirou e esqueceu teus sonhos para me fazer sonhar. Largou tudo por uma imbecil sem qualquer sentimentalismo que jamais retribuíra teu esforço sem medidas. Hoje eu sei, depois de tanto tempo, como é carregar o peso de um arrependimento.

A tua urgência em sentir era tanta que meu medo da entrega se sobrepôs. E eu fui levando, tentando, me esforçando e escondendo a ânsia de partir. Era muito, entende? Era demais. Amor em excesso. Cobranças sem medidas. Era você tentando derrubar o muro que construí em volta do meu coração durante anos e eu do outro lado, com um exército inteiro lutando contra. Virou guerra. Deixou de ser carinho e sobrou você tentando entrar de vez em minha vida, ficar para sempre, virar um futuro que nenhuma cartomante conseguia ler. Era só você lutando por nós dois.

E quando parei para observar de verdade, você havia se tornado um soldado ferido demais para permanecer em campo. Aí eu quis te cuidar. Te curar. Te amar. Foi quando te vi enfaixar os ferimentos que, provavelmente, deixariam sinais da guerra por todo o seu corpo e se retirar. Sem olhar para trás, você foi em frente e enfrentou de todos os jeitos possíveis os fantasmas que usei para te fazer mudar de ideia. Você foi e levou consigo todas as últimas chances que restaram e todo o amor que havia aqui.

Se alguém lá em cima me deixasse fazer um único pedido antes de partir, seria você. Seria você para sempre e mais um pouco. Eu pediria para que abrissem seus olhos e você enxergasse o quanto eu mudei. E o quanto você ainda faz parte disso tudo. Eu torceria para que você voltasse atrás e tapasse esse vazio que ficou depois que você se foi. Eu intercederia por mais uma chance. Eu lutaria. Eu sangraria. Eu faria por você aquilo que você sempre fez por mim. Eu te amaria incansavelmente e sem medidas. Eu deixaria de lado tudo o que fiz no passado para te compensar no presente. Porque é você e sempre vai ser. Independente do meu pedido ser atendido ou não, ainda é você.

Reencontro

07 janeiro 2014




Pode ser que quando eu te reencontre daqui um, dois ou dez anos, você ainda seja o mesmo irresponsável de riso fácil. Talvez ainda seja apaixonado por coisas que fogem ao natural e tenha aquela melhor amiga que esconde um grande amor por você. Há uma grande possibilidade de, até lá, você já ter superado o nosso fim e ter aprendido a agir normalmente a respeito disso. Bem, talvez eu não. Não porque você foi o meu primeiro amor, talvez o único que eu tenha amado e desejado de verdade. Talvez não, porque eu contei todas as linhas do seu corpo e me descobri em cada uma delas. Não, porque por muito tempo foi só você para mim e me desprender dessa ânsia de você me soa quase impossível. Não, porque antes mesmo de te reencontrar eu me flagro relembrando o passado e pensando nas inúmeras formas, jeitos e trejeitos que tínhamos para dar certo.


Quando eu te reencontrar prometo (tentar) agir naturalmente. Se você piscar, piscarei de volta. Se você sorrir, sorrirei de volta. Se você se mostrar bem mais feliz sem mim, te farei crer que assim estou também. E, caso você venha em minha direção para saber como estou, engolirei meu mundo de fantasias e sentimentos para me focar no meu teatro e agir normalmente. Enquanto você me conta as novidades, vou sorrindo e esmagando meu coração e digerindo sua felicidade e acidificando as borboletas no estômago para que assim, eu consiga responder à sua altura: "Continuo com minha vida, estou feliz, preciso ir". Sem muito auê seguirei a minha vida. Retomarei minha rotina e você não me assombrará mais.


Não fantasiarei nenhum final para quando eu te reencontrar. Apenas vou torcer para que tudo dê tudo certo tanto para mim quanto para você. E se esse reencontro não acontecer, acompanharei de longe suas vitórias e aplaudirei em silêncio cada uma delas. Gostaria que você soubesse que eu descobri o que é amor quando me vi te amando dessa forma: quietinha, de longe, renunciando ao escândalo da paixão. Descobri que te amava mais do que eu imaginava quando me afastei para te ver feliz. Não me maltratei para te ver bem, nem quis que você forçasse felicidade ao meu lado: tudo aconteceu naturalmente.


Quando nosso reencontro acontecer, talvez entre beijos, abraços e novidades a gente perceba o quanto nos fizemos bem ao tomarmos decisões sensatas. Talvez, nesse instante, a gente não precise forçar nada, estaremos bem e felizes. Viveremos a forma mais linda de amor: conscientes do nosso passado, indiferentes a mágoas, nada de ensaios, nem de falsa alegria. Assim como o destino planejou.

