Mostrando postagens com marcador Despedida. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Despedida. Mostrar todas as postagens

Sua hora vai chegar

15 fevereiro 2016



Calma, querido. Se tem uma coisa que eu gostaria de te pedir, é para que tenha calma. Dizem por aí que a ficha demora um pouco a cair, principalmente quando se trata de um homem. Faz o seguinte, vai lá curtir seus amigos e encher a cara naquela festa que você odeia. Vai, anota o telefone de todas as garotas que você encontrar na balada e diz que vai ligar no dia seguinte. E liga, tá? Marque aquele jantar que vai ser inesquecível e perceba, com cautela, que você não vai encontrar necessariamente o que procura. Mas tenta, tudo bem?

Quando acordar no dia seguinte e perceber que ela foi embora antes do despertador tocar, você vai ver o quanto é difícil encontrar alguém que permaneça. No momento em que contar suas histórias que, convenhamos, só você acha engraçado, pode ser que ela não faça o menor esforço para manter o brilho nos seus olhos e feche a cara. Ouça bem ela dizer seu nome sem mostrar qualquer tipo de sentimento que transborda, que acolhe e que traz paz e perceba que esse tipo de coisa é praticamente impossível forjar. Não se assuste quando notar que ela não faz o mínimo esforço para não te magoar, nem escolhe as palavras cuidadosamente para não te atingir. Nem todo mundo tem esses cuidados que nós tínhamos um com o outro.



No dia a dia, pode ser que você perceba que detalhes fazem toda diferença. Um sms desejando bom dia, café na cama em dia especial, brincadeiras que aconteciam apenas para alegrar o outro em dias um pouco mais escuros, sabe? Todas essas coisas que parecem comuns quando estamos em um relacionamento há tanto tempo, fazem falta quando estamos sozinhos. Mas calma, eu não preciso adiantar nada sobre como você irá se sentir.

No dia que você perceber que a pessoa que escolheu para viver não é nem metade daquilo que você espera – e que tivemos por tanto tempo - aí, nesse exato momento sua ficha vai cair: você vai perceber que ela poderia ser eu, mas não é. E anote o que eu estou dizendo: você vai lembrar de mim e de tudo o que vivemos nesse tempo juntos. É bem provável que até lá eu já tenha finalizado esse texto, o capítulo, o livro e a saga. Já terei seguido em frente, sozinha ou acompanhada, mas que fique registrado aqui: eu sempre soube que isso aconteceria.

A lembrança vai chegar, calma e lenta para te tirar o sono. Nesse dia, eu não vou lhe desejar mal, nem bem, nem nada. Apenas que a falta, que será quase palpável de tão real, passe. E que você consiga ser feliz novamente um dia.

Não se esqueça

27 abril 2015




Eu não quero que você esqueça as flores do seu caminho e nem daqueles sonhos que surgiram no fundo do seu peito. Que você não tenha medo do destino, mas mantenha a cautela nas suas escolhas. Você não deve esquecer as suas verdades, mas principalmente você deve lembrar os seus questionamentos. Que você jamais esqueça o que faz seu coração vibrar e que faça, cada vez mais, aquelas coisas que fazem você sorrir de imediato. Que a sua frequência esteja em sintonia com aquele amontoado de coisas boas da vida e que a sua paz continue sendo encontrada dentro de você. Eu não quero que você esqueça que assim como seu corpo, sua alma também precisa de cuidados, carinho e alimentação.

Eu não quero que você esqueça que o sol nasce todos os dias pra gente poder mudar o que incomoda e acomodar com o que faz bem. Eu não quero que você esqueça de parar a sua correria pra prestar um pouquinho a atenção naquele fim de tarde e que isso ajude a seguir em frente. Que você siga em frente mesmo que não tenha pôr do sol. Eu não quero que você esqueça de ter um tempinho pra si, de ter um tempinho pra aquele velho amigo, de ter um tempinho pra conhecer gente nova e de bom astral.

Eu não quero que você esqueça de se perguntar se você esta aonde queria estar ou, ao menos, na direção certa. Que não se esqueça que cada um tem a sua concepção de certo e se te faz feliz, não pode ser errado. Eu não quero que você esqueça que o mundo vai te julgar, mas a sua consciência será sempre o seu maior guia. Não se esqueça que o que você é ninguém pode ser. Não se esqueça de ser a exceção quando achar que deve, de seguir o fluxo quando achar que deve, de tomar um bom vinho quando achar que deve, de dormir as 10 em uma sexta quando achar que deve, de virar a noite fazendo amor com alguém por quem você sinta amor quando achar que deve.

Eu não quero que você esqueça daquela canção que te arrepia e, de coração, que a sua alma não se petrifique com a ação do tempo, permitindo que o arrepio aconteça por tantas outras canções e todas sensações que a vida te permitir. Que você filtre aquela velha mágoa, que quebre as regras de vez em quando, que se iluda com alguém por aí e ria, ria muito e descompensadamente dos tombos que não te arranharam. Os que deixaram cicatrizes, que você guarde numa caixinha junto com o que chamamos de experiência.

Eu não quero que você se esqueça das trilhas que não deu tempo de trilhar e que recupere o tempo perdido com um pouco de pressa. Que a correria do dia a dia não te tire a tranquilidade e que sempre dê tempo de admirar algo bonito. Que você se surpreenda com você mesmo, pra descobrir que dá ainda pra se surpreender de forma positiva e bela com o que os outros podem nos proporcionar. Que os bons momentos virem rotina, com mil pessoas, uma só, mas principalmente sozinho, pra você perceber o quanto seu amor próprio também te move.


Eu não quero que você se esqueça de ser grato todos os dias, que contabilize alegrias e que esqueça da ruindade do mundo na hora de dormir. Eu não quero que você esqueça que somos um todo e que fazer o bem a alguém é fazer bem pra você. Que você não esqueça que atrai aquilo que transmite. Que você estoure aquela espumante pra comemorar a beleza que é estar vivo. E daí que é segunda-feira? Eu não quero que você esqueça de se sentir vivo, que tenha astral bonito, tranquilidade nos lábios e alegria no olhar. Eu não quero, meu amor, de jeito nenhum, que você se esqueça de ser feliz e de ser você. De ser feliz sendo você e só.



Pode ir embora

19 junho 2014



Todas as frases, textos e trechos que me diziam para te esquecer nunca fizeram muito sentido. Todas as rezas da minha mãe e súplicas das minhas amigas, sempre foram em vão. Me cansei de bater de frente com o “você precisa virar a página, se quiser começar um novo capítulo”. Tentei a escrita, música e até um novo amor, mas sempre terminei em você. Hoje, depois de tanto tempo vivendo às cegas, tudo parece muito óbvio e claro. Então, te liberto. Pode seguir seu caminho em paz.

Depois de tantas idas e vindas, memorizei o caminho de volta para casa. O beco sombrio da rua 12 não me assusta mais. Logo, não preciso de você para passar por ele. A verdade é que você se afastou demais, sabe? Repentinamente e demasiadamente. Graças a Deus o ser humano tem essa capacidade enorme de adaptação. Se dependesse de mim, levaria anos. Mas acontece que mesmo não querendo, a gente se acostuma. Mesmo não suportando algumas coisas, a gente aprende a lidar. 

Sua ausência se tornou constante. Meu cachorro se acostumou com o canto vazio da cama e nem chora mais quando olha para ele. Acredite, eu também não. Aprendi, entre choros e filmes dramáticos, que o maior drama da vida é se submeter a esse sofrimento louco e doentio por quem nunca mereceu.

Pode seguir seu caminho, vai. Pode pegar a mala onde você escondeu todas as minhas lembranças e jogar bem longe. Ou abandonar em qualquer canto para que algum estranho me encontre perdida por aí. Só sei que não te pertenço mais. Talvez isso tenha acontecido há muito tempo. Digo, você abriu mão de nós antes de eu abrir mão de você. Dizem que a ordem dos fatores não altera o produto, descobri pelo nosso romance que isso só funciona na matemática mesmo. No meu caso, alterou o romance, as atitudes, os sorrisos... Tudo. Me perdoe por ser a última a abandonar o barco. Estou saindo, deixei a casa limpa e vou apagar a luz.

Não vou mais me importar se você não lembrar a data do meu aniversário, nem vou esperar ansiosa pela sua ligação. Não vou mais segurar uma lágrima, nem pedir perdão. Cansei de me culpar por um fim que foi mais seu do que meu. Cansei de sentir a falta de ar tomando conta de mim na busca incansável de te alcançar. Eu cansei de você e de nós e de ser estupidamente idiota quando o assunto é você. Eu cansei de me importar. Pode ir embora, aqui já não é mais o seu lugar.

*Texto inspirado na música Veranizar - Léo Fressato.

Sobre escolhas erradas e amores perdidos

08 junho 2014



De todas as coisas que eu quis para a minha vida, você foi a melhor delas. De todas as pessoas que passaram por mim, você foi o que mais marcou. De todas as imensuráveis entregas, de todos os porres, de todos os porquês, você foi a justificativa mais sensata e óbvia que eu escolhi como resposta. Esse texto é para te dizer que ainda sinto um vazio no peito e tristeza quando penso nas escolhas erradas que fizemos. Esse texto é para te mostrar que por mais que você me veja feliz, realizada e com outra pessoa, ainda sinto ódio da nossa burrice e cegueira sentimental que não nos permitiu enxergar o que perderíamos.

Dizem que com o tempo melhora, mas a cada batida do relógio, eu te vejo mais distante. Indo. Seguindo. Me deixando aqui como se não fosse digna desse sentimento e culpada pelo nosso fim (tem como ter um fim, sem ter ao menos um começo?). Você é tolo demais. Eu largaria tudo por você. Quebraria corações, barreiras, pularia os parágrafos e iria direto para nosso final feliz. Reinventaria um, se preciso fosse. Me atiraria em você sem medir meus abraços, sem calcular minhas palavras e, sem medo, eu poderia ser – finalmente – sua. Mas enquanto isso você fica aí culpando o destino, a má sorte, os deuses, as circunstâncias, as distâncias. Fica aí me perdendo ao invés de lutar. Continua aumentando nossos quilômetros ao invés de pegar o carro e vir até mim.

Eu te observo de longe e enquanto isso vou seguindo até onde der. Não prometo te esperar até o fim da vida, mas garanto que seu espaço ainda tá guardadinho aqui, você sabe que não supero tão rápido assim. Você sabe que o arrepio e o coração acelerado não são sintomas de amores passageiros. Você sabe que o beijo, o cheiro e as coisas que nos marcaram tanto não foram em vão. Nem que eu quisesse eu te esqueceria. Só não fique aí parado por muito tempo, não. Não continue apostando nas pessoas erradas enquanto sua felicidade certa já está garantida e (ainda) tão próxima de você.

Não aposte tanto nessas pessoas que você talvez até mereça, mas nunca quis. Você perdeu sua melhor chance com essas escolhas erradas, instintivas e impulsivas demais. Está na hora de fazer alguma coisa certa e garantir nossa felicidade. Sou sua demais para querer minha felicidade sozinha. Prefiro você aqui, mas não posso mais implorar amor. Não mais. Sou tão sua, mas sinto que ainda posso ser muito minha. Só te peço para que, se você ainda sente algo tão intensamente quanto eu, não me deixe ter essa certeza. Volte antes do seu prazo acabar.

Eu soube

03 junho 2014





Foram quatro horas de sono apenas, sonhei 3 horas e 45 minutos com você. Sabe porque eu só dormi 4 horas? As outras 3 que me eram disponíveis foram de insônia e algumas lágrimas, até meu corpo implorar por descanso. E olha só, minha cabeça me pregou uma peça me fazendo estar contigo até na minha suposta hora de descanso. Sabe o pior? Estávamos felizes enquanto sonhava, sorríamos e era algo muito parecido com o que vivemos. As lembranças me acertaram com um soco no rosto, me fazendo levantar sem ânimo.

Eu tentei com todas as minhas forças, você e o mundo inteiro sabem disso. Eu sinto doer todos os dias, sinto uma dor que você parece ser incapaz de sentir. Sabe o porquê disso também? Eu me importo. Devia me importar bem menos, mas me importo e não dá para controlar isso. Eu desisti de me fazer desistir sabe? Parece que suga mais minhas energias, como sugou quando seus olhos encontraram os meus e eu vi que só eu estava em pedaços.

Eu soube antes de você. Eu soube duas semanas antes da nossa conversa bagunçada fazer meu coração assinar forçadamente os papéis do desapego. Eu soube quando você me deu um beijo na testa e foi embora naquela manhã ensolarada de domingo. Eu soube quando sentei no chão do quarto desesperada, nocauteada com a certeza que eu havia me apaixonado e aquilo não terminaria bem. Foi ai que eu soube, bem antes de você, o fim de tudo. O fim de algo que eu tentei construir com tanta calma, o fim de bases que eu achei que fossem tão sólidas.
Mas eu fingi que não havia descoberto, eu queria ter me enganado.

Ainda lembro claramente dos teus olhos nos meus, dizendo que se eu falasse algumas palavras você moveria o mundo. É, talvez eu devesse ter tido para você ficar.

Melhor ainda, talvez você devesse querer ficar. Mas isso já é outra história, que outro dia podemos conversar, agora se trata da dor de ir e não ter uma posição para ficar ou saber se vai voltar. Ainda dói, mas vai passar. Vai passar e eu vou ser feliz, com ou sem você. Cada dor que me fez sentir e cada hora de sono que foi perdida está guardada dentro de uma caixinha que produz energia para outra que se chama esperança. E não é em você não, nem em nós, é em mim e em tudo que eu sou capaz de suportar. 


Eu levei mais uma porrada e elevei mais ainda a eficiência da minha armadura. Você me fez sentir tantas coisas boas e agora finalizando com a dor é o fim de tudo e um renascer meu.

E sem dúvidas a única pessoa de escolhas erradas nessa história, é você.


Sobre a autora: Aline Madera, mais uma radialista criativa em formação. 18 anos, apaixonada pela faculdade de Rádio, Televisão e Internet, só encontrou uma válvula de escape: escrever.Talvez tenha nascido com o dom de jogar bem as palavras em uma folha de papel, talvez seja súbita inspiração, só lendo para descobrir.




A Aline agora é colaboradora aqui do blog (uhul!). Sigam ela no Instagram, no Twitter e conheça o Tumblr dela! 

Ame mais e sem medidas

31 maio 2014



Quantas pessoas você já perdeu em sua vida? Minha pergunta é bem genérica porque não se trata de momentos específicos, e sim sobre perdas. Um dia desses minha amiga me perguntou se eu sentia falta do meu avô. A única coisa que eu conseguia pensar era: como não sentir? Ele acompanhou meu crescimento, fez um papel de pai insubstituível (porque perdi o meu aos 8 anos de idade) e faleceu quando eu tinha acabado de fazer 19 anos. Ele era forte, saudável e enxuto aos 87 quando me deixou. Acho que justamente por isso foi um baque de cair o queixo, a estima e a vontade de qualquer coisa. O que me entristece mesmo é que essas coisas acontecem quando a gente não está esperando, entende? Eu havia começado 
em meu primeiro emprego de verdade quando ele adoeceu. E, justamente por se tratar do primeiro emprego, por mais que eu quisesse, eu não podia simplesmente abandonar tudo e ficar com ele para sempre. E é nessa deixa que minha consciência pesa tanto.

Eu queria que Deus mandasse um sinalzinho dizendo: “ei, hora de se despedir!”, e talvez assim eu não sentisse um aperto tão grande ao me lembrar das pessoas que se foram sem ter aquela despedida que fizeram por merecer a vida toda. Sem ter aquele carinho absurdo que deram sem esperar reciprocidade alguma. Se eu soubesse que seria a última vez, teria permanecido quieta no quarto, segurando a mão dele e dizendo palavras confortáveis e bonitas. Se eu soubesse que maus tempos estavam chegando, teria largado o emprego e passaria tardes inteiras assistindo a Vale a Pena Ver de Novo ou Sessões da Tarde sem qualquer pesar por ficar sem grana no final do mês. Eu passaria mais dias e tardes e noites ouvindo suas histórias. Mas você sabe, na vida nada é tão perfeito, nem tão justo.

Atualmente tenho 21 anos, não tenho avós, nem pai e muitos tios já se foram. Não estou dizendo isso para atrair a piedade de ninguém, é apenas um apelo para que você acorde: a vida passa, e passa depressa demais! Tire um dia de folga e aproveite sua família como se fosse seu último dia com ela. Ou talvez você nem precise de folga, só precisa mudar um pouco seus hábitos. Ao invés de ficar trancado no quarto ouvindo música ou bisbilhotando a vida alheia em redes sociais, se dê a liberdade de rir com coisas bobas na mesa do jantar. Troque suas grosserias por gentilizas. Não há felicidade, nem momento, nem dinheiro no mundo que compre uma tarde em um lar que transborde amor pela presença de pessoas queridas.

A vida não te dá a chance de se despedir, nem de compensar o tempo perdido. E quando a gente vê, já foi. Por isso deixe seu orgulho de lado e aproveite seus momentos tão especiais e únicos. “Dê valor as pessoas enquanto elas estão por perto, pois saudade não será motivo para que elas voltem.” E o aperto que fica no peito, dificilmente sara. Então abrace, beije, ame e aproveite as pessoas com quem você se importa de verdade. 

Não há, no mundo, orgulho que substitua a leveza de um ‘eu te amo’ ou um ‘eu me importo com você’ dito sem restrições.

Por favor, não volte

08 abril 2014



Quem você pensa que é? Sério, diz logo e de uma vez. Já me antecipo e peço desculpas por parecer rude demais, ansiosa demais ou nervosa demais. Mas é que você sabe, não sou fã de mudanças radicais. Logo, continuo sendo a mesma. O que me interessa mesmo é saber sobre sua volta repentina e o motivo de você perguntar tanto de mim por aí. Preciso saber o porquê desse interesse e o que você quer saber especificamente. Porque isso deveria ter acontecido há muito tempo atrás, entende? Sua busca por notícias minhas, por preocupação, respeito ou educação, que seja, deveria vir naqueles maus tempos e naquelas noites infinitamente solitárias. Eu ainda te queria aqui, mas compreendia seus motivos. Eu entendi o fato de você ter ido embora perfeitamente e aceitei – depois de noites e noites e noites de profunda tristeza e lamentação – o seu adeus.

Mas não, não dá para simplesmente aceitar seu retorno agora e fingir que nada aconteceu. Não dá para caminhar em passos lentos em sua direção e lamentar pelo tempo perdido. Não dá para viver você de novo e não me arrepender logo após. Porque eu continuo com minha personalidade e defeitos e angústias, mas você não faz mais parte disso tudo. Eu não vivo mais em sua sombra porque, depois de muito tempo, consegui acender a luz e acreditar que um dia ensolarado me traz muito mais felicidade do que as madrugadas tão tristes e cheias de você.

Levou muito tempo para que eu chegasse até aqui e tomasse decisões certas assim. Depois de muitas promessas quebradas, eu desejei nunca ter te conhecido. E depois de tanto esforço em vão, eu desejei que você nunca mais voltasse. E você voltou e continua o mesmo. Acha que pode sair por aí colecionando corações, fazendo cortes e deixando cicatrizes cada vez mais profundas, destruindo sonhos e esperanças. Mas você não pode, entende? Eu desejo, verdadeiramente, que você aqueça seu coração antes que ele te empedre. Que você ocupe seu tempo arrumando espaço para coisas novas dentro dele, não esvaziando o de outras pessoas. E que permaneça onde está ou vá para bem longe.

Mas, por favor, não volte. Não tente abrir a porta, pular a janela ou forçar a fechadura. Sério, não faça isso nunca mais. Eu não sei quem você pensa que é, mas sei que não tem lugar para você aqui.


Texto publicado no dia 07/04/2014 no blog da Isabela Freitas.

Hora de partir

31 março 2014

 

Minha dúvida neste momento era saber se ligava ou não para marcar nosso último encontro. Você sabe, sempre levo tempo demais para decidir sobre qualquer coisa em minha vida. Mas aqui estou, numa espécie de súplica para que você não deixe de ir. Não se abstenha da obrigação de me dizer adeus dignamente. Talvez eu demore, mas cumprirei meu papel com força e a sanidade que ainda me resta. Ou não. E se você perceber que meu carro não vem pela avenida, retome seu caminho que só vai adiante e não olhe para trás. Me espere uma hora, mas não mais que duas. Você não tem mais a amarga obrigação de esperar qualquer coisa de mim.

A verdade é que eu me cansei. Estou cheia, farta e saciada dessa nossa relação sem nexo algum. Não dá para viver em um relacionamento que só leva a gente para baixo, sabe? Não dá para aceitar uma relação que ao invés de acrescentar, aprisiona. Não dá para aceitar – não mais – esses silêncios intermináveis e a falta de um “eu te amo” verdadeiro. Você nem precisaria dizer, apenas mostrar, demonstrar e viver essas três palavrinhas. Mas ambos sabemos que eu ando fazendo isso tudo por nós e você assistindo a tudo de camarote.

A gente sabe que acabou quando percebe que ficar de joelhos não muda o estado da porta, que continua aberta anunciando uma partida. Dizer que vai ser diferente não altera sentimento algum. Lágrimas não libertam comoção. E o amor é mais que isso, entende? É bem mais que qualquer busca pelo inevitável. É bem mais que conversas e discussões que não chegam a lugar nenhum.
Eu estou farta. E eu vejo que portas batidas, gritos e climas fúnebres pelo o que está prestes a morrer de vez não recuperam sentimentos antigos. A gente precisa aprender a deixar as coisas irem. E mais que isso, eu precisava aprender a hora certa de abrir mão da gente, antes que nos destruíssemos de vez. A nossa hora de partir chegou.

Estou levando nossas boas lembranças na mala e deixando as minhas com você neste momento. Estou deixando você ir adiante. Talvez você sinta tristeza, agonia e pense que não sabe viver sem mim, mas acredite, você sabe. A gente acredita que ama muito mais uma pessoa depois que ela vai embora. E isso não é amor, querido. Entende onde quero chegar? Chegamos ao nosso limite. É uma pena que ainda não tenham inventado remédio para exaustão de amores.

Chega de você

06 fevereiro 2014




Ontem quando te liguei pela milésima vez, você me pediu que esperasse alguns minutos e que assim que terminasse suas tarefas, me retornaria. Me senti como se estivesse sendo transferida de um setor para outro por atendentes de telemarketing incompetentes que jogam cartas enquanto seus clientes esperam na linha. Me senti idiota. Por que, meu Deus, eu nunca aprendo? Eu sei que você é um tremendo canalha e sem escrúpulos. E sei que não vai me retornar como em todas as outras vezes. Sei também que toda essa minha carência sempre termina nessa ligação sem resposta. Mas sabe, é que minha terapeuta me disse que tenho que arriscar mais. Sair dessa monotonia em que me meti por ter medo das perdas. Aí o que acontece? BOOM, li um trecho que me fez lembrar de você. Ouvi uma música que me remete aos nossos momentos felizes. Isso só poderia ser um sinal, certo? É a hora de correr atrás dos meus sonhos e o motivo deles? Errado. Pena que só descobri que estava caindo depois que pulei no abismo.


E eu caio nesse buraco enorme onde o fundo é o número do seu telefone. E aí você, indiferente como sempre, me faz esperar. E eu viro uma múmia do outro lado da linha enquanto você brinca de fazer de conta que eu não existo. Então ligo para minha terapeuta. Ela me diz que arriscar é preciso. Que eu me arrependeria pelo resto da minha vida se não o fizesse na hora da vontade. Mas com tanta indiferença como resposta pela minha coragem, eu chego a conclusão de que arriscar é masoquismo demais. Desrespeito demais comigo e com nosso passado. Arriscar é um porre de ressaca incurável. E você ainda é o mesmo.

Você é um idiota que não tem a mínima consideração por mim e eu decidi parar de idealizar esse príncipe que você não é. Porque eu tô cansada de me iludir em cima de fatos tão claros e óbvios e diretos. O mundo não é um mar de rosas, a fada do dente não vai vir me dar moedas, desenhos em nuvens são coisas da minha mente, encontrar o final ou começo do arco-íris não vai me deixar rica e, por Deus, você não é o amor da minha vida.

Chega de puxar a corda para me enforcar com pensamentos tão mirabolantes assim. Eu demorei muito tempo para permitir que a ficha realmente caísse. É que a verdade é dura, entende? E eu sempre te dava a chance de retornar. Deixava rastros em todas as minha idas para que você, quem sabe um dia, resolvesse me seguir. Mas a verdade, dura como pedra, foi a melhor saída para esse nosso último final. Eu quero viver uma realidade verdadeiramente feliz e para isso eu preciso me desprender desse passado. Chega de dar e nunca receber. Chega de tapar a visão com falsos sentimentos e me alimentar de migalhas. Chegou a hora de sentir de verdade, para amar da melhor e mais bonita forma que existe.

Você vai lembrar de mim

13 janeiro 2014


Quando seu despertador tocar amanhã de manhã, talvez você perceba mais que depressa como seu pretérito imperfeito chegou cedo demais. Já não estarei mais aqui para ocupar o outro lado da cama, nem para dar credibilidade ao seu drama, muito menos para dar continuidade a essa ideia ilusória de relacionamento a dois. Verdade seja dita: eu cansei de você. E cansei das suas mentiras, do seu ciúme que mais parece uma busca incessante por motivos para brigar, cansei da sua indiferença em horas erradas e de tudo o que compõe essa sinfonia totalmente fora de ritmo. Cansei de tudo o que envolve seu nome ou o que restou do nosso amor. E só me dei conta disso quando vi meu sentimento mais puro e sincero se transformando em uma solidão inteiramente infinita. Minha alegria se transformando em choro e minha confiança se resumindo a investigações virtuais. 

Nesse tempo percebi que andava inventando desculpas demais pros seus erros. E não há amor que resista se alimentando de veneno. Eu fui e você ficou. Eu fui e levei comigo todas as minhas inseguranças que tanto te incomodavam. Levei meu abraço e coração e que te pertenceram por tanto tempo. Levei meu sorriso e a covinha que aparecia com ele, as rugas e as olheiras que esse amor mal acabado desenhou em mim. 

Talvez quando você acordar nem se dê conta de que eu parti, já que estamos tão distantes ultimamente. Talvez me substitua sem dó, piedade, nem luto por esse sentimento que dividimos ao longo desses anos. Em um dia qualquer você vai perceber que amor de verdade não se encontra nos cantos sujos em que você tanto se esconde. Nem com mulheres vazias, cansadas e desiludidas com as quais você se diverte. Aí sim, nesse exato momento, você vai lembrar de mim. E vai se tocar de que o brilho nos olhos e a pupila dilatada pela pessoa certa não há madrugada de diversão que compense.

E então você vai repassar os flashes em sua cabeça e lembrar que seu final feliz estava bem próximo da felicidade que eu te proporcionava. Quando você perceber que a superficialidade e o amor verdadeiro seguem por estradas completamente diferentes, você vai lembrar de mim.

Aí sim, nesse exato momento eu estarei bem longe. Vivendo a minha vida e, provavelmente, sendo feliz de verdade.

Acabou

13 dezembro 2013



Acordar e ter a certeza de que tudo terminou ainda parece um pesadelo. Eu não imaginei que houvesse um jeito de desistir de nós. Não cogitei a possibilidade de viver num mundo que você não habitasse. Você se fez tão presente nos meus dias, que sinto você em meus poros. E todas as vezes em que tentei te arrancar de mim, é como se um pedaço meu fosse junto. Nunca imaginei que olhar nossa cama me tiraria o sono. Nem que tomar café da manhã sem sua ladainha e reclamações de como o mundo vai mal, me tiraria a fome. Verdade seja dita, nunca me imaginei sem você.


Recentemente me perguntaram como vai a minha vida. Eu, mais uma vez, disse que tudo corria bem e sem grandes novidades. Ninguém merece carregar o peso do meu pseudo-sofrimento. E quando me perguntam de você, digo que se foi, que está bem, que sumiu, se mudou, se casou ou sabe se lá qual desculpa esfarrapada arrumarei na hora. Não gosto de expor a minha dor, porque não quero ser o motivo da pena de ninguém. Nem eu sei dizer muito bem o que ando sentindo ultimamente. Não sei se é amor, revolta, ódio, indignação ou carência. Mas é que sei lá, num belo dia você resolveu desistir de nós e eu simplesmente não esperava por isso. Não esperava descobrir tão cedo que o sentimento que dividimos se acabaria antes de virar eterno.


A raiva já passou, admito. O que me entristece é não saber o que fazer com o que ficou. Não sei se me desfaço das suas coisas ou se preparo um café e te espero voltar. Não sei se vou a uma festa ou bater à sua porta pedindo explicações para essas suas atitudes desconcertantes. Não sei se me jogo de cabeça em minhas emoções reprimidas ou aceito o xeque-mate e parto logo para outra.


Mas você sabe, a vida não é bem assim. Nada é tão 8 ou 80, nem tudo é tão drástico quanto parece. Eu sei onde e como você está. Você sabe bem onde e como eu estou. Ambos temos o endereço, telefone, e-mail ou qualquer outra forma de comunicação um do outro. Logo, não há tantas desculpas ilusórias que justifiquem você não voltar.


Então, está decidido: não vou mais lutar sozinha por amores perdidos. Cansei de remar, afundar e tentar virar o barco de novo. Cansei de ser só uma em um relacionamento de duas pessoas. Cansei de buscar motivos no fundo da memória para te procurar. Minha mente está tranquila e meu coração também. Se quiser travar uma luta onde nós dois vamos lutar por um objetivo, pois bem, você sabe onde me encontrar. Do contrário, esqueça e deixe pra lá.


Um final qualquer não mata. E a gente aprende mais uma lição.

Guia de como me deixar

17 novembro 2013

Peço encarecidamente, se é que eu ainda posso te pedir qualquer coisa, que você apague a luz quando sair. Deixe tudo limpo, tranque bem as portas e se despeça deixando este lugar assim como você o encontrou. Não é justo que as outras pessoas que entrarem aqui convivam com a bagunça que você fez. Peço também que você esvazie os armários, porque não quero me deparar com qualquer peça sua perdida pela casa. Elas não me fariam bem em uma noite chuvosa. Me devolva a cópia da chave do apartamento. Deixe embaixo do tapete assim como te ensinei, até que eu encontre um novo esconderijo para minha chave extra. Vai ser difícil colocar as coisas no lugar depois que você fechar a porta, mas continua sendo necessário.





Quem nos viu há meses atrás, não conseguiria imaginar o final dessa história. Eu me encaixava muito bem no seu peito e seu calor era o ideal para minha cama. Seu sorriso combinava com o meu e nossas mãos se entrelaçavam perfeitamente sem nenhum esforço exagerado. Tudo natural. Eu não sei muito bem aonde a gente se perdeu. Digo, estávamos predestinados a sermos felizes para sempre, certo? E agora, a única coisa que restou foi essa minha lista com instruções de como você deve fazer para deixar este lugar - supostamente - em paz.


Eu não me importaria em ter você aqui reclamando, gritando por melhoras ou fazendo qualquer alarde para salvar nosso final feliz. Mas acontece que de uns tempos pra cá você mudou muito. E ao invés de me transbordar, como costumava fazer, só aumentou meu vazio. Remexeu todas as minhas feridas numa tentativa incansável de reabri-las e me deixou aqui para que eu me virasse com um kit de primeiros socorros que eu nem tenho. Minha decepção foi tão grande que nem me lembro mais sobre como era ser feliz ao seu lado.


Te dei todas as opções e você poderia ter sido qualquer uma delas: amor, paixão, amizade, carinho, flerte. Só não imaginava que você escolheria, sem titubear, ser um adeus. Estou aprendendo a lamentar menos, cada vez mais, todos os dias. 


Torço muito para que não demore e que essa ânsia de ter você se vá junto com as malas que você está levando consigo hoje. Para bem longe.

Ausência

20 setembro 2013

Sabe o que eu queria nesse exato momento? Queria que você estivesse aqui. Eu já disse isso antes? Me desculpe, é a força do hábito. Queria provar para você que tudo o que eu sinto é real, mesmo que você já saiba. Queria sussurrar no seu ouvido que nossa sintonia é única e que nossas raras brigas não alteram em nada meu sentimento puro e transparente por você. Eu poderia jurar que dessa vez seria diferente. Digo, nada mais foi igual desde que te conheci, concorda? Você era o frio, eu o calor. E em nossas certidões nossas distâncias eram bem claras e óbvias. No entanto, o que importava naquele momento era que você estava próximo o suficiente e eu não precisava de mais nada.


Queria te contar um segredo: me flagrei fazendo questionamentos sobre quando foi que vacilei com o destino. Porque eu devo ter cometido um crime imperdoável para merecer um castigo tão grande assim. Ele precisava mesmo te tirar de mim? Te levar para longe e puxar todos os meus sonhos - que queriam permanecer aqui - pelo braço dessa forma? Tudo bem, coisas da vida, eu entendo. Eu sempre soube que nós duraríamos, sabe? Talvez não deixasse isso claro sempre. Mas você viu minha luta por nós dois. Percorri caminhos que não conhecia muito bem, enfrentei estradas, pessoas estranhas e nossa distância de frente. Fui em frente. E de tanto ir, segui sozinha.





Talvez tenha aparecido outra pessoa naquela época ou seus amigos estavam te consumindo demais. Não sei explicar muito bem o que aconteceu. Mas, convenhamos, eu não precisava vir aqui te contar nossa história, até porque você já a conhece por inteiro, não é mesmo? Eu sei. Mas é que ainda não consigo entender muito bem o que houve. Você era o cara perfeito que vivia no meu conto de fadas e de repente, não era mais. E eu me peguei lutando sozinha por nós dois. E ver você escorrendo por meus dedos me corroía por dentro todos os dias. Dói falar sobre você. Dói falar seu nome. Dói ter que conhecer lugares novos para ver se encontro um outro você perdido por ai. Um outro alguém que mexa comigo tanto quanto você conseguiu. Dói ter esse alguém e ainda assim me sentir sozinha. Que fique claro que este não é um pedido para que você volte. Esta não é mais uma súplica por atenção. Sou só eu, de novo, tentando encaixar fatos tão desconexos. Não vou forçar surpresas do destino.


Ainda ouço sua voz dizendo que me ama, mas que por motivo de força maior, era o fim. E quero que você saiba que aqui tudo continua igual. Que por mais que eu fuja para um outro continente, nada muda. Talvez a gente se reencontre, talvez só a minha presença baste para você um dia. Talvez você volte. Talvez, numa outra ocasião, os quilômetros não maltratem tanto o nosso amor.



Texto encomendado por Beatriz Perçú. Quer sua história escrita por mim? Mande um e-mail para raianeribeirocontato@gmail.com e boa sorte =)

Segunda Opção

10 setembro 2013

Olha, sou eu de novo. É, de novo. Você já deve ter se acostumado com esses aparecimentos repentinos que em nada te satisfazem ou alteram sua vida, não é? Bate a saudade, eu pego o telefone. A noite fica escura demais, te mando sms. O outro não veio no devido encontro, é você que eu vou encontrar. O fato é que eu não queria ter você como uma escolha, entende? Cada parte do meu corpo grita para que eu ame, que eu devore ou que eu morra de amores por você, mas é complicado. Você é o tipo de cara que nunca mereceu um texto meu. É verdade, não se sinta ofendido por esta afirmação, mas é que você é perfeito demais para que eu te desmereça em parágrafos sem sentidos e cheios de qualquer tipo de rancor.




Eu quero perder essa minha mania de sofrimento, mas nada faz passar. E você esteve tão ausente nos últimos tempos. Talvez tenha se esbarrado em qualquer estranha por aí e esteja feliz. Ou esteja me dando um gelo só porque eu não sei me decidir entre nada. Não sei se quero pintar minha sala de azul bebê, rosa ou se quero ficar com você para sempre. Nessa noite eu quero, sabe? Quero você aqui, agora, comendo pipoca, rindo da vida, morrendo de amor. Quero você. Tenho pensado em você o tempo todo simplesmente porque você não me corresponde com aquele amor sobrenatural de sempre. Eu quero o que eu não tenho, entende?


A vida toda foi assim. Meu enjoo das pessoas nunca acaba. Quero enquanto não tenho, amo enquanto está distante, frio, pedindo calor. Eu sou aquele enfeite que as pessoas tanto namoram em lojas chiques e inalcançáveis. Sirvo por algum tempo e depois sou guardada naquela caixa empoeirada de lembranças. Eu sou de temporada, feriados ou qualquer tempo curto que você encontre definição. Não sei - nem sei se quero - ser permanente. Tenho ânsia de mundo, de pessoas, de amores, de vida e liberdade. Tenho essa vontade louca de fechar os olhos e pular de cabeça em tudo o que eu não consigo ver a profundidade. Mas eu sei nadar. E geralmente quem pula comigo não sabe.


Não quero ver você se afogando em ilusões ou num amor obsessivo que não cessa. Eu prefiro que você seja feliz com alguém que seja melhor do que eu e consiga te fazer feliz. Alguém que seja de verdade e não escorra pelas beiradas quando for colocada contra a parede. Eu sinto tanto a sua falta e gosto tanto de você, que te deixo livre. Prefiro que você seja você e me deixe em paz com minhas máscaras e disfarces. Seu nome fica lindo no registro de chamadas do meu celular, mas o sofrimento que isso te causa não vale a pena. Espero que você seja feliz. Do meu jeito, eu serei feliz também.

Diz para elas

30 julho 2013



Está decidido, não vou mais escrever textos no passado. Estou no presente observando você vivenciar todo seu tempo livre com outras pessoas. Não me dou o direito de te culpar ou julgar, sabe disso. Eu sigo minha vida, você segue a sua. Ambos não sabemos onde isso vai parar, mas não paramos de viver. O que me deixa cheia de você é ver sua patética tentativa de me substituir. Tá bom. Vai lá, tenta forçar o melhor abraço do mundo e volta aqui para me contar se deu certo, ta? Tenta forçar aquela sua piada mais sem sal, na qual eu sorria verdadeiramente. Vai lá e me diga qual foi a reação de cada uma delas, eu vou adorar saber de tudo isso. 


Diz para elas que você só fuma quando bebe e que isso nunca se tornará um hábito. Que esquecerá todas as pessoas com quem se envolveu, ou melhor, aquelas as quais você iludiu. Diz que é tudo muito novo para você e que nunca amou verdadeiramente. Elas vão adorar te desvendar. Conta que seu apartamento é uma bagunça e sua vida mais ainda, mas que elas podem arrumar tudo, se quiserem. Desabafa com elas sobre o quanto você se frustrou no seu último namoro e o quanto odeia pessoas ciumentas demais. Logo, elas se controlarão e você não terá problemas. Não esquece de dizer para elas o quanto você ama dias de chuva. Diz que eles te dão motivos para dar beijos quentes dentro do carro ouvindo qualquer música sem sentido, elas vão delirar. 




Se você me perguntasse, eu te diria que seu dia vai chegar. Que não dá pra conhecer o amor de verdade vivendo casinhos superficiais. Um relacionamento não serve só para matar a carência. Tem mil e um motivos para existir, entende? E as pessoas com quem você se envolve são sempre as erradas. Vazias, rasas, sem mil e um porquês. Faz um bom tempo que aprendi a ser direta com as pessoas. Seja sobre negócios ou sentimentos. Ah, quase me esqueci. Conta para elas que você adora fingir não ver o que elas sentem ou pensam ou te dizem nas entrelinhas, mas que sabe tudo. Aí elas vão te poupar das indiretas e falar tudo na lata.


E quanto a mim, vou sempre esperar por notícias suas. E se você não as der, vou procurar, vasculhar, te sugar. Talvez ainda diga algo sobre covardes por aí e você vista a carapuça, mas nada mais faz sentido. Nunca fez. Eu nunca deixei de ser a garota perfeita para você. Não sou muito superficial, nem exageradamente sentimental. Sou aquela que se encaixa perfeitamente no lado vazio da sua cama, no banco do seu carro e no seu coração. Mas nossas distâncias são erradas demais e os quilômetros que nos afastam não me deixam te fazer feliz. Uma pena. Um desperdício. Nossa história foi uma grande sacada do destino: pessoas perfeitas, distâncias erradas. Bem que me disseram que o amor não fazia o mínimo sentido.

Solidão não é ser sozinho

25 julho 2013

Eu me considero a pessoa mais feliz (por ser sozinha) do mundo. Tenho dois namorados, mil amigos e uns três amantes e ainda sou a pessoa que mais se dá bem com a solidão. Por que me aproximaria se logo após partirei? Por que confiaria se tenho plena convicção de que quebrarei a cara novamente? Você sabe, tudo dá errado quando se coloca sentimentos. Porque aí vem a tal neurose e a gente perde o medo. Aí quando bate aquela vontade de perder o controle, eu me afasto. Digo que não estou preparada, que tenho algo melhor para fazer, que não tenho tempo, que prefiro viver sozinha. Não vejo cúmulo algum em ser just me numa sala de estar à noite com um vinho qualquer. O que me mata é ter que fingir que não ligo o quanto realmente ligo pra isso tudo.




Existem pessoas que se escondem para se achar. Tem sempre aquela desapega-que-a-vida-leva que faz tratamento com psicólogo para descobrir porque não consegue ser feliz e, principalmente, porque não consegue fazer alguém feliz. É sempre decepção, decepção, decepção e um dicionário inteiro de significados tristes restantes. Acontece que não dá para amar ao outro sem se amar antes, mas isso leva tempo para descobrir. Tem aquela misteriosa, que no fundo nem é tão misteriosa assim. Às vezes ela só não tem assunto mesmo. E quando abre a boca, seu mistério se transforma em um horror inteiro, porque a gente se decepciona quando descobre que nada era aquilo que imaginávamos. Têm pessoas que nos conquistam de cara e logo após, nos fazem descobrir que perdemos tempo. E a graça logo se vai. Eu me desencanto o tempo todo. Não confio, não esqueço, raramente concedo o perdão a alguém e queria eu me livrar logo dessa mágoa toda. Porque ver o mundo de perto é melhor que observar as notícias no jornal. Cair e quebrar a cara é melhor que chorar com os erros dos outros em filmes sem finais felizes. Viver é melhor que assistir. E ser sozinha não é o mesmo que ser solitária. Quanto mais penso nisso tudo, mais me afundo em sentimentos surreais. 



Não dá para desistir da minha vida, do meu trabalho, dos meus estudos, dos meus sonhos e, principalmente, de você. Mas, no final das contas, prefiro ser só eu. Ter meus próprios sentimentos, minha própria vida, meus próprios medos e objetivos. E sou feliz assim. Não sou do tipo que cultiva a solidão do modo que me torna uma pessoa extremamente solitária, sem amigos e amores. Sou só eu, e ainda assim, milhares de coisas ao mesmo tempo. Sou só eu e, ao mesmo tempo, nós dois debaixo de um edredom quentinho, cobertos de sonhos e despidos de esteriótipos. 


Ser só eu não me impede de ser de alguém. Ou de ser várias pessoas. Ser sozinha é ter a liberdade de decidir em que lugar permanecer. Ser solitária é ter que permanecer à um único lugar. Apenas por não ter aonde ir.

Plano B

23 junho 2013



Olhe para mim enquanto viro a esquina? Tá, fiz isso rápido demais. Vamos tentar de novo. Corre lá, pegue o jornal e veja como anda nosso horóscopo e se fomos feitos um para o outro. Se ele disser que não, brigue com ele. O faça saber que independente do que diz nossa condição astrológica, eu ainda me importo com você. Agora se ele insistir, conheço um site que dá exatamente a probabilidade de dar certo entre a gente. Mas se nada disso der um resultado positivo para o nosso futuro, a gente muda a rota.

Podemos seguir os passos daquela revista sobre conquistas. Eu te ignoro no começo da nossa futura relação para que você me note toda preto e branco no meio de tanta gente colorida - e iguais. Aí você vê algo de diferente em mim. Vê que tenho um papo legal e mania de mexer no cabelo quando estou nervosa. Que dou sorriso sarcástico para disfarçar a dor e tenho más respostas sobre o amor para esconder a necessidade de sentir. 

Te deixo descobrir tudo sobre mim. Aos poucos, que é para não perder o encanto logo cedo. E me atrevo a dizer que já sei praticamente tudo sobre você, só de te olhar. Sei que gosta de preencher a falta que não cabe em seu peito com noites vazias que só aumentam o rasgo do teu coração. Mas sua masculinidade nunca te permitiria admitir isso e eu te entendo. Sei que tem um jeito meio egoísta, daquele tipo que sabe tudo, mas no fundo não entende nada. E faz piadinhas sem graça para disfarçar a falta de assunto.

Eu poderia te contar tudo que sei de mim e em que parte da sua vida eu me encaixo perfeitamente. Mas seria uma brincadeira de muito mau gosto com o destino. Eu vejo todo o esforço que você faz para parecer menos infeliz quando a receita pronta que você tanto precisa está bem diante de você. Seu egocentrismo te cega às vezes, não é mesmo? Eu sei bem disso. Você precisa se encontrar urgentemente e não cabe a mim fazer o trabalho sujo para que isso aconteça. Eu observo tudo e sei todas as chances que temos, mas no momento só consigo pensar que o melhor seria você procurar um plano B. Porque o seu atual está cada vez mais insuportável. E logo você descobrirá isso.

Tarde demais

09 junho 2013

Ouvi o barulho da batida da porta e colei meu corpo no chão assimilando seu olhar frio que seguia em frente. Eu gritei com a alma para que você ouvisse, olhasse, falasse ou fizesse qualquer coisa que te fizesse parecer mais humano e mais sentimental, mas nada funcionou. Você seguiu adiante como havia dito e, sem sombra de dúvidas, tomou seu rumo e partiu. A questão aqui nunca foi o fato de você ir embora, mas sim o fato de nunca ter olhado para trás. Nem sequer por um segundo.


Eu li todas as revistas e livros e assisti a todos os filmes cults para ter assunto com você. Descobri mais sobre astrologia e sobre os planetas, mas nada disso funcionou. Eu engoli um dicionário inteiro e guardei minhas melhores metáforas para você, mas aí o que você fez? Virou as costas e não me deu nem uma olhadinha de canto de olho. Nadinha. E eu fiquei lá, agarrada ao meu último suspiro e de luto pelo nosso amor.


Continuei a ir nas reuniões dos nossos amigos. Todos eles me diziam que não te reconheciam mais e que eu não deveria sofrer tanto assim. A cada palavra de conforto, eu enfiava uma espada no meu peito que era pra tapar a dor de não te ter sentado naquela mesa. E me enchia de coragem para dar o sorriso mais covarde que poderia escapar da minha boca. Eu conseguia.


Me desculpei por todas as suas burrices e falhas diante deles. Assumi total responsabilidade pelo seus erros. Disse que eu era cheia desses sentimentos loucos e que quase sempre sufocam a gente. Disse também que eu era muito para sua mente livre e te livrei de todo e qualquer possível julgamento. Engoli o orgulho, vomitei um mundo de certezas e promessas que nem eu mesma sabia que existiam. E você? Não tentou nem espiar pelo buraco da fechadura. Nada de me encarar de vez e acabar com todo martírio.


Aí então eu resolvi aceitar o seu adeus que de tanto doer, não me doía mais e esquecer o seu olhar que não me viu. Sequei o rio de lágrimas que inundava todos os meus dias e comprei um óculos novo para enxergar melhor quem está perto. Observar mais essas pessoas próximas que realmente importam, sabe? E comecei a seguir em frente. Não como nesses surtos de adolescentes que acham que postar frases de desapego no facebook resolve alguma coisa. Doía, doía todos os dias. E eu me levantava cada vez mais forte. Curei todas as suas cicatrizes dia após dia, choro após choro. E num belo dia o sol brilhou mais forte. E as feridas? Bem, nem percebi que elas estavam ali. Me senti tão aliviada, tão curada, tão eu, que nem percebi que era você passando do meu lado.


E então, nesse dia, eu descobri que a vida é estranhamente e absurdamente irônica: nossos olhos se desencontraram. Porque, exatamente no dia em que eu resolvi olhar para frente, você olhou para trás. 

O dia que você não voltou

29 maio 2013

No dia em que você não voltou, o cachorro ficou parado em frente à porta durante sete horas ininterruptas. O coitado dormiu ali, confiante que você entraria pela porta, como em todas as outras noites, faria carinho em sua cabeça e o chamaria para dormir em nossa cama. No final da quinta hora, a pena invadiu meu corpo. Até eu, que esperei que você chegasse durante os três anos que ficamos juntos, desisti de você antes do cachorro. Ele foi seu melhor amigo até o final, mesmo que você tenha deixado a guarda dele comigo sem nem questionar as visitas que faria ao seu próprio filho. As visitas que você nunca fez. 


Suas roupas ficaram nas gavetas também. Continuaram ali, intactas, até o dia em que a coragem surgiu em mim e arrumei tudo em algumas malas, enfiei no carro e levei até a casa da sua mãe. Falando nela, ela me abraçou e se desculpou comigo. Chorou, a coitada, como se tivesse mesmo alguma culpa no tipo de cara que você tinha se transformado. Eu a tranquilizei. Você decidiu ser um babaca por conta própria, sem precisar de nenhum trauma ou exemplo em casa para isso. Ela se desculpou mais uma vez mesmo assim. 


Na minha casa, que antes, um dia, foi tão nossa, ficou apenas seu antigo computador. Deixei ali, na mesa do escritório onde você trabalhava quando estava cansado demais para ir à empresa. Passava por ele todos os dias como se, de algum modo, me despedisse de você pouco a pouco, cada vez que a ficha caía que nem seu computador de trabalho você viria buscar. Até para isso lhe faltou coragem. Me encontrar e confrontar todas as promessas que você não cumpriu parecia apavorante demais a você. Assumir seus erros, admitir que acabou com o restinho de confiança que existia entre nós: nada disso você fez.

Você não voltou porque sabia que ouviria coisas que não queria. Porque sabia que tinha errado. Porque também não se importava tanto. Você não voltou porque sempre foi moleque demais para arcar com as consequências dos próprios atos. Ao invés disso, apenas resolveu não voltar. Mandou uma mensagem depois, se desculpando, dizendo que um dia conversaríamos e você diria aonde tinha errado. Respondi que não precisava. Nunca precisou. 

Onde você errava, eu sabia bem. Eu só queria poder lembrar dos seus acertos com a consciência tranquila, com as memórias felizes, com uma história bonita. Ao invés disto, só me restou a raiva por você nunca ter voltado. A raiva do dia que você não voltou.


*Post escrito pela colaboradora Karine Rosa, quer saber mais sobre ela? Clique AQUI. E acompanhe mais de perto seus textos clicando AQUI.

As coisas que eu não disse

28 maio 2013


No dia em que você foi embora, milhares de coisas passaram pela minha cabeça. Eu tinha vontade de te ligar e dizer que você era estúpido demais para permanecer ao meu lado por muito tempo. Que meu sorriso era grande e aberto e seu pavor não poderia me entristecer. Mas enquanto isso, permanecia dura na cama feito estátua olhando para o relógio, congelada por sua frieza. Tentei toalha úmida e banho-maria que era para ver se meu corpo aquecia, mas nem que eu entrasse em água fervente eu conseguiria isso. Meus pais, amigos e qualquer outro familiar - que a gente tanto criticava baixinho nas festas - me olhavam com pena e sussurravam como se eu não pudesse os ouvir dizendo: "essa aí, coitada, perdeu os sentidos depois de que o fulaninho lá partiu, só Deus na causa".


Eu tentava me reerguer para discutir com eles sobre como nosso caso nunca foi qualquer casinho digno de fofocas familiares em festas dominicais. Em vão. Não que sua falta me doesse tanto assim, acredito até que já havia superado você e sua infantilidade sem tamanho. Mas é que a dor de amor renova a gente, perceba. Você quer acordar melhor para a vida e o mundo, mesmo sabendo que é possível que isso não funcione e que a perca de tempo talvez te afunde mais ainda. Mas você tenta. Contra a preguiça, o mau humor e tudo o que te arrasta para trás vira motivo para se manter em pé. Eu vejo beleza na dor. Eu me vejo no espelho com o rímel borrado e a maquiagem velha e não enxergo absurdo algum nisso, porque a solidão de amar corrompe qualquer princípio ou forma regrada de viver.



As coisas que eu não disse talvez não façam o minimo sentido para você, porque tenho certeza que você espera arrependimento, choro ou esse texto terminando comigo te implorando para voltar, mas não. A dor de amor machuca na mesma proporção em que cura. Irônico isso, não? Todas as vezes em que sofri por amor, me renovei. Todas as vezes em que chorei, me banhei de felicidade logo após. E todos os dias em que passei na cama por não ter forças e nem a minima vontade de seguir em frente, eu me recompus e compus as melhores partes que poderiam haver em mim.


Sua falta me doeu muito naqueles dias. E naquelas noites. E nas palavras não ditas. Mas hoje, querido, a lua muda a forma, o vento bate mais forte e a chuva chega sem trazer melancolia alguma. A cicatriz nem lateja mais. É como se nunca houvesse algum você em minha vida. E não digo isso para cuspir no prato em que comi ou para disfarçar um passado sujo. Digo verdadeiramente: sua presença me doeu, sua falta me doeu, viver você e não viver contigo me doeu muito. Mas as coisas que eu não disse não vieram para trazer à tona sentimentos amargos sobre passado, pelo contrário. Eu os trouxe para dizer que você me doeu muito, mas viver frente à angústia que foi amar você me fez crescer. A ponto de fazer eu nem conseguir te enxergar mais.
Raiane Ribeiro: Despedida © 2011 - 2015 - Todos os Direitos reservados
Desenvolvido por: Pamella Paschoal