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Talvez seja sempre nós dois

23 novembro 2014




Talvez seja essa nossa situação confortável e descontrolada que me faça pegar a estrada na contramão algumas vezes. Talvez seja essa minha capacidade de te persuadir que te faça voltar correndo pra me abraçar logo em seguida de ser um verdadeiro ogro. Talvez seja o meu perfume que te hipnotize e talvez seja a minha incapacidade de viver longe da tua conchinha que me faça ficar até mesmo quando não devo. Talvez seja tudo que tenho descoberto ao seu lado e você, aprendido comigo, mesmo que você faça o tipo dono da verdade.


Talvez eu te faça ir embora correndo pra ter certeza que é também dessa maneira que vou te ver voltar. Admito que toda vez que isso acontece eu sinto um apertinho no peito, um medo de que você realmente não reapareça de novo no meu olho mágico. Talvez eu seja realmente aquela pessoa esquisita que você não consegue parar de admirar mesmo quando esta cansado e talvez eu tenha aparecido na sua vida na hora errada. Talvez o errado seja a nossa maneira de ser.


Talvez a noite continue virando dia toda vez que eu te encontrar e os mil copos de café por dia pra se manter em pé no outro dia continuem valendo a pena. Talvez você enjoe da minha gargalhada alta e me peça pra sumir. Eu, desobediente, sempre vou te ligar numa hora inesperada, você sabe. E eu sei que você vai me atender com a sua voz de sono e com o seu ego lá em cima, mas vai pedir pra deixar pra lá mais uma vez e tentar. Talvez esse monte de incertezas que nos rodeiam seja o que nos mantenha tão encantados nessa coisa desajeitada que temos tido. Talvez as descobertas não parem por aí, e não terminem nem daqui a 20 anos... mas eu sei, já descobri que você detesta essa minha mania de pensar no futuro.



Talvez seja no meu jeito de rir até da dor que você encontre paz. Talvez seja no teu riso descompensado dos meus medos que eu encontre a coragem. Talvez seja uma mania que a gente tenha e a gente só descobriu agora que tem. Porque descobrir ainda é tudo que eu tenho feito... a cada hora, olhar, sorriso, abraço, e até nas suas seriedades. Me descobrir com você, cedo ou tarde, na hora que der, porque nós somos assim. Vem que eu continuo a te dar paz, mas não me deixa aqui no escuro, no medo, na falta de coragem de encarar esse mundo fajuto que nos colocaram e que só vale a pena porque eu te descobri e me descobri em você.




Longe demais

14 setembro 2014



A minha tentativa idiota de não falar sobre você chegou longe demais. Foi tão além que não coube nas linhas em que eu usava para desabafar. Foi tão grande que explodiu o peito e queimou tudo o que havia restado. Eu parei minha vida na tentativa de neutralizar você. Tentei fazer com que sua bateria acabasse e o carregador estivesse quebrado. Tentei cortar suas tranças, jogar fora sua capa, mas seus poderes só ficaram mais fortes. Suas lembranças ainda apareciam e meus dedos insistiam em discar seu telefone.

Minha busca por você foi longe demais. Tão longe, tão solitária e fria que me afastei de mim. E na tentativa de ser mais eu, fui tão mais você. Fui tão mais nosso passado e nossas músicas e fossas. E as vírgulas que separavam minha respiração da sua, se juntaram em rimas e súplicas de sentimento. O que foi que você fez comigo, ein? Diz pra mim para que eu possa me desfazer disso tudo. Diz pra mim para que nasça flores na minha estrada e brote pessoas no meu destino. Diz o que é que eu tenho que fazer para regar meus sentimentos e fazer com que deles cresçam ramos e não morram tão secos entre tanta água. É muita lágrima e pouco sentimento de verdade. É muita saudade e pouco você aqui.

Minha busca por você foi longe demais, porque eu não me conformo com a ideia de que você veio para ficar tão pouco assim. Não gosto de pessoas que vêem meu coração como uma forma idiota de turismo. Você não pode chegar aqui, deixar suas marcas, me consertar e ir embora. Não pode me entregar perfeita para outra pessoa me amar, enquanto cada molde do meu corpo tem o teu formato.

Você não podia ter ido embora enquanto as minhas intenções eram claras demais e cheias de sentimentos eternos. Você não podia ter virado as costas e achar que estava tudo o.k no seu adeus sem enormes e cansativas explicações.

Eu fui longe demais por você. Só queria que você tivesse me acompanhado na caminhada e chegado a um final mais bonito comigo, onde nós poderíamos ser, enfim, nós.

Moeda de troca

25 junho 2014



Se eu tivesse uma chance eu trocaria todas as mensagens babacas que eu recebo e respondo por educação de outros caras por um dia com você e nem chegaria a pensar duas vezes sobre isso. Eu trocaria todas as cantadas que eu recebo de pessoas que jamais terão o lugar que você tem pela chance de voltar no nosso tempo juntos. Naquele tempo onde você ficava emburrado ao saber que alguém tentou conversar comigo com intenções não tão boas quanto as suas. 


Eu trocaria os convites para ir ao cinema, para jantar e para jogar conversa fora em alguma mesa de bar badalado que é conhecido por estar em uma avenida movimentada da nossa cidade por um dia na sua casa, brincando com seu cachorro e assistindo qualquer besteira na televisão, já que um não deixaria o outro prestar atenção mesmo. 


Eu trocaria as músicas que eu recebo de indiretas quando alguém quer me dizer algo pela nossa música. E sem dúvidas, eu trocaria os telefonemas chatos e constantes que eu recebo por um áudio seu, já que você sabe que eu odeio falar ao telefone, mas até isso com você era diferente.
Definitivamente não há nada neles que me interesse, não há nada neles que faça meu coração pulsar como pulsava ao escutar o som da sua buzina na minha porta e ver o seu sorriso sem graça ao me encontrar. Não é que eu não queira te esquecer, mas ninguém tem sido melhor que você, entende? A culpa não é minha, não dá pra fugir. Esses garotos aparecem como se eu precisasse deles quando eu não quero e não preciso disso. 


Não quero outro buraco, não quero precisar tratar outra ferida, não quero ter mais um cheiro para me perseguir e nem deixar de frequentar algum lugar outra vez. Eu não preciso que me liguem, que insistam e que tentem de toda forma mais barata e comum me convencer a ficar, entendam que eu não vou ficar. E quem quiser que eu fique vai precisar ralar muito para isso e ter uma paciência gigantesca, já que ninguém me rouba sorrisos leves tão facilmente e, quando um insiste em escapar, a realidade me tira os próximos e eu volto a me lembrar de tudo que não precisa acontecer outra vez.


