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Finais não são adiáveis

07 julho 2016




Quando eu gosto muito de algo, quero que essa determinada “coisa” dure pelo maior tempo possível. Devoro meu chocolate preferido devagar, entre a luta de saborear cada pedacinho que se desfaz na boca e manter o sabor doce pelo maior tempo possível. Leio as últimas páginas de um bom livro lentamente, vivendo entre a curiosidade de saber o que acontecerá e a tristeza do fim.

Eu gosto de me iludir achando que a gente pode esticar um final como quem estica um chiclete que já perdeu o gosto. Mas, será que é saudável? Será que é suficiente? Tenho minhas dúvidas.



É bom acreditar que o melhor dia da vida pode durar para sempre, que as pessoas podem mudar e que relacionamentos não acabam. Eu já lutei tanto, mas tanto, contra as marés que me diziam que aquilo não ia funcionar, que o seu jeito não batia com o meu e que merecíamos encontrar algo que realmente nos fizesse feliz.

Mas o que fazer com o vício que tenho em permanência? Tenho medo de ir embora e perceber que o melhor era ficar. Sinto uma angustia infinita ao pensar que só temos uma vida e que errar pode ser fatal. E sabe o que eu não percebo de verdade? Que é mudando a rota que a gente encontra o caminho. É encarando o medo de frente que descobrimos nossa força.

Eu sempre sei quando algo chegou ao fim ou está prestes a acabar. A gente nota a fria diferença, mesmo tapando os olhos, os ouvidos e queimando as provas. E o que eu descobri com o tempo? O aperto no peito não passa, a sensação de fracasso não vai embora e a frustração de não ter se permitido uma segunda chance vivida por um outro ângulo é mortal.

A gente sabe, bem lá no fundinho, que adiar um final certo é permitir que o veneno mate aos pouquinhos, em doses dolorosas e traumáticas.

Um conselho? Permita-se pôr um fim naquilo que te impede de viver plenamente feliz e tenha coragem para fazê-lo quando necessário.






Raiane Ribeiro: 23 anos, publicitária por formação, redatora por paixão e agora youtuber em ascensão. Ariana cabeça dura, extremista e cheia de querer tudo "pra ontem". Criou o lema "chora e não me liga" para o blog e acabou adotando para a vida. Conheça meu canal no youtube clicando aqui > YouTube.

Sua hora vai chegar

15 fevereiro 2016



Calma, querido. Se tem uma coisa que eu gostaria de te pedir, é para que tenha calma. Dizem por aí que a ficha demora um pouco a cair, principalmente quando se trata de um homem. Faz o seguinte, vai lá curtir seus amigos e encher a cara naquela festa que você odeia. Vai, anota o telefone de todas as garotas que você encontrar na balada e diz que vai ligar no dia seguinte. E liga, tá? Marque aquele jantar que vai ser inesquecível e perceba, com cautela, que você não vai encontrar necessariamente o que procura. Mas tenta, tudo bem?

Quando acordar no dia seguinte e perceber que ela foi embora antes do despertador tocar, você vai ver o quanto é difícil encontrar alguém que permaneça. No momento em que contar suas histórias que, convenhamos, só você acha engraçado, pode ser que ela não faça o menor esforço para manter o brilho nos seus olhos e feche a cara. Ouça bem ela dizer seu nome sem mostrar qualquer tipo de sentimento que transborda, que acolhe e que traz paz e perceba que esse tipo de coisa é praticamente impossível forjar. Não se assuste quando notar que ela não faz o mínimo esforço para não te magoar, nem escolhe as palavras cuidadosamente para não te atingir. Nem todo mundo tem esses cuidados que nós tínhamos um com o outro.



No dia a dia, pode ser que você perceba que detalhes fazem toda diferença. Um sms desejando bom dia, café na cama em dia especial, brincadeiras que aconteciam apenas para alegrar o outro em dias um pouco mais escuros, sabe? Todas essas coisas que parecem comuns quando estamos em um relacionamento há tanto tempo, fazem falta quando estamos sozinhos. Mas calma, eu não preciso adiantar nada sobre como você irá se sentir.

