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Deixa de orgulho, e vem!

09 março 2014




Não vou começar esse texto com promessas. Que fique claro que não é que eu não tenha vontade de te prometer toda felicidade e amor do mundo, mas é que hoje, só hoje, quero focar nos fatos reais e cotidianos. Sinto sua falta. Pensou que eu nunca admitiria isso, não é? É que a saudade me acorda toda madrugada com um tapa na cara e eu apanho quieta. Tem seu lugar vazio no outro lado da cama, seus vestígios espalhados pelo quarto e eu me sentindo sufocada no meio de tanto espaço. Eu sei que nunca fomos perfeitos juntos e na verdade, eu nem quis que fôssemos. Não, porque eu gostava (e ainda gosto) do seu jeito meio inconsequente que batia sempre de frente com a minha razão. Desde o gosto musical a um ser mais caseiro e outro amante da balada, entende? As diferenças são complementares. E a beleza disso tudo era evidente, porque cada um fazia um esforço sob humano para se encaixar na rotina, no peito e no coração do outro.


Cá entre nós, eu não quero mais ficar sozinha. E faço questão de remeter minhas palavras a você, porque a minha saudade é específica demais. Tem nome, sobrenome, endereço, telefone e um gosto musical horrível. Mas o sorriso encantador compensa todo o resto. Você sabe, meu amor por você é enorme e minha preguiça por coisas novas também. O novo nunca é o suficiente, nem preenche por muito tempo. E a culpa nem é dele, é minha, que só aceito um velho amor como consolo. Não quero encontrar novas saídas e caminhos, mas ficaria feliz em refazer nossas trilhas de mil modos diferentes. Quero amanhecer, dormir e enrolar uns minutos na cama ao teu lado. Quero você. Faz assim, esquece tudo o que passou e vem. Volta para o lugar de onde você nunca deveria ter saído e a gente esquece tudo de uma vez. 



Eu falto do trabalho, levo um atestado na faculdade e sumo do mapa com você. Dou-nos uma semana, só nossa, sem interrupções, que é pra gente refazer nossos planos e nos amarmos sem medidas. Aprendemos a cozinhar coisas novas. Vamos dar risada até a barriga doer e esquecer a falta de tempo que nos rouba tanto de nós mesmos. Vem, coloca teu orgulho naquela estante empoeirada da sua casa que é pra você olhar futuramente e se orgulhar de tê-lo abandonado. Não demora não, sua cerveja ainda tá na geladeira, seu cigarro na cabeceira e eu ainda estou aqui, tudo continua do jeitinho que você deixou.


Viu só? Eu poderia jurar que não falaria sobre promessas neste texto, mas como sempre, você me fez repensar minhas falas, atitudes e tudo mais. Então, abaixe suas armas de combate e levante a bandeira branca. Segundas chances são sempre bem vindas aqui, querido. Vem que eu te dou mil beijos, te faço um carinho e um poema. Vem, que já passou muito tempo e nosso destino foi escrito há vidas atrás. Aproveita que ainda é cedo e não se esqueça de que o nosso infinito começou há muito tempo. Aproveita essa segunda chance, e vem!

A melhor parte de mim

27 fevereiro 2014



Ele é de aquário, o que eu poderia esperar? Minha possessividade ariana sempre bateu de frente com sua liberdade exagerada. Não que isso me incomodasse por completo, mas sempre rendeu boas brigas. Ele não diz nomes feios perto de outras pessoas, eu mando logo ir pastar qualquer pessoa que me tire do sério. Minha risada ecoa em qualquer lugar em que eu esteja, a dele é discreta e tímida. Num primeiro momento, eu poderia jurar que fomos desfeitos um para o outro. Não dá para botar fé num relacionamento que é composto por diferenças. E foi aí que eu me enganei.