Mas, que eu trocaria a insistência dos outros por uma constância sua, isso eu trocaria.




Sobre a autora: Aline Madera, mais uma radialista criativa em formação. 18 anos, apaixonada pela faculdade de Rádio, Televisão e Internet, só encontrou uma válvula de escape: escrever.Talvez tenha nascido com o dom de jogar bem as palavras em uma folha de papel, talvez seja súbita inspiração, só lendo para descobrir.

Sigam a Aline no Instagram, no Twitter e conheça o Tumblr dela!

Pode ir embora

19 junho 2014



Todas as frases, textos e trechos que me diziam para te esquecer nunca fizeram muito sentido. Todas as rezas da minha mãe e súplicas das minhas amigas, sempre foram em vão. Me cansei de bater de frente com o “você precisa virar a página, se quiser começar um novo capítulo”. Tentei a escrita, música e até um novo amor, mas sempre terminei em você. Hoje, depois de tanto tempo vivendo às cegas, tudo parece muito óbvio e claro. Então, te liberto. Pode seguir seu caminho em paz.

Depois de tantas idas e vindas, memorizei o caminho de volta para casa. O beco sombrio da rua 12 não me assusta mais. Logo, não preciso de você para passar por ele. A verdade é que você se afastou demais, sabe? Repentinamente e demasiadamente. Graças a Deus o ser humano tem essa capacidade enorme de adaptação. Se dependesse de mim, levaria anos. Mas acontece que mesmo não querendo, a gente se acostuma. Mesmo não suportando algumas coisas, a gente aprende a lidar. 

Sua ausência se tornou constante. Meu cachorro se acostumou com o canto vazio da cama e nem chora mais quando olha para ele. Acredite, eu também não. Aprendi, entre choros e filmes dramáticos, que o maior drama da vida é se submeter a esse sofrimento louco e doentio por quem nunca mereceu.

Pode seguir seu caminho, vai. Pode pegar a mala onde você escondeu todas as minhas lembranças e jogar bem longe. Ou abandonar em qualquer canto para que algum estranho me encontre perdida por aí. Só sei que não te pertenço mais. Talvez isso tenha acontecido há muito tempo. Digo, você abriu mão de nós antes de eu abrir mão de você. Dizem que a ordem dos fatores não altera o produto, descobri pelo nosso romance que isso só funciona na matemática mesmo. No meu caso, alterou o romance, as atitudes, os sorrisos... Tudo. Me perdoe por ser a última a abandonar o barco. Estou saindo, deixei a casa limpa e vou apagar a luz.

Não vou mais me importar se você não lembrar a data do meu aniversário, nem vou esperar ansiosa pela sua ligação. Não vou mais segurar uma lágrima, nem pedir perdão. Cansei de me culpar por um fim que foi mais seu do que meu. Cansei de sentir a falta de ar tomando conta de mim na busca incansável de te alcançar. Eu cansei de você e de nós e de ser estupidamente idiota quando o assunto é você. Eu cansei de me importar. Pode ir embora, aqui já não é mais o seu lugar.

*Texto inspirado na música Veranizar - Léo Fressato.

Eu soube

03 junho 2014





Foram quatro horas de sono apenas, sonhei 3 horas e 45 minutos com você. Sabe porque eu só dormi 4 horas? As outras 3 que me eram disponíveis foram de insônia e algumas lágrimas, até meu corpo implorar por descanso. E olha só, minha cabeça me pregou uma peça me fazendo estar contigo até na minha suposta hora de descanso. Sabe o pior? Estávamos felizes enquanto sonhava, sorríamos e era algo muito parecido com o que vivemos. As lembranças me acertaram com um soco no rosto, me fazendo levantar sem ânimo.

Eu tentei com todas as minhas forças, você e o mundo inteiro sabem disso. Eu sinto doer todos os dias, sinto uma dor que você parece ser incapaz de sentir. Sabe o porquê disso também? Eu me importo. Devia me importar bem menos, mas me importo e não dá para controlar isso. Eu desisti de me fazer desistir sabe? Parece que suga mais minhas energias, como sugou quando seus olhos encontraram os meus e eu vi que só eu estava em pedaços.

Eu soube antes de você. Eu soube duas semanas antes da nossa conversa bagunçada fazer meu coração assinar forçadamente os papéis do desapego. Eu soube quando você me deu um beijo na testa e foi embora naquela manhã ensolarada de domingo. Eu soube quando sentei no chão do quarto desesperada, nocauteada com a certeza que eu havia me apaixonado e aquilo não terminaria bem. Foi ai que eu soube, bem antes de você, o fim de tudo. O fim de algo que eu tentei construir com tanta calma, o fim de bases que eu achei que fossem tão sólidas.
Mas eu fingi que não havia descoberto, eu queria ter me enganado.

Ainda lembro claramente dos teus olhos nos meus, dizendo que se eu falasse algumas palavras você moveria o mundo. É, talvez eu devesse ter tido para você ficar.

Melhor ainda, talvez você devesse querer ficar. Mas isso já é outra história, que outro dia podemos conversar, agora se trata da dor de ir e não ter uma posição para ficar ou saber se vai voltar. Ainda dói, mas vai passar. Vai passar e eu vou ser feliz, com ou sem você. Cada dor que me fez sentir e cada hora de sono que foi perdida está guardada dentro de uma caixinha que produz energia para outra que se chama esperança. E não é em você não, nem em nós, é em mim e em tudo que eu sou capaz de suportar. 


Eu levei mais uma porrada e elevei mais ainda a eficiência da minha armadura. Você me fez sentir tantas coisas boas e agora finalizando com a dor é o fim de tudo e um renascer meu.

E sem dúvidas a única pessoa de escolhas erradas nessa história, é você.


Sobre a autora: Aline Madera, mais uma radialista criativa em formação. 18 anos, apaixonada pela faculdade de Rádio, Televisão e Internet, só encontrou uma válvula de escape: escrever.Talvez tenha nascido com o dom de jogar bem as palavras em uma folha de papel, talvez seja súbita inspiração, só lendo para descobrir.




A Aline agora é colaboradora aqui do blog (uhul!). Sigam ela no Instagram, no Twitter e conheça o Tumblr dela! 

