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O amor que você sente pelo outro é problema seu

10 fevereiro 2016



Se tem uma coisa que eu aprendi nessa vida, é que ninguém tem a obrigação de carregar o peso das expectativas que depositamos nas pessoas. Verdade seja dita: nós somos responsáveis por nossos próprios sentimentos, sejam eles controláveis ou não. Não é justo que o outro leve toda a culpa por querermos demais. Amarmos demais. Idealizarmos demais.

Quando nos apaixonamos, criamos uma imagem em nossa mente de como o relacionamento seria perfeito se a tal pessoa agisse de formas predeterminadas. Mas, bem lá no fundinho, sabemos que não é bem assim. Cada pessoa tem sua forma, sua cor, sua maneira. E o sentimento? Bem, ele se mostra de formas muito distintas.

Quantas vezes você se pegou indo contra suas emoções? Você sabe o que quer, o que precisa e os inúmeros motivos que tem para seguir à risca todos os seus objetivos. Mas aí, vem o coração e muda tudo. Muda a rota, a maneira de pensar, de sentir e de agir. Que culpa tem o outro? Ele também tem suas idealizações, seus sonhos, seus próprios sentimentos. Ninguém, ninguém mesmo, tem a obrigação de readequar uma vida baseada nos desejos do outro.

Você não pode – e nem deve – exigir que alguém o ame da maneira que você deseja. É preciso fazer por merecer, entende? As coisas, inclusive o sentimento, acontecem de forma muito natural. E quando você tenta usar de fórmulas e jeitos para alterar o percurso, tudo soa artificial demais. Como uma flor de plástico que enfeita, mas não traz a cor, o cheiro e o sentimento natural.

Se nós amamos uma pessoa profundamente e não somos correspondidos, não temos que culpar o outro por não tentar, por não querer ou por não se doar ao máximo. Isso é um problema nosso. Você quer, realmente, viver eternamente tentando provar para uma pessoa por que você é a pessoa ideal e por que ela deveria te amar?

Quase sempre o problema é nosso, e está muito ligado a nossa forma de ver o relacionamento ideal. Se você não está feliz no relacionamento em que está hoje, reflita antes de pedir para o outro mudar por você. É preciso nos encontrarmos e descobrirmos o que realmente nos tira o chão, nos faz vibrar e faz com que a gente se sinta pleno. É preciso avaliar, de dentro para fora, quem nós somos e o que queremos. E, só depois disso, gastarmos nossa energia em busca daquilo que realmente nos faz feliz.

Não é justo, nem com você e nem com o outro, procurar um culpado pelo conto de fadas moderno sem um final feliz. O outro, aquele que está ao seu lado nesse momento e que, assim como você, fez tanto por esse relacionamento, não merece carregar a infeliz culpa do fracasso. Nós somos responsáveis por nossos próprios sentimentos e pela forma como ele afetará nossas vidas.


Se você não está feliz com o que tem recebido, assuma a responsabilidade de mudar por si mesmo. Sem culpa, apenas por um bem maior.

Dicas para superar o fim de um relacionamento

27 dezembro 2014



Términos nunca são fáceis. Conhecemos alguém, nos apaixonamos e, justamente por viver o momento, não pensamos que isso um dia vá chegar ao fim. Algumas pessoas lidam com esta situação muito melhor do que outras. O fato é que todo mundo está sujeito a passar por isso. Eu já passei, você que está me lendo com certeza já passou e se não aconteceu ainda, aguarde, você também vai passar.

Faz parte do ciclo natural de todo e qualquer relacionamento. Conhecemos pessoas, quebramos a cara e terminamos, até chegar o momento em que encontramos alguém que fique para sempre. Até lá, muita gente ainda vai passar pela sua vida. Por isso, é importante saber superar sempre e não se prender aos finais.

O processo de cura envolve algumas etapas, vamos listar algumas e esperamos (sinceramente) que elas te ajudem daqui para frente!

1) Tenha amor próprio


Quando um relacionamento termina, tudo soa muito difícil. Temos vontade de ligar, ir atrás e tentar um recomeço. Justamente por isso, é importante que você estabeleça limites. Nunca, eu disse NUNCA, se humilhe para ganhar o amor de alguém. Amor não se implora, nem se mendiga, nem nada disso. Ou a coisa é recíproca ou não é. Então, valorize-se. Ame-se! Lembre-se: as pessoas recebem o amor que elas merecem. Já decidiu qual é o amor que você está disposta a ganhar?

2) Corte relações

Essa é uma fase realmente difícil, porém muito importante. Você não vai conseguir esquecer o cara se continuar falando com ele toda noite antes de dormir. Isso só vai alimentar suas esperanças e fazer com que você sofra futuramente. Se o término for recente, você precisa deletar o número, bloquear nas redes sociais, etc. Calma, não estou falando para você deletar ele da sua vida para sempre, vocês podem voltar a serem amigos um dia. Mas é que neste período de abstinência (sim, é isso mesmo!) é importante que você mantenha distância para poder se curar. Tenha um tempo só para você, sem o espírito e as lembranças do ex para te atazanar!

3) Divirta-se

Ligue para suas amigas! Vá ao cinema, as compras, ao museu, teatro, balada ou qualquer outra coisa. Ocupe sua cabeça com coisas que gosta e seu tempo com as pessoas que ama. Nessa etapa, o apoio de suas amigas(os) será de extrema importância. Faça coisas que distraiam seu pensamento e não te lembrem o fim do namoro.

4) Não se culpe
Não fique procurando os motivos da separação, nem calculando cada passo que você deu. Lembre-se: um relacionamento é feito de duas pessoas e não existe essa de que um é totalmente errado e o outro totalmente certo.

5) Não compare
Se você encontrar outra pessoa com a qual tenha vontade de ter um relacionamento, POR FAVOR, não tente encontrar seu ex no atual. Muitas pessoas cometem esse erro. Ai, ele é fofo, educado, gentil, bonito, mas não fala comigo como o fulano falava. Ou não faz o que o fulano fazia. PARE! Entenda que as pessoas são diferentes e únicas, cada uma com suas qualidades e defeitos. Você nunca vai encontrar seu ex no atual. E mesmo que encontrasse, não seria nada legal, concorda?

6) Se preferir ficar sozinha, fique!
Não existe uma lei que diz que você só cura um desamor com outro amor. Então, se quiser aproveitar seu tempo sozinha, aproveite! Curta bastante, aprenda a se amar e a se valorizar. Quando você estiver preparada para embarcar em outro relacionamento, você vai saber. Antes de tudo, cultive sua autoestima e amor próprio. Entenda que para amar outra pessoa, você precisa, primeiramente, se amar. Tenha um tempo sozinha para se curtir.