É você

23 dezembro 2013



Meu choro é seu e meu riso também. Só me dei conta disso quando me flagrei ansiosa esperando por sua chegada. Não que das outras vezes estas não me trouxessem alegria, mas é que nessa eu pude ter a certeza de que é você a razão pela qual há tantos sentimentos espalhados dentro de mim. É você quem me alegra com um jeito estranho de desejar bom dia e de me acordar de um sono profundo sem me assustar. É você quem vive o presente comigo e carrega o peso do meu passado sem se importar tanto com que houve antes de me conhecer. É com você que eu caminho de mãos dadas sem querer saber aonde vou chegar, porque confio plenamente em suas intuições.

Eu nunca me entreguei assim por completo. Era sempre aos pouquinhos, devagarinho, receosa e desconfiando de tudo. Eu nunca me dei a chance de viver um amor verdadeiramente porque todos os que passaram por mim não eram você. Não estou dizendo isso para desmerecer os sentimentos de ninguém, mas é que eles não me compreendiam (e nem tentavam). E me feriam dolorosamente em cada detalhe que passava despercebido. Estes que você nota sem que eu diga nada. E me conforta sem que eu implore por ajuda.

Eu deixei de ser egoísta por você. Parei de me preocupar apenas com meus próprios sentimentos e me concentrei em tudo o que te envolvia também. E é tão bonito ver essa reciprocidade de perto. Eu me julgava incapaz demais, entende? De amar, de viver, de ser eu mesma e de me doar por alguém. E agora vejo que meu eu é tão seu que só me dei conta disso quando me vi despida de todas as minhas máscaras, maquiagens e sorrisos amarelos.

É você o dono do meu coração e de tudo o que eu poderia chamar de belo em mim. É você o destino da minha estrada, meu começo, meio e fim. É seu aquilo que eu tento de muitas formas explicar e não consigo. Toda essa bagunça sentimental que aconteceu dentro de mim te pertence. Assim como eu.

Chega de saudade

05 novembro 2013

Vai, vai embora daqui. Pegue suas malas, seus finais, suas desconfianças, neuroses e suma da minha vida. Leva para longe esse medo de sentir que fica aqui me segurando, me amarrando e me mantendo longe. Quero me permitir, entende? E para isso preciso que você me liberte. Então, vá logo antes que eu me perca. Está na hora de eu me encontrar. Ouviu, orgulho?


Estou pronta para viver o amor em sua totalidade. E, para isso, preciso me sentir completa novamente. Chega de noites mal dormidas, textos inacabados e sentimentos incompletos. Chega de "adeus" ao invés de "até amanhã". Chega de drinks pesados para suportar a dor de negar abraços apertados. Quero morrer de amor. Quero viver a dor. Quero sentir uma vez mais.




Nunca imaginei que imploraria por uma chance. Digo, sou cabeça dura demais para isso. Não peço perdão, nem licença. Sempre fiz e desfiz na mesma intensidade sem pesar algum. Mas acontece que, vez ou outra, a lua brilha mais forte. E aí a gente sente falta daquela dor que nunca existiu. Eu sinto falta de sofrer.


Sinto falta de esperar pelo toque do telefone ansiosamente. Sinto falta do brilho nos olhos e do coração batendo forte. Sinto falta da minha cabeça martelando possíveis lugares, sentimentos e opções. Sinto falta de me sentir viva, entende? É na raiva, nas borboletas e na cabeça nas nuvens que a gente vê a mágica disso tudo.


Qual a graça de continuar essa vida monótona e sem perspectiva alguma? Não dá. Não quero. Me recuso. Torço e busco muito o novo todos os dias. Quero me surpreender em cada esquina, cada olhar e em cada silêncio que diz muito mais que discussões infinitas. Chega de sofrer pelo que não existe. Chega de saudade pelo que não aconteceu. Chega de esperar que a vida passe e que algo aconteça do nada. Vai embora, orgulho. Está na hora de eu quebrar a cara para formar alguma imagem num quebra-cabeça qualquer. Está na hora de viver. E para isso, preciso me despedir de você.


Vá de uma vez por todas, para que assim, eu suporte a dor de ser feliz novamente.

Tentativas

27 outubro 2013

Tento te esquecer, tento te arrancar de mim a qualquer custo, tento não pensar, tento não lembrar, tento não vincular você a cada movimento meu. Acordo tentando, levo o dia tentando, respiro tentando e durmo tentando não sentir, não te querer, não te desejar.

Mas você é insistente, por mais que eu consuma todas as minhas forças e concentrações, você tá presente em mim, tá presente nos meus atos, nos meus métodos, nos meus sonhos.

Cada dia é mais difícil te tirar de mim, um enorme buraco se forma e aumenta a cada minuto sem você. Saber que você não vai voltar, não vai me ligar dando boa noite, não vai brigar comigo por ficar na net até tarde ou por não comer direito, não vai mais querer saber como foi meu dia, isso tudo dói, isso tudo me tira a vontade de acordar no outro dia.



Você foi a melhor coisa que me aconteceu. Em meio aos meus erros, você talvez tenha sido o único acerto, a minha única vontade de acertar. Nunca me importei em fazer o errado, em ser sempre a errada da história, sempre assumi esses erros e suas responsabilidades. Mas por você eu quis acertar, eu quis ser melhor, eu quis me mudar e seguir um caminho diferente.

Não me conformo com a teoria de você ter entrado na minha vida só para acertá-la, só para me mostrar o caminho a seguir. Quero seguir o melhor caminho com o meu melhor, com você, quero você comigo na hora de desfrutar dos meus acertos.

Não quero um pai para me buscar bêbada numa balada qualquer, não quero alguém para me tirar de confusões, não quero alguém que só sirva para ligar quando estou na pior. Quero alguém que compartilhe comigo os momentos bons e ruins, afinal não sou a “garota problema” que só se mete em confusão e traz coisas ruins.


Sei que posso te fazer feliz, que podemos trocar conhecimentos e experiências, que temos um futuro diferente do que muitos pensam. Mas enquanto você não se dá a chance de tentar ser feliz, eu vou tentando a cada segundo que respiro te tirar de mim.




 
Sobre a autora: Letícia Pinho, publicitária em formação que se encontrou de corpo e alma nas palavras. Uma intensa desastrada que transforma tudo que vive e sente em frases desconexas que um dia amanhecem fazendo sentido. Tem pensamentos que pedem por liberdade e é movida por sentimentos. Uma eterna apaixonada pelo som, sentido e forma das palavras. Segue ela lá no twitter: @LettyPinho.

Depois de você

20 outubro 2013

Houve um tempo em que eu acreditei no amor eterno. Aliás, ainda acredito. Porque todo esse sofrimento depois de tanto tempo só pode ser caso de eternidade mesmo. Assim que decidi que nós nunca seríamos, de fato, um "nós", muitos bateram a porta do meu apartamento me dizendo adeus. Eles me culpavam por amar de menos, não me importar demais e não corresponder as expectativas. Não os culpo, eles apenas não eram o que eu queria. Não me culpo, eu apenas não era o que eles mereciam. Sinto que em tempos frios você retorna para me aquecer. E aqui, agora, o Vinícius me lembra que "eu sei e você sabe, já que a vida quis assim, que nada nesse mundo levará você de mim". 



Eu tento de todas as formas te expulsar de mim e criar um novo sentimento em sua ausência. Mas em todo canto há um tanto de você. Um cheiro, uma carta, uma música. Tentei mudar os móveis de lugar, mas ainda vejo sua imagem jogado no sofá me pedindo para que fizesse o mesmo. Parecia tão fácil te apagar de mim. Eu decidi que te pediria para ir embora, esvaziaria meus armários, convidaria outros gostos, cheiros e dramas para que eu dividissem meus medos e a minha cama. Mas nenhum deles aguentou o peso de ser eu. Não é fácil conviver com alguém estupidamente vazia apesar de completa. É óbvio, eles não entendiam minha solidão rodeada de pessoas.


Você tinha muito de mim e talvez por isso tenha me pertencido tanto quanto eu a você. Nós fomos atalhos de muitas pessoas que passaram por nossas vidas. Fomos experiência, carência, desejo passageiro. E juntamos tudo isso para criarmos nosso laço que, com o passar do tempo, virou um nó quase que indestrutível. Às vezes me frustro e questiono por que é que tudo teve de terminar. E me conformo que talvez nunca mais encontre outro você. Balanço a cabeça, rola uma lágrima, culpo a vida, o destino e deixo Vinícius me consolar. "Eu sei e você sabe que a distância não existe. Que todo grande amor só é bem grande se for triste". É, ele me conforta.


Eu faria muito para que nós retornássemos ao início e eu não precisasse te procurar em outras pessoas. Depois de você, tudo o que eu fiz foi torcer para que você descubra logo que a saudade não compensa e retorne em busca de qualquer tipo de perdão. No final, qualquer que seja o roteiro, nós sabemos que somos melhores juntos. "Não há você sem mim e eu não existo sem você."