Ame mais e sem medidas

31 maio 2014



Quantas pessoas você já perdeu em sua vida? Minha pergunta é bem genérica porque não se trata de momentos específicos, e sim sobre perdas. Um dia desses minha amiga me perguntou se eu sentia falta do meu avô. A única coisa que eu conseguia pensar era: como não sentir? Ele acompanhou meu crescimento, fez um papel de pai insubstituível (porque perdi o meu aos 8 anos de idade) e faleceu quando eu tinha acabado de fazer 19 anos. Ele era forte, saudável e enxuto aos 87 quando me deixou. Acho que justamente por isso foi um baque de cair o queixo, a estima e a vontade de qualquer coisa. O que me entristece mesmo é que essas coisas acontecem quando a gente não está esperando, entende? Eu havia começado 
em meu primeiro emprego de verdade quando ele adoeceu. E, justamente por se tratar do primeiro emprego, por mais que eu quisesse, eu não podia simplesmente abandonar tudo e ficar com ele para sempre. E é nessa deixa que minha consciência pesa tanto.

Eu queria que Deus mandasse um sinalzinho dizendo: “ei, hora de se despedir!”, e talvez assim eu não sentisse um aperto tão grande ao me lembrar das pessoas que se foram sem ter aquela despedida que fizeram por merecer a vida toda. Sem ter aquele carinho absurdo que deram sem esperar reciprocidade alguma. Se eu soubesse que seria a última vez, teria permanecido quieta no quarto, segurando a mão dele e dizendo palavras confortáveis e bonitas. Se eu soubesse que maus tempos estavam chegando, teria largado o emprego e passaria tardes inteiras assistindo a Vale a Pena Ver de Novo ou Sessões da Tarde sem qualquer pesar por ficar sem grana no final do mês. Eu passaria mais dias e tardes e noites ouvindo suas histórias. Mas você sabe, na vida nada é tão perfeito, nem tão justo.

Atualmente tenho 21 anos, não tenho avós, nem pai e muitos tios já se foram. Não estou dizendo isso para atrair a piedade de ninguém, é apenas um apelo para que você acorde: a vida passa, e passa depressa demais! Tire um dia de folga e aproveite sua família como se fosse seu último dia com ela. Ou talvez você nem precise de folga, só precisa mudar um pouco seus hábitos. Ao invés de ficar trancado no quarto ouvindo música ou bisbilhotando a vida alheia em redes sociais, se dê a liberdade de rir com coisas bobas na mesa do jantar. Troque suas grosserias por gentilizas. Não há felicidade, nem momento, nem dinheiro no mundo que compre uma tarde em um lar que transborde amor pela presença de pessoas queridas.

A vida não te dá a chance de se despedir, nem de compensar o tempo perdido. E quando a gente vê, já foi. Por isso deixe seu orgulho de lado e aproveite seus momentos tão especiais e únicos. “Dê valor as pessoas enquanto elas estão por perto, pois saudade não será motivo para que elas voltem.” E o aperto que fica no peito, dificilmente sara. Então abrace, beije, ame e aproveite as pessoas com quem você se importa de verdade. 

Não há, no mundo, orgulho que substitua a leveza de um ‘eu te amo’ ou um ‘eu me importo com você’ dito sem restrições.

(Mais) Uma crônica para você

09 fevereiro 2014



Perdi a conta de quantas vezes abri meu bloco de notas hoje. Tá bom, você não tem nada a ver com isso, mas eu precisava arrumar um jeito de começar este texto. Eu não sei mais falar sobre sentimentos. Desaprendi a fazer o que ocupou minha vida por todos esses anos, acredita? É, eu também não acreditaria se estivesse em seu lugar lendo essas bobagens sem qualquer tipo de necessidade. Acontece que meu exagero fala bem alto as vezes. E você levou suas malas, roupas, fotos, cheiros e eu fiquei aqui sem ter sobre o que falar.



Eu não quero precisar de você, mas tenho tanta urgência e necessidade de tudo o que te envolve, que permaneço aqui estática. Imóvel. Parada no tempo olhando meu bloco de notas vazio. Você levou minha inspiração. E eu preciso tanto, mas tanto, falar sobre esses sentimentos que fui engolindo e sorrindo amarelo e engolindo mais um pouco. Preciso urgentemente descarregar essas emoções em qualquer lugar porque elas estão me sufocando. Penso em escrever sobre o amor e a resposta termina em você. Penso em escrever sobre o ódio e, apesar de contraditório, termina em você também. Porque é você o motivo disso tudo, entende? A inspiração e a falta dela.


E eu não quero ter que olhar sua foto para escrever sobre sentimentos ou sobre as migalhas que sobraram de nós. Mas também não posso me envolver em qualquer tipo de loucura que me tire a sensatez por completo. Sou racional demais para jogar tudo para o alto e correr para os seus gostos, encantos e desencantos. Sinto muito pelo nosso fim, mas sinto muito mais pelas minhas coisas que você levou consigo. Não se sinta culpado, a gente tem esse hábito estranho de vez ou outra entregar de bandeja o nosso melhor. Nosso coração, dom, amor e tempo livre. Não se importe tanto, esse texto era para ser sobre minha falta de inspiração e não sobre nós dois. Não me arrependo de nada que chegamos a ser um dia. Nós fomos muito. Tudo, eu diria. Nós brilhamos tanto que queimamos cedo demais.

Obrigada por mais esse texto. E por todas as coisas boas que sinto quando penso em você.



*Texto publicado no blog da Isabela Freitas no dia 16/11/2013.

Vai ser sempre você

20 janeiro 2014



Se não fosse pedir muito, eu pediria a Deus e aos céus para que fosse possível voltar no tempo. Uma vezinha. Uma chancezinha qualquer e eu mudaria tudo. Voltaria no dia em que você apareceu e ao invés de “não”, eu gritaria um estrondoso sim. Deixaria de ser livre, leve e desatenta demais. Distraída que só, não te dei muita atenção, nem meu coração, muito menos te deixei ver a importância que você tinha em minha vida. Você veio e me cuidou, me amou, delirou e esqueceu teus sonhos para me fazer sonhar. Largou tudo por uma imbecil sem qualquer sentimentalismo que jamais retribuíra teu esforço sem medidas. Hoje eu sei, depois de tanto tempo, como é carregar o peso de um arrependimento.

A tua urgência em sentir era tanta que meu medo da entrega se sobrepôs. E eu fui levando, tentando, me esforçando e escondendo a ânsia de partir. Era muito, entende? Era demais. Amor em excesso. Cobranças sem medidas. Era você tentando derrubar o muro que construí em volta do meu coração durante anos e eu do outro lado, com um exército inteiro lutando contra. Virou guerra. Deixou de ser carinho e sobrou você tentando entrar de vez em minha vida, ficar para sempre, virar um futuro que nenhuma cartomante conseguia ler. Era só você lutando por nós dois.

E quando parei para observar de verdade, você havia se tornado um soldado ferido demais para permanecer em campo. Aí eu quis te cuidar. Te curar. Te amar. Foi quando te vi enfaixar os ferimentos que, provavelmente, deixariam sinais da guerra por todo o seu corpo e se retirar. Sem olhar para trás, você foi em frente e enfrentou de todos os jeitos possíveis os fantasmas que usei para te fazer mudar de ideia. Você foi e levou consigo todas as últimas chances que restaram e todo o amor que havia aqui.

Se alguém lá em cima me deixasse fazer um único pedido antes de partir, seria você. Seria você para sempre e mais um pouco. Eu pediria para que abrissem seus olhos e você enxergasse o quanto eu mudei. E o quanto você ainda faz parte disso tudo. Eu torceria para que você voltasse atrás e tapasse esse vazio que ficou depois que você se foi. Eu intercederia por mais uma chance. Eu lutaria. Eu sangraria. Eu faria por você aquilo que você sempre fez por mim. Eu te amaria incansavelmente e sem medidas. Eu deixaria de lado tudo o que fiz no passado para te compensar no presente. Porque é você e sempre vai ser. Independente do meu pedido ser atendido ou não, ainda é você.

Tentativas

27 outubro 2013

Tento te esquecer, tento te arrancar de mim a qualquer custo, tento não pensar, tento não lembrar, tento não vincular você a cada movimento meu. Acordo tentando, levo o dia tentando, respiro tentando e durmo tentando não sentir, não te querer, não te desejar.

Mas você é insistente, por mais que eu consuma todas as minhas forças e concentrações, você tá presente em mim, tá presente nos meus atos, nos meus métodos, nos meus sonhos.

Cada dia é mais difícil te tirar de mim, um enorme buraco se forma e aumenta a cada minuto sem você. Saber que você não vai voltar, não vai me ligar dando boa noite, não vai brigar comigo por ficar na net até tarde ou por não comer direito, não vai mais querer saber como foi meu dia, isso tudo dói, isso tudo me tira a vontade de acordar no outro dia.



Você foi a melhor coisa que me aconteceu. Em meio aos meus erros, você talvez tenha sido o único acerto, a minha única vontade de acertar. Nunca me importei em fazer o errado, em ser sempre a errada da história, sempre assumi esses erros e suas responsabilidades. Mas por você eu quis acertar, eu quis ser melhor, eu quis me mudar e seguir um caminho diferente.

Não me conformo com a teoria de você ter entrado na minha vida só para acertá-la, só para me mostrar o caminho a seguir. Quero seguir o melhor caminho com o meu melhor, com você, quero você comigo na hora de desfrutar dos meus acertos.

Não quero um pai para me buscar bêbada numa balada qualquer, não quero alguém para me tirar de confusões, não quero alguém que só sirva para ligar quando estou na pior. Quero alguém que compartilhe comigo os momentos bons e ruins, afinal não sou a “garota problema” que só se mete em confusão e traz coisas ruins.


Sei que posso te fazer feliz, que podemos trocar conhecimentos e experiências, que temos um futuro diferente do que muitos pensam. Mas enquanto você não se dá a chance de tentar ser feliz, eu vou tentando a cada segundo que respiro te tirar de mim.




 
Sobre a autora: Letícia Pinho, publicitária em formação que se encontrou de corpo e alma nas palavras. Uma intensa desastrada que transforma tudo que vive e sente em frases desconexas que um dia amanhecem fazendo sentido. Tem pensamentos que pedem por liberdade e é movida por sentimentos. Uma eterna apaixonada pelo som, sentido e forma das palavras. Segue ela lá no twitter: @LettyPinho.

Depois de você

20 outubro 2013

Houve um tempo em que eu acreditei no amor eterno. Aliás, ainda acredito. Porque todo esse sofrimento depois de tanto tempo só pode ser caso de eternidade mesmo. Assim que decidi que nós nunca seríamos, de fato, um "nós", muitos bateram a porta do meu apartamento me dizendo adeus. Eles me culpavam por amar de menos, não me importar demais e não corresponder as expectativas. Não os culpo, eles apenas não eram o que eu queria. Não me culpo, eu apenas não era o que eles mereciam. Sinto que em tempos frios você retorna para me aquecer. E aqui, agora, o Vinícius me lembra que "eu sei e você sabe, já que a vida quis assim, que nada nesse mundo levará você de mim". 



Eu tento de todas as formas te expulsar de mim e criar um novo sentimento em sua ausência. Mas em todo canto há um tanto de você. Um cheiro, uma carta, uma música. Tentei mudar os móveis de lugar, mas ainda vejo sua imagem jogado no sofá me pedindo para que fizesse o mesmo. Parecia tão fácil te apagar de mim. Eu decidi que te pediria para ir embora, esvaziaria meus armários, convidaria outros gostos, cheiros e dramas para que eu dividissem meus medos e a minha cama. Mas nenhum deles aguentou o peso de ser eu. Não é fácil conviver com alguém estupidamente vazia apesar de completa. É óbvio, eles não entendiam minha solidão rodeada de pessoas.


Você tinha muito de mim e talvez por isso tenha me pertencido tanto quanto eu a você. Nós fomos atalhos de muitas pessoas que passaram por nossas vidas. Fomos experiência, carência, desejo passageiro. E juntamos tudo isso para criarmos nosso laço que, com o passar do tempo, virou um nó quase que indestrutível. Às vezes me frustro e questiono por que é que tudo teve de terminar. E me conformo que talvez nunca mais encontre outro você. Balanço a cabeça, rola uma lágrima, culpo a vida, o destino e deixo Vinícius me consolar. "Eu sei e você sabe que a distância não existe. Que todo grande amor só é bem grande se for triste". É, ele me conforta.


Eu faria muito para que nós retornássemos ao início e eu não precisasse te procurar em outras pessoas. Depois de você, tudo o que eu fiz foi torcer para que você descubra logo que a saudade não compensa e retorne em busca de qualquer tipo de perdão. No final, qualquer que seja o roteiro, nós sabemos que somos melhores juntos. "Não há você sem mim e eu não existo sem você."

