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O grito

27 maio 2014



Ele saiu no meio do meu pavor para se tornar uma gargalhada inteira. Meu grito ecoou por toda rua quando um pastor alemão latiu, me tirando do planeta em que eu estava. Sabe quando você está andando lentamente e muito, mas muito distraída mesmo e de repente… TCHARAM! Vem um cachorro filho da mãe que ameaça te atacar. Me arrepiei por conta do susto. O grito alto e escandaloso saiu como consequência e sem vergonha. E aí, nesse exato momento, me vi despida de todas as minhas defesas e estereótipos. Eu, que sempre me julguei espontânea, precisei de um pastor alemão para soltar um grito verdadeiro e rir alto enquanto as pessoas me encaravam.

Estamos tão acostumados com o julgamento alheio, que nos aprisionamos em um casulo de onde só sai o que é aceitável. Mulher que é mulher senta de perna cruzada, se veste como uma lady, anda maquiada como uma Barbie, ri baixo, não fala nomes feios, tampouco pensa. A gente deixa de acreditar no que realmente é e acaba levando tudo assim. Seguindo assim. Fingindo assim. E quando somos pegas de surpresa por uma atitude estranhamente escandalosa e engraçada, nos sentimos bem.

Acontece que ninguém veio a esse mundo para ser um robô. Se você me irritar, provavelmente eu mande você ir se danar. A possibilidade de eu beber em um dia ruim é tão grande quanto meu ódio dessas coisas ensaiadas. Se eu bater o dedinho em alguma quina qualquer, é bem provável que eu mande um puuuuuuuuta queeeeeeee pariuuuuuuuu, porque às vezes só um xingamento traduz nossa raiva momentânea. Nós somos humanos, entende? E não há nenhuma lei de etiqueta no mundo inteiro que te dê tanta felicidade quanto uma reação natural.

As pessoas querem que sejamos ideais. Isso quer dizer, uma boa companhia, moça de família, boa namorada, esposa e mãe. Acontece que ser ideal não precisa ser, necessariamente, uma máquina entediante. Eu posso ser eu mesma e ainda assim ser legal. Posso ser divertida e ainda assim mulher. Se a vida se resumisse a essa busca pela monótona perfeição, todos já teríamos morrido de tédio. Então, não espere a chegada de um grito de pavor, para ver que pavor mesmo é não gritar. Seja de alegria ou indignação. De amor ou ódio. E perceba que o grito mais bonito e libertador que você pode dar, é esse que, como um desabafo, vem da alma.

8 tipos de caras que você deve esquecer/fugir/sumir

12 janeiro 2014



Existem certos tipos de homens que só aparecem em nosso caminho para nos enrolar / frustrar / fazer sofrer / brincar / etc, vai dizer que não? Duvido muito que você nunca tenha se envolvido com o cara errado. E não, não estou falando daquele errado legal de conhecer e que eu tanto cito nos meus textos. Me refiro a aquele errado que nos faz mais mal do que bem. Se nós soubéssemos identificar de cara esses tipinhos, com certeza teríamos um índice bem menor de corações partidos e expectativas frustradas. Pois bem, pode ficar feliz porque tem como identificar sim! Não dá pra seguir uma única forma de vida sem deixar vestígios, certo? Vamos aos 8 tipos de caras (mais famosos) que você deve simplesmente esquecer/fugir:

1 - O indeciso

O cara indeciso é aquele que não quer ficar sozinho, mas também não quer ficar só com você. Ele banca o "não estou pronto / não quero relacionamento sério", mas não larga do seu pé (principalmente se você estiver partindo para outra). Para ficar com um cara desses, você terá que se impor. E convenhamos, ninguém merece, né? Não perca seu tempo. É melhor apostar em um relacionamento onde os dois queiram o mesmo. Ou pelo menos façam questão dos sentimentos um do outro.

2 - O enrolado

Esse provavelmente é aquele cara que namora e te liga de madrugada dizendo que te ama. É o tipinho que faz juras de amor, pedidos de casamento, entre outras coisas e se esquece de terminar com a namorada primeiro. Pode até ser que ele termine algum dia, ALGUM DIA, coisa que duvido muito que aconteça. Mas bom, se você não quer ser eternamente a outra, dê logo um jeito de fugir dele. Porque acredite, há grandes chances de ser só conversinha furada. 

