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Ctrl C + Ctrl V: Eu podia

26 junho 2014




Eu podia, você sabe. Podia falar horrores de você e dizer que você me magoou e dizer que doeu e dizer que ninguém devia acreditar nas coisas que você diz. Eu podia contar daquele jantar de quarta em que você abraçou e jurou e  foi quem eu sempre achei que fosse. Pior, eu podia expor quem você foi quando se esqueceu de tudo e enfiou o dedo na ferida, como se tanta coisa tivesse ficado presa e você precisasse magoar qualquer um, qualquer um, pra doer menos aí dentro. Eu podia dizer como você me tratou como qualquer uma.

Eu podia falar mal e apontar os seus defeitos e dizer das mentiras que você conta numa tentativa frustrada de ser logo a pessoa que você queria ser. Eu podia contar daquela vez em que você desviou os olhos e fingiu que não era com você, ainda que você soubesse que era e ainda que soubesse bem da culpa que tinha. Eu podia jogar na cara todas as suas palavras vazias de quem tem muito o que falar – e fala muito – mas no fundo não diz nada além de: eu não tenho ideia do que tô falando. Eu podia falar sobre o tanto que eu apostei em você – e sobre o preço que tô pagando por essa aposta.

Eu podia te contar de como minha mãe ainda pergunta por você e quer sempre saber se você tá bem, se tá com saúde, por que não vem mais aqui em casa. Eu podia revelar que ela sempre me culpa pelo nosso fim, porque é isso o que vocês mais gostam de fazer: achar que quem erra sou sempre eu. Eu podia, realmente, te perdoar por tudo e esquecer qualquer coisa e achar que a gente conseguiria começar tudo de novo. Mas eu sei e você sabe que não é exatamente isso o que você quer.

Eu podia continuar gritando e continuar escrevendo e continuar falando para todo mundo sobre tudo o que aconteceu e me irritando porque você sequer deu a chance da gente tentar consertar. Eu podia continuar mastigando essas dores e remoendo esse passado e me questionando por que a gente acaba magoando e sendo magoado por quem a gente ama. Eu podia espalhar por aí sobre a pessoa horrível que você foi e como todos deveriam se manter afastados.

Eu podia, você sabe. Mas sabe também que o tempo passou e que, com o tempo, um pouco de maturidade é acrescentado à soma. Sabe também que eu não tenho mais saúde, nem tempo, nem disposição, nem energia para ser a menina besta que adorava uma boa briga como eu era até outro dia. Sabe também que eu aprendi algumas coisas ao longo do caminho, inclusive com você.

Por isso, de todas as coisas que eu podia te falar, falo isso: enquanto deu, você foi tudo o que eu achei que era. Enquanto deu, você me aguentou e segurou as pontas e ouviu minhas dúvidas sobre o mundo e o universo e a merda toda que a gente tá fazendo aqui. Enquanto deu, você foi – e de todas as coisas que eu quero lembrar, lembro disso: de todo o amor que você me deu e eu tentei devolver no tempo em que fiquei na sua vida. Porque o resto, o resto é só a vida sendo a vida e os defeitos sendo os nossos defeitos e polos iguais se repelindo. É só isso, sem mais conversas, sem mais reclamações, sem mais nada.


Porque eu podia, te juro, podia. Mas já não posso. Já não dá.



Sobre a autora: Karine Rosa é autora no blog www.karinerosa.com  (VISITEM! Vale a pena!). Jornalista, tem 22 sonhos e um punhado de anos no coração. É uma aspirante à escritora, e eterna crente nas pessoas e no mundo. Dessas pessoas - loucas - que acham que o amor resolve tudo. Tudo.







A Karine, além de ter se tornado uma grande amiga <3, já foi colaboradora do blog e você pode ler outros textos dela aqui! Conheça alguns: 

Para ler "Vai ser sempre você" clique AQUI.

Para ler "Quando reencontrei você" AQUI.

Para ler "O adeus que eu nunca quis dar" AQUI.

Para ler "O seu adeus e o meu pesar" AQUI.

Para ler "Status: relacionamento unilateral com o ex" AQUI.

Para ler "Não finja que nunca aconteceu" AQUI.

Para ler "O dia que você não voltou" AQUI.


Quer me indicar algum texto ou quer participar do próximo Ctrl C + Ctrl V? Me mande um e-mail com o link do seu blog/tumblr para raianeribeirocontato@gmail.com ou deixe aqui nos comentários. Estou ansiosa para conhecer mais sobre vocês! ;)

Vai ser sempre você

26 julho 2013


Ele gosta de U2, o que rendeu uns bons pontos comigo logo de cara. E gosta de futebol, uísque e conversas ao pé do ouvido. Ele é um desses caras que a gente encontra poucas vezes na vida, e que toda garota vive sonhando por aí: compreensivo, legal, amigo, bom ouvinte, bom de cama, bom de coração. De todos os caras que já passaram na minha vida, ele, com certeza, foi o que eu menos mereci. Logo eu, toda errada e cheia de manias. Logo eu, que vivo entrando na contramão da minha própria vida para me sabotar. Se eu pudesse, de verdade, escolher, eu escolheria ele. Você sabe.

Eu tentei escolher. O cara da voz calma, dos planos reais, das escolhas certeiras. Foi ele que bateu na porta e entrou de mansinho, conquistando tudo aqui por dentro. Conquistou um espaço que eu nem sabia que existia, depois de você. Ele me deu a mão e se dispôs a encarar a coisa toda ao meu lado, acredita? Corajoso o menino, de sair por aí querendo enfrentar a minha vida e o meu jeito desafiador. Ele não se acuou quando eu recuei. E eu nem precisei contar de você. Aliás, o que mesmo eu tenho para contar de você? Você foi embora antes de começar a história. 

Já ele...ele não foi embora por medo. Não tremeu na base temendo me perder. Ele sabia que ainda nem me tinha, mas tentou me puxar de todas as formas. Chegou uma hora em que eu me deixei ir. Ficar parada no mesmo lugar esperando que você voltasse atrás e me roubasse para si não dava. Porque, ainda que por outro caminho, até você estava seguindo em frente. No fim, eu só tinha que dar os primeiros passos também. 

Ele me ensinou a me sabotar menos. Me fez descobrir que eu também merecia ser feliz. Colocou esse sorriso na minha cara e todos viviam falando que eu nunca estive tão bem. Ele gosta das mesmas pessoas que eu, dos mesmos lugares, das mesmas histórias e dos mesmos desafios. Dizem, até, que nós nascemos um para o outro. No final feliz, era com ele que eu deveria ficar. 

Só que, na minha história, eu nunca fui mocinha. Sempre levei mais jeito para vilã. E, por mais que eu sofra com o nosso fim, é ele que chora de saudade de mim. Porque, no fundo, eu nunca pude escolher. 

Eu sei e você sabe: vai ser sempre você.



*Post escrito pela colaboradora Karine Rosa. Karine: "Não sei cantar, não sei atuar, não sei desenhar e não me dou bem com cálculos. Um dia, uns desavisados aí disseram que eu sabia escrever. E eu, boba, acreditei. A verdade é que é a única coisa em que eu me dou razoavelmente bem. Então, vou indo, acreditando, escrevendo umas palavras, umas histórias, uns romances nunca publicados. Vai que dá em alguma coisa! Meu punhado de sonhos e meu coração bobo já deu nisso aqui." Leia mais textos da Karine AQUI.

O dia que você não voltou

29 maio 2013

No dia em que você não voltou, o cachorro ficou parado em frente à porta durante sete horas ininterruptas. O coitado dormiu ali, confiante que você entraria pela porta, como em todas as outras noites, faria carinho em sua cabeça e o chamaria para dormir em nossa cama. No final da quinta hora, a pena invadiu meu corpo. Até eu, que esperei que você chegasse durante os três anos que ficamos juntos, desisti de você antes do cachorro. Ele foi seu melhor amigo até o final, mesmo que você tenha deixado a guarda dele comigo sem nem questionar as visitas que faria ao seu próprio filho. As visitas que você nunca fez. 


Suas roupas ficaram nas gavetas também. Continuaram ali, intactas, até o dia em que a coragem surgiu em mim e arrumei tudo em algumas malas, enfiei no carro e levei até a casa da sua mãe. Falando nela, ela me abraçou e se desculpou comigo. Chorou, a coitada, como se tivesse mesmo alguma culpa no tipo de cara que você tinha se transformado. Eu a tranquilizei. Você decidiu ser um babaca por conta própria, sem precisar de nenhum trauma ou exemplo em casa para isso. Ela se desculpou mais uma vez mesmo assim. 


Na minha casa, que antes, um dia, foi tão nossa, ficou apenas seu antigo computador. Deixei ali, na mesa do escritório onde você trabalhava quando estava cansado demais para ir à empresa. Passava por ele todos os dias como se, de algum modo, me despedisse de você pouco a pouco, cada vez que a ficha caía que nem seu computador de trabalho você viria buscar. Até para isso lhe faltou coragem. Me encontrar e confrontar todas as promessas que você não cumpriu parecia apavorante demais a você. Assumir seus erros, admitir que acabou com o restinho de confiança que existia entre nós: nada disso você fez.

Você não voltou porque sabia que ouviria coisas que não queria. Porque sabia que tinha errado. Porque também não se importava tanto. Você não voltou porque sempre foi moleque demais para arcar com as consequências dos próprios atos. Ao invés disso, apenas resolveu não voltar. Mandou uma mensagem depois, se desculpando, dizendo que um dia conversaríamos e você diria aonde tinha errado. Respondi que não precisava. Nunca precisou. 

Onde você errava, eu sabia bem. Eu só queria poder lembrar dos seus acertos com a consciência tranquila, com as memórias felizes, com uma história bonita. Ao invés disto, só me restou a raiva por você nunca ter voltado. A raiva do dia que você não voltou.


*Post escrito pela colaboradora Karine Rosa, quer saber mais sobre ela? Clique AQUI. E acompanhe mais de perto seus textos clicando AQUI.
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