Ele é calmo e eu o estresse em pessoa. Quando eu mando as coisas para o espaço, é ele quem recolhe tudo e me diz que tinha certeza de que eu me arrependeria. Eu sou guiada pelos sentimentos, ele pela razão. Ele é meu consolo e eu sou sua amiga. Ele curou minhas cicatrizes e eu dei um brilho diferente à sua vida. Ele deixou de ser meu medo, para se tornar a melhor parte de mim. Eu acordo com o bom dia que ele me dá. Ele dorme com meu desejo de boa noite. Nós planejamos o amanhã pensando no ontem, abraçamos intencionando um beijo e brigamos pensando nas pazes.


Relacionamentos são assim mesmo, sabe? Têm diferenças, brigas, xingamentos e promessas de nunca mais que não duram por muito tempo. Tem amor, carinho, ciúme, planos, viagens, apelidos, silêncio que traduz sentimentos e saudade que vem para aumentar ainda mais isso tudo. As brigas não acontecem para mostrar que alguém te ama menos, entende? Significa que a pessoa se importa muito a ponto de ter que te chatear com certas coisas. As pessoas pensam diferentes uma das outras e sentem com profundidades diferentes também.


Eu poderia jurar que meu aquariano iria embora logo, mas você sabe, eles são surpreendentes. E eu aprendi que independente do signo, quem gosta de verdade, insiste. Quem ama de verdade, luta pelo sentimento do outro. E quem tem que ficar, fica. Nossas diferenças são absurdamente complementares e nossos sentimentos completamente únicos. Nós quebramos a regra para nos tornarmos a exceção. E descobrimos que a soma de sinais diferentes, no final acaba em muitos resultados. Subtraímos a negatividade, somamos a vontade de permanecer juntos, multiplicamos as palavras de carinho e dividimos tudo em metades iguais, para que não sobre, nem falte. O amor tem que ser dado e recebido na medida certa.

Revelação

19 outubro 2013

Hoje de manhã uma estação de rádio qualquer tocou Sweet child O' Mine e adivinhe quem me veio a mente? No momento em que sua imagem apareceu, pude admitir, sinto tanto a sua falta. Eu queria ter dito isso antes de você mudar seus conceitos, percepções e sentimentos, mas sabe, é tão difícil falar sobre o amor, não é? Assumir sentimentos, para mim, sempre pareceu um sinal de fraqueza. Eu estaria levantando bandeira branca, iria baixar a guarda e te deixaria entrar. O que você nunca soube é que você já tinha conseguido tudo isso. Você balançou meu mundo, como ninguém nunca havia feito antes. Você mudou minha forma de ver as coisas, como eu nunca havia visto antes. Eu me apaixonei perdidamente por você com um amor que nunca foi capaz de nascer em mim, entende? Eu sou outra pessoa, você é você e o fato de não sermos um "nós" tem me incomodado bastante.




Queria que você estivesse aqui para ouvir a música comigo e te lembrar como seu sorriso fica bonito com o meu. Queria ter sua mão segurando a minha durante um beijo rotineiro e ouvir você dizendo, mais uma vez, como se importa. Eu sei que é tarde demais para um recomeço, mas é que se eu não te falar essas coisas agora, temo que nunca mais consiga. Eu sou um pouco fria, sabe? Meu medo de sentir sempre falou mais alto e então minha armadura sempre se manteve firme. Mas aí você foi embora e eu não pensei que isso fosse me perturbar tanto assim. Eu, que sempre estive em total inércia, tenho vontade de correr pros seus braços e discutir sobre qualquer bobeira sentimental. Se isso fizer com que você tome o caminho de volta, pois bem, aqui estou. Quero mudar, revirar, reviver, bagunçar sua vida. Quero assumir as consequências dos meus erros. Eu, euzinha, toda orgulhosa admito minha culpa no cartório. E em linhas meio tortas e desajeitadas te dou de bandeja tantas revelações.