Revelação

19 outubro 2013

Hoje de manhã uma estação de rádio qualquer tocou Sweet child O' Mine e adivinhe quem me veio a mente? No momento em que sua imagem apareceu, pude admitir, sinto tanto a sua falta. Eu queria ter dito isso antes de você mudar seus conceitos, percepções e sentimentos, mas sabe, é tão difícil falar sobre o amor, não é? Assumir sentimentos, para mim, sempre pareceu um sinal de fraqueza. Eu estaria levantando bandeira branca, iria baixar a guarda e te deixaria entrar. O que você nunca soube é que você já tinha conseguido tudo isso. Você balançou meu mundo, como ninguém nunca havia feito antes. Você mudou minha forma de ver as coisas, como eu nunca havia visto antes. Eu me apaixonei perdidamente por você com um amor que nunca foi capaz de nascer em mim, entende? Eu sou outra pessoa, você é você e o fato de não sermos um "nós" tem me incomodado bastante.




Queria que você estivesse aqui para ouvir a música comigo e te lembrar como seu sorriso fica bonito com o meu. Queria ter sua mão segurando a minha durante um beijo rotineiro e ouvir você dizendo, mais uma vez, como se importa. Eu sei que é tarde demais para um recomeço, mas é que se eu não te falar essas coisas agora, temo que nunca mais consiga. Eu sou um pouco fria, sabe? Meu medo de sentir sempre falou mais alto e então minha armadura sempre se manteve firme. Mas aí você foi embora e eu não pensei que isso fosse me perturbar tanto assim. Eu, que sempre estive em total inércia, tenho vontade de correr pros seus braços e discutir sobre qualquer bobeira sentimental. Se isso fizer com que você tome o caminho de volta, pois bem, aqui estou. Quero mudar, revirar, reviver, bagunçar sua vida. Quero assumir as consequências dos meus erros. Eu, euzinha, toda orgulhosa admito minha culpa no cartório. E em linhas meio tortas e desajeitadas te dou de bandeja tantas revelações.


Eu poderia terminar esse texto te pedindo para que fosse meu, apesar de já ter sido clara o suficiente sobre tudo. Cansei de me poupar do desgaste emocional. Cansei de não me familiarizar com a permanência. Cansei de ser a estrada que faz com que as pessoas cheguem a algum lugar que não seja a minha vida. Quero deixar de ser um atalho qualquer, para me tornar sua única razão para continuar caminhando. Quero deixar de ser solitária para ser sua companhia. E deixar de ser fria para me derreter por você. Quero dar tudo de mim para ser só sua. Viu o que você faz comigo? Tudo aquilo que ninguém nunca conseguiu fazer. Eu fugia do amor por medo perder a lucidez. E olha que contraditório, só a encontrei depois que te perdi.


Texto encomendado por Isabela Martins. Quer sua história escrita por mim? Mande um e-mail para raianeribeirocontato@gmail.com e boa sorte =)

Lembranças

06 outubro 2013

Talvez eu me cansasse logo cedo se minha busca por você não fosse tão infinita assim. O desgaste seria menor, entende? Não seriam inúmeras noites de drinks, fossas e baladas românticas. Demorou, mas eu sobrevivi. Superei. Estou aqui. Ando testando receitas novas com outro alguém. Ele não é tão sincero quanto você sobre minhas estranhas combinações, mas se esforça muito para me ver feliz. Ele não dá risada do meu mau humor matinal como você fazia, mas tenta - de todas as formas possíveis - melhorá-lo. Ele está certo, nem todo mundo leva a vida de forma tão estranha como nós fazíamos.


Ele tem sido muito meu. Não que eu não goste de amores por completo, mas é que sei lá. Estava confortável viver em meio ao seu charmoso desapego. Mas sabe, estou tentando. Me esforçando. Lutando. É que as vezes não dá para segurar e tapar os ouvidos não silencia o sentimento. Me escondo tanto nessa brincadeira de fugir de você, que acabo me perdendo. Procuro você nos livros, nas músicas, na novela das sete, nos meus sonhos e até nos lugares em que você não vai. E graças a Deus não te encontro. Digo, seria uma pena ver todo o meu esforço indo por água abaixo, mas você sabe, recaídas acontecem.



Eu não poderia te esperar eternamente. Até poderia, mas não seria justo. Não enquanto tem tanta gente querendo dar amor. Dar valor. Dar a mão, o ombro e abraços apertados. Não vivemos em um filme, nem sou protagonista de novela mexicana que vive de sofrimento e acaba em felizes para sempre. Segui em frente. Eu estou feliz em outra cama, outro drama, nesse novo amor. Mas é que o tempo está meio chuvoso ultimamente e as enxurradas insistem em me trazer suas lembranças. Não se iluda, não te quero de volta. Não pense que vou bater à tua porta. Não pense. Apenas entenda meu momento e espere até que passe.


Acredite, eu estou amando novamente. Vivo o presente inteiramente. Me apaixono mais e mais a cada dia. Mas, entre uma lua e outra, meu apego pelas memórias que tive com você retorna. Não sei porque isso acontece, só tenho torcido muito para que o tempo se estabilize.

Ausência

20 setembro 2013

Sabe o que eu queria nesse exato momento? Queria que você estivesse aqui. Eu já disse isso antes? Me desculpe, é a força do hábito. Queria provar para você que tudo o que eu sinto é real, mesmo que você já saiba. Queria sussurrar no seu ouvido que nossa sintonia é única e que nossas raras brigas não alteram em nada meu sentimento puro e transparente por você. Eu poderia jurar que dessa vez seria diferente. Digo, nada mais foi igual desde que te conheci, concorda? Você era o frio, eu o calor. E em nossas certidões nossas distâncias eram bem claras e óbvias. No entanto, o que importava naquele momento era que você estava próximo o suficiente e eu não precisava de mais nada.


Queria te contar um segredo: me flagrei fazendo questionamentos sobre quando foi que vacilei com o destino. Porque eu devo ter cometido um crime imperdoável para merecer um castigo tão grande assim. Ele precisava mesmo te tirar de mim? Te levar para longe e puxar todos os meus sonhos - que queriam permanecer aqui - pelo braço dessa forma? Tudo bem, coisas da vida, eu entendo. Eu sempre soube que nós duraríamos, sabe? Talvez não deixasse isso claro sempre. Mas você viu minha luta por nós dois. Percorri caminhos que não conhecia muito bem, enfrentei estradas, pessoas estranhas e nossa distância de frente. Fui em frente. E de tanto ir, segui sozinha.





Talvez tenha aparecido outra pessoa naquela época ou seus amigos estavam te consumindo demais. Não sei explicar muito bem o que aconteceu. Mas, convenhamos, eu não precisava vir aqui te contar nossa história, até porque você já a conhece por inteiro, não é mesmo? Eu sei. Mas é que ainda não consigo entender muito bem o que houve. Você era o cara perfeito que vivia no meu conto de fadas e de repente, não era mais. E eu me peguei lutando sozinha por nós dois. E ver você escorrendo por meus dedos me corroía por dentro todos os dias. Dói falar sobre você. Dói falar seu nome. Dói ter que conhecer lugares novos para ver se encontro um outro você perdido por ai. Um outro alguém que mexa comigo tanto quanto você conseguiu. Dói ter esse alguém e ainda assim me sentir sozinha. Que fique claro que este não é um pedido para que você volte. Esta não é mais uma súplica por atenção. Sou só eu, de novo, tentando encaixar fatos tão desconexos. Não vou forçar surpresas do destino.


Ainda ouço sua voz dizendo que me ama, mas que por motivo de força maior, era o fim. E quero que você saiba que aqui tudo continua igual. Que por mais que eu fuja para um outro continente, nada muda. Talvez a gente se reencontre, talvez só a minha presença baste para você um dia. Talvez você volte. Talvez, numa outra ocasião, os quilômetros não maltratem tanto o nosso amor.



Texto encomendado por Beatriz Perçú. Quer sua história escrita por mim? Mande um e-mail para raianeribeirocontato@gmail.com e boa sorte =)

Confissão

15 setembro 2013

Odeio o amor. Decidi isso logo que acordei. Odeio proteger demais, cuidar demais, querer demais. Odeio você. Bem, ódio é uma palavra muito forte, né? Tá bom, é desejo. É essa vontade louca de fazer você me enxergar de uma vez e não apenas me ver passando perdida no meio da multidão. Eu quero saber como foi teu dia, como anda a tua vida e teu coração. Mas eu não tenho mais nada a ver com você, entende? Chego a pensar se algum dia tive. Acontece que isso realmente não importa. Eu quero que você perca essa mania de ignorar minhas chamadas enquanto a consciência tá pesada demais e me sufocando. Eu quero você.


Nunca entendi esse papo de que o amor acaba. Nunca acreditei em finais. Como você pode tratar como um completo estranho aquele que dividiu as dores, os amores e a sua cama? Não dá. Tem carinho escondido no cantinho daquela antiga mágoa, eu sei. É sempre amor, meu bem. Mesmo que acabe, que mude, que quebre ou apenas trinque. É amor desde o dia em que deixou de ser. A gente mascara o sentimento com ódio, rancor ou qualquer outra coisa, mas sabe, bem no fundinho, que o toque da ligação já remete a respiração da pessoa no seu ouvido. Dá calafrios, o estômago revira, você sente náuseas. É o amor.


Aí você vem e me diz "quanto tempo!". Você, como sempre, reaparece nos momentos errados e nos lugares mais inóspitos. E todas as vezes eu decido que um planeta inteiro é pequeno demais para nós dois. Não dá para habitar o mesmo lugar que você, porque você me sufoca. E eu te encho de saudade. E a gente revive momentos mentalmente, sorrindo, agindo como se não houvesse nada. E isso machuca. Então, eu preciso manter distância. Preciso de amores e pessoas novas. Não dá para amar de novo com você aqui, porque não dá para te amar menos, entende?


Eu quero você, se for para vir inteiro. Pode vir com defeitos, manias e afins. Pode vir sendo você mesmo, porque te quero por completo. Quero que você me ligue para saber como foi meu dia, como anda meu coração e se quero você para sempre. Você nem precisaria da minha resposta para ter certeza, mas eu saberia o quanto você se importa. Eu quero você me questionando sobre coisas inúteis, mas que nos rendem boas gargalhadas. Eu quero odiar seu amigos, seus erros e te perdoar sempre. Eu quero que você seja meu aqui, agora, de novo. Eu quero você. Estou tirando meus devaneios e saindo das minhas viagens mentais, para dizer o que eu quero e quem eu quero. Dá para ser mais clara que isso?

Segunda Opção

10 setembro 2013

Olha, sou eu de novo. É, de novo. Você já deve ter se acostumado com esses aparecimentos repentinos que em nada te satisfazem ou alteram sua vida, não é? Bate a saudade, eu pego o telefone. A noite fica escura demais, te mando sms. O outro não veio no devido encontro, é você que eu vou encontrar. O fato é que eu não queria ter você como uma escolha, entende? Cada parte do meu corpo grita para que eu ame, que eu devore ou que eu morra de amores por você, mas é complicado. Você é o tipo de cara que nunca mereceu um texto meu. É verdade, não se sinta ofendido por esta afirmação, mas é que você é perfeito demais para que eu te desmereça em parágrafos sem sentidos e cheios de qualquer tipo de rancor.




Eu quero perder essa minha mania de sofrimento, mas nada faz passar. E você esteve tão ausente nos últimos tempos. Talvez tenha se esbarrado em qualquer estranha por aí e esteja feliz. Ou esteja me dando um gelo só porque eu não sei me decidir entre nada. Não sei se quero pintar minha sala de azul bebê, rosa ou se quero ficar com você para sempre. Nessa noite eu quero, sabe? Quero você aqui, agora, comendo pipoca, rindo da vida, morrendo de amor. Quero você. Tenho pensado em você o tempo todo simplesmente porque você não me corresponde com aquele amor sobrenatural de sempre. Eu quero o que eu não tenho, entende?


A vida toda foi assim. Meu enjoo das pessoas nunca acaba. Quero enquanto não tenho, amo enquanto está distante, frio, pedindo calor. Eu sou aquele enfeite que as pessoas tanto namoram em lojas chiques e inalcançáveis. Sirvo por algum tempo e depois sou guardada naquela caixa empoeirada de lembranças. Eu sou de temporada, feriados ou qualquer tempo curto que você encontre definição. Não sei - nem sei se quero - ser permanente. Tenho ânsia de mundo, de pessoas, de amores, de vida e liberdade. Tenho essa vontade louca de fechar os olhos e pular de cabeça em tudo o que eu não consigo ver a profundidade. Mas eu sei nadar. E geralmente quem pula comigo não sabe.


Não quero ver você se afogando em ilusões ou num amor obsessivo que não cessa. Eu prefiro que você seja feliz com alguém que seja melhor do que eu e consiga te fazer feliz. Alguém que seja de verdade e não escorra pelas beiradas quando for colocada contra a parede. Eu sinto tanto a sua falta e gosto tanto de você, que te deixo livre. Prefiro que você seja você e me deixe em paz com minhas máscaras e disfarces. Seu nome fica lindo no registro de chamadas do meu celular, mas o sofrimento que isso te causa não vale a pena. Espero que você seja feliz. Do meu jeito, eu serei feliz também.

(Re)escrever

23 agosto 2013

Há muito tempo não escrevo sobre você, e talvez por esse mesmo motivo, você pense que eu o esqueci completamente. Não me leve a mal, me desliguei de tudo. Tenho escrito bastante ultimamente e todo mundo acha que me conhece, acredita? Você que me rotulava como "a misteriosa", "a indesvendável", cairia o queixo se soubesse disso. Acontece que nem tudo é tão simples assim. Não é fácil falar de mim, nunca foi. Escrevo sobre tudo o que vejo, tudo o que imaginei, senti, idealizei. E as pessoas me tratam como se conhecessem até o fundinho obscuro da minha alma. Calma lá, não é bem assim.



Mesmo que raramente, eu me exponho completamente. Abro as feridas, remexo cicatrizes curadas, faço um auê sentimental por puro hobby. Algumas pessoas acham graça, sentem minha dor, choram comigo ou se colocam no meu cenário individual. Tudo bem, eu quem escolhi dar a cara para bater. Será que elas ainda agiriam assim se soubessem o quanto fui covarde com você? Eu poderia ser franca e dizer logo: perdi o amor da minha vida por puro medo. Elas entenderiam? Você não. Mas eu te entendo, nunca fui das mais fáceis de lidar mesmo.

Acontece que soltar um "eu te amo, caramba!" não é lá das tarefas mais fáceis. É árduo e leva tempo até a coragem aparecer. E nem todo mundo está disposto a esperar. Então vamos lá, não sou fã de segundas chances, mas o destino está gritando no meu ouvido como fui burra e terminar aqui, sozinha, não é lá das melhores opções a se escolher. Tenho um lápis, um papel em branco e uma vontade louca de permanecer ao seu lado, sei lá, até que a morte nos separe? Não seria tão mau assim.

Mau mesmo é essa dúvida. Esses "e se" rodopiando em minha mente. É isso, tenho todos os apetrechos para escrever a mais linda história. E você, topa fazer parte dela?

Talvez

31 julho 2013



Hoje tive um daqueles pesadelos terríveis de novo, sabe? Bem, não sei se você se lembra. Acontece que ainda não perdi o hábito de assistir a filmes de terror por pura curiosidade. Aí fico nessa luta interna depois. A diferença é que agora tenho que me virar sozinha, mesmo com medo. O que você não sabe é que você se foi, mas meu refúgio continua sendo nossa história. Me tranquei no escuro do meu quarto e me agarrei às nossas lembranças. Você nunca soube, mas elas sempre me confortaram. Em dias frios, nebulosos, de sol, de chuva, qualquer dia. Você não está me abraçando para me acalmar, mas ainda assim, está comigo.


Quando me pego mexendo em feridas já cicatrizadas, me bate aquela saudade. Aí penso em te ligar, correr atrás, morrer de amor e todas aquelas bobagens sentimentais em que você está cansado de se ver. Será que se cansou mesmo? Talvez haja um fio de esperança. Talvez ainda haja um "nós" perdido no canto dessa nossa solidão a dois. Talvez você ainda seja tão meu, que nem saiba mais como percorrer seus caminhos solitários. Talvez você ainda pense em mim, talvez você ainda sinta o mesmo que eu. Talvez.



A dúvida corrompe nossas certezas no meio de uma noite de carência qualquer, entende? Eu sei que nós somos desfeitos um para o outro. Nosso conto de fadas começa com uma catástrofe e termina em tragédia. Nossa comédia romântica é drástica. Nosso amor é daqueles que corroem as veias, o corpo, o coração e a mente. Nosso final feliz termina com sorrisos sarcásticos que, de tanto serem forçados, se parecem mais com um daqueles rangidos desagradáveis.



Eu continuo a mesma cabeça dura e difícil de lidar de sempre. E você, nessa noite, ainda que mimado e extremamente egocêntrico, se parece perfeitamente com o perfil de cara que idealizei a minha vida toda. Acontece que minhas vontades e sentimentos bipolares sempre me traem. Então, ao invés de pegar o telefone e te ligar, visto meu pijama e dou risada da nossa história, sabendo que amanhã tudo passa. Ou vai passar. Daqui um dia, uma semana, um ano. Talvez você resolva desaparecer da minha vida de vez e me liberte dessa ânsia de te ter. Talvez eu te solte para que você voe o mais alto possível, e assim, eu deixe de te enxergar. Talvez eu pare de pensar nos "talvez" que de tanto supor, cria monstros quase indestrutíveis em minha imaginação fértil demais para você. Talvez você se desprenda de mim ou me amarre de vez a você. Talvez eu pare de esperar que você faça aquilo que eu nunca fiz por nós.


Talvez eu desista de você um dia, mas por enquanto, me deixa curtir você até essa melancolia passar. Talvez não passe nunca, mas e daí? Eu errada aqui, você inconsequente aí, mas em minha mente, nós continuamos perfeitos um para o outro. E isso é tudo. Ou pelo menos tudo o que importa nessa noite.

Diz para elas

30 julho 2013



Está decidido, não vou mais escrever textos no passado. Estou no presente observando você vivenciar todo seu tempo livre com outras pessoas. Não me dou o direito de te culpar ou julgar, sabe disso. Eu sigo minha vida, você segue a sua. Ambos não sabemos onde isso vai parar, mas não paramos de viver. O que me deixa cheia de você é ver sua patética tentativa de me substituir. Tá bom. Vai lá, tenta forçar o melhor abraço do mundo e volta aqui para me contar se deu certo, ta? Tenta forçar aquela sua piada mais sem sal, na qual eu sorria verdadeiramente. Vai lá e me diga qual foi a reação de cada uma delas, eu vou adorar saber de tudo isso. 


Diz para elas que você só fuma quando bebe e que isso nunca se tornará um hábito. Que esquecerá todas as pessoas com quem se envolveu, ou melhor, aquelas as quais você iludiu. Diz que é tudo muito novo para você e que nunca amou verdadeiramente. Elas vão adorar te desvendar. Conta que seu apartamento é uma bagunça e sua vida mais ainda, mas que elas podem arrumar tudo, se quiserem. Desabafa com elas sobre o quanto você se frustrou no seu último namoro e o quanto odeia pessoas ciumentas demais. Logo, elas se controlarão e você não terá problemas. Não esquece de dizer para elas o quanto você ama dias de chuva. Diz que eles te dão motivos para dar beijos quentes dentro do carro ouvindo qualquer música sem sentido, elas vão delirar. 




Se você me perguntasse, eu te diria que seu dia vai chegar. Que não dá pra conhecer o amor de verdade vivendo casinhos superficiais. Um relacionamento não serve só para matar a carência. Tem mil e um motivos para existir, entende? E as pessoas com quem você se envolve são sempre as erradas. Vazias, rasas, sem mil e um porquês. Faz um bom tempo que aprendi a ser direta com as pessoas. Seja sobre negócios ou sentimentos. Ah, quase me esqueci. Conta para elas que você adora fingir não ver o que elas sentem ou pensam ou te dizem nas entrelinhas, mas que sabe tudo. Aí elas vão te poupar das indiretas e falar tudo na lata.


E quanto a mim, vou sempre esperar por notícias suas. E se você não as der, vou procurar, vasculhar, te sugar. Talvez ainda diga algo sobre covardes por aí e você vista a carapuça, mas nada mais faz sentido. Nunca fez. Eu nunca deixei de ser a garota perfeita para você. Não sou muito superficial, nem exageradamente sentimental. Sou aquela que se encaixa perfeitamente no lado vazio da sua cama, no banco do seu carro e no seu coração. Mas nossas distâncias são erradas demais e os quilômetros que nos afastam não me deixam te fazer feliz. Uma pena. Um desperdício. Nossa história foi uma grande sacada do destino: pessoas perfeitas, distâncias erradas. Bem que me disseram que o amor não fazia o mínimo sentido.

Madrugada

04 julho 2013


Deitada, no meio da noite, percebo como é difícil me manter calma com a cabeça cheia. Não entendo o motivo da agonia, já que passei o dia sorrindo, me distraindo, te odiando, te vasculhando, te revendo, te odiando mais um pouco e me sentindo bem por isso. Me foquei no trabalho, liguei para amigos próximos e antigos, me desfiz das suas lembranças, te apaguei de mim inúmeras vezes em um dia só. Repassei minhas falas em frente ao espelho, revi minhas atitudes na busca por erros que pudessem ter passado sem terem sido notados. Nada, eu estou bem.

Na madrugada, o latido do meu cachorro dócil e fofo me soa assustador. Na madrugada, escrevo infinitamente melhor. Talvez seja o silêncio que a envolve, a melancolia ou talvez seja porque me abro para o papel. Afinal, somos apenas eu e ele aqui. E então, desabo. E choro. Choro porque o peso que carrego nos ombros o dia todo eu só o sinto quando me deito. Choro porque eu que amo meu trabalho todos os dias da semana, o odeio tanto a ponto de não suportar e chorar mais um pouco. É na madrugada que a frieza humana me assusta e a vontade de te ter aqui fala mais alto. 


Eu te neguei o dia todo, matei você do meu passado e estou aqui usando um desfibrilador emocional para te recuperar para mim. Porque não há outro você, nem nunca vai haver. E não importa o quanto qualquer outra pessoa seja o ideal para mim, ela não tem seu cheiro, nem suas atitudes desprezíveis, muito menos o seu nome. Dizem que a madrugada não é para dormir, e sim para pensar. Eu não quero acreditar nisso. Porque me desespero só de pensar no que pode acontecer se eu não fechar os olhos nesse exato momento e acordar só quando esta angústia passar. Eu tô sentindo, vendo, respirando você e estou a ponto de bater à sua porta, largar meu emprego, minha vida e ser feliz de verdade.

Porque chorar o choro mais sentido do mundo não é o suficiente. Sorrir amarelo e dizer "sim" para tudo sempre não é o bastante. Eu preciso ser eu de novo. Cheia de defeitos, manias e opiniões. Preciso me resgatar do ócio em que me meti antes que me afunde nele. Preciso deixar de ver a vida sempre com os mesmos olhos e enxergar outros ângulos. Preciso começar uma mudança rápida e direta. Preciso, urgentemente, não deixar que uma madrugada qualquer me mostre que viver vai muito além e é muito mais importante do que apenas existir. Chegou a hora de enxergar isso sozinha.

Tarde demais

09 junho 2013

Ouvi o barulho da batida da porta e colei meu corpo no chão assimilando seu olhar frio que seguia em frente. Eu gritei com a alma para que você ouvisse, olhasse, falasse ou fizesse qualquer coisa que te fizesse parecer mais humano e mais sentimental, mas nada funcionou. Você seguiu adiante como havia dito e, sem sombra de dúvidas, tomou seu rumo e partiu. A questão aqui nunca foi o fato de você ir embora, mas sim o fato de nunca ter olhado para trás. Nem sequer por um segundo.


Eu li todas as revistas e livros e assisti a todos os filmes cults para ter assunto com você. Descobri mais sobre astrologia e sobre os planetas, mas nada disso funcionou. Eu engoli um dicionário inteiro e guardei minhas melhores metáforas para você, mas aí o que você fez? Virou as costas e não me deu nem uma olhadinha de canto de olho. Nadinha. E eu fiquei lá, agarrada ao meu último suspiro e de luto pelo nosso amor.


Continuei a ir nas reuniões dos nossos amigos. Todos eles me diziam que não te reconheciam mais e que eu não deveria sofrer tanto assim. A cada palavra de conforto, eu enfiava uma espada no meu peito que era pra tapar a dor de não te ter sentado naquela mesa. E me enchia de coragem para dar o sorriso mais covarde que poderia escapar da minha boca. Eu conseguia.


Me desculpei por todas as suas burrices e falhas diante deles. Assumi total responsabilidade pelo seus erros. Disse que eu era cheia desses sentimentos loucos e que quase sempre sufocam a gente. Disse também que eu era muito para sua mente livre e te livrei de todo e qualquer possível julgamento. Engoli o orgulho, vomitei um mundo de certezas e promessas que nem eu mesma sabia que existiam. E você? Não tentou nem espiar pelo buraco da fechadura. Nada de me encarar de vez e acabar com todo martírio.


Aí então eu resolvi aceitar o seu adeus que de tanto doer, não me doía mais e esquecer o seu olhar que não me viu. Sequei o rio de lágrimas que inundava todos os meus dias e comprei um óculos novo para enxergar melhor quem está perto. Observar mais essas pessoas próximas que realmente importam, sabe? E comecei a seguir em frente. Não como nesses surtos de adolescentes que acham que postar frases de desapego no facebook resolve alguma coisa. Doía, doía todos os dias. E eu me levantava cada vez mais forte. Curei todas as suas cicatrizes dia após dia, choro após choro. E num belo dia o sol brilhou mais forte. E as feridas? Bem, nem percebi que elas estavam ali. Me senti tão aliviada, tão curada, tão eu, que nem percebi que era você passando do meu lado.


E então, nesse dia, eu descobri que a vida é estranhamente e absurdamente irônica: nossos olhos se desencontraram. Porque, exatamente no dia em que eu resolvi olhar para frente, você olhou para trás. 
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