3 - Aquele cheio de amiguinhas

Se você for ciumenta, isso se tornará um pesadelo infinito em sua vida. Claro que não é preciso aprisionar o cara e fazer com que ele nunca mais dirija a palavra a nenhuma mulher, ok? Mas é que sinceramente, algumas meninas simplesmente não têm o mínimo de desconfiômetro. Você tá com o cara, ela liga pra contar coisas da vida dela. Você tá no telefone com ele, ela na chamada em espera. Os dois são cheios de mi-mi-mi, intimidades, sms e ele acaba te deixando um pouco de lado. Amizade é amizade, falta de vergonha na cara é outra coisa. Tenho amigo homem e sei muito bem os limites que não devo ultrapassar. Não aceitaria e não aceito MESMO. Porque sempre acreditei que onde há fumaça, há fogo. E se tiver fogo, minha querida, eu queimo a cara dos dois. (hihihi, brincadeirinha).



4 - O trauma boy

O cara sofreu tanto no passado que não se cansa de contar as mesmas antigas histórias para você. Ele foi tão bom com a antiga namorada e ela estraçalhou seu coração. (own, tadinho).Você provavelmente vai ter que lutar muito para conquistar a confiança dele, já que seu passado foi tão perturbador que ele não consegue se entregar a ninguém. Mas, ai meu Deus, haja paciência...

5 - O cara da segunda-feira

Ele aparece toda segunda no mesmo horário e some nos finais de semana da mesma forma? Vocês passam uma linda e romântica semana juntos, mas de quinta-feira em diante é impossível encontrá-lo. Pois bem, minha amiga, isso dificilmente mudará (se você resolver aceitar, é claro). E é bem provável que ele te deixe mofando em casa para ir a balada com os amigos.

6 - O sem objetivos

O cara vai dormir as 5 da manhã todos os dias porque ficou no video game, acorda as 16:00, fica o resto da tarde no computador e baladas frequentes. Ele não estuda, não trabalha e suas únicas especialidades são comer, dormir, beber e jogar. Isso provavelmente não mudará por um bom tempo e duvido muito que a mesada dos pais dele seja o suficiente para que ele faça uma gracinha qualquer e te pague um jantar um dia. Tem certeza que vai querer apostar suas fichas num cara assim?

7 -  O mulherengo

Esse tipo não é difícil identificar porque, se você deixar, ele dá piscadinha até para sua mãe. Esse cara não perdoa ninguém e é quase (para não dizer totalmente) impossível mudá-lo. Ele não tem o menor respeito pela pessoa que está ao seu lado e acaba traindo de qualquer maneira. Já vi caras que dizem amar suas namoradas, fazem de tudo por elas, mas simplesmente não conseguem não trair. Então, se você estiver afim de um relacionamento aberto tudo bem. Caso contrário, desencane. Esse cara só vai te dar dor de cabeça. Literalmente.

8 - Booty Call

É aquele que só aparece no final da noite. Normalmente ele vem com alguma desculpinha esfarrapada e acaba nos levando na conversinha fiada. E acredite, há quem realmente goste deste tipo. Mas cuidado, deixe a diversão na diversão. Se você levar um booty call a sério, provavelmente sempre será a última opção. E acho que disso ninguém gosta, né?


Claro que, como eu sempre digo, nem tudo é tão 8 ou 80 assim. Mas vale a pena tomar um cuidado maior e investir com cautela na maior parte dos casos. Estes tipos estão por todas as partes e mascarados de todos os jeitos. Vá com calma e conhecendo seu parceiro aos poucos. Tem homem que não vale a pena, nem o sofrimento que causa. 

É preferível mil vezes uma mulher sozinha, do que vê-la aceitar defeitos quase insuportáveis e terminar se sentindo desvalorizada.