E aí, gostaram das dicas? Se tiver algum conselho para acrescentar ou experiência que queira compartilhar, é só deixar nos comentários. Espero que este post ajude você. :)



Meu vício não é você

07 dezembro 2014



Eu não sei que tipo de droga você colocou na minha bebida, nas flores que me deu ou no travesseiro onde seu cheiro ficou por tanto tempo. Eu não sei o que você borrifou no meu apartamento, que não te deixa ir embora nunca. Eu não amo mais você, não. Agora eu amo a mim. Me abraço, me beijo, me olho no espelho e me namoro.

Eu não sei de onde é que vem essa ânsia meio louca e torta de saber sobre seu paradeiro. Assim, não vai mudar em nada a minha vida se você tiver encontrado um outro alguém. Na verdade, eu até espero que isso já tenha acontecido. Porque, convenhamos, eu não quero ser a única a ter seguido em frente.

Eu desejo a sua felicidade em todas as vezes que alguma recordação sua me atinge na cabeça. Eu mentalizo coisas boas, emano luz, raios de amor e paz para que você trilhe seu caminho sem obstáculos e para que todas as portas boas se abram para você. Sempre desejei, do fundo do meu coração, que você fosse muito feliz.

O que eu sei, é que você foi uma das pessoas mais importantes da minha vida. E, não é porque seguimos caminhos opostos que eu vou te odiar e desejar que sua vida sem mim seja um lixo. Muito pelo contrário, eu desejo o melhor para as pessoas que amo. E atingi o ápice do desapego quando torci para que você se acertasse com a sua namorada nova ou para que conseguisse ir sempre além do que espera.

Meu vício não é você. É saber sobre como anda a sua vida e se tudo tem permanecido no seu devido lugar. Meu vício é saber que você está se alimentando, vivendo bem, conquistando seus objetivos e sendo você mesmo. Meu verdadeiro vício é um “Como vai você?” num esbarro acidentalmente forjado.


Porque não importa quantas vezes eu te esqueça, lembrar você ainda é meu exercício predileto.



Longe demais

14 setembro 2014



A minha tentativa idiota de não falar sobre você chegou longe demais. Foi tão além que não coube nas linhas em que eu usava para desabafar. Foi tão grande que explodiu o peito e queimou tudo o que havia restado. Eu parei minha vida na tentativa de neutralizar você. Tentei fazer com que sua bateria acabasse e o carregador estivesse quebrado. Tentei cortar suas tranças, jogar fora sua capa, mas seus poderes só ficaram mais fortes. Suas lembranças ainda apareciam e meus dedos insistiam em discar seu telefone.

Minha busca por você foi longe demais. Tão longe, tão solitária e fria que me afastei de mim. E na tentativa de ser mais eu, fui tão mais você. Fui tão mais nosso passado e nossas músicas e fossas. E as vírgulas que separavam minha respiração da sua, se juntaram em rimas e súplicas de sentimento. O que foi que você fez comigo, ein? Diz pra mim para que eu possa me desfazer disso tudo. Diz pra mim para que nasça flores na minha estrada e brote pessoas no meu destino. Diz o que é que eu tenho que fazer para regar meus sentimentos e fazer com que deles cresçam ramos e não morram tão secos entre tanta água. É muita lágrima e pouco sentimento de verdade. É muita saudade e pouco você aqui.

Minha busca por você foi longe demais, porque eu não me conformo com a ideia de que você veio para ficar tão pouco assim. Não gosto de pessoas que vêem meu coração como uma forma idiota de turismo. Você não pode chegar aqui, deixar suas marcas, me consertar e ir embora. Não pode me entregar perfeita para outra pessoa me amar, enquanto cada molde do meu corpo tem o teu formato.

Você não podia ter ido embora enquanto as minhas intenções eram claras demais e cheias de sentimentos eternos. Você não podia ter virado as costas e achar que estava tudo o.k no seu adeus sem enormes e cansativas explicações.

Eu fui longe demais por você. Só queria que você tivesse me acompanhado na caminhada e chegado a um final mais bonito comigo, onde nós poderíamos ser, enfim, nós.

Ctrl C + Ctrl V: Eu podia

26 junho 2014




Eu podia, você sabe. Podia falar horrores de você e dizer que você me magoou e dizer que doeu e dizer que ninguém devia acreditar nas coisas que você diz. Eu podia contar daquele jantar de quarta em que você abraçou e jurou e  foi quem eu sempre achei que fosse. Pior, eu podia expor quem você foi quando se esqueceu de tudo e enfiou o dedo na ferida, como se tanta coisa tivesse ficado presa e você precisasse magoar qualquer um, qualquer um, pra doer menos aí dentro. Eu podia dizer como você me tratou como qualquer uma.

Eu podia falar mal e apontar os seus defeitos e dizer das mentiras que você conta numa tentativa frustrada de ser logo a pessoa que você queria ser. Eu podia contar daquela vez em que você desviou os olhos e fingiu que não era com você, ainda que você soubesse que era e ainda que soubesse bem da culpa que tinha. Eu podia jogar na cara todas as suas palavras vazias de quem tem muito o que falar – e fala muito – mas no fundo não diz nada além de: eu não tenho ideia do que tô falando. Eu podia falar sobre o tanto que eu apostei em você – e sobre o preço que tô pagando por essa aposta.

Eu podia te contar de como minha mãe ainda pergunta por você e quer sempre saber se você tá bem, se tá com saúde, por que não vem mais aqui em casa. Eu podia revelar que ela sempre me culpa pelo nosso fim, porque é isso o que vocês mais gostam de fazer: achar que quem erra sou sempre eu. Eu podia, realmente, te perdoar por tudo e esquecer qualquer coisa e achar que a gente conseguiria começar tudo de novo. Mas eu sei e você sabe que não é exatamente isso o que você quer.

Eu podia continuar gritando e continuar escrevendo e continuar falando para todo mundo sobre tudo o que aconteceu e me irritando porque você sequer deu a chance da gente tentar consertar. Eu podia continuar mastigando essas dores e remoendo esse passado e me questionando por que a gente acaba magoando e sendo magoado por quem a gente ama. Eu podia espalhar por aí sobre a pessoa horrível que você foi e como todos deveriam se manter afastados.

Eu podia, você sabe. Mas sabe também que o tempo passou e que, com o tempo, um pouco de maturidade é acrescentado à soma. Sabe também que eu não tenho mais saúde, nem tempo, nem disposição, nem energia para ser a menina besta que adorava uma boa briga como eu era até outro dia. Sabe também que eu aprendi algumas coisas ao longo do caminho, inclusive com você.