Revelação

19 outubro 2013

Hoje de manhã uma estação de rádio qualquer tocou Sweet child O' Mine e adivinhe quem me veio a mente? No momento em que sua imagem apareceu, pude admitir, sinto tanto a sua falta. Eu queria ter dito isso antes de você mudar seus conceitos, percepções e sentimentos, mas sabe, é tão difícil falar sobre o amor, não é? Assumir sentimentos, para mim, sempre pareceu um sinal de fraqueza. Eu estaria levantando bandeira branca, iria baixar a guarda e te deixaria entrar. O que você nunca soube é que você já tinha conseguido tudo isso. Você balançou meu mundo, como ninguém nunca havia feito antes. Você mudou minha forma de ver as coisas, como eu nunca havia visto antes. Eu me apaixonei perdidamente por você com um amor que nunca foi capaz de nascer em mim, entende? Eu sou outra pessoa, você é você e o fato de não sermos um "nós" tem me incomodado bastante.




Queria que você estivesse aqui para ouvir a música comigo e te lembrar como seu sorriso fica bonito com o meu. Queria ter sua mão segurando a minha durante um beijo rotineiro e ouvir você dizendo, mais uma vez, como se importa. Eu sei que é tarde demais para um recomeço, mas é que se eu não te falar essas coisas agora, temo que nunca mais consiga. Eu sou um pouco fria, sabe? Meu medo de sentir sempre falou mais alto e então minha armadura sempre se manteve firme. Mas aí você foi embora e eu não pensei que isso fosse me perturbar tanto assim. Eu, que sempre estive em total inércia, tenho vontade de correr pros seus braços e discutir sobre qualquer bobeira sentimental. Se isso fizer com que você tome o caminho de volta, pois bem, aqui estou. Quero mudar, revirar, reviver, bagunçar sua vida. Quero assumir as consequências dos meus erros. Eu, euzinha, toda orgulhosa admito minha culpa no cartório. E em linhas meio tortas e desajeitadas te dou de bandeja tantas revelações.


Eu poderia terminar esse texto te pedindo para que fosse meu, apesar de já ter sido clara o suficiente sobre tudo. Cansei de me poupar do desgaste emocional. Cansei de não me familiarizar com a permanência. Cansei de ser a estrada que faz com que as pessoas cheguem a algum lugar que não seja a minha vida. Quero deixar de ser um atalho qualquer, para me tornar sua única razão para continuar caminhando. Quero deixar de ser solitária para ser sua companhia. E deixar de ser fria para me derreter por você. Quero dar tudo de mim para ser só sua. Viu o que você faz comigo? Tudo aquilo que ninguém nunca conseguiu fazer. Eu fugia do amor por medo perder a lucidez. E olha que contraditório, só a encontrei depois que te perdi.


Texto encomendado por Isabela Martins. Quer sua história escrita por mim? Mande um e-mail para raianeribeirocontato@gmail.com e boa sorte =)

Lembranças

06 outubro 2013

Talvez eu me cansasse logo cedo se minha busca por você não fosse tão infinita assim. O desgaste seria menor, entende? Não seriam inúmeras noites de drinks, fossas e baladas românticas. Demorou, mas eu sobrevivi. Superei. Estou aqui. Ando testando receitas novas com outro alguém. Ele não é tão sincero quanto você sobre minhas estranhas combinações, mas se esforça muito para me ver feliz. Ele não dá risada do meu mau humor matinal como você fazia, mas tenta - de todas as formas possíveis - melhorá-lo. Ele está certo, nem todo mundo leva a vida de forma tão estranha como nós fazíamos.


Ele tem sido muito meu. Não que eu não goste de amores por completo, mas é que sei lá. Estava confortável viver em meio ao seu charmoso desapego. Mas sabe, estou tentando. Me esforçando. Lutando. É que as vezes não dá para segurar e tapar os ouvidos não silencia o sentimento. Me escondo tanto nessa brincadeira de fugir de você, que acabo me perdendo. Procuro você nos livros, nas músicas, na novela das sete, nos meus sonhos e até nos lugares em que você não vai. E graças a Deus não te encontro. Digo, seria uma pena ver todo o meu esforço indo por água abaixo, mas você sabe, recaídas acontecem.



Eu não poderia te esperar eternamente. Até poderia, mas não seria justo. Não enquanto tem tanta gente querendo dar amor. Dar valor. Dar a mão, o ombro e abraços apertados. Não vivemos em um filme, nem sou protagonista de novela mexicana que vive de sofrimento e acaba em felizes para sempre. Segui em frente. Eu estou feliz em outra cama, outro drama, nesse novo amor. Mas é que o tempo está meio chuvoso ultimamente e as enxurradas insistem em me trazer suas lembranças. Não se iluda, não te quero de volta. Não pense que vou bater à tua porta. Não pense. Apenas entenda meu momento e espere até que passe.


Acredite, eu estou amando novamente. Vivo o presente inteiramente. Me apaixono mais e mais a cada dia. Mas, entre uma lua e outra, meu apego pelas memórias que tive com você retorna. Não sei porque isso acontece, só tenho torcido muito para que o tempo se estabilize.
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