Judas

27 agosto 2013



Vem, pode vir. Tá escuro mas dá pra ver. Vem! Que medo é esse de arriscar? Se for preciso, você pula? Esquece o medo de altura, não vai te levar a nada. Ok. Vamos pular. Você me agarra forte? Se segura em mim, já fiz isso antes. Abre os braços e deixe o vento te guiar. Estamos seguros, tá? Relaxa.
Vem, hora de correr. Vou chegar aos 180 km/hr, quer ver? Abra os vidros. Eu não sei que queda é essa que tenho pelo vento, mas ele me conforta. É como se em um toque, eu conseguisse diminuir minha alma num tamanho que ela caiba dentro do meu peito. Gosto de correr riscos quando me sinto perdida. Eu preciso me reencontrar por alguns instantes, mas não dá pra fazer isso sozinha, entende? Tá, então continua aí, fica do meu lado.
Vem, pode mergulhar. A água aqui é rasa e o pé fica no chão o tempo todo. Afunda a cabeça nas suas paranoias e esquece os problemas. Solte os braços e pensamentos. Aprenda a se encantar por tudo aquilo que é belo. Aprenda a ver que tudo vai muito além, sabe? O coração, a mente, a boca, esse mar. Vai andando em frente. Segue seu rumo, seu coração, seus próprios riscos. Não tenha medo de maiores profundidades. Isso, vai fundo, você está próximo, chegando, espera. Aí não dá pé. Pensando bem, é melhor eu ficar por aqui. Eu não sei nadar, moço, nem remar. Me desculpa, tá? Segue sozinho. Eu não sei amar.

Quem sou eu

25 agosto 2013



Eu sou o tipo de pessoa que não liga no dia seguinte, nem me dou o trabalho de mandar mensagem. Está assustado? Acontece que os homens criaram esse tipo de expectativa em relação as mulheres. O que não me faz menos feminina, claro. Eu já acreditei muito nas pessoas. Já quebrei a cara, chorei, voltei sozinha para casa. Sabe esses dilemas sentimentais que toda adolescente-menina-quase mulher desabafa em seus tumblrs por aí? Passei todos em silêncio. Engoli sapos que não eram príncipes e meu orgulho ferido.


Agora você me encontra perdida por aí, cheia de indiferença e se pergunta o que houve comigo. Quer que eu diga mesmo? Acontece que eu decidi fugir da dor. Eu corro, fujo, me escondo embaixo da cama. Decidi ignorar cada chamado do passado e deletei qualquer lembrança assombrosa. Uso sorrisos que não são meus mas que, eu sei, um dia serão. Compro perfumes que não me remetem a nenhuma carência escandalosa. Percorro caminhos que me levam a lugar algum porque o destino é meio assustador. Me deixo levar.


Sou egocêntrica, teimosa, difícil de lidar e escandalosamente diferente de tudo o que você já viu ou imaginou ver nessa vida. Não a mais bonita, nem mais engraçada, nem mais inteligente, nem nada em exagero de qualquer adjetivo comum. Eu sou tudo e nada ao mesmo tempo, fora do comum. Não espere muito de mim porque eu frustro minhas próprias expectativas. Saio do roteiro pela graça de quebrar a rotina. Esqueça seus conceitos sobre mim e me descubra. Eu sou o mistério que você vai adorar desvendar.

Guia prático do desapego

11 agosto 2013



Acho que mesmo com todas as definições que já inventaram para a palavrinha "desapego", muita gente ainda tem uma opinião equivocada sobre o que, de fato, ela significa. Se você acha que ser desapegada é pegar 10 na balada ou bancar a grossa, estúpida e ignorante que afasta todas as pessoas que se aproximam de você, volte 10 mil casas e procure seu cérebro (rs). O desapego nada mais é que se desprender de conceitos formados, pré-conceitos, se amar em primeiro lugar, saber a hora de ir embora, não deixar que ninguém seja "o motivo de sua existência", etc, mas isso é assunto pra ooooutro post. Quer aprender a se desapegar de pessoas e coisas? Eis minhas dicas:

1 - Não se importe tanto

Esse item vale para qualquer aspecto da sua vida. Um dos primeiros passos é não se importar tanto com o julgamento ou babaquice alheia. Ou simplesmente não se importar. Aquela menina escrota da sua faculdade te odeia? E daí? Sua vizinha critica sua forma de pensar e/ou viver? Que se dane. Seu namorado te deixou? Foda-se! As pessoas se prendem demais as opiniões de pessoas que em nada agregam e isso é errado e cansativo. Pois bem, ligue o foda-se e seja feliz.

2 - Se apaixone sempre. Por você.

Amor / próprio essas são suas palavras chaves de agora em diante. Gostar de si mesmo é o primeiro passo para o desapego. Para você "ligar o foda-se", precisa estar preparada para ficar com sua própria companhia, se necessário for. E não há nisso problema algum. Se você não curte sua presença, quem o fará? Pois é. Não tente ser perfeita pois ficará terrivelmente frustrada. Não há necessidade de ser uma bonequinha de porcelana. Seja humana, e ainda assim, seja incrível. Reconheça seus defeitos e se apaixone perdidamente por eles.

