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Finais não são adiáveis

07 julho 2016




Quando eu gosto muito de algo, quero que essa determinada “coisa” dure pelo maior tempo possível. Devoro meu chocolate preferido devagar, entre a luta de saborear cada pedacinho que se desfaz na boca e manter o sabor doce pelo maior tempo possível. Leio as últimas páginas de um bom livro lentamente, vivendo entre a curiosidade de saber o que acontecerá e a tristeza do fim.

Eu gosto de me iludir achando que a gente pode esticar um final como quem estica um chiclete que já perdeu o gosto. Mas, será que é saudável? Será que é suficiente? Tenho minhas dúvidas.



É bom acreditar que o melhor dia da vida pode durar para sempre, que as pessoas podem mudar e que relacionamentos não acabam. Eu já lutei tanto, mas tanto, contra as marés que me diziam que aquilo não ia funcionar, que o seu jeito não batia com o meu e que merecíamos encontrar algo que realmente nos fizesse feliz.

Mas o que fazer com o vício que tenho em permanência? Tenho medo de ir embora e perceber que o melhor era ficar. Sinto uma angustia infinita ao pensar que só temos uma vida e que errar pode ser fatal. E sabe o que eu não percebo de verdade? Que é mudando a rota que a gente encontra o caminho. É encarando o medo de frente que descobrimos nossa força.

Eu sempre sei quando algo chegou ao fim ou está prestes a acabar. A gente nota a fria diferença, mesmo tapando os olhos, os ouvidos e queimando as provas. E o que eu descobri com o tempo? O aperto no peito não passa, a sensação de fracasso não vai embora e a frustração de não ter se permitido uma segunda chance vivida por um outro ângulo é mortal.

A gente sabe, bem lá no fundinho, que adiar um final certo é permitir que o veneno mate aos pouquinhos, em doses dolorosas e traumáticas.

Um conselho? Permita-se pôr um fim naquilo que te impede de viver plenamente feliz e tenha coragem para fazê-lo quando necessário.






Raiane Ribeiro: 23 anos, publicitária por formação, redatora por paixão e agora youtuber em ascensão. Ariana cabeça dura, extremista e cheia de querer tudo "pra ontem". Criou o lema "chora e não me liga" para o blog e acabou adotando para a vida. Conheça meu canal no youtube clicando aqui > YouTube.

Nunca

29 junho 2016



Nós nunca acordaremos face a face. Eu nunca vou preparar seu café da manhã todas as manhãs. Você nunca me agarrará por trás no balcão da cozinha beijando-me a nuca. Nunca.

Nunca andaremos aos beijos pela casa no caminho para o quarto. Nunca voltaremos para a cama juntos num sábado de manhã.

Nunca iremos a cinemas, jantares ou programas de casal. Nunca como tal. Nunca irei lhe fazer uma surpresa de Natal. Nunca verei em seu rosto de menino, um sorriso por ter ganho de mim um presente que só eu saberia lhe dar. Nunca.

Nunca vou afagar teus medos e sentir sua dor numa madrugada triste. Nunca vou me enterrar no seu peito após acordar de um pesadelo terrível.

Eu nunca vou segurar sua mão por debaixo da mesa do gerente do banco. Nunca vou vibrar vendo seu sorriso ao assinar os documentos de nossa primeira casa própria, um lugar que você chamaria de “fortaleza da solidão conjunta” ou “bat-caverna do amor”. Brega.

Nunca haverá celebrações só nossas. Nunca haverá códigos que criamos em nossas cabeças e que só funcionam para nós. Nunca viveremos brigas tolas porque sou uma pessoa mimada. Nem porque você às vezes age como o completo bobão ou é quadrado demais. Nunca.

Nunca irei preparar seus pratos favoritos. Nunca iremos nos olhar nus no meio da sala, desinibidos. Nunca irei tirar fotos de você feliz ao lado de sua nova motocicleta favorita. Nunca vou rir de você na estrada, sendo palhaço, fazendo piada.

Nunca terei a chance de te abraçar forte antes de uma partida e dizer que você é minha vida. Nunca vou me entregar a você como se nunca antes tivesse, numa chegada.

Nunca vou receber de você presentes que só você saberia me dar. Nem surpresas num dia sem nome, ou serenatas toscas num bar. Nunca vou pegar você me olhando com malícia, amando-me com o olhar.

Nunca vou chorar com você porque a primeira tentativa não deu certo. Nunca vou ter dúvidas sobre termos escolhido o caminho correto. Nunca vou dar pulos de alegria no meio da rua porque finalmente aconteceu.

Nunca vou brigar com você porque eu queria roxo e você azul. Nunca irei ver de perto o grande pai que você vai se tornar. Nunca vou sentir orgulho por ter a família mais linda do mundo todo, e por tê-la formado com você.

Nunca sairemos de férias após deixar o Lucas com a vovó. Nunca nos sentiremos velhos e chatos juntos.

Nunca.

Eu nunca vou viver a vida que eu nunca esperei viver com você. E dentre tantos nuncas, há um que para sempre me acompanhará: eu nunca vou deixar de te amar.




Anderson B. Monte Rei: 22, publicitário, viciado em trabalho e perdidamente apaixonado por escrita. Escreve nas baladas, no ônibus e claro, na agência. Cabelos coloridos, poesia e bad's esporádicas. Sim, Lana Del Rey é um mood constante. E Paramore! (Banda favorita). Punk, séries de drama, animes, comida e memes: amo.
Fim da conversa no bate-papo

Sua hora vai chegar

15 fevereiro 2016



Calma, querido. Se tem uma coisa que eu gostaria de te pedir, é para que tenha calma. Dizem por aí que a ficha demora um pouco a cair, principalmente quando se trata de um homem. Faz o seguinte, vai lá curtir seus amigos e encher a cara naquela festa que você odeia. Vai, anota o telefone de todas as garotas que você encontrar na balada e diz que vai ligar no dia seguinte. E liga, tá? Marque aquele jantar que vai ser inesquecível e perceba, com cautela, que você não vai encontrar necessariamente o que procura. Mas tenta, tudo bem?

Quando acordar no dia seguinte e perceber que ela foi embora antes do despertador tocar, você vai ver o quanto é difícil encontrar alguém que permaneça. No momento em que contar suas histórias que, convenhamos, só você acha engraçado, pode ser que ela não faça o menor esforço para manter o brilho nos seus olhos e feche a cara. Ouça bem ela dizer seu nome sem mostrar qualquer tipo de sentimento que transborda, que acolhe e que traz paz e perceba que esse tipo de coisa é praticamente impossível forjar. Não se assuste quando notar que ela não faz o mínimo esforço para não te magoar, nem escolhe as palavras cuidadosamente para não te atingir. Nem todo mundo tem esses cuidados que nós tínhamos um com o outro.



No dia a dia, pode ser que você perceba que detalhes fazem toda diferença. Um sms desejando bom dia, café na cama em dia especial, brincadeiras que aconteciam apenas para alegrar o outro em dias um pouco mais escuros, sabe? Todas essas coisas que parecem comuns quando estamos em um relacionamento há tanto tempo, fazem falta quando estamos sozinhos. Mas calma, eu não preciso adiantar nada sobre como você irá se sentir.

No dia que você perceber que a pessoa que escolheu para viver não é nem metade daquilo que você espera – e que tivemos por tanto tempo - aí, nesse exato momento sua ficha vai cair: você vai perceber que ela poderia ser eu, mas não é. E anote o que eu estou dizendo: você vai lembrar de mim e de tudo o que vivemos nesse tempo juntos. É bem provável que até lá eu já tenha finalizado esse texto, o capítulo, o livro e a saga. Já terei seguido em frente, sozinha ou acompanhada, mas que fique registrado aqui: eu sempre soube que isso aconteceria.

A lembrança vai chegar, calma e lenta para te tirar o sono. Nesse dia, eu não vou lhe desejar mal, nem bem, nem nada. Apenas que a falta, que será quase palpável de tão real, passe. E que você consiga ser feliz novamente um dia.

O amor que você sente pelo outro é problema seu

10 fevereiro 2016



Se tem uma coisa que eu aprendi nessa vida, é que ninguém tem a obrigação de carregar o peso das expectativas que depositamos nas pessoas. Verdade seja dita: nós somos responsáveis por nossos próprios sentimentos, sejam eles controláveis ou não. Não é justo que o outro leve toda a culpa por querermos demais. Amarmos demais. Idealizarmos demais.

Quando nos apaixonamos, criamos uma imagem em nossa mente de como o relacionamento seria perfeito se a tal pessoa agisse de formas predeterminadas. Mas, bem lá no fundinho, sabemos que não é bem assim. Cada pessoa tem sua forma, sua cor, sua maneira. E o sentimento? Bem, ele se mostra de formas muito distintas.

Quantas vezes você se pegou indo contra suas emoções? Você sabe o que quer, o que precisa e os inúmeros motivos que tem para seguir à risca todos os seus objetivos. Mas aí, vem o coração e muda tudo. Muda a rota, a maneira de pensar, de sentir e de agir. Que culpa tem o outro? Ele também tem suas idealizações, seus sonhos, seus próprios sentimentos. Ninguém, ninguém mesmo, tem a obrigação de readequar uma vida baseada nos desejos do outro.

Você não pode – e nem deve – exigir que alguém o ame da maneira que você deseja. É preciso fazer por merecer, entende? As coisas, inclusive o sentimento, acontecem de forma muito natural. E quando você tenta usar de fórmulas e jeitos para alterar o percurso, tudo soa artificial demais. Como uma flor de plástico que enfeita, mas não traz a cor, o cheiro e o sentimento natural.

Se nós amamos uma pessoa profundamente e não somos correspondidos, não temos que culpar o outro por não tentar, por não querer ou por não se doar ao máximo. Isso é um problema nosso. Você quer, realmente, viver eternamente tentando provar para uma pessoa por que você é a pessoa ideal e por que ela deveria te amar?

Quase sempre o problema é nosso, e está muito ligado a nossa forma de ver o relacionamento ideal. Se você não está feliz no relacionamento em que está hoje, reflita antes de pedir para o outro mudar por você. É preciso nos encontrarmos e descobrirmos o que realmente nos tira o chão, nos faz vibrar e faz com que a gente se sinta pleno. É preciso avaliar, de dentro para fora, quem nós somos e o que queremos. E, só depois disso, gastarmos nossa energia em busca daquilo que realmente nos faz feliz.

Não é justo, nem com você e nem com o outro, procurar um culpado pelo conto de fadas moderno sem um final feliz. O outro, aquele que está ao seu lado nesse momento e que, assim como você, fez tanto por esse relacionamento, não merece carregar a infeliz culpa do fracasso. Nós somos responsáveis por nossos próprios sentimentos e pela forma como ele afetará nossas vidas.


Se você não está feliz com o que tem recebido, assuma a responsabilidade de mudar por si mesmo. Sem culpa, apenas por um bem maior.

Testes Constantes

04 outubro 2015



As coisas parecem mais simples quando você deixa elas irem. A partir do momento que você acha que algo é seu, quando você acredita que nada mais importa ou que você acertou, você ganha confiança demais. E sabe qual o problema da confiança? Você perde o medo. E o medo é um dos sentimentos necessários para sobrevivência de outros sentimentos vitais do ser humano. Sabe aquilo de ter medo de perder? É aí que tá, você valoriza. Você luta com todas as suas forças, esgota suas energias, move montanhas a partir do momento que você tem medo. Às vezes nós precisamos ter medo para que a chama não se apague. Assim como a coragem é combustível de sonhos o medo é combustível para mudanças. 

O medo, na medida certa, nos faz perceber que no fim das contas nada é nosso. Tudo é conquistado e facilmente perdido em segundos. Segundos de um descuido, de uma dose a mais, de uma palavra dita sem pensar e pronto, tudo que você confiava ter conquistado vai por água abaixo. Acredito que a linha entre o medo e a confiança é mais tênue do que imaginamos. Se o medo ultrapassar o limite dele, nós nos prendemos demais. Se a confiança ultrapassar a linha dela, nós perdemos demais. Sobre sentimentos tão venenosos e tão medicinais não há como formular uma receita mágica, só testando. 

Alguns têm alergia a remédios específicos, digo que o amor cura porque me curou quando soube usar a medida certa dele. Soube que o amor me curava quando injetei em mim coragem para acreditar em dias melhores. Soube que o medo me aprisionava quando percebi o quão dura era minha armadura e o orgulho tão forte quando vi possibilidades passarem pelos meus olhos e irem embora. 

A vida é assim mesmo, sempre defendo que tentar é melhor que viver com um não eterno ecoando na cabeça. Mas que, precisar passar por algumas coisas que podiam ser evitadas dói, isso dói. E eu ainda não descobri qual dos sentimentos e a gramação correta deles pra curar essas coisas. Vou tentando, quem quiser pode me seguir.

Carta ao Destino

14 agosto 2015




Querido destino,

Eu e minha vida estamos preocupados com você. Ou melhor, eu, minha vida e minha sanidade mental. Às vezes acho que a culpa é minha, por sempre ter confiado tanto em você e deixado você decidir como as coisas seriam. Claro que já dei minhas interferidas, meus empurrõezinhos, mas sempre tive a sensação de que é inútil e que você que realmente comandou tudo. Sei que você é muito amigo do tempo - esse danado que parece se arrastar quando a gente quer dormir e acordar daqui a  3 meses e voar quando temos 38 trabalhos pendentes da faculdade. Então, mesmo sem saber bem qual endereço colocar nessa carta, venho através desta fazer um pedido: deem um jeito, ok? Isso mesmo que você leu, destino. Pegue seu amigo tempo pela mão e deem um jeito nas coisas por aqui, antes que eu enlouqueça. Sabe que nunca enchi seu saco e pouco o questionei, mas como boa humana de carne, osso e coração, também me revolto.

É bem verdade que você encaixa as coisas, não precisa responder esfregando isso na minha cara. Mas às vezes você me coloca em cada uma... hoje mesmo, são 3 da manhã, eu deveria estar dormindo pois daqui a pouco já tenho que levantar e encarar um novo dia que você preparou pra mim. E adivinhe? Estou aqui tentando entender de onde viemos, para onde vamos e porque meu celular não toca. A cada sinal que esse aparelho emite, meu coração quase sai pela boca, mas é sempre alarme falso: ou é o surfista bonitinho que dá oi pras pessoas na rua fazendo um sinal de hang loose, ou é o nerd que atira pra vários lados, ou o projeto de Lucas Lucco que não consegue formular uma frase inteira. Com sorte, tem aquele com quem rola uma conversa bem produtiva, é razoavelmente bonito, estuda, trabalha e gosta de se divertir, mas as nossas exatidões não tem somado numa conta de mais. Você parece estar se divertindo com isso, né? 

De fato, nenhum desses me interessa. Até interessariam em outra fase da vida. Antes daquele menino largado, vadio, bem humorado, espirituoso, pervertido, carinhoso, bom de papo, bom de lábia e bom de cama, seja dormindo ou acordado. E agora estou aqui desqualificando uns e qualificando outro como se isso influenciasse alguma coisa. Ah, destino, você me conhece e bem sabe que isso não tem nada a ver. Ninguém se apaixona pelas qualidades da pessoa. A gente se apaixona pela pessoa. E todas que você colocou por aqui até agora tem qualidades admiráveis, mas você as coloca por aqui, damos umas voltas e quando vi, a pessoa dobrou numa rua que nunca mais cruzou com a minha. Porquê você faz isso, hein? A propósito, eu sei que você me ensinou a não julgar ninguém, então, desculpa essas características que atribuí pra todos esses caras, mas você entendeu, né? Só quero que você não continue me tirando as coisas que me dá. 

Por favor, caríssimo, não me entenda mal. E nem faça muita fofoca minha pro tempo, pois por mais que eu reclame, muito ele já me consolou. Não estou criticando a eficácia de vocês, mas tenho precisado de uma agilidade no trampo, estamos entendidos? Deus me livre ficar de mal com vocês! Já basta o amor - aquele cretino - que volta e meia vem, pede desculpas, fazemos as pazes, conhecemos alguém (geralmente apresentado por você) e daqui a pouco brigamos. Cansei dessa rotina de confiar em você, viver em altos e baixos com o amor e acabar no colo do tempo, ganhando cafuné dele e comendo brigadeiro. Então é assim que me despeço, com afeto e fé no meu pedido de colocar por aqui só o que puder ficar. Mil beijos e bom trabalho!

Não se esqueça

27 abril 2015




Eu não quero que você esqueça as flores do seu caminho e nem daqueles sonhos que surgiram no fundo do seu peito. Que você não tenha medo do destino, mas mantenha a cautela nas suas escolhas. Você não deve esquecer as suas verdades, mas principalmente você deve lembrar os seus questionamentos. Que você jamais esqueça o que faz seu coração vibrar e que faça, cada vez mais, aquelas coisas que fazem você sorrir de imediato. Que a sua frequência esteja em sintonia com aquele amontoado de coisas boas da vida e que a sua paz continue sendo encontrada dentro de você. Eu não quero que você esqueça que assim como seu corpo, sua alma também precisa de cuidados, carinho e alimentação.

Eu não quero que você esqueça que o sol nasce todos os dias pra gente poder mudar o que incomoda e acomodar com o que faz bem. Eu não quero que você esqueça de parar a sua correria pra prestar um pouquinho a atenção naquele fim de tarde e que isso ajude a seguir em frente. Que você siga em frente mesmo que não tenha pôr do sol. Eu não quero que você esqueça de ter um tempinho pra si, de ter um tempinho pra aquele velho amigo, de ter um tempinho pra conhecer gente nova e de bom astral.

Eu não quero que você esqueça de se perguntar se você esta aonde queria estar ou, ao menos, na direção certa. Que não se esqueça que cada um tem a sua concepção de certo e se te faz feliz, não pode ser errado. Eu não quero que você esqueça que o mundo vai te julgar, mas a sua consciência será sempre o seu maior guia. Não se esqueça que o que você é ninguém pode ser. Não se esqueça de ser a exceção quando achar que deve, de seguir o fluxo quando achar que deve, de tomar um bom vinho quando achar que deve, de dormir as 10 em uma sexta quando achar que deve, de virar a noite fazendo amor com alguém por quem você sinta amor quando achar que deve.

Eu não quero que você esqueça daquela canção que te arrepia e, de coração, que a sua alma não se petrifique com a ação do tempo, permitindo que o arrepio aconteça por tantas outras canções e todas sensações que a vida te permitir. Que você filtre aquela velha mágoa, que quebre as regras de vez em quando, que se iluda com alguém por aí e ria, ria muito e descompensadamente dos tombos que não te arranharam. Os que deixaram cicatrizes, que você guarde numa caixinha junto com o que chamamos de experiência.

Eu não quero que você se esqueça das trilhas que não deu tempo de trilhar e que recupere o tempo perdido com um pouco de pressa. Que a correria do dia a dia não te tire a tranquilidade e que sempre dê tempo de admirar algo bonito. Que você se surpreenda com você mesmo, pra descobrir que dá ainda pra se surpreender de forma positiva e bela com o que os outros podem nos proporcionar. Que os bons momentos virem rotina, com mil pessoas, uma só, mas principalmente sozinho, pra você perceber o quanto seu amor próprio também te move.


Eu não quero que você se esqueça de ser grato todos os dias, que contabilize alegrias e que esqueça da ruindade do mundo na hora de dormir. Eu não quero que você esqueça que somos um todo e que fazer o bem a alguém é fazer bem pra você. Que você não esqueça que atrai aquilo que transmite. Que você estoure aquela espumante pra comemorar a beleza que é estar vivo. E daí que é segunda-feira? Eu não quero que você esqueça de se sentir vivo, que tenha astral bonito, tranquilidade nos lábios e alegria no olhar. Eu não quero, meu amor, de jeito nenhum, que você se esqueça de ser feliz e de ser você. De ser feliz sendo você e só.



Meu vício não é você

07 dezembro 2014



Eu não sei que tipo de droga você colocou na minha bebida, nas flores que me deu ou no travesseiro onde seu cheiro ficou por tanto tempo. Eu não sei o que você borrifou no meu apartamento, que não te deixa ir embora nunca. Eu não amo mais você, não. Agora eu amo a mim. Me abraço, me beijo, me olho no espelho e me namoro.

Eu não sei de onde é que vem essa ânsia meio louca e torta de saber sobre seu paradeiro. Assim, não vai mudar em nada a minha vida se você tiver encontrado um outro alguém. Na verdade, eu até espero que isso já tenha acontecido. Porque, convenhamos, eu não quero ser a única a ter seguido em frente.

Eu desejo a sua felicidade em todas as vezes que alguma recordação sua me atinge na cabeça. Eu mentalizo coisas boas, emano luz, raios de amor e paz para que você trilhe seu caminho sem obstáculos e para que todas as portas boas se abram para você. Sempre desejei, do fundo do meu coração, que você fosse muito feliz.

O que eu sei, é que você foi uma das pessoas mais importantes da minha vida. E, não é porque seguimos caminhos opostos que eu vou te odiar e desejar que sua vida sem mim seja um lixo. Muito pelo contrário, eu desejo o melhor para as pessoas que amo. E atingi o ápice do desapego quando torci para que você se acertasse com a sua namorada nova ou para que conseguisse ir sempre além do que espera.

Meu vício não é você. É saber sobre como anda a sua vida e se tudo tem permanecido no seu devido lugar. Meu vício é saber que você está se alimentando, vivendo bem, conquistando seus objetivos e sendo você mesmo. Meu verdadeiro vício é um “Como vai você?” num esbarro acidentalmente forjado.


Porque não importa quantas vezes eu te esqueça, lembrar você ainda é meu exercício predileto.



Talvez seja sempre nós dois

23 novembro 2014




Talvez seja essa nossa situação confortável e descontrolada que me faça pegar a estrada na contramão algumas vezes. Talvez seja essa minha capacidade de te persuadir que te faça voltar correndo pra me abraçar logo em seguida de ser um verdadeiro ogro. Talvez seja o meu perfume que te hipnotize e talvez seja a minha incapacidade de viver longe da tua conchinha que me faça ficar até mesmo quando não devo. Talvez seja tudo que tenho descoberto ao seu lado e você, aprendido comigo, mesmo que você faça o tipo dono da verdade.


Talvez eu te faça ir embora correndo pra ter certeza que é também dessa maneira que vou te ver voltar. Admito que toda vez que isso acontece eu sinto um apertinho no peito, um medo de que você realmente não reapareça de novo no meu olho mágico. Talvez eu seja realmente aquela pessoa esquisita que você não consegue parar de admirar mesmo quando esta cansado e talvez eu tenha aparecido na sua vida na hora errada. Talvez o errado seja a nossa maneira de ser.


Talvez a noite continue virando dia toda vez que eu te encontrar e os mil copos de café por dia pra se manter em pé no outro dia continuem valendo a pena. Talvez você enjoe da minha gargalhada alta e me peça pra sumir. Eu, desobediente, sempre vou te ligar numa hora inesperada, você sabe. E eu sei que você vai me atender com a sua voz de sono e com o seu ego lá em cima, mas vai pedir pra deixar pra lá mais uma vez e tentar. Talvez esse monte de incertezas que nos rodeiam seja o que nos mantenha tão encantados nessa coisa desajeitada que temos tido. Talvez as descobertas não parem por aí, e não terminem nem daqui a 20 anos... mas eu sei, já descobri que você detesta essa minha mania de pensar no futuro.



Talvez seja no meu jeito de rir até da dor que você encontre paz. Talvez seja no teu riso descompensado dos meus medos que eu encontre a coragem. Talvez seja uma mania que a gente tenha e a gente só descobriu agora que tem. Porque descobrir ainda é tudo que eu tenho feito... a cada hora, olhar, sorriso, abraço, e até nas suas seriedades. Me descobrir com você, cedo ou tarde, na hora que der, porque nós somos assim. Vem que eu continuo a te dar paz, mas não me deixa aqui no escuro, no medo, na falta de coragem de encarar esse mundo fajuto que nos colocaram e que só vale a pena porque eu te descobri e me descobri em você.




Declaração de amor

10 novembro 2014



Passei a noite toda pensando em nós. Estou dizendo o que houve logo no começo, para que você não perca o interesse de ler esta carta. Primeiramente, eu gostaria de lhe pedir desculpas e talvez isso te assuste um pouco. Perdão por, às vezes, falar demais e não pensar antes de pronunciar algumas palavras. Eu sei que esse meu jeito machuca, mas é que eu prefiro a dureza da sinceridade. Sei também que muita gente não entende esse meu jeito, às vezes mandona, noutras estupidamente sincera. Acredite, já perdi muita gente por culpa do meu gênio forte, já sofri demais tentando agir na melhor das intenções. Por isso não culpo você, nem o nosso relacionamento e nem a vida que eu escolhi para nós dois.

Eu não sou romântica, mas aprendi a ser menos seca por você. Não que você tivesse qualquer direito de me mudar, mas é que quando a gente ama de verdade, nós queremos ver o sorriso no rosto do outro. E para isso não medimos esforços, não planejamos caminhos, muito menos calculamos quedas. Vamos seguindo, indo até onde dá e quando não dá mais, traçamos outra rota, inventamos um caminho, criamos pontes, estradas e viadutos. Quando o amor é tão grande que esgota, nós cavamos mais fundo para que caiba mais e paramos em um momento para que transborde, para que inunde e leve para longe as coisas ruins.

O engraçado é que eu nunca quis que você mudasse, mas você mudou. Assim como eu, você se despiu de todos os seus vícios para experimentar os meus. E eu vi você gostando tanto disso, a ponto de não desistir mais. Quantas pessoas, no mundo, nós encontramos assim? Dois corpos, duas almas e duas pessoas completamente diferentes trocando peles e experiências sem desistência? Por quantas pessoas no mundo você mudaria? Eu acho muito provável que sua contagem não dê mais que 5 dedos. E é justamente por isso que passei a noite em claro. 


Eu mudei por você e dizem que o que vale nisso tudo é o bem um do outro, certo? Eu não sou difícil de decifrar. Quando me escondo, quero alguém que me encontre. Quando digo que não é nada, é muita coisa e eu não estou afim de discutir. Quando digo que te odeio, é só meu jeito de dizer que te amo sem querer. Eu sou o oposto de muita coisa que eu digo, por isso não se concentre tanto nas minhas palavras e sim nas atitudes que não precisam de descrições. Não desiste de mim, não. Cê sabe que a minha vontade louca de jogar tudo pro alto só existe porque eu sei que, depois, nós temos todo o tempo do mundo para reorganizar a casa. Não desiste de mim, não. Vamos arrumar a casa, a bagunça, a vida e os sentimentos. Nosso final feliz mora numa tarde fria de segunda-feira.



Longe demais

14 setembro 2014



A minha tentativa idiota de não falar sobre você chegou longe demais. Foi tão além que não coube nas linhas em que eu usava para desabafar. Foi tão grande que explodiu o peito e queimou tudo o que havia restado. Eu parei minha vida na tentativa de neutralizar você. Tentei fazer com que sua bateria acabasse e o carregador estivesse quebrado. Tentei cortar suas tranças, jogar fora sua capa, mas seus poderes só ficaram mais fortes. Suas lembranças ainda apareciam e meus dedos insistiam em discar seu telefone.

Minha busca por você foi longe demais. Tão longe, tão solitária e fria que me afastei de mim. E na tentativa de ser mais eu, fui tão mais você. Fui tão mais nosso passado e nossas músicas e fossas. E as vírgulas que separavam minha respiração da sua, se juntaram em rimas e súplicas de sentimento. O que foi que você fez comigo, ein? Diz pra mim para que eu possa me desfazer disso tudo. Diz pra mim para que nasça flores na minha estrada e brote pessoas no meu destino. Diz o que é que eu tenho que fazer para regar meus sentimentos e fazer com que deles cresçam ramos e não morram tão secos entre tanta água. É muita lágrima e pouco sentimento de verdade. É muita saudade e pouco você aqui.

Minha busca por você foi longe demais, porque eu não me conformo com a ideia de que você veio para ficar tão pouco assim. Não gosto de pessoas que vêem meu coração como uma forma idiota de turismo. Você não pode chegar aqui, deixar suas marcas, me consertar e ir embora. Não pode me entregar perfeita para outra pessoa me amar, enquanto cada molde do meu corpo tem o teu formato.

Você não podia ter ido embora enquanto as minhas intenções eram claras demais e cheias de sentimentos eternos. Você não podia ter virado as costas e achar que estava tudo o.k no seu adeus sem enormes e cansativas explicações.

Eu fui longe demais por você. Só queria que você tivesse me acompanhado na caminhada e chegado a um final mais bonito comigo, onde nós poderíamos ser, enfim, nós.

Não sei dizer: uma homenagem ao indescritível.

11 setembro 2014



Se existisse, na concepção mais ampla que alguém é capaz de ter sobre o amor, alguma palavra que fosse capaz de definir ou expressar o que sinto quando você sorri na minha direção, eu certamente a usaria. Mas, meu amor, acredite em mim, já que você me considera tão letrada: não há. Não há e provavelmente nenhuma criatura que habite este planeta seria capaz de inventar.

Sabe aqueles momentos em que você caminha pela praia e quando se dá conta já é hora do sol se pôr, então você para um pouco, senta para contemplar, se entrega ao momento mas não há um fio condutor dentro da sua cabeça, porque os pensamentos já não se ordenam mais. E você esta ali, absorto em algo que você não sabe o que é e não sabe como definir, mas você esta ali e isso diz tudo. É você dentro da paisagem emoldurada pela emoção indescritível, e tudo é tão profundo e abstrato que você consegue se visualizar do lado de fora da imagem e admirar esta tela por completo.

Eu poderia tentar com toda esta habilidade que você vive dizendo que eu tenho, mas logo eu que confio tanto em mim já te aviso de ante mão: vou falhar. Porque a falha é o resultado de expressar o inexpressável, definir o indefinível, narrar o inenarrável, dizer o que não tem como ser dito. Não é minha culpa e nem de sua. Não é culpa de ninguém que sejamos incapazes e se você olhar com seus olhos de criança que me encantam todo o dia, entenderá do que estou falando. É bonito. É puro e instigante, como só o sentimento que se sente passear pelas veias pode ser.

Nenhuma palavra no mundo contempla a dimensão do meu amor por você. Nem mesmo a palavra amor. Nem mesmo tudo que esta palavra implica. A gente sente e só , e é mágico porque você por muitas vezes nem percebe que sente... mas sente. E sente desde a ponta dos seus dedos até o buraco do seu estômago. Não sabe dizer se é bom ou ruim, mas é alguma coisa que se encontra, talvez, nesta linha tênue e sublime, que somente o mundo abstrato, o outro mundo, o que esta fora do espaço de inteiração que a linguagem nos permite viver, o mundo onde não há palavras. É lá que se encontra tudo que sinto, e não sei dizer.




Sobre a autora: Rossely Rodrigues. Baladeira, botequeira, caseira, namoradeira e solteira. Estudante de Letras da FURG, 23 aninhos de muitas histórias pra contar e outras que é melhor deixar pra lá. Escreve pra registrar o que é todos os dias: ela mesma.

Sobre um homem de bom coração

07 setembro 2014



Eu sei que é difícil, que você olha pros lados e me encontra em qualquer lugar por todas as memórias que eu produzi no seu quarto, por onde eu passei, por onde nós passamos. Tudo tem meu cheiro e a lembranças quase palpáveis de nós dois. Eu sei que você se odeia por não conseguir me deixar ir embora, que você chorou escondida no banheiro e deixou o celular no último volume em uma música animada para todo mundo achar que estava tudo bem e ninguém me culpar por tudo que eu fiz. Até assim você pensa em nós, em mim, mais do que tudo. 


Até quando você passa mais base e corretivo que o normal, pra esconder as olheiras que sua insônia causou, você pensa em mim e no que os outros vão pensar até a gente se resolver e isso faz com que eu me apaixone mais ainda. E quando você encontra meus amigos e tem a elegância espetacular de tratá-los perfeitamente, sem uma atitude diferente mesmo sabendo que eles estavam lá e me acobertaram de tudo até eu resolver te contar a verdade. Você demonstra todos os dias que é o maior presente que eu pude receber pelo simples fato de ainda estar aqui. 


Você faz uma pose de durona tão grande que eu quase acredito, mas no primeiro beijo que eu tento roubar, tu reclama do batom que vou borrar mas sorri no fim da frase, me dando total liberdade de ir lá e fazer você ter 10 segundos de paz. O que no momento tem sido algo raro, logo temos valorizado absurdamente cada 10 segundos que são proporcionados. 


Obrigado por continuar aqui, mesmo depois de eu conseguir balançar a corda que nos segura. Você não imagina quantas vezes eu me odiei por te obrigar a passar por isso, não é só você que tem chorado escondido. Não é só você que tem sentido o peso do mundo nas costas e todos os olhares pesados. Meus amigos me odeiam por precisarem mentir pra você, que jamais mereceu isso. 



Hoje é tão mais fácil reparar seus traços, a forma como junta automaticamente os cabelos quando eles começam a te incomodar, a forma como você anda quando seu tênis novo te machuca ou o jeito que me olha. Não dá pra negar que já vi mais brilho nos teus olhos, mas isso eu reconquisto, não costumo deixar coisas boas se perderem assim. Eu sei, também não costumava estragar tudo, mas acho que tudo é uma palavra muito forte, afinal de contas ainda estamos aqui. Você continua permitindo que eu te beije e repare em como você funciona, cada traço de personalidade e fisionomia que antes eu não tinha percebido. Inclusive, essa pinta no seu pescoço, um pouquinho mais pra baixo da orelha esquerda, é maravilhosa. 


Vem cá amor, a gente já resolve isso de uma vez. Não vai ter mais choro, nem erros nessa proporção. Só vem cá, me deixa te abraçar e segurar tudo aquilo que eu vi indo embora diante dos meus olhos. Me deixa ser pra você só a metade de tudo que você significa pra mim.

Assumo que todas as suas dores são minhas e que de todas as escolhas que fiz na minha vida apenas duas foram as melhores: você e consertar nós dois. E não há nada nessa vida que me faça desistir de alguém que nunca desistiu de mim.

(Esse tem agradecimento especial a todos aqueles que dividem suas histórias comigo, me ajudando a escrever! Continuem errando e consertando tudo, continuem tomando porres e vivendo conforme o coração de vocês manda, vocês me rendem um pedacinho de mim.♥)



Sobre a autora: Aline Madera, mais uma radialista criativa em formação. 18 anos, apaixonada pela faculdade de Rádio, Televisão e Internet, só encontrou uma válvula de escape: escrever.Talvez tenha nascido com o dom de jogar bem as palavras em uma folha de papel, talvez seja súbita inspiração, só lendo para descobrir.


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Um amor para chamar de meu

07 agosto 2014



Você reconheceria esse momento antes? Você poderia jurar por todos os deuses e todas as crenças que nunca sentiu algo assim? Eu nunca soube quando era amor. Nunca soube distinguir um batimento cardíaco acelerado por paixão de um ataque de desgosto. Eu fazia um esforço absurdo para sentir alguma coisa além de nada, mas sempre desistia na metade do caminho. É como me imaginar agachada no chão do quarto, com dedos cruzados, esperando por um milagre chamado sentimento verdadeiro, mesmo defendendo a irracionalidade dele. Inevitável. Lamentável. Por favor, não pense que sou louca. Ou perseguidora. Muito menos dramática. É que sou sensível, sabe? Passei a vida toda escondendo minha sensibilidade em buracos negros dentro de mim. É como se, caso ela fosse descoberta, tudo acabaria. Tudo desmoronaria e eu ficaria em pedaços.


Amar é sofrer. Mas como conviver com a solidão de não amar? Sempre me isolei emocionalmente para que não tivesse frustrações indesejadas. Sempre carreguei o meu deserto particular para que, em meio à multidão, eu pudesse ter meu cercadinho branco cheio de cactus dolorosos e afiados. Aí você vem com lindos lábios e palavras insistentemente doces, o que eu poderia fazer? Eu não encontrei nenhuma estrada que não me levasse até você. Ouvir "eu te amo" e ficar corada nunca fez parte de mim, nem do meu sistema nervoso. Mas você se infiltrou até nas minhas veias e eu te carrego para todos os lados agora. Eu nunca amei de verdade, mas você, com sua droga de meiguice me convenceu de que a vida é muito mais bonita e encantadora quando partilhada.


Eu lutei arduamente contra esses sentimentos coloridos que invadiram meu mundinho preto e branco. Mas, provavelmente todos os poetas e poetisas estejam certos sobre a necessidade de amar e eu perdi a batalha. Eu encontrei um amor para chamar de meu. E essa foi, provavelmente, a guerra mais bonita que eu perdi.

Vida Breve

17 julho 2014



Não importa o quanto você corre, foge ou o quanto tenta se esconder, o fim do dia sempre chega para que um novo possa começar. Não importa o quanto você adie os ensaios e os dramas da sua vida, ela acontece da mesma forma e em uma intensidade absurda. Não importa quantos amigos você deixa ou encontra, quantos amores liberta ou aprisiona, quantas idas e vindas se deixa viver, porque tudo gira em torno da ideia de que o mundo gira. E tudo volta e vai embora e depois retoma o caminho e muda a direção e assim sucessivamente. A vida acontece enquanto você brinca de se esconder. Ela escorre pelos dedos enquanto você faz joguinhos sentimentais ao invés de se entregar de uma vez por todas e ser feliz de verdade.


Não fica parado aí, não. Não se acomode tanto ao ponto de acreditar em tudo o que te dizem. Vá atrás das tuas verdades, dos teus anseios, crie novos medos e ria de você mesmo por ser mole demais às vezes. Os dias têm a mesma quantidade de horas, mas não são iguais. Cada um deles nasce com o propósito de criar mais uma experiência na sua vasta lista guardada na memória. Cada manhã traz uma oportunidade diferente da de ontem e as coisas mudam sempre. Busque as bênçãos que estão estocadas esperando seu acordar. A beleza da vida está nos detalhes do cotidiano, nas pequenas coisas que muitas vezes passam despercebidas. Tudo depende de você: a forma como você vive e as coisas que você recebe como recompensa.


A vida passa e tudo acontece rápido demais. Saiba viver. Saiba ir além. Descubra quais são seus limites e ultrapasse-os. Esteja por um triz para que alguém te salve ou brinde a insanidade de viver a vida verdadeiramente.



“Vida louca, vida breve. Já que eu não posso te levar, quero que você me leve.”

Cura

11 julho 2014



Acostume-se com o fato do amor estar em tudo. Na fila de um banco, na padaria ou dentro das escolas. Você vai encontrar o amor quando ver um jovem casal sorrindo ao caminhar de mãos dadas ainda com o uniforme do colégio, vai percebê-lo quando um neto der o lugar a sua avó no ônibus ou quando um pai abraçar ternamente a filha que sentou-se em sua coxa e fielmente acreditou que aquele era o lugar mais confortável do mundo. Não adianta você negar e dizer que não confia ou não acredita no amor. Porque aquele bolo de chocolate que sua mãe fez para arrancar-lhe um sorriso é puro amor. Porque aquela vez em que seu melhor amigo bateu a porta do seu quarto chateado por algo que você disse sem pensar, aquilo também era amor. A lágrimas que você derramou e só o seu travesseiro conseguiu absorvê-las também era amor.



A questão não é o que machuca e sim o que cura. Se tem uma frase que faz sentido na minha cabeça, sem dúvidas, é que o amor cura. Porque é o que ele faz. Não digo homem e mulher, cama e edredom. Esse ai também cura, mas é outra historia. Eu falo sobre aquele beijo no joelho que sua mãe dava e prometia sarar. Eu digo sobre o abraço terno de uma tia que se preocupa de verdade com você ou por amigos que são capazes de ficar na sua casa em um sábado de verão pelo simples fato de você não poder sair porque aquela sinusite atacou e você não consegue andar de dor de cabeça. Esse é o amor que cura. Cura feridas, sinusite, sábados tediosos e domingos duas vezes mais. É o amor que cura os outros amores que vacilaram e se perderam. É o acreditar outra vez que te faz amar.


Não me entenda mal, isso não é mais um discurso de positivismo para você levantar da cama e recomeçar sua vida. Isso é mais um discurso para te acostumar com a verdade. Não dá pra fugir do amor que sua mãe coloca na comida que ela faz, logo não é possível fugir de algo que você tem tentado fugir. Você tem gastado suas forças de forma errada, desculpa pela sinceridade, mas não vai rolar. Bate de frente e aceita que as doses diárias que você recebe estão por toda parte e é mais fácil baixar a guarda do que levantar muralhas que depois vão te dar um trabalhão para serem derrubadas.


Todas as vezes que eu resolvi negar, me arrependi. Todas as vezes que tentei lutar contra algo que chega e bate o pé dizendo que vai ficar e não tem quem tire, eu perdi. Não dá pra lutar com a verdade e com o instinto: você nasceu sim para viver um grande amor. Por mais errado que tudo tenha dado, por mais errada que sua história possa parecer, AINDA ASSIM, existe amor nela. E sempre vai existir.

Abre os olhos, veja quantos atos de amor você recebe durante as 24 horas do seu dia.


Digo e repito que o amor cura porque me curou. Porque me cura todos os dias e eu faço questão de deixar com que ele seja o melhor remédio de todos e sem contraindicações.



Sobre a autora: Aline Madera, mais uma radialista criativa em formação. 18 anos, apaixonada pela faculdade de Rádio, Televisão e Internet, só encontrou uma válvula de escape: escrever.Talvez tenha nascido com o dom de jogar bem as palavras em uma folha de papel, talvez seja súbita inspiração, só lendo para descobrir.


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Moeda de troca

25 junho 2014



Se eu tivesse uma chance eu trocaria todas as mensagens babacas que eu recebo e respondo por educação de outros caras por um dia com você e nem chegaria a pensar duas vezes sobre isso. Eu trocaria todas as cantadas que eu recebo de pessoas que jamais terão o lugar que você tem pela chance de voltar no nosso tempo juntos. Naquele tempo onde você ficava emburrado ao saber que alguém tentou conversar comigo com intenções não tão boas quanto as suas. 


Eu trocaria os convites para ir ao cinema, para jantar e para jogar conversa fora em alguma mesa de bar badalado que é conhecido por estar em uma avenida movimentada da nossa cidade por um dia na sua casa, brincando com seu cachorro e assistindo qualquer besteira na televisão, já que um não deixaria o outro prestar atenção mesmo. 


Eu trocaria as músicas que eu recebo de indiretas quando alguém quer me dizer algo pela nossa música. E sem dúvidas, eu trocaria os telefonemas chatos e constantes que eu recebo por um áudio seu, já que você sabe que eu odeio falar ao telefone, mas até isso com você era diferente.
Definitivamente não há nada neles que me interesse, não há nada neles que faça meu coração pulsar como pulsava ao escutar o som da sua buzina na minha porta e ver o seu sorriso sem graça ao me encontrar. Não é que eu não queira te esquecer, mas ninguém tem sido melhor que você, entende? A culpa não é minha, não dá pra fugir. Esses garotos aparecem como se eu precisasse deles quando eu não quero e não preciso disso. 


Não quero outro buraco, não quero precisar tratar outra ferida, não quero ter mais um cheiro para me perseguir e nem deixar de frequentar algum lugar outra vez. Eu não preciso que me liguem, que insistam e que tentem de toda forma mais barata e comum me convencer a ficar, entendam que eu não vou ficar. E quem quiser que eu fique vai precisar ralar muito para isso e ter uma paciência gigantesca, já que ninguém me rouba sorrisos leves tão facilmente e, quando um insiste em escapar, a realidade me tira os próximos e eu volto a me lembrar de tudo que não precisa acontecer outra vez.


Mas, que eu trocaria a insistência dos outros por uma constância sua, isso eu trocaria.




Sobre a autora: Aline Madera, mais uma radialista criativa em formação. 18 anos, apaixonada pela faculdade de Rádio, Televisão e Internet, só encontrou uma válvula de escape: escrever.Talvez tenha nascido com o dom de jogar bem as palavras em uma folha de papel, talvez seja súbita inspiração, só lendo para descobrir.

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Pode ir embora

19 junho 2014



Todas as frases, textos e trechos que me diziam para te esquecer nunca fizeram muito sentido. Todas as rezas da minha mãe e súplicas das minhas amigas, sempre foram em vão. Me cansei de bater de frente com o “você precisa virar a página, se quiser começar um novo capítulo”. Tentei a escrita, música e até um novo amor, mas sempre terminei em você. Hoje, depois de tanto tempo vivendo às cegas, tudo parece muito óbvio e claro. Então, te liberto. Pode seguir seu caminho em paz.

Depois de tantas idas e vindas, memorizei o caminho de volta para casa. O beco sombrio da rua 12 não me assusta mais. Logo, não preciso de você para passar por ele. A verdade é que você se afastou demais, sabe? Repentinamente e demasiadamente. Graças a Deus o ser humano tem essa capacidade enorme de adaptação. Se dependesse de mim, levaria anos. Mas acontece que mesmo não querendo, a gente se acostuma. Mesmo não suportando algumas coisas, a gente aprende a lidar. 

Sua ausência se tornou constante. Meu cachorro se acostumou com o canto vazio da cama e nem chora mais quando olha para ele. Acredite, eu também não. Aprendi, entre choros e filmes dramáticos, que o maior drama da vida é se submeter a esse sofrimento louco e doentio por quem nunca mereceu.

Pode seguir seu caminho, vai. Pode pegar a mala onde você escondeu todas as minhas lembranças e jogar bem longe. Ou abandonar em qualquer canto para que algum estranho me encontre perdida por aí. Só sei que não te pertenço mais. Talvez isso tenha acontecido há muito tempo. Digo, você abriu mão de nós antes de eu abrir mão de você. Dizem que a ordem dos fatores não altera o produto, descobri pelo nosso romance que isso só funciona na matemática mesmo. No meu caso, alterou o romance, as atitudes, os sorrisos... Tudo. Me perdoe por ser a última a abandonar o barco. Estou saindo, deixei a casa limpa e vou apagar a luz.

Não vou mais me importar se você não lembrar a data do meu aniversário, nem vou esperar ansiosa pela sua ligação. Não vou mais segurar uma lágrima, nem pedir perdão. Cansei de me culpar por um fim que foi mais seu do que meu. Cansei de sentir a falta de ar tomando conta de mim na busca incansável de te alcançar. Eu cansei de você e de nós e de ser estupidamente idiota quando o assunto é você. Eu cansei de me importar. Pode ir embora, aqui já não é mais o seu lugar.

*Texto inspirado na música Veranizar - Léo Fressato.

Possibilidades

12 junho 2014



Qual meu problema em atrair gente que não presta? Vamos lá, qual a necessidade disso, universo? De conspirar para fazer meu coração acelerar quando ele passa, mesmo sabendo que as intenções são as piores. Eu sou uma pessoa boa, não dá para entender porque atraio esse tipo de personalidade, entende? Ele me olha com aquele sorriso torto, manda uma mensagem e me pergunta onde eu estou, dando a entender que quer me encontrar. Me faz rir quando estou perto e ao mesmo tempo que tira minha paz, também me direciona ao caminho de encontrá-la. Os dados da sorte desse jogo são lançados todo momento. Cada risada, olhar e toque. Um jogo extremamente perigoso que eu já conheço o final como a palma da minha mão e mesmo assim eu me deixo levar. 

Eu estou começando a achar que isso se encaixa na categoria de vícios, sou viciada na sensação de perigo que ele me traz quando me falta o ar enquanto tento descobrir qual vai ser a próxima ação dele. Se ele vai sorrir e chegar mais perto, se vai fechar os olhos enquanto acha graça de algo que eu disse e depois vai embora. Eu não sei se vai ou se fica e não quero cobrar entende? Vocês conseguem me entender? Isso tudo é errado! Eu estou insistindo em apertar a mesma tecla que outras vezes já deu defeito! Mas sabe aquela esperança? Aquela chaminha que insiste em arder lá no fundo do nosso coração? 

A gente se engana na esperança de que ele vá mudar, nos iludimos achando que vai ser diferente. E não há mal nenhum nisso, há? Eu preciso tentar! Eu não tenho como descobrir antes de tentar, ninguém conhece o final desde o começo, o amanhã faz parte do tempo e o tempo é volúvel. Talvez um dia o sorriso dele me enoje, talvez eu realmente quebre a cara e precise de algumas sessões de terapia e mais paginas de textos que me ajudem a superar as lembranças ou talvez, um talvez realmente alimentado por esperança, eu encontre aquele sorriso em um altar e em todas as tardes tediosas de domingo. Vai saber.




Sobre a autora: Aline Madera, mais uma radialista criativa em formação. 18 anos, apaixonada pela faculdade de Rádio, Televisão e Internet, só encontrou uma válvula de escape: escrever.Talvez tenha nascido com o dom de jogar bem as palavras em uma folha de papel, talvez seja súbita inspiração, só lendo para descobrir.

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Ame mais e sem medidas

31 maio 2014



Quantas pessoas você já perdeu em sua vida? Minha pergunta é bem genérica porque não se trata de momentos específicos, e sim sobre perdas. Um dia desses minha amiga me perguntou se eu sentia falta do meu avô. A única coisa que eu conseguia pensar era: como não sentir? Ele acompanhou meu crescimento, fez um papel de pai insubstituível (porque perdi o meu aos 8 anos de idade) e faleceu quando eu tinha acabado de fazer 19 anos. Ele era forte, saudável e enxuto aos 87 quando me deixou. Acho que justamente por isso foi um baque de cair o queixo, a estima e a vontade de qualquer coisa. O que me entristece mesmo é que essas coisas acontecem quando a gente não está esperando, entende? Eu havia começado 
em meu primeiro emprego de verdade quando ele adoeceu. E, justamente por se tratar do primeiro emprego, por mais que eu quisesse, eu não podia simplesmente abandonar tudo e ficar com ele para sempre. E é nessa deixa que minha consciência pesa tanto.

Eu queria que Deus mandasse um sinalzinho dizendo: “ei, hora de se despedir!”, e talvez assim eu não sentisse um aperto tão grande ao me lembrar das pessoas que se foram sem ter aquela despedida que fizeram por merecer a vida toda. Sem ter aquele carinho absurdo que deram sem esperar reciprocidade alguma. Se eu soubesse que seria a última vez, teria permanecido quieta no quarto, segurando a mão dele e dizendo palavras confortáveis e bonitas. Se eu soubesse que maus tempos estavam chegando, teria largado o emprego e passaria tardes inteiras assistindo a Vale a Pena Ver de Novo ou Sessões da Tarde sem qualquer pesar por ficar sem grana no final do mês. Eu passaria mais dias e tardes e noites ouvindo suas histórias. Mas você sabe, na vida nada é tão perfeito, nem tão justo.

Atualmente tenho 21 anos, não tenho avós, nem pai e muitos tios já se foram. Não estou dizendo isso para atrair a piedade de ninguém, é apenas um apelo para que você acorde: a vida passa, e passa depressa demais! Tire um dia de folga e aproveite sua família como se fosse seu último dia com ela. Ou talvez você nem precise de folga, só precisa mudar um pouco seus hábitos. Ao invés de ficar trancado no quarto ouvindo música ou bisbilhotando a vida alheia em redes sociais, se dê a liberdade de rir com coisas bobas na mesa do jantar. Troque suas grosserias por gentilizas. Não há felicidade, nem momento, nem dinheiro no mundo que compre uma tarde em um lar que transborde amor pela presença de pessoas queridas.

A vida não te dá a chance de se despedir, nem de compensar o tempo perdido. E quando a gente vê, já foi. Por isso deixe seu orgulho de lado e aproveite seus momentos tão especiais e únicos. “Dê valor as pessoas enquanto elas estão por perto, pois saudade não será motivo para que elas voltem.” E o aperto que fica no peito, dificilmente sara. Então abrace, beije, ame e aproveite as pessoas com quem você se importa de verdade. 

Não há, no mundo, orgulho que substitua a leveza de um ‘eu te amo’ ou um ‘eu me importo com você’ dito sem restrições.
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