Por isso, de todas as coisas que eu podia te falar, falo isso: enquanto deu, você foi tudo o que eu achei que era. Enquanto deu, você me aguentou e segurou as pontas e ouviu minhas dúvidas sobre o mundo e o universo e a merda toda que a gente tá fazendo aqui. Enquanto deu, você foi – e de todas as coisas que eu quero lembrar, lembro disso: de todo o amor que você me deu e eu tentei devolver no tempo em que fiquei na sua vida. Porque o resto, o resto é só a vida sendo a vida e os defeitos sendo os nossos defeitos e polos iguais se repelindo. É só isso, sem mais conversas, sem mais reclamações, sem mais nada.


Porque eu podia, te juro, podia. Mas já não posso. Já não dá.



Sobre a autora: Karine Rosa é autora no blog www.karinerosa.com  (VISITEM! Vale a pena!). Jornalista, tem 22 sonhos e um punhado de anos no coração. É uma aspirante à escritora, e eterna crente nas pessoas e no mundo. Dessas pessoas - loucas - que acham que o amor resolve tudo. Tudo.







A Karine, além de ter se tornado uma grande amiga <3, já foi colaboradora do blog e você pode ler outros textos dela aqui! Conheça alguns: 

Para ler "Vai ser sempre você" clique AQUI.

Para ler "Quando reencontrei você" AQUI.

Para ler "O adeus que eu nunca quis dar" AQUI.

Para ler "O seu adeus e o meu pesar" AQUI.

Para ler "Status: relacionamento unilateral com o ex" AQUI.

Para ler "Não finja que nunca aconteceu" AQUI.

Para ler "O dia que você não voltou" AQUI.


Quer me indicar algum texto ou quer participar do próximo Ctrl C + Ctrl V? Me mande um e-mail com o link do seu blog/tumblr para raianeribeirocontato@gmail.com ou deixe aqui nos comentários. Estou ansiosa para conhecer mais sobre vocês! ;)

Moeda de troca

25 junho 2014



Se eu tivesse uma chance eu trocaria todas as mensagens babacas que eu recebo e respondo por educação de outros caras por um dia com você e nem chegaria a pensar duas vezes sobre isso. Eu trocaria todas as cantadas que eu recebo de pessoas que jamais terão o lugar que você tem pela chance de voltar no nosso tempo juntos. Naquele tempo onde você ficava emburrado ao saber que alguém tentou conversar comigo com intenções não tão boas quanto as suas. 


Eu trocaria os convites para ir ao cinema, para jantar e para jogar conversa fora em alguma mesa de bar badalado que é conhecido por estar em uma avenida movimentada da nossa cidade por um dia na sua casa, brincando com seu cachorro e assistindo qualquer besteira na televisão, já que um não deixaria o outro prestar atenção mesmo. 


Eu trocaria as músicas que eu recebo de indiretas quando alguém quer me dizer algo pela nossa música. E sem dúvidas, eu trocaria os telefonemas chatos e constantes que eu recebo por um áudio seu, já que você sabe que eu odeio falar ao telefone, mas até isso com você era diferente.
Definitivamente não há nada neles que me interesse, não há nada neles que faça meu coração pulsar como pulsava ao escutar o som da sua buzina na minha porta e ver o seu sorriso sem graça ao me encontrar. Não é que eu não queira te esquecer, mas ninguém tem sido melhor que você, entende? A culpa não é minha, não dá pra fugir. Esses garotos aparecem como se eu precisasse deles quando eu não quero e não preciso disso. 


Não quero outro buraco, não quero precisar tratar outra ferida, não quero ter mais um cheiro para me perseguir e nem deixar de frequentar algum lugar outra vez. Eu não preciso que me liguem, que insistam e que tentem de toda forma mais barata e comum me convencer a ficar, entendam que eu não vou ficar. E quem quiser que eu fique vai precisar ralar muito para isso e ter uma paciência gigantesca, já que ninguém me rouba sorrisos leves tão facilmente e, quando um insiste em escapar, a realidade me tira os próximos e eu volto a me lembrar de tudo que não precisa acontecer outra vez.


Mas, que eu trocaria a insistência dos outros por uma constância sua, isso eu trocaria.




Sobre a autora: Aline Madera, mais uma radialista criativa em formação. 18 anos, apaixonada pela faculdade de Rádio, Televisão e Internet, só encontrou uma válvula de escape: escrever.Talvez tenha nascido com o dom de jogar bem as palavras em uma folha de papel, talvez seja súbita inspiração, só lendo para descobrir.

Sigam a Aline no Instagram, no Twitter e conheça o Tumblr dela!

Pode ir embora

19 junho 2014



Todas as frases, textos e trechos que me diziam para te esquecer nunca fizeram muito sentido. Todas as rezas da minha mãe e súplicas das minhas amigas, sempre foram em vão. Me cansei de bater de frente com o “você precisa virar a página, se quiser começar um novo capítulo”. Tentei a escrita, música e até um novo amor, mas sempre terminei em você. Hoje, depois de tanto tempo vivendo às cegas, tudo parece muito óbvio e claro. Então, te liberto. Pode seguir seu caminho em paz.

Depois de tantas idas e vindas, memorizei o caminho de volta para casa. O beco sombrio da rua 12 não me assusta mais. Logo, não preciso de você para passar por ele. A verdade é que você se afastou demais, sabe? Repentinamente e demasiadamente. Graças a Deus o ser humano tem essa capacidade enorme de adaptação. Se dependesse de mim, levaria anos. Mas acontece que mesmo não querendo, a gente se acostuma. Mesmo não suportando algumas coisas, a gente aprende a lidar. 

Sua ausência se tornou constante. Meu cachorro se acostumou com o canto vazio da cama e nem chora mais quando olha para ele. Acredite, eu também não. Aprendi, entre choros e filmes dramáticos, que o maior drama da vida é se submeter a esse sofrimento louco e doentio por quem nunca mereceu.

Pode seguir seu caminho, vai. Pode pegar a mala onde você escondeu todas as minhas lembranças e jogar bem longe. Ou abandonar em qualquer canto para que algum estranho me encontre perdida por aí. Só sei que não te pertenço mais. Talvez isso tenha acontecido há muito tempo. Digo, você abriu mão de nós antes de eu abrir mão de você. Dizem que a ordem dos fatores não altera o produto, descobri pelo nosso romance que isso só funciona na matemática mesmo. No meu caso, alterou o romance, as atitudes, os sorrisos... Tudo. Me perdoe por ser a última a abandonar o barco. Estou saindo, deixei a casa limpa e vou apagar a luz.

Não vou mais me importar se você não lembrar a data do meu aniversário, nem vou esperar ansiosa pela sua ligação. Não vou mais segurar uma lágrima, nem pedir perdão. Cansei de me culpar por um fim que foi mais seu do que meu. Cansei de sentir a falta de ar tomando conta de mim na busca incansável de te alcançar. Eu cansei de você e de nós e de ser estupidamente idiota quando o assunto é você. Eu cansei de me importar. Pode ir embora, aqui já não é mais o seu lugar.

*Texto inspirado na música Veranizar - Léo Fressato.

Sobre escolhas erradas e amores perdidos

08 junho 2014



De todas as coisas que eu quis para a minha vida, você foi a melhor delas. De todas as pessoas que passaram por mim, você foi o que mais marcou. De todas as imensuráveis entregas, de todos os porres, de todos os porquês, você foi a justificativa mais sensata e óbvia que eu escolhi como resposta. Esse texto é para te dizer que ainda sinto um vazio no peito e tristeza quando penso nas escolhas erradas que fizemos. Esse texto é para te mostrar que por mais que você me veja feliz, realizada e com outra pessoa, ainda sinto ódio da nossa burrice e cegueira sentimental que não nos permitiu enxergar o que perderíamos.

Dizem que com o tempo melhora, mas a cada batida do relógio, eu te vejo mais distante. Indo. Seguindo. Me deixando aqui como se não fosse digna desse sentimento e culpada pelo nosso fim (tem como ter um fim, sem ter ao menos um começo?). Você é tolo demais. Eu largaria tudo por você. Quebraria corações, barreiras, pularia os parágrafos e iria direto para nosso final feliz. Reinventaria um, se preciso fosse. Me atiraria em você sem medir meus abraços, sem calcular minhas palavras e, sem medo, eu poderia ser – finalmente – sua. Mas enquanto isso você fica aí culpando o destino, a má sorte, os deuses, as circunstâncias, as distâncias. Fica aí me perdendo ao invés de lutar. Continua aumentando nossos quilômetros ao invés de pegar o carro e vir até mim.

Eu te observo de longe e enquanto isso vou seguindo até onde der. Não prometo te esperar até o fim da vida, mas garanto que seu espaço ainda tá guardadinho aqui, você sabe que não supero tão rápido assim. Você sabe que o arrepio e o coração acelerado não são sintomas de amores passageiros. Você sabe que o beijo, o cheiro e as coisas que nos marcaram tanto não foram em vão. Nem que eu quisesse eu te esqueceria. Só não fique aí parado por muito tempo, não. Não continue apostando nas pessoas erradas enquanto sua felicidade certa já está garantida e (ainda) tão próxima de você.

Não aposte tanto nessas pessoas que você talvez até mereça, mas nunca quis. Você perdeu sua melhor chance com essas escolhas erradas, instintivas e impulsivas demais. Está na hora de fazer alguma coisa certa e garantir nossa felicidade. Sou sua demais para querer minha felicidade sozinha. Prefiro você aqui, mas não posso mais implorar amor. Não mais. Sou tão sua, mas sinto que ainda posso ser muito minha. Só te peço para que, se você ainda sente algo tão intensamente quanto eu, não me deixe ter essa certeza. Volte antes do seu prazo acabar.

Eu soube

03 junho 2014





Foram quatro horas de sono apenas, sonhei 3 horas e 45 minutos com você. Sabe porque eu só dormi 4 horas? As outras 3 que me eram disponíveis foram de insônia e algumas lágrimas, até meu corpo implorar por descanso. E olha só, minha cabeça me pregou uma peça me fazendo estar contigo até na minha suposta hora de descanso. Sabe o pior? Estávamos felizes enquanto sonhava, sorríamos e era algo muito parecido com o que vivemos. As lembranças me acertaram com um soco no rosto, me fazendo levantar sem ânimo.

Eu tentei com todas as minhas forças, você e o mundo inteiro sabem disso. Eu sinto doer todos os dias, sinto uma dor que você parece ser incapaz de sentir. Sabe o porquê disso também? Eu me importo. Devia me importar bem menos, mas me importo e não dá para controlar isso. Eu desisti de me fazer desistir sabe? Parece que suga mais minhas energias, como sugou quando seus olhos encontraram os meus e eu vi que só eu estava em pedaços.

Eu soube antes de você. Eu soube duas semanas antes da nossa conversa bagunçada fazer meu coração assinar forçadamente os papéis do desapego. Eu soube quando você me deu um beijo na testa e foi embora naquela manhã ensolarada de domingo. Eu soube quando sentei no chão do quarto desesperada, nocauteada com a certeza que eu havia me apaixonado e aquilo não terminaria bem. Foi ai que eu soube, bem antes de você, o fim de tudo. O fim de algo que eu tentei construir com tanta calma, o fim de bases que eu achei que fossem tão sólidas.
Mas eu fingi que não havia descoberto, eu queria ter me enganado.

Ainda lembro claramente dos teus olhos nos meus, dizendo que se eu falasse algumas palavras você moveria o mundo. É, talvez eu devesse ter tido para você ficar.

Melhor ainda, talvez você devesse querer ficar. Mas isso já é outra história, que outro dia podemos conversar, agora se trata da dor de ir e não ter uma posição para ficar ou saber se vai voltar. Ainda dói, mas vai passar. Vai passar e eu vou ser feliz, com ou sem você. Cada dor que me fez sentir e cada hora de sono que foi perdida está guardada dentro de uma caixinha que produz energia para outra que se chama esperança. E não é em você não, nem em nós, é em mim e em tudo que eu sou capaz de suportar. 


Eu levei mais uma porrada e elevei mais ainda a eficiência da minha armadura. Você me fez sentir tantas coisas boas e agora finalizando com a dor é o fim de tudo e um renascer meu.

E sem dúvidas a única pessoa de escolhas erradas nessa história, é você.


Sobre a autora: Aline Madera, mais uma radialista criativa em formação. 18 anos, apaixonada pela faculdade de Rádio, Televisão e Internet, só encontrou uma válvula de escape: escrever.Talvez tenha nascido com o dom de jogar bem as palavras em uma folha de papel, talvez seja súbita inspiração, só lendo para descobrir.




A Aline agora é colaboradora aqui do blog (uhul!). Sigam ela no Instagram, no Twitter e conheça o Tumblr dela! 

Eu voltei

18 maio 2014



“Eu não sei como vim parar aqui”, é um ótimo jeito de começar meu pedido de desculpas e fazer com que você ao menos tente me entender. Estou parada, em frente sua porta, sem saber se a escancaro logo de uma vez ou se te dou a chance de digerir meu retorno. Eu voltei. E estou aqui, com a bandeira branca na mão, coração aberto e olhos marejados. Estou preparada para te contar sobre as minhas experiências e detalhes das pessoas que conheci depois de você. Quero te explicar os motivos e porquês de eu realmente precisar partir. O que aconteceu é que se eu ficasse, nos destruiríamos, entende? Se eu explicasse assim, só com palavras, você não entenderia. Se eu permanecesse, logo você iria embora. Porque eu precisei de muito tempo para me aceitar e aprender a viver a dois sem deixar que a outra pessoa fosse sozinha. E justamente por isso te dei este tempo também.

Fui para bem longe e desatei nossos nós porque precisava que você se desligasse por completo de mim. Eu precisava de tempo e deduzi que você precisaria também. E fui. Caminhei para longe. Conheci pessoas novas. Estudei em lugares diferentes. Bebi drinks que nunca tinha experimentado e não me preenchi em nada muito novo. Sabe quando você está no lugar ideal, com música boa e pessoas bacanas, mas sente bem lá no fundinho que tá faltando algo? E estava. Estava faltando a pessoa que ria das mesmas coisas que eu, sem que eu precisasse dizer nada. Estava faltando as mãos entrelaçadas debaixo da mesa e o carinho natural no cabelo. Estava faltando a metade do meu sorriso que eu deixei em um lugar bem longe por achar que não o merecia, e exatamente por isso, eu me encontrava incompleta.


Virei metade para perceber que eu era tão inteira com você. Não é necessidade, obsessão ou qualquer outra coisa parecida. É vontade, entende? Eu te olho e me bate o desejo de ser sua para sempre. Eu te beijo e me vejo preparando a mesa do nosso jantar, alimentando nosso cachorro e usando aliança na mão esquerda. Eu preciso de você justamente por não precisar. E é nessa loucura toda que eu te peço: volta? Passa a borracha nisso tudo e vamos seguir em frente. Talvez ainda fique aquela marca, uma magoazinha ou algo do tipo, mas se precisar, a gente rasga a folha ao invés de virá-la. 

Começamos um livro novo ou mudamos nosso gênero de drama para romance. A gente muda a rota, a rotina e reinventa o riso que era tão presente. Eu precisei ir para longe para ver que o ciclo da minha felicidade termina em você. Eu fui para me preencher e voltei vazia de amor e tão cheia de você. Cheia da sua saudade, do seu perfume, da sua personalidade e de tudo o que te compõe. Eu voltei porque muito do que eu quero está aqui, do outro lado da porta. Eu voltei. E preciso urgentemente saber sobre você: fica ou volta?

Digite aqui sua saudade

07 maio 2014



Chego em casa, abro o e-mail. Nada. Olho o celular, sem bateria. Tá. Agora tem 0,0000000000001% de chances de você ter me ligado ou mandado sms ou feito um sinal de fumaça, vai saber. Espero que você tenha esquecido o que eu disse ontem porque eu estava terrivelmente embriagada e absurdamente sozinha. Ou solitária, como preferir. Acontece que todas as vezes que toca um blues qualquer eu me lembro de você. Lembro que você me dizia que John Mayer era péssimo e eu deveria refinar meu gosto musical. Mas, e daí? Você nunca entendeu nada de música mesmo. Então tudo bem falar mal do meu cantor preferido, eu entendo.


Eu entendia sua mania de solidão. Entendia você preferir cachorro ao invés de gato e acreditar em vida após a morte, em estrela cadente e mentir que meu bolo era bom. Eu entendia seu ciúme, que de tanto proteger, feria. E sempre me culpei pelo nosso fim por nunca estar pronta para alguém. Ou para me encarar de frente e assumir que meu coração ainda bate. Intensamente. Ininterruptamente. Mas tudo bem, essa parte você entendia. E muito bem. Das poucas vezes que você concordou comigo, dessa você deixava bem claro: “eu fiz tudo por nós, você abandonou o barco”. Ok. Se não fosse o melodrama que envolve seu modo novela mexicana de viver, talvez dessemos certo. Ou não, porque nem eu me aturo às vezes.



A verdade é que me pegar sozinha me faz querer ter você. Porque aí me lembro que você dizia que viver sozinho é aceitável, mas ser solitário a vida toda é sofrimento demais. Eu, que nunca concordei com seus devaneios, sou obrigada a dizer que sim. É triste. E dói. Mas em todas as vezes que senti dor, eu fugi. Não vou correr atrás de um amor mal curado. Não vou me submeter à vontade passageira que tenta controlar minhas razões. Talvez essa seja a hora de pular de cabeça em você, mas tô aqui procurando um lugar que dê pra pôr o pé porque me afogar e morrer de amor é demais pra mim. Então que fique clara e registrada minha saudade i-m-e-n-s-a de você. Mas que por motivo de força maior, vai morrer aqui. À míngua. Não me leve a mal, é que pra não morrer, eu tive que matá-la. E espero que você me entenda, como sempre fez.



Texto publicado no blog da Isabela Freitas no dia 21/08/2013.

Ela é completa

05 maio 2014



Ela não gosta que toquem no seu umbigo; na verdade, detesta. Tem horror! Fique longe. Beije suas orelhas, às vezes. Entretanto, tem que ser aquele pouco-quase-nada, só para deixá-la louca e mostrar teu recado: tu a queres! E isto vai ser necessário para manter a relação de vocês viva, contínua, pegando fogo. Ou a casa incendeia ou ela joga água na chama e te manda embora. Apegada, não muito. Carente, sempre foi. Contudo, o seu amor próprio vem antes te avisando que ela não é guria que gosta do morno, tem fobia de metades, quando muito, é equilibrista para viver em cima do muro.

Ah, coloque Scracho como música de despertador quando acordarem cedo. Enquanto ela estiver no banho, correndo pelada pela casa, gritando atrás das roupas, prepare seu café. Um suco de laranja, pão com queijo e uma mão abusada de despedida; já terás o teu ticket de retorno. Como já percebeste, sua vida é agitada, cheia de planos e sonhos. Ajude a realizá-los, sonhe junto com ela. Se te mostrares diferente de todos os que vieram e os que ainda podem vir, tua nova guria perceberá e irás tê-la até enquanto alimentares este amor. Sabes, né?! Amor sem atipicidade é o investimento para o tédio assassinar o tesão.

E por favor, não esqueça: sempre que vocês forem sair, pegue um casaco. Friorenta por natureza, vai ficar de mau humor fácil. Nunca a deixe passar frio ou sentir fome. Uma hora ou outra ela amarrará a cara, irá fazer beiço e ficar quieta. Deixe-a. Não pergunte, nem tente entender o porquê. Ela é assim: “aluada”. Respeite seu espaço. Cuide, seja generoso, ame viajar, tenha vontade, proteja a ingenuidade dela da maldade alheia. Agora, tu és o cara! Se a conheço bem, desculpas não é sinônimo de arrependimento, sentir saudade não será o suficiente para tê-la de volta. Eu sempre a chamei de exigente, mas hoje eu percebo que, ela nasceu completa para então, não ter que aceitar metades.


Sobre o autor: Guilherme Pintto é blogueiro, abusado e pai de Hermione, a filha que late. Trabalha no Hospital Escola da Universidade Federal de Pelotas inserido no programa que atende pacientes com câncer e outras patologias. Além de ser apaixonado por histórias, nutri um amor incondicional: escrever sobre pessoas e seus comportamentos.


Vocês o encontram também no blog Amor Abusado. Corre lá que vale a pena conhecer!

Hora de partir

31 março 2014

 

Minha dúvida neste momento era saber se ligava ou não para marcar nosso último encontro. Você sabe, sempre levo tempo demais para decidir sobre qualquer coisa em minha vida. Mas aqui estou, numa espécie de súplica para que você não deixe de ir. Não se abstenha da obrigação de me dizer adeus dignamente. Talvez eu demore, mas cumprirei meu papel com força e a sanidade que ainda me resta. Ou não. E se você perceber que meu carro não vem pela avenida, retome seu caminho que só vai adiante e não olhe para trás. Me espere uma hora, mas não mais que duas. Você não tem mais a amarga obrigação de esperar qualquer coisa de mim.

A verdade é que eu me cansei. Estou cheia, farta e saciada dessa nossa relação sem nexo algum. Não dá para viver em um relacionamento que só leva a gente para baixo, sabe? Não dá para aceitar uma relação que ao invés de acrescentar, aprisiona. Não dá para aceitar – não mais – esses silêncios intermináveis e a falta de um “eu te amo” verdadeiro. Você nem precisaria dizer, apenas mostrar, demonstrar e viver essas três palavrinhas. Mas ambos sabemos que eu ando fazendo isso tudo por nós e você assistindo a tudo de camarote.

A gente sabe que acabou quando percebe que ficar de joelhos não muda o estado da porta, que continua aberta anunciando uma partida. Dizer que vai ser diferente não altera sentimento algum. Lágrimas não libertam comoção. E o amor é mais que isso, entende? É bem mais que qualquer busca pelo inevitável. É bem mais que conversas e discussões que não chegam a lugar nenhum.
Eu estou farta. E eu vejo que portas batidas, gritos e climas fúnebres pelo o que está prestes a morrer de vez não recuperam sentimentos antigos. A gente precisa aprender a deixar as coisas irem. E mais que isso, eu precisava aprender a hora certa de abrir mão da gente, antes que nos destruíssemos de vez. A nossa hora de partir chegou.

Estou levando nossas boas lembranças na mala e deixando as minhas com você neste momento. Estou deixando você ir adiante. Talvez você sinta tristeza, agonia e pense que não sabe viver sem mim, mas acredite, você sabe. A gente acredita que ama muito mais uma pessoa depois que ela vai embora. E isso não é amor, querido. Entende onde quero chegar? Chegamos ao nosso limite. É uma pena que ainda não tenham inventado remédio para exaustão de amores.

(Mais) Uma crônica para você

09 fevereiro 2014



Perdi a conta de quantas vezes abri meu bloco de notas hoje. Tá bom, você não tem nada a ver com isso, mas eu precisava arrumar um jeito de começar este texto. Eu não sei mais falar sobre sentimentos. Desaprendi a fazer o que ocupou minha vida por todos esses anos, acredita? É, eu também não acreditaria se estivesse em seu lugar lendo essas bobagens sem qualquer tipo de necessidade. Acontece que meu exagero fala bem alto as vezes. E você levou suas malas, roupas, fotos, cheiros e eu fiquei aqui sem ter sobre o que falar.



Eu não quero precisar de você, mas tenho tanta urgência e necessidade de tudo o que te envolve, que permaneço aqui estática. Imóvel. Parada no tempo olhando meu bloco de notas vazio. Você levou minha inspiração. E eu preciso tanto, mas tanto, falar sobre esses sentimentos que fui engolindo e sorrindo amarelo e engolindo mais um pouco. Preciso urgentemente descarregar essas emoções em qualquer lugar porque elas estão me sufocando. Penso em escrever sobre o amor e a resposta termina em você. Penso em escrever sobre o ódio e, apesar de contraditório, termina em você também. Porque é você o motivo disso tudo, entende? A inspiração e a falta dela.


E eu não quero ter que olhar sua foto para escrever sobre sentimentos ou sobre as migalhas que sobraram de nós. Mas também não posso me envolver em qualquer tipo de loucura que me tire a sensatez por completo. Sou racional demais para jogar tudo para o alto e correr para os seus gostos, encantos e desencantos. Sinto muito pelo nosso fim, mas sinto muito mais pelas minhas coisas que você levou consigo. Não se sinta culpado, a gente tem esse hábito estranho de vez ou outra entregar de bandeja o nosso melhor. Nosso coração, dom, amor e tempo livre. Não se importe tanto, esse texto era para ser sobre minha falta de inspiração e não sobre nós dois. Não me arrependo de nada que chegamos a ser um dia. Nós fomos muito. Tudo, eu diria. Nós brilhamos tanto que queimamos cedo demais.

Obrigada por mais esse texto. E por todas as coisas boas que sinto quando penso em você.



*Texto publicado no blog da Isabela Freitas no dia 16/11/2013.

Chega de você

06 fevereiro 2014




Ontem quando te liguei pela milésima vez, você me pediu que esperasse alguns minutos e que assim que terminasse suas tarefas, me retornaria. Me senti como se estivesse sendo transferida de um setor para outro por atendentes de telemarketing incompetentes que jogam cartas enquanto seus clientes esperam na linha. Me senti idiota. Por que, meu Deus, eu nunca aprendo? Eu sei que você é um tremendo canalha e sem escrúpulos. E sei que não vai me retornar como em todas as outras vezes. Sei também que toda essa minha carência sempre termina nessa ligação sem resposta. Mas sabe, é que minha terapeuta me disse que tenho que arriscar mais. Sair dessa monotonia em que me meti por ter medo das perdas. Aí o que acontece? BOOM, li um trecho que me fez lembrar de você. Ouvi uma música que me remete aos nossos momentos felizes. Isso só poderia ser um sinal, certo? É a hora de correr atrás dos meus sonhos e o motivo deles? Errado. Pena que só descobri que estava caindo depois que pulei no abismo.


E eu caio nesse buraco enorme onde o fundo é o número do seu telefone. E aí você, indiferente como sempre, me faz esperar. E eu viro uma múmia do outro lado da linha enquanto você brinca de fazer de conta que eu não existo. Então ligo para minha terapeuta. Ela me diz que arriscar é preciso. Que eu me arrependeria pelo resto da minha vida se não o fizesse na hora da vontade. Mas com tanta indiferença como resposta pela minha coragem, eu chego a conclusão de que arriscar é masoquismo demais. Desrespeito demais comigo e com nosso passado. Arriscar é um porre de ressaca incurável. E você ainda é o mesmo.

Você é um idiota que não tem a mínima consideração por mim e eu decidi parar de idealizar esse príncipe que você não é. Porque eu tô cansada de me iludir em cima de fatos tão claros e óbvios e diretos. O mundo não é um mar de rosas, a fada do dente não vai vir me dar moedas, desenhos em nuvens são coisas da minha mente, encontrar o final ou começo do arco-íris não vai me deixar rica e, por Deus, você não é o amor da minha vida.

Chega de puxar a corda para me enforcar com pensamentos tão mirabolantes assim. Eu demorei muito tempo para permitir que a ficha realmente caísse. É que a verdade é dura, entende? E eu sempre te dava a chance de retornar. Deixava rastros em todas as minha idas para que você, quem sabe um dia, resolvesse me seguir. Mas a verdade, dura como pedra, foi a melhor saída para esse nosso último final. Eu quero viver uma realidade verdadeiramente feliz e para isso eu preciso me desprender desse passado. Chega de dar e nunca receber. Chega de tapar a visão com falsos sentimentos e me alimentar de migalhas. Chegou a hora de sentir de verdade, para amar da melhor e mais bonita forma que existe.

No momento certo

27 janeiro 2014



Tenho que admitir, coisa que não faço com muita frequência, que estive errada sobre você. Quando te conheci, achei que desistiria de mim numa briga qualquer. Num dia ensolarado ou noite chuvosa. Achei que abriria mão logo na primeira prova de resistência ou com a minha falta de paciência. Eu estive errada todo esse tempo porque me julguei boa demais para você. Quando tudo o que você fez foi me mostrar o contrário. Eu não quero viver uma mentira como das outras vezes, entende? Não quero que você seja como todos os outros a quem enganei. Não quero te dar o que eu não tenho, nem te fazer acreditar no que eu não sinto.

Seria de uma covardia sem tamanho se eu te levasse até a minha casa e te embebedasse com meus vinhos, histórias, desafetos e carências. Seria muito aceitar o fardo de te tratar como nada logo após. Eu não aceitaria conviver com a dor de te abraçar, sentir seu cheiro e todo o carinho envolvente e não poder retribuir. Não quero forçar sentimento. Não quero ensaiar falas e fazer parte de uma peça de teatro ao invés de estrear num romance verdadeiramente bonito. Porque o amor de verdade vai muito além disso. É tudo natural. É tanta paz. É leve.

E a forma como tenho vivido só me leva para baixo. Não dá para ser feliz aceitando uma vida tão solitária. Para mim, não é justo te incluir nisso. Te fazer engolir goela abaixo meu jeito infeliz de levar a vida. Não quero ser como todo mundo. Não quero expor a minha dor para despertar a piedade alheia. Quero ficar quietinha. Quero me afastar de tudo e de todos como um bicho ferido, para me recompor sozinha. Não dá para ser feliz agora. Não dá para ser feliz nesse momento tão frágil e tão “in” em que vivo. Estou aprisionada em mim mesma para ver se dentro desse casulo alguma coisa vira borboleta.

Não me queira tanto por enquanto. Não me procure em todos os cantos. Não espere que eu te dê o que eu não tenho, nem que te faça sentir o que nem eu sinto. Sinta minha falta mesmo eu não merecendo nem uma parte dela. Eu vou amadurecer. Eu estou vivendo esse processo e é tudo muito novo para mim. Eu me despedacei em mil fragmentos para me tornar inteiramente sua. E em nosso tempo, ambos seremos sem sacrifício algum. Tenho em mente que amor que tem que ser, será onde quer que esteja. E no momento certo, ao invés de te guardar de mim, te levarei comigo.

Você vai lembrar de mim

13 janeiro 2014


Quando seu despertador tocar amanhã de manhã, talvez você perceba mais que depressa como seu pretérito imperfeito chegou cedo demais. Já não estarei mais aqui para ocupar o outro lado da cama, nem para dar credibilidade ao seu drama, muito menos para dar continuidade a essa ideia ilusória de relacionamento a dois. Verdade seja dita: eu cansei de você. E cansei das suas mentiras, do seu ciúme que mais parece uma busca incessante por motivos para brigar, cansei da sua indiferença em horas erradas e de tudo o que compõe essa sinfonia totalmente fora de ritmo. Cansei de tudo o que envolve seu nome ou o que restou do nosso amor. E só me dei conta disso quando vi meu sentimento mais puro e sincero se transformando em uma solidão inteiramente infinita. Minha alegria se transformando em choro e minha confiança se resumindo a investigações virtuais. 

Nesse tempo percebi que andava inventando desculpas demais pros seus erros. E não há amor que resista se alimentando de veneno. Eu fui e você ficou. Eu fui e levei comigo todas as minhas inseguranças que tanto te incomodavam. Levei meu abraço e coração e que te pertenceram por tanto tempo. Levei meu sorriso e a covinha que aparecia com ele, as rugas e as olheiras que esse amor mal acabado desenhou em mim. 

Talvez quando você acordar nem se dê conta de que eu parti, já que estamos tão distantes ultimamente. Talvez me substitua sem dó, piedade, nem luto por esse sentimento que dividimos ao longo desses anos. Em um dia qualquer você vai perceber que amor de verdade não se encontra nos cantos sujos em que você tanto se esconde. Nem com mulheres vazias, cansadas e desiludidas com as quais você se diverte. Aí sim, nesse exato momento, você vai lembrar de mim. E vai se tocar de que o brilho nos olhos e a pupila dilatada pela pessoa certa não há madrugada de diversão que compense.

E então você vai repassar os flashes em sua cabeça e lembrar que seu final feliz estava bem próximo da felicidade que eu te proporcionava. Quando você perceber que a superficialidade e o amor verdadeiro seguem por estradas completamente diferentes, você vai lembrar de mim.

Aí sim, nesse exato momento eu estarei bem longe. Vivendo a minha vida e, provavelmente, sendo feliz de verdade.

Guia de como me deixar

17 novembro 2013

Peço encarecidamente, se é que eu ainda posso te pedir qualquer coisa, que você apague a luz quando sair. Deixe tudo limpo, tranque bem as portas e se despeça deixando este lugar assim como você o encontrou. Não é justo que as outras pessoas que entrarem aqui convivam com a bagunça que você fez. Peço também que você esvazie os armários, porque não quero me deparar com qualquer peça sua perdida pela casa. Elas não me fariam bem em uma noite chuvosa. Me devolva a cópia da chave do apartamento. Deixe embaixo do tapete assim como te ensinei, até que eu encontre um novo esconderijo para minha chave extra. Vai ser difícil colocar as coisas no lugar depois que você fechar a porta, mas continua sendo necessário.





Quem nos viu há meses atrás, não conseguiria imaginar o final dessa história. Eu me encaixava muito bem no seu peito e seu calor era o ideal para minha cama. Seu sorriso combinava com o meu e nossas mãos se entrelaçavam perfeitamente sem nenhum esforço exagerado. Tudo natural. Eu não sei muito bem aonde a gente se perdeu. Digo, estávamos predestinados a sermos felizes para sempre, certo? E agora, a única coisa que restou foi essa minha lista com instruções de como você deve fazer para deixar este lugar - supostamente - em paz.


Eu não me importaria em ter você aqui reclamando, gritando por melhoras ou fazendo qualquer alarde para salvar nosso final feliz. Mas acontece que de uns tempos pra cá você mudou muito. E ao invés de me transbordar, como costumava fazer, só aumentou meu vazio. Remexeu todas as minhas feridas numa tentativa incansável de reabri-las e me deixou aqui para que eu me virasse com um kit de primeiros socorros que eu nem tenho. Minha decepção foi tão grande que nem me lembro mais sobre como era ser feliz ao seu lado.


Te dei todas as opções e você poderia ter sido qualquer uma delas: amor, paixão, amizade, carinho, flerte. Só não imaginava que você escolheria, sem titubear, ser um adeus. Estou aprendendo a lamentar menos, cada vez mais, todos os dias. 


Torço muito para que não demore e que essa ânsia de ter você se vá junto com as malas que você está levando consigo hoje. Para bem longe.

Tentativas

27 outubro 2013

Tento te esquecer, tento te arrancar de mim a qualquer custo, tento não pensar, tento não lembrar, tento não vincular você a cada movimento meu. Acordo tentando, levo o dia tentando, respiro tentando e durmo tentando não sentir, não te querer, não te desejar.

Mas você é insistente, por mais que eu consuma todas as minhas forças e concentrações, você tá presente em mim, tá presente nos meus atos, nos meus métodos, nos meus sonhos.

Cada dia é mais difícil te tirar de mim, um enorme buraco se forma e aumenta a cada minuto sem você. Saber que você não vai voltar, não vai me ligar dando boa noite, não vai brigar comigo por ficar na net até tarde ou por não comer direito, não vai mais querer saber como foi meu dia, isso tudo dói, isso tudo me tira a vontade de acordar no outro dia.



Você foi a melhor coisa que me aconteceu. Em meio aos meus erros, você talvez tenha sido o único acerto, a minha única vontade de acertar. Nunca me importei em fazer o errado, em ser sempre a errada da história, sempre assumi esses erros e suas responsabilidades. Mas por você eu quis acertar, eu quis ser melhor, eu quis me mudar e seguir um caminho diferente.

Não me conformo com a teoria de você ter entrado na minha vida só para acertá-la, só para me mostrar o caminho a seguir. Quero seguir o melhor caminho com o meu melhor, com você, quero você comigo na hora de desfrutar dos meus acertos.

Não quero um pai para me buscar bêbada numa balada qualquer, não quero alguém para me tirar de confusões, não quero alguém que só sirva para ligar quando estou na pior. Quero alguém que compartilhe comigo os momentos bons e ruins, afinal não sou a “garota problema” que só se mete em confusão e traz coisas ruins.


Sei que posso te fazer feliz, que podemos trocar conhecimentos e experiências, que temos um futuro diferente do que muitos pensam. Mas enquanto você não se dá a chance de tentar ser feliz, eu vou tentando a cada segundo que respiro te tirar de mim.




 
Sobre a autora: Letícia Pinho, publicitária em formação que se encontrou de corpo e alma nas palavras. Uma intensa desastrada que transforma tudo que vive e sente em frases desconexas que um dia amanhecem fazendo sentido. Tem pensamentos que pedem por liberdade e é movida por sentimentos. Uma eterna apaixonada pelo som, sentido e forma das palavras. Segue ela lá no twitter: @LettyPinho.

Depois de você

20 outubro 2013

Houve um tempo em que eu acreditei no amor eterno. Aliás, ainda acredito. Porque todo esse sofrimento depois de tanto tempo só pode ser caso de eternidade mesmo. Assim que decidi que nós nunca seríamos, de fato, um "nós", muitos bateram a porta do meu apartamento me dizendo adeus. Eles me culpavam por amar de menos, não me importar demais e não corresponder as expectativas. Não os culpo, eles apenas não eram o que eu queria. Não me culpo, eu apenas não era o que eles mereciam. Sinto que em tempos frios você retorna para me aquecer. E aqui, agora, o Vinícius me lembra que "eu sei e você sabe, já que a vida quis assim, que nada nesse mundo levará você de mim". 



Eu tento de todas as formas te expulsar de mim e criar um novo sentimento em sua ausência. Mas em todo canto há um tanto de você. Um cheiro, uma carta, uma música. Tentei mudar os móveis de lugar, mas ainda vejo sua imagem jogado no sofá me pedindo para que fizesse o mesmo. Parecia tão fácil te apagar de mim. Eu decidi que te pediria para ir embora, esvaziaria meus armários, convidaria outros gostos, cheiros e dramas para que eu dividissem meus medos e a minha cama. Mas nenhum deles aguentou o peso de ser eu. Não é fácil conviver com alguém estupidamente vazia apesar de completa. É óbvio, eles não entendiam minha solidão rodeada de pessoas.


Você tinha muito de mim e talvez por isso tenha me pertencido tanto quanto eu a você. Nós fomos atalhos de muitas pessoas que passaram por nossas vidas. Fomos experiência, carência, desejo passageiro. E juntamos tudo isso para criarmos nosso laço que, com o passar do tempo, virou um nó quase que indestrutível. Às vezes me frustro e questiono por que é que tudo teve de terminar. E me conformo que talvez nunca mais encontre outro você. Balanço a cabeça, rola uma lágrima, culpo a vida, o destino e deixo Vinícius me consolar. "Eu sei e você sabe que a distância não existe. Que todo grande amor só é bem grande se for triste". É, ele me conforta.


Eu faria muito para que nós retornássemos ao início e eu não precisasse te procurar em outras pessoas. Depois de você, tudo o que eu fiz foi torcer para que você descubra logo que a saudade não compensa e retorne em busca de qualquer tipo de perdão. No final, qualquer que seja o roteiro, nós sabemos que somos melhores juntos. "Não há você sem mim e eu não existo sem você."
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