3 - Todo mundo tem defeitos

Tenha em mente que NINGUÉM é perfeito. Você pode estar apaixonada, de joelhos, morrendo de amoreOPA, vamos parar por aí. Morrer de amores não é algo que aconselho, faz mal para a saúde. Tudo o que é demais estraga, fica podre. Todo mundo tem defeitos e você precisa estar sempre ciente deles. "Ele é educado, mas preguiçoso. Fofo, porém galinha. Paciente, mas feio." Sempre tem um "mas, porém, todavia, entretanto" e sempre nos recusamos a enxergá-los. Saiba reconhecê-los, porque caso você se desiluda, é nesses pontos que você vai se concentrar para começar o processo de superação.




4 - Imponha limites e selecione corretamente

Limites são sempre necessários para qualquer tarefa. Não deixe que os defeitos de alguém te afaste dessa pessoa, pelo contrário. Imponha limites e saiba até onde os mesmos são toleráveis ou não. Pense no quanto essa pessoa é importante para você, na diferença que ela faz em sua vida e por quanto tempo você consegue permanecer ao lado dela. Isso é bom para selecionar as pessoas com quem você se envolve, tantos nos relacionamentos amorosos, quanto com amigos. Quando descobrir estas pessoas, não se desapegue delas. Sua família não merece ser vítima de sua frieza. Nem todos os seus amigos. Saiba separar as coisas, as pessoas, os fatos. E pelo contrário, os ame e valorize-os muito.

5 - Me apeguei, rodei. E agora?

Não importa quão fria-coração-de-pedra-desapegada você seja, um dia a armadura cai. E você vai se apaixonar. Isso mesmo, vai gostar de alguém profundamente, ver graça em casos com finais felizes e, pior, se ver neles. Não importa o quanto você siga fielmente esta lista, sua hora vai chegar. E quando chegar, permita-se. Surpreenda-se. Caso você caia, quebre a cara ou se machuque, aprenda a dar uma direção a sua dor. O ápice do desapego é isso, saber seguir em frente na hora certa. Se sair com suas amigas te faz feliz, vá em frente. Se lutar boxe te faz se sentir melhor, por que não? Use os métodos que mais lhe convém e seja feliz.


E aí, se sentem preparadas ou não pra desapegar total de agora em diante?

Beijinhos!

As verdades que ninguém conta

01 julho 2013

Há quem diga que amor de verdade a gente só tem uma vez na vida. Queria eu que fosse verdade. Ah, seria ótimo. Encontraríamos aquela pessoa que muda a temperatura do nosso corpo em questão de segundos, que com uma palavra conforta uma vida inteira de lamentações e saberíamos que se ela partisse, acabou. Seria bom ter plena convicção de que nunca mais sentiríamos a enorme dor do adeus, mesmo que o disséssemos milhares de vezes. Nossa alma gêmea partiu, e nenhum outro envolvimento é digno de dor. Não teríamos medo de confiar, nem mediríamos as entregas. Seria perfeito!

A questão é que nossos amores são sempre passageiros. Vez ou outra tentam dirigir nossas vidas e nos levam à loucura. Nos dão uma rasteira daquelas e, de repente, estamos de joelhos e sem reação. O que não nos contaram sobre eles, é que sempre vai haver um outro amor. Diferente, melhor. São únicos em sua essência, mas a variedade é enorme. E todas as vezes em que um partir seu coração, você saberá que um próximo o aguarda.



Metades da laranja não existem. Tampa da panela? Que nada! Somos um mundo repleto de frigideiras que, de vez em quando, se mostram capazes de viver em harmonia. Trocadilhos à parte, somos sozinhos. Mas sempre encontramos em alguém uma vontade de cuidar, estar perto, de ter. Entende o que quero dizer? Os contos de fadas criaram em nossa cabeça uma visão de um amor que não existe. Estamos constantemente trocando de amores e modificando o sentimento. Um dia encontraremos aquela pessoa que nos faça não querer ser de mais ninguém. E aí termina a busca. Isso não significa que ela é insubstituível, mas que a vontade de ficar junto é maior.

Eu gostaria muito de amar apenas uma vez na vida para nunca mais sofrer por amor de novo. E sabe o que eu vejo? Que isso é impossível e faz parte da graça que há em viver. Não te contaram ainda, mas você vai se apaixonar sempre. Pela mesma pessoa ou por várias outras. E ela vai te decepcionar, acredita? Vai sim. E quando você pensar que não nasceu para isso e que o amor não faz o mínimo sentido, vai se flagrar amando. De novo.

As coisas que eu não disse

28 maio 2013


No dia em que você foi embora, milhares de coisas passaram pela minha cabeça. Eu tinha vontade de te ligar e dizer que você era estúpido demais para permanecer ao meu lado por muito tempo. Que meu sorriso era grande e aberto e seu pavor não poderia me entristecer. Mas enquanto isso, permanecia dura na cama feito estátua olhando para o relógio, congelada por sua frieza. Tentei toalha úmida e banho-maria que era para ver se meu corpo aquecia, mas nem que eu entrasse em água fervente eu conseguiria isso. Meus pais, amigos e qualquer outro familiar - que a gente tanto criticava baixinho nas festas - me olhavam com pena e sussurravam como se eu não pudesse os ouvir dizendo: "essa aí, coitada, perdeu os sentidos depois de que o fulaninho lá partiu, só Deus na causa".


Eu tentava me reerguer para discutir com eles sobre como nosso caso nunca foi qualquer casinho digno de fofocas familiares em festas dominicais. Em vão. Não que sua falta me doesse tanto assim, acredito até que já havia superado você e sua infantilidade sem tamanho. Mas é que a dor de amor renova a gente, perceba. Você quer acordar melhor para a vida e o mundo, mesmo sabendo que é possível que isso não funcione e que a perca de tempo talvez te afunde mais ainda. Mas você tenta. Contra a preguiça, o mau humor e tudo o que te arrasta para trás vira motivo para se manter em pé. Eu vejo beleza na dor. Eu me vejo no espelho com o rímel borrado e a maquiagem velha e não enxergo absurdo algum nisso, porque a solidão de amar corrompe qualquer princípio ou forma regrada de viver.



As coisas que eu não disse talvez não façam o minimo sentido para você, porque tenho certeza que você espera arrependimento, choro ou esse texto terminando comigo te implorando para voltar, mas não. A dor de amor machuca na mesma proporção em que cura. Irônico isso, não? Todas as vezes em que sofri por amor, me renovei. Todas as vezes em que chorei, me banhei de felicidade logo após. E todos os dias em que passei na cama por não ter forças e nem a minima vontade de seguir em frente, eu me recompus e compus as melhores partes que poderiam haver em mim.


Sua falta me doeu muito naqueles dias. E naquelas noites. E nas palavras não ditas. Mas hoje, querido, a lua muda a forma, o vento bate mais forte e a chuva chega sem trazer melancolia alguma. A cicatriz nem lateja mais. É como se nunca houvesse algum você em minha vida. E não digo isso para cuspir no prato em que comi ou para disfarçar um passado sujo. Digo verdadeiramente: sua presença me doeu, sua falta me doeu, viver você e não viver contigo me doeu muito. Mas as coisas que eu não disse não vieram para trazer à tona sentimentos amargos sobre passado, pelo contrário. Eu os trouxe para dizer que você me doeu muito, mas viver frente à angústia que foi amar você me fez crescer. A ponto de fazer eu nem conseguir te enxergar mais.

A verdade sobre o quase

21 maio 2013

É segunda e eu estava aqui. É quarta e eu tô ali. Passou a semana, o mês, a vida toda e eu não permaneci muito tempo em um único lugar. O melhor emprego do mundo é aquele que não serve para mim. O cara mais lindo e fofo e perfeito é aquele que faz parte da minha vida, mas não se encaixa no meu lego, nem no meu ego. Deixei de tentar, de mudar, abandonar. Aceitei que sou errada, torta e vazia. Descobri que de um jeito ou de outro, isso funciona. Brinquei de ser intensa e gostei. Aceitei - e aprendi - que para ser de verdade, tem que ser inteiro e que metades vazias não completam um coração ou um colchão, que seja. 


Entende a simplicidade de viver? Tudo acontece depois do primeiro passo e nós insistimos de todos os modos em complicar as coisas. Costumamos adiar nossa felicidade pelo simples medo de vivê-la. Ontem eu quase fui feliz com um amor de verdade. Quase deixei para trás meus medos e neuroses e orgulho. Quase deixei que a felicidade entrasse sem bater, mas a porta se manteve trancada por precaução. A verdade é que temos tudo para sermos felizes, e o que fazemos? Vivemos encarcerados pelo quase. Todas as suas oportunidades de sentir felicidade plena foi por água abaixo por você se manter parado, ancorado a sua inércia.

Siga o clichê que te diz para viver intensamente. Esqueça os medos, as angústias, tudo o que passou e te causou alguns danos. Viver é isso. Viver dá nisso. Esqueça o quase. Quem quase foi feliz, nunca o será por completo. Quem quase esqueceu, sempre terá uma lembrança para assombrar. Ser quase feliz não espanta tristeza alguma. O quase é o que me mata. Aceito "sim ou não". "8 ou 80". "Agora ou nunca mais". Mas o quase, ah, esse quase... O fim de um amor me faz muito mais feliz do que seu "quase final feliz". O quase te prende ao passado por todos os "E se..." que você não teve coragem de fazer ou dizer. E então te abadona lá para morrer infeliz. O quase é tudo aquilo que você deve manter distância. Só depois de correr para longe dele é que você vai ser feliz de verdade. Completamente e i-n-f-i-n-i-t-a-m-e-n-t-e.

Tudo o que você poderia ter feito

27 abril 2013

Você bem que podia ter mudado. Deveria ter dito coisas vagas que, de um jeito ou de outro, preenchiam buracos no peito. Você deveria atender as minhas ligações no meio da noite, elas revelariam coisas que você levou toda uma vida pra tentar descobrir. Você bem que podia ter notado certas coisas e não ignorado como sempre fez. Fingir não ver um sentimento não é a melhor forma de destruí-lo, sabia? Nunca entendi suas atitudes, mas sempre as aceitei. Em silêncio. Tinha em mente que por pior que fossem seus erros, em nome do nosso amor, valia a pena relevar.


Sabe as flores que eu tanto gosto? Você arrancaria enormes sorrisos da minha boca se me surpreendesse com uma delas num dia completamente normal. Não precisava de serenata, nem de jantar romântico ou alarde algum. Poderia ser assim, no ouvido mesmo, quietinho, calmo. Sabe que nunca gostei de coisas mirabolantes. Mas você preferiu a frieza do silêncio à tentativa de restauração do nosso amor. E deixou meu coração em pedaços.


Você bem que podia ter recolhido os cacos mas preferiu reduzi-los a pó para que não houvesse chances de renascimento. E me cortou tanto. Me doeu tanto, você nem imagina. Mas como era de costume, resolvi (re)levar. Levei pra fora da casa, da alma e do coração tudo o que me trazia você. E me esqueci de te lembrar nas noites de chuva, nas comédias românticas e em nossa roda de amigos. Conheci pessoas novas. As levei pra dentro da minha insanidade que você tanto julgava. Descobri que há quem goste, acredita?


Fiz e refiz várias coisas e deixei de pensar nas chances que você perdeu por não estar totalmente preparado pra mim. Ou pra qualquer coisa que te tomasse a alma por completo. Você bem que podia ter feito tantas coisas no ontem, no agora, no nosso amanhã. Mas não fez. Nem ao menos tentou, o que é pior. E depois de tanto tempo sofrendo por você, me propus a te dar uma missão pro nosso hoje: você bem que podia sumir, porque de tanto tentar se matar na minha vida, você conseguiu morrer aqui dentro de mim.

Covardes não amam

13 janeiro 2013

No meio da minha respiração fraca eu encontrei um pouco de força. Assistia você encher o peito e esvaziar o orgulho pra soltar um "eu te amo" ao pé do ouvido. Era fácil acreditar no que eu sempre quis ouvir. Volta e meia me levava do céu ao inferno em questão de segundos. Suposições demais pra pouca realidade. Realidade essa que tanto prezo. Sempre mantive pesos amarrados ao meu pé para que não flutuasse enquanto brincava de ser menina-mulher. Isso não é uma novidade, não pra você. Não pra quem me conhece. Cansa assistir de camarote quedas que não permitem restar nada de sonhos antigos. Dissolvi em água morna todo o pó que sobrou das minhas fantasias impagáveis pra combinar com a sua temperatura. 

  
Entre calor e frio, você fez a pior escolha: o equilíbrio. Odeio pessoas mornas. Odeio quem não sabe decidir se quer morrer de amor ou matar de indiferença. Odeio ocupar um lugar que não me pertence e sorrir como se fizesse parte de um cenário que não se encaixa em mim. É 8 ou 80, amor ou ódio, fica ou vai embora. E você se foi. Caminhou em direção a porta dizendo que adoraria ficar, mas precisava ir. Se deu o trabalho de tentar explicar suas atitudes que faziam todo o sentido, mas que não me interessavam em nada. Pouco me importa pra onde você vai ou por quê vai, desde que, se for pra ir, que vá de uma vez e não empaque a minha vida. Odeio perder tempo, quero hoje, aqui, agora. Odeio mais ainda pessoas que perdem ocasiões, coisas e pessoas especiais pelo medo estúpido de perder.

E adivinhe só, você me perdeu. E o que é pior, sem ao menos me ganhar, que pena! Pena pra você, alívio pra mim. Sou covarde, medrosa e fujo de sentimentos que insistem em me perseguir. E pra conseguir atravessar minha barreira tem que ser muito homem, pra me conquistar tem que ir muito além. Dessa forma eu me livro dos indecisos e dos desesperados e dos que não sabem me transbordar. Me livro dessas pessoas mornas que não esquentam, nem me congelam de vez. 


E mais, estou insuportavelmente cansada de terminar com reticências casos que, depois de vividos, só me mostram como nunca deveriam ter começado. É o que dizem, serve de aprendizado. Não sei o quanto te assusta saber que por trás de toda essa armadura há uma tão e somente covarde - covarde essa que arriscaria tudo caso encontrasse em você a coragem que falta nela - mas pra me manter forte, eu preciso me livrar do meu ponto fraco. Então toma esse texto e engole o que sobrou de melhor da gente. Eu continuo seguindo em frente, superando e agradecendo. Porque se tem um lugar pra covardia na minha vida, ele já é meu. E covardes não amam. Ou até amam, mas nunca por completo. E convenhamos, ninguém merece ser feliz pela metade.

Foda-se

16 setembro 2012

Talvez eu não devesse fazer isso. O que as pessoas vão dizer? Talvez seria melhor eu comprar outra roupa, ou essa tem um tamanho bom o suficiente pra que as pessoas não comentem? Quão prisioneiro do pensamento dos outros você é? Estou cansada do julgamento alheio. Afinal, não é pra ser feliz que a gente vive? Cadê a liberdade que tanto dizem? Estou farta da prisão em que a sociedade nos coloca. Pare de buscar sua alegria na opinião dos outros, ninguém se importa. Ninguém dá a mínima se você fez tudo certo, até porque no seu primeiro erro, é sobre ele que você vai ouvir. Mil cobranças e satisfação zero.


E daí se você é mulher e quer beber? E daí se você tá puta e quer gritar porque o ódio não tá cabendo no seu peito? E daí que você quer dançar como se ninguém estivesse vendo, simplesmente porque isso te faz bem? E daí que você quer ser você mesma? Eu cansei do equilíbrio há muito tempo e cansei também das pessoas que fazem com que a gente sorria amarelo pro mundo, quando tudo o que queremos é dar a mais alta gargalhada. Qualquer que seja sua atitude, ela vai ser julgada. Se você é bonzinho demais, você é falso. Se é feliz demais, esconde algo. Se é calado demais, é antissocial. Pra qualquer coisa que você decida ser, há um rótulo te esperando.

Eu prefiro ser odiada e criticada por aquilo que eu sou do que carregar uma segunda personalidade ocupando todo o espaço que tenho pra ser eu mesma. Prefiro ligar o foda-se e ouvir o barulho que a minha consciência faz. Prefiro levar a sério todo aquele papo clichê sobre ser você mesmo, sabe? A vida é minha. Eu sou responsável pelas minhas atitudes e cabe, só a mim, julgá-las. Deixei de lado a opinião alheia e o interesse que as pessoas têm em monitorar a minha vida e resolvi ser feliz. A intensidade me chama e eu vou. A vida é minha, certo? E a sua opinião? Bem, eu nunca precisei dela pra ser quem eu sou. Guarde-a para você e observe eu me importar. 
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