Eu poderia terminar esse texto te pedindo para que fosse meu, apesar de já ter sido clara o suficiente sobre tudo. Cansei de me poupar do desgaste emocional. Cansei de não me familiarizar com a permanência. Cansei de ser a estrada que faz com que as pessoas cheguem a algum lugar que não seja a minha vida. Quero deixar de ser um atalho qualquer, para me tornar sua única razão para continuar caminhando. Quero deixar de ser solitária para ser sua companhia. E deixar de ser fria para me derreter por você. Quero dar tudo de mim para ser só sua. Viu o que você faz comigo? Tudo aquilo que ninguém nunca conseguiu fazer. Eu fugia do amor por medo perder a lucidez. E olha que contraditório, só a encontrei depois que te perdi.


Texto encomendado por Isabela Martins. Quer sua história escrita por mim? Mande um e-mail para raianeribeirocontato@gmail.com e boa sorte =)

Procura-se

24 setembro 2013

Vou colar cartazes por toda a cidade, está decidido. Vou te encontrar, querido, e te pegar pelo colarinho para perguntar por que demorou tanto. Eu cansei de esperar. Cansei de acordar em camas sem saber endereços. Cansei de ocupar corações que em nada me preenchiam. Cansei de ficar parada e decidi sair a sua procura. Bato de porta em porta, cheiro os cantos, pergunto a estranhos. Onde será que você se meteu? 



Fiz um retrato falado no momento em que minha consciência me disse quem era você e colei em todos os postes de bairros próximos. Tô morrendo de amores. Tô oferecendo recompensa. Tô te imaginando e sonhando acordada no meu trabalho. É tortura você demorar tanto para aparecer, sabia? Eu quero que você venha me tirar dessa vida pacata, que me arranque suspiros e reviva as borboletas no meu estômago. Quero que você faça desabrochar todas as minhas loucuras escondidas nessa estranha frieza. Quero você para fazer loucuras, gritar a raiva, amar baixinho.



Procura-se alguém que goste de carinho pela metade que é pra não ficar sem, nem enjoar rápido demais. Procura-se alguém que goste de ser permanente, mesmo que pelo menor tempo possível. Procura-se aquele que tira o chão, o ar e faz as pernas tremerem. Procura-se aquele que não é perfeito, mas que para tudo dá um jeito e não desiste fácil assim. Procura-se o amor próprio no sorriso alheio, que é para amar mais intensamente. Estou procurando você, que é para ver se me encontro e revivo tudo de mim em nós. Estou procurando, então por favor, venha logo. Cansei do esconde-esconde, estou aqui dando a cara a tapa, o coração, a alma. Saí do esconderijo e estou me expondo completamente para que você me enxergue de longe. Não perca essa chance, venha me encontrar.

Ausência

20 setembro 2013

Sabe o que eu queria nesse exato momento? Queria que você estivesse aqui. Eu já disse isso antes? Me desculpe, é a força do hábito. Queria provar para você que tudo o que eu sinto é real, mesmo que você já saiba. Queria sussurrar no seu ouvido que nossa sintonia é única e que nossas raras brigas não alteram em nada meu sentimento puro e transparente por você. Eu poderia jurar que dessa vez seria diferente. Digo, nada mais foi igual desde que te conheci, concorda? Você era o frio, eu o calor. E em nossas certidões nossas distâncias eram bem claras e óbvias. No entanto, o que importava naquele momento era que você estava próximo o suficiente e eu não precisava de mais nada.


Queria te contar um segredo: me flagrei fazendo questionamentos sobre quando foi que vacilei com o destino. Porque eu devo ter cometido um crime imperdoável para merecer um castigo tão grande assim. Ele precisava mesmo te tirar de mim? Te levar para longe e puxar todos os meus sonhos - que queriam permanecer aqui - pelo braço dessa forma? Tudo bem, coisas da vida, eu entendo. Eu sempre soube que nós duraríamos, sabe? Talvez não deixasse isso claro sempre. Mas você viu minha luta por nós dois. Percorri caminhos que não conhecia muito bem, enfrentei estradas, pessoas estranhas e nossa distância de frente. Fui em frente. E de tanto ir, segui sozinha.





Talvez tenha aparecido outra pessoa naquela época ou seus amigos estavam te consumindo demais. Não sei explicar muito bem o que aconteceu. Mas, convenhamos, eu não precisava vir aqui te contar nossa história, até porque você já a conhece por inteiro, não é mesmo? Eu sei. Mas é que ainda não consigo entender muito bem o que houve. Você era o cara perfeito que vivia no meu conto de fadas e de repente, não era mais. E eu me peguei lutando sozinha por nós dois. E ver você escorrendo por meus dedos me corroía por dentro todos os dias. Dói falar sobre você. Dói falar seu nome. Dói ter que conhecer lugares novos para ver se encontro um outro você perdido por ai. Um outro alguém que mexa comigo tanto quanto você conseguiu. Dói ter esse alguém e ainda assim me sentir sozinha. Que fique claro que este não é um pedido para que você volte. Esta não é mais uma súplica por atenção. Sou só eu, de novo, tentando encaixar fatos tão desconexos. Não vou forçar surpresas do destino.


Ainda ouço sua voz dizendo que me ama, mas que por motivo de força maior, era o fim. E quero que você saiba que aqui tudo continua igual. Que por mais que eu fuja para um outro continente, nada muda. Talvez a gente se reencontre, talvez só a minha presença baste para você um dia. Talvez você volte. Talvez, numa outra ocasião, os quilômetros não maltratem tanto o nosso amor.



Texto encomendado por Beatriz Perçú. Quer sua história escrita por mim? Mande um e-mail para raianeribeirocontato@gmail.com e boa sorte =)

Confissão

15 setembro 2013

Odeio o amor. Decidi isso logo que acordei. Odeio proteger demais, cuidar demais, querer demais. Odeio você. Bem, ódio é uma palavra muito forte, né? Tá bom, é desejo. É essa vontade louca de fazer você me enxergar de uma vez e não apenas me ver passando perdida no meio da multidão. Eu quero saber como foi teu dia, como anda a tua vida e teu coração. Mas eu não tenho mais nada a ver com você, entende? Chego a pensar se algum dia tive. Acontece que isso realmente não importa. Eu quero que você perca essa mania de ignorar minhas chamadas enquanto a consciência tá pesada demais e me sufocando. Eu quero você.


Nunca entendi esse papo de que o amor acaba. Nunca acreditei em finais. Como você pode tratar como um completo estranho aquele que dividiu as dores, os amores e a sua cama? Não dá. Tem carinho escondido no cantinho daquela antiga mágoa, eu sei. É sempre amor, meu bem. Mesmo que acabe, que mude, que quebre ou apenas trinque. É amor desde o dia em que deixou de ser. A gente mascara o sentimento com ódio, rancor ou qualquer outra coisa, mas sabe, bem no fundinho, que o toque da ligação já remete a respiração da pessoa no seu ouvido. Dá calafrios, o estômago revira, você sente náuseas. É o amor.


Aí você vem e me diz "quanto tempo!". Você, como sempre, reaparece nos momentos errados e nos lugares mais inóspitos. E todas as vezes eu decido que um planeta inteiro é pequeno demais para nós dois. Não dá para habitar o mesmo lugar que você, porque você me sufoca. E eu te encho de saudade. E a gente revive momentos mentalmente, sorrindo, agindo como se não houvesse nada. E isso machuca. Então, eu preciso manter distância. Preciso de amores e pessoas novas. Não dá para amar de novo com você aqui, porque não dá para te amar menos, entende?


Eu quero você, se for para vir inteiro. Pode vir com defeitos, manias e afins. Pode vir sendo você mesmo, porque te quero por completo. Quero que você me ligue para saber como foi meu dia, como anda meu coração e se quero você para sempre. Você nem precisaria da minha resposta para ter certeza, mas eu saberia o quanto você se importa. Eu quero você me questionando sobre coisas inúteis, mas que nos rendem boas gargalhadas. Eu quero odiar seu amigos, seus erros e te perdoar sempre. Eu quero que você seja meu aqui, agora, de novo. Eu quero você. Estou tirando meus devaneios e saindo das minhas viagens mentais, para dizer o que eu quero e quem eu quero. Dá para ser mais clara que isso?

Segunda Opção

10 setembro 2013

Olha, sou eu de novo. É, de novo. Você já deve ter se acostumado com esses aparecimentos repentinos que em nada te satisfazem ou alteram sua vida, não é? Bate a saudade, eu pego o telefone. A noite fica escura demais, te mando sms. O outro não veio no devido encontro, é você que eu vou encontrar. O fato é que eu não queria ter você como uma escolha, entende? Cada parte do meu corpo grita para que eu ame, que eu devore ou que eu morra de amores por você, mas é complicado. Você é o tipo de cara que nunca mereceu um texto meu. É verdade, não se sinta ofendido por esta afirmação, mas é que você é perfeito demais para que eu te desmereça em parágrafos sem sentidos e cheios de qualquer tipo de rancor.




Eu quero perder essa minha mania de sofrimento, mas nada faz passar. E você esteve tão ausente nos últimos tempos. Talvez tenha se esbarrado em qualquer estranha por aí e esteja feliz. Ou esteja me dando um gelo só porque eu não sei me decidir entre nada. Não sei se quero pintar minha sala de azul bebê, rosa ou se quero ficar com você para sempre. Nessa noite eu quero, sabe? Quero você aqui, agora, comendo pipoca, rindo da vida, morrendo de amor. Quero você. Tenho pensado em você o tempo todo simplesmente porque você não me corresponde com aquele amor sobrenatural de sempre. Eu quero o que eu não tenho, entende?


A vida toda foi assim. Meu enjoo das pessoas nunca acaba. Quero enquanto não tenho, amo enquanto está distante, frio, pedindo calor. Eu sou aquele enfeite que as pessoas tanto namoram em lojas chiques e inalcançáveis. Sirvo por algum tempo e depois sou guardada naquela caixa empoeirada de lembranças. Eu sou de temporada, feriados ou qualquer tempo curto que você encontre definição. Não sei - nem sei se quero - ser permanente. Tenho ânsia de mundo, de pessoas, de amores, de vida e liberdade. Tenho essa vontade louca de fechar os olhos e pular de cabeça em tudo o que eu não consigo ver a profundidade. Mas eu sei nadar. E geralmente quem pula comigo não sabe.


Não quero ver você se afogando em ilusões ou num amor obsessivo que não cessa. Eu prefiro que você seja feliz com alguém que seja melhor do que eu e consiga te fazer feliz. Alguém que seja de verdade e não escorra pelas beiradas quando for colocada contra a parede. Eu sinto tanto a sua falta e gosto tanto de você, que te deixo livre. Prefiro que você seja você e me deixe em paz com minhas máscaras e disfarces. Seu nome fica lindo no registro de chamadas do meu celular, mas o sofrimento que isso te causa não vale a pena. Espero que você seja feliz. Do meu jeito, eu serei feliz também.

O Combate

06 setembro 2013



Não me olha assim, vai. Toda vez é isso. Você faz o que bem entende e não se preocupa com o que eu sinto, nem com a luta interna que sua indecisão causa em mim. Se entope de mulheres que não têm meu cheiro, para se esquecer de mim. Vai em todas as festas de todos os finais de semana do mês, para esquecer que o quentinho da minha cama é o melhor lugar do mundo. Pensa que me engana? Você pode dizer que não se apega, que a liberdade é o seu lema de vida e tudo mais, mas quando te pego me olhando com olhos doces, eles não mentem, sabe? Não dá para disfarçar. Quando é de verdade, não adianta você esconder com palavras. É tapar o sol com a peneira. Você pensa que está descansando em sombra fresca e prefere não ver que não é bem assim.


A verdade é que eu sempre me canso de nós. Nós? Isso existe mesmo? Deixa pra lá, preciso me focar no que realmente importa. Eu te odeio com todo meu amor. Já ouviu essa expressão? Nem eu. É que você tem atitudes desprezíveis e tantas personalidades, que me fazem te odiar. Mas o engraçado é que eu vejo um certo tipo de beleza em cada uma delas. A sua loucura se parece muito com a minha e o seu medo de se prender também. Aí você quer fugir de tudo e que eu adivinhe o que você sente, mas não dá, entende? Eu não sei nem o que eu sinto. E nem por isso estou fugindo amedrontada.



Eu sou a coragem que falta em você e tudo o que você sonhou em ter um dia. Mas esse texto não era para ser sobre mim. Essa sou eu, de novo, perdendo o foco. Foco, fico, permaneço. Tudo isso porque é você e não outro. Tantos deles já vieram, foram e em nada alteraram a minha vida. Você balançou meu mundo, mudou minhas certezas e manipulou minhas escolhas. Você é um filho da mãe que de tanto odiar, aprendi a amar. Me desculpe por isso, me traí de novo falando sobre amor. Eu sou desapegada, tá? E não te amo nadinha, nem minto sobre sentimentos. Você gosta de mim assim? Então tá. Já vesti minha armadura e tô pronta para o combate. Acho que nunca protagonizei uma peça tão difícil assim. Mas é isso, tudo pronto. Pode vir frio, que eu já estou fervendo.


Texto encomendado por Ana Paula Andrade. Quer sua história escrita por mim? Mande um e-mail para raianeribeirocontato@gmail.com e boa sorte =)

Vai ser sempre você

26 julho 2013


Ele gosta de U2, o que rendeu uns bons pontos comigo logo de cara. E gosta de futebol, uísque e conversas ao pé do ouvido. Ele é um desses caras que a gente encontra poucas vezes na vida, e que toda garota vive sonhando por aí: compreensivo, legal, amigo, bom ouvinte, bom de cama, bom de coração. De todos os caras que já passaram na minha vida, ele, com certeza, foi o que eu menos mereci. Logo eu, toda errada e cheia de manias. Logo eu, que vivo entrando na contramão da minha própria vida para me sabotar. Se eu pudesse, de verdade, escolher, eu escolheria ele. Você sabe.

Eu tentei escolher. O cara da voz calma, dos planos reais, das escolhas certeiras. Foi ele que bateu na porta e entrou de mansinho, conquistando tudo aqui por dentro. Conquistou um espaço que eu nem sabia que existia, depois de você. Ele me deu a mão e se dispôs a encarar a coisa toda ao meu lado, acredita? Corajoso o menino, de sair por aí querendo enfrentar a minha vida e o meu jeito desafiador. Ele não se acuou quando eu recuei. E eu nem precisei contar de você. Aliás, o que mesmo eu tenho para contar de você? Você foi embora antes de começar a história. 

Já ele...ele não foi embora por medo. Não tremeu na base temendo me perder. Ele sabia que ainda nem me tinha, mas tentou me puxar de todas as formas. Chegou uma hora em que eu me deixei ir. Ficar parada no mesmo lugar esperando que você voltasse atrás e me roubasse para si não dava. Porque, ainda que por outro caminho, até você estava seguindo em frente. No fim, eu só tinha que dar os primeiros passos também. 

Ele me ensinou a me sabotar menos. Me fez descobrir que eu também merecia ser feliz. Colocou esse sorriso na minha cara e todos viviam falando que eu nunca estive tão bem. Ele gosta das mesmas pessoas que eu, dos mesmos lugares, das mesmas histórias e dos mesmos desafios. Dizem, até, que nós nascemos um para o outro. No final feliz, era com ele que eu deveria ficar. 

Só que, na minha história, eu nunca fui mocinha. Sempre levei mais jeito para vilã. E, por mais que eu sofra com o nosso fim, é ele que chora de saudade de mim. Porque, no fundo, eu nunca pude escolher. 

Eu sei e você sabe: vai ser sempre você.



*Post escrito pela colaboradora Karine Rosa. Karine: "Não sei cantar, não sei atuar, não sei desenhar e não me dou bem com cálculos. Um dia, uns desavisados aí disseram que eu sabia escrever. E eu, boba, acreditei. A verdade é que é a única coisa em que eu me dou razoavelmente bem. Então, vou indo, acreditando, escrevendo umas palavras, umas histórias, uns romances nunca publicados. Vai que dá em alguma coisa! Meu punhado de sonhos e meu coração bobo já deu nisso aqui." Leia mais textos da Karine AQUI.

A fórmula certa para perder o amor da sua vida

17 julho 2013


João ama Maria que ama Roberto que ama a Paula que ama o Ricardo que fica sozinho chorando pela Renata. E por aí vai, infinitamente. Desde quando ficou tão difícil encontrar a tampa da panela, metade da laranja ou qualquer outra coisa relacionada? Não sei. Talvez as pessoas estejam seletivas demais. Vazias demais. Conectadas demais. Distraídas demais. Naquele exato dia em que um estranho esbarrou em você e derrubou seus livros, talvez, quem sabe, se você não tivesse se irritado tanto, ele pudesse notar que seus olhos não são castanhos e sim cor-de-mel. Talvez os achasse encantadores e a convidasse para sair com um belo sorriso. E você saberia que ele fuma, pelo leve tom amarelado dos dentes dele. E se encaixariam de tal forma que até os deuses duvidariam. Mas você, mais que depressa, tratou de franzir a testa e mandou ele olhar por onde anda. Uma pena.

Teve também aquele dia na balada, lembra? O amigo do seu melhor amigo ficou encantado com você. Caiu de quatro e se você quisesse, lamberia seus pés e cheiraria os caminhos pelos quais eles andaram. Percorreria seu trajeto para, quem sabe, te encontrar em uma outra vida, se necessário. Mas você fez questão de virar uma dose, cantar uma daquelas músicas "deprê" e falar que estava na fossa. E que amava seu ex e não queria se envolver com ninguém. E ele, prontamente, saiu da sua frente depois de ouvir você dizer que ele estava te atrapalhando assistir aquela banda desconhecida mas que tocava músicas que se encaixavam perfeitamente em sua vida.




O amor da sua vida passou diversas vezes por você enquanto você perdia seu tempo reclamando a inexistência dele. Ou mendigando o amor de quem não dava a mínima. Você se perdeu do amor da sua vida no "Oi" que não disse, no sorriso que não deu, na verdade que omitiu. Você o deixou na estação em que não parou, na festa que não foi por pura preguiça, nos convites que recusou. E ele, obediente que só, se afastou - ou sequer aproximou.

A fórmula certa para perder o amor da sua vida é se apegar ao passado, aos detalhes que nem importam tanto assim, a cegueira envolta por sofrimentos passados. Quer se surpreender? Deixe ele entrar. Deixe-o ocupar a alma, o coração, o lado da cama que ficou vazio depois daquele adeus. Deixe. Dê uma chance a vida, ao acaso, a si mesma. Se solte. Respire. Se apavorar para quê? Sem fingimentos. Chegou a hora de despir a armadura e tirar a máscara. Se perca, para que alguém te encontre. Mergulhe em si mesma. Se afogue em sua felicidade. E espere, que logo alguém vem te salvar ou mergulhar com você. Porque quando se trata da palavra "amor", morrer ou viver em busca da felicidade plena, sempre dá no mesmo.

Plano B

23 junho 2013



Olhe para mim enquanto viro a esquina? Tá, fiz isso rápido demais. Vamos tentar de novo. Corre lá, pegue o jornal e veja como anda nosso horóscopo e se fomos feitos um para o outro. Se ele disser que não, brigue com ele. O faça saber que independente do que diz nossa condição astrológica, eu ainda me importo com você. Agora se ele insistir, conheço um site que dá exatamente a probabilidade de dar certo entre a gente. Mas se nada disso der um resultado positivo para o nosso futuro, a gente muda a rota.

Podemos seguir os passos daquela revista sobre conquistas. Eu te ignoro no começo da nossa futura relação para que você me note toda preto e branco no meio de tanta gente colorida - e iguais. Aí você vê algo de diferente em mim. Vê que tenho um papo legal e mania de mexer no cabelo quando estou nervosa. Que dou sorriso sarcástico para disfarçar a dor e tenho más respostas sobre o amor para esconder a necessidade de sentir. 

Te deixo descobrir tudo sobre mim. Aos poucos, que é para não perder o encanto logo cedo. E me atrevo a dizer que já sei praticamente tudo sobre você, só de te olhar. Sei que gosta de preencher a falta que não cabe em seu peito com noites vazias que só aumentam o rasgo do teu coração. Mas sua masculinidade nunca te permitiria admitir isso e eu te entendo. Sei que tem um jeito meio egoísta, daquele tipo que sabe tudo, mas no fundo não entende nada. E faz piadinhas sem graça para disfarçar a falta de assunto.

Eu poderia te contar tudo que sei de mim e em que parte da sua vida eu me encaixo perfeitamente. Mas seria uma brincadeira de muito mau gosto com o destino. Eu vejo todo o esforço que você faz para parecer menos infeliz quando a receita pronta que você tanto precisa está bem diante de você. Seu egocentrismo te cega às vezes, não é mesmo? Eu sei bem disso. Você precisa se encontrar urgentemente e não cabe a mim fazer o trabalho sujo para que isso aconteça. Eu observo tudo e sei todas as chances que temos, mas no momento só consigo pensar que o melhor seria você procurar um plano B. Porque o seu atual está cada vez mais insuportável. E logo você descobrirá isso.

Carta para o dia dos namorados

12 junho 2013

Itaú de Minas, 12 de junho de 2013.

Oi, namorado, tudo bem?



Você pode estar se perguntando porque cargas d'água coloquei o local e a data de onde essa carta foi escrita ou porque comecei isso tudo com um "Oi, namorado, tudo bem?", pois bem, eu te conto. Estive pensando bem a respeito do nosso namoro e venho por meio desta, lhe dizer o que me veio a mente.


Caso tenha se esquecido de como era o meu antigo eu e que tipo de texto escrevi no ano passado nessa mesma data, saiba que eu não me esqueci. Agora estou do outro lado da moeda e tenho exatamente 20 minutos para escrever o que penso quando olho para você. Fica difícil, né? Eu sei, você também. Sei que não sou nada romântica, e é exatamente aí que está o motivo de eu ter feito isso tudo em forma de carta. É que você me faz querer recuperar esse lado romântico que nunca existiu em mim, sabe? Aí do nada me dá vontade de escrever uma melodia, um poema, um conto, uma carta ou qualquer outra coisa sobre o amor e o fato de ele ser tão essencial. Te contei que descobri isso há pouco tempo? Pois é, nem eu sabia que era assim. 



E desde então eu aprendi que um minuto é muito e uma hora é pouco, dependendo do momento. Se eu estou com você e tenho em mente que já está quase na hora de partir, me bate aquele desespero. Se no meio de uma briga rola aquele tipo de beijo que tira o fôlego, eu paro tudo e me sinto com um pezinho na eternidade. Não naquele tipo de eternidade que dá certo medo, aquela em que a gente não quer sair mais. Que a gente sente falta. Aquela eternidade de sentir. E é tão difícil descrevê-la que peço que você apenas a sinta. E depois dê um jeito de me contar, tá?

Aprendi que nem tudo é um final e que música triste o tempo todo é um porre. Agora eu consigo me imaginar em textos de casais que dão certo e que fazem isso sem dificuldade. O nosso namoro é assim: não tem briga o tempo todo, mas em compensação tem carinho em dobro. Não tem ciúme doentio, mas tem o típico "vai lá com a sua amiguinha". 

Tem tudo o que todos os outros casais têm, mas a diferença é que, ainda assim, somos únicos. Não sei descrever o que somos, muito menos o que vamos nos tornar com tanta intimidade envolvida. Mas sei que gosto disso. E que gosto de você. E que às vezes me sinto tão absurdamente apaixonada, que me perco. E aí você me encontra e a gente recomeça. Não sei o que isso quer dizer, nem no que isso vai dar. Mas o fato é que enquanto estiver dando certo, a gente fica junto. E quando não der mais, a gente dá um jeito.


Feliz dia dos namorados, pessoinhas! :)
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