No dia que você perceber que a pessoa que escolheu para viver não é nem metade daquilo que você espera – e que tivemos por tanto tempo - aí, nesse exato momento sua ficha vai cair: você vai perceber que ela poderia ser eu, mas não é. E anote o que eu estou dizendo: você vai lembrar de mim e de tudo o que vivemos nesse tempo juntos. É bem provável que até lá eu já tenha finalizado esse texto, o capítulo, o livro e a saga. Já terei seguido em frente, sozinha ou acompanhada, mas que fique registrado aqui: eu sempre soube que isso aconteceria.

A lembrança vai chegar, calma e lenta para te tirar o sono. Nesse dia, eu não vou lhe desejar mal, nem bem, nem nada. Apenas que a falta, que será quase palpável de tão real, passe. E que você consiga ser feliz novamente um dia.

Um rio que passou em minha vida

17 dezembro 2015



Heráclito, um antigo filósofo disse que: "Ninguém entra em um mesmo rio uma segunda vez, pois quando isso acontece já não se é o mesmo, assim como as águas que já serão outras”.

Os relacionamentos são assim, transformamo-nos rio-corpo das pessoas.

É clichê dizer que todas as pessoas entram em nossas vidas, entram para nos ensinar exatamente aquilo que precisávamos aprender, mas a pergunta é: a gente realmente aprende ou finge que aprende?

São tantas as desculpas que damos para os fins, justificando os meios. A culpa é quase sempre do outro, nessa visão gasta. Perdemos energia criticando ou nos justificando e não nos damos conta de que todos são culpados e inocentes, mas que isso não é o importante. O que importa, de fato, é aprender. De verdade, sem as máscaras que nos colocamos ou aquilo que colocamos nas costas do outro.

O rio mudou? Quanto? Mas mudou mesmo?

É importante que, a cada nova curva (vide fins, términos e tempos) paremos para ouvir o som das águas. Aquela voz que vem lá de dentro, e que julga as situações com imparcialidade, nos questionando: onde foi que eu deixei-me poluir? Deixe-me, afinal? Quando foi que minhas águas foram puras? De tudo, em algum momento puderam me beber sem receios? O que houve de bom? O que houve de ruim?

Quem sou eu de verdade? Repare: verdade não é aquilo que nos fizeram acreditar ou aquilo que queremos vender. Verdade é verdade. E você sabe qual é a sua.

O que o outro errou, é do outro, ele que faça suas próprias análises. Ele que faça o tratamento da própria água, se quiser matar a sede de alguém uma vez mais. Mas que possamos usar de honestidade com nós mesmos. Que no silêncio de nossa autoanálise possamos admitir: errei aqui, acertei ali e daqui em diante é assim que as águas vão rolar.


Uma coisa é fato: ninguém é o mesmo depois dos relacionamentos, mas ser melhor ou pior é uma opção de cada um. Nenhum rio é mesmo na segunda vez que você o vê. Jamais. E nós também não. A transformação é contínua.


*Texto colaborativo.

Testes Constantes

04 outubro 2015



As coisas parecem mais simples quando você deixa elas irem. A partir do momento que você acha que algo é seu, quando você acredita que nada mais importa ou que você acertou, você ganha confiança demais. E sabe qual o problema da confiança? Você perde o medo. E o medo é um dos sentimentos necessários para sobrevivência de outros sentimentos vitais do ser humano. Sabe aquilo de ter medo de perder? É aí que tá, você valoriza. Você luta com todas as suas forças, esgota suas energias, move montanhas a partir do momento que você tem medo. Às vezes nós precisamos ter medo para que a chama não se apague. Assim como a coragem é combustível de sonhos o medo é combustível para mudanças. 

O medo, na medida certa, nos faz perceber que no fim das contas nada é nosso. Tudo é conquistado e facilmente perdido em segundos. Segundos de um descuido, de uma dose a mais, de uma palavra dita sem pensar e pronto, tudo que você confiava ter conquistado vai por água abaixo. Acredito que a linha entre o medo e a confiança é mais tênue do que imaginamos. Se o medo ultrapassar o limite dele, nós nos prendemos demais. Se a confiança ultrapassar a linha dela, nós perdemos demais. Sobre sentimentos tão venenosos e tão medicinais não há como formular uma receita mágica, só testando. 

Alguns têm alergia a remédios específicos, digo que o amor cura porque me curou quando soube usar a medida certa dele. Soube que o amor me curava quando injetei em mim coragem para acreditar em dias melhores. Soube que o medo me aprisionava quando percebi o quão dura era minha armadura e o orgulho tão forte quando vi possibilidades passarem pelos meus olhos e irem embora. 

A vida é assim mesmo, sempre defendo que tentar é melhor que viver com um não eterno ecoando na cabeça. Mas que, precisar passar por algumas coisas que podiam ser evitadas dói, isso dói. E eu ainda não descobri qual dos sentimentos e a gramação correta deles pra curar essas coisas. Vou tentando, quem quiser pode me seguir.

Sou quem eu quero ser

06 janeiro 2015



Eu não sou a pessoa mais forte do mundo, mas se precisar, levanto o peito e crio coragem, porque não gosto de levar desaforo para casa. Não sou a mais feliz, nem tenho uma vida perfeita, admito. No corre-corre do dia a dia às vezes me perco, me assusto e choro, mas e daí? Não sou a mulher maravilha, mas uso a força que tenho para driblar meus problemas, meus dramas e as consequências dos meus atos.

Sempre fui meio louca. Falo alto, bebo, faço piadas impróprias, falo palavrões e isso nunca me fez menos feminina. Sou ansiosa, nervosa, dramática e escandalosa. Tenho o hábito de mexer demais no cabelo e me entregar nos pequenos detalhes. Gosto de conhecer pessoas novas e manter os velhos amigos. Acredito em amizade verdadeira e no melhor das pessoas.

Sou extremamente realista, tenho os pés no chão e a cabeça nas nuvens. Sempre voo mais alto quando abro meu Word e boto pra fora tudo o que me incomoda. Vomito palavras, sentimentos, amores e indignações. Gosto de pessoas que se entregam de corpo e alma, porque coisas mornas esfriam rápido demais. Prefiro o intenso, o inesperado e as peças que a vida nos prega.

Gosto de pessoas decididas, porque sou muito indecisa a respeito de tudo e sempre preciso de um empurrãozinho. Já perdi pessoas por ser quem eu sou. Ariana, temperamento forte e mandona demais, sabe? Não que isso seja proposital ou seja feito na pior das intenções. Tudo acontece quando estou pensando no bem do próximo. Esse é um fato importante sobre mim: preciso melhorar minha forma de me expressar. Ser sincera sem magoar demais.

A verdade é que eu sempre sou quem eu quero ser. Um dia uma menina meiga e indecisa, noutro uma mulher decidida e que sabe bem o que quer. Um dia de um jeito, noutro dia do avesso e assim eu sigo. Só gosto das ordens que são dadas por mim. Dito meus limites, minhas regras e meu jogo. A vida é curta demais para que não seja vivida conforme nosso próprio plano.

Todos os dias eu decido o que é importante para mim e dou um passo em direção a minha felicidade. Se vou quebrar a cara? Não sei. Mas tenho certeza que qualquer coisa é melhor do que ficar nessa ânsia do “se” que nos assombra no final do dia.



Dicas para superar o fim de um relacionamento

27 dezembro 2014



Términos nunca são fáceis. Conhecemos alguém, nos apaixonamos e, justamente por viver o momento, não pensamos que isso um dia vá chegar ao fim. Algumas pessoas lidam com esta situação muito melhor do que outras. O fato é que todo mundo está sujeito a passar por isso. Eu já passei, você que está me lendo com certeza já passou e se não aconteceu ainda, aguarde, você também vai passar.

Faz parte do ciclo natural de todo e qualquer relacionamento. Conhecemos pessoas, quebramos a cara e terminamos, até chegar o momento em que encontramos alguém que fique para sempre. Até lá, muita gente ainda vai passar pela sua vida. Por isso, é importante saber superar sempre e não se prender aos finais.

O processo de cura envolve algumas etapas, vamos listar algumas e esperamos (sinceramente) que elas te ajudem daqui para frente!

1) Tenha amor próprio


Quando um relacionamento termina, tudo soa muito difícil. Temos vontade de ligar, ir atrás e tentar um recomeço. Justamente por isso, é importante que você estabeleça limites. Nunca, eu disse NUNCA, se humilhe para ganhar o amor de alguém. Amor não se implora, nem se mendiga, nem nada disso. Ou a coisa é recíproca ou não é. Então, valorize-se. Ame-se! Lembre-se: as pessoas recebem o amor que elas merecem. Já decidiu qual é o amor que você está disposta a ganhar?

2) Corte relações

Essa é uma fase realmente difícil, porém muito importante. Você não vai conseguir esquecer o cara se continuar falando com ele toda noite antes de dormir. Isso só vai alimentar suas esperanças e fazer com que você sofra futuramente. Se o término for recente, você precisa deletar o número, bloquear nas redes sociais, etc. Calma, não estou falando para você deletar ele da sua vida para sempre, vocês podem voltar a serem amigos um dia. Mas é que neste período de abstinência (sim, é isso mesmo!) é importante que você mantenha distância para poder se curar. Tenha um tempo só para você, sem o espírito e as lembranças do ex para te atazanar!

3) Divirta-se

Ligue para suas amigas! Vá ao cinema, as compras, ao museu, teatro, balada ou qualquer outra coisa. Ocupe sua cabeça com coisas que gosta e seu tempo com as pessoas que ama. Nessa etapa, o apoio de suas amigas(os) será de extrema importância. Faça coisas que distraiam seu pensamento e não te lembrem o fim do namoro.

4) Não se culpe
Não fique procurando os motivos da separação, nem calculando cada passo que você deu. Lembre-se: um relacionamento é feito de duas pessoas e não existe essa de que um é totalmente errado e o outro totalmente certo.

5) Não compare
Se você encontrar outra pessoa com a qual tenha vontade de ter um relacionamento, POR FAVOR, não tente encontrar seu ex no atual. Muitas pessoas cometem esse erro. Ai, ele é fofo, educado, gentil, bonito, mas não fala comigo como o fulano falava. Ou não faz o que o fulano fazia. PARE! Entenda que as pessoas são diferentes e únicas, cada uma com suas qualidades e defeitos. Você nunca vai encontrar seu ex no atual. E mesmo que encontrasse, não seria nada legal, concorda?

6) Se preferir ficar sozinha, fique!
Não existe uma lei que diz que você só cura um desamor com outro amor. Então, se quiser aproveitar seu tempo sozinha, aproveite! Curta bastante, aprenda a se amar e a se valorizar. Quando você estiver preparada para embarcar em outro relacionamento, você vai saber. Antes de tudo, cultive sua autoestima e amor próprio. Entenda que para amar outra pessoa, você precisa, primeiramente, se amar. Tenha um tempo sozinha para se curtir.


E aí, gostaram das dicas? Se tiver algum conselho para acrescentar ou experiência que queira compartilhar, é só deixar nos comentários. Espero que este post ajude você. :)



Meu vício não é você

07 dezembro 2014



Eu não sei que tipo de droga você colocou na minha bebida, nas flores que me deu ou no travesseiro onde seu cheiro ficou por tanto tempo. Eu não sei o que você borrifou no meu apartamento, que não te deixa ir embora nunca. Eu não amo mais você, não. Agora eu amo a mim. Me abraço, me beijo, me olho no espelho e me namoro.

Eu não sei de onde é que vem essa ânsia meio louca e torta de saber sobre seu paradeiro. Assim, não vai mudar em nada a minha vida se você tiver encontrado um outro alguém. Na verdade, eu até espero que isso já tenha acontecido. Porque, convenhamos, eu não quero ser a única a ter seguido em frente.

Eu desejo a sua felicidade em todas as vezes que alguma recordação sua me atinge na cabeça. Eu mentalizo coisas boas, emano luz, raios de amor e paz para que você trilhe seu caminho sem obstáculos e para que todas as portas boas se abram para você. Sempre desejei, do fundo do meu coração, que você fosse muito feliz.

O que eu sei, é que você foi uma das pessoas mais importantes da minha vida. E, não é porque seguimos caminhos opostos que eu vou te odiar e desejar que sua vida sem mim seja um lixo. Muito pelo contrário, eu desejo o melhor para as pessoas que amo. E atingi o ápice do desapego quando torci para que você se acertasse com a sua namorada nova ou para que conseguisse ir sempre além do que espera.

Meu vício não é você. É saber sobre como anda a sua vida e se tudo tem permanecido no seu devido lugar. Meu vício é saber que você está se alimentando, vivendo bem, conquistando seus objetivos e sendo você mesmo. Meu verdadeiro vício é um “Como vai você?” num esbarro acidentalmente forjado.


Porque não importa quantas vezes eu te esqueça, lembrar você ainda é meu exercício predileto.



5 coisas que toda mulher odeia ouvir

10 novembro 2014



Muitos homens não sabem lidar com o humor feminino, isso é fato. E, além disso, alguns sempre falam coisas desnecessárias - que são absurdamente irritantes - e pior, na hora errada. 

Fiz uma listinha de 5 coisas que toda mulher odeia ouvir e que você (homem que está me lendo), deve evitar dizer a uma dama. De preferência nunca diga, tá? Nunquinha. Se liga aí:

- Você tá de TPM?

Homem tem essa mania de achar que, só porque a mulher tá irritada, ela tá de TPM. O cara saiu escondido, mentiu, ficou com outra ou sei lá o que, a mulher fica puta e o que eles dizem??????????? "Nossa, mas você tá fazendo esse drama todo por isso? Você tá de TPM???" Para eles mulher não tem motivo pra ficar irritada.. é tudo culpa da TPM!

- Nossa, você deu uma engordadinha, né?

Qualquer comentário sobre peso direcionado a uma mulher deve ser positivo ou é melhor ser guardado no fundo do seu coração.. uahauhauha Sério, tem coisa pior que isso? Eu fico puta de ódio e ainda mando logo um: O CORPO É MEU, FAÇO O QUE EU QUISER COM ELEEEEEE! Bem simples.

- É... Não prestei atenção... Repete?

Você tá lá falando, falando, falando, falando, termina e pergunta o que ele acha disso tudo. O que ele diz????? "Oi??? Não estava prestando atenção, repete?" Dá uma vontade louca de voar no pescoço da vítima, mas só dizemos: "affffff, nada. Esquece". Vai negar?

- Você vai com essa roupa?

Depois de horas e horas se arrumando, o cara te olha e diz: você vai com essa roupa? Na mesma hora eu, mesmo que eu esteja me sentindo a diva da night, me sinto péssima e perco a vontade de sair. É pra acabar com o ânimo, vontade e paciência de qualquer pessoa!

- Amor, fica calma!

Homem tem mania de mandar essa logo no meio de uma briga. "Amor, calma, é só uma amiga!" "Amor, não precisa ficar assim... calma!" "Amor, calma, por que você tá gritando?" AHAM, TÁ BOM QUERIDO. VEM AQUI QUE VOU TE MOSTRAR O QUANTO VOU FICAR CALMA, TÁ BOM???


E você, também é assim? Tem alguma frase que você o-d-e-i-a ouvir? 



Declaração de amor



Passei a noite toda pensando em nós. Estou dizendo o que houve logo no começo, para que você não perca o interesse de ler esta carta. Primeiramente, eu gostaria de lhe pedir desculpas e talvez isso te assuste um pouco. Perdão por, às vezes, falar demais e não pensar antes de pronunciar algumas palavras. Eu sei que esse meu jeito machuca, mas é que eu prefiro a dureza da sinceridade. Sei também que muita gente não entende esse meu jeito, às vezes mandona, noutras estupidamente sincera. Acredite, já perdi muita gente por culpa do meu gênio forte, já sofri demais tentando agir na melhor das intenções. Por isso não culpo você, nem o nosso relacionamento e nem a vida que eu escolhi para nós dois.

Eu não sou romântica, mas aprendi a ser menos seca por você. Não que você tivesse qualquer direito de me mudar, mas é que quando a gente ama de verdade, nós queremos ver o sorriso no rosto do outro. E para isso não medimos esforços, não planejamos caminhos, muito menos calculamos quedas. Vamos seguindo, indo até onde dá e quando não dá mais, traçamos outra rota, inventamos um caminho, criamos pontes, estradas e viadutos. Quando o amor é tão grande que esgota, nós cavamos mais fundo para que caiba mais e paramos em um momento para que transborde, para que inunde e leve para longe as coisas ruins.

O engraçado é que eu nunca quis que você mudasse, mas você mudou. Assim como eu, você se despiu de todos os seus vícios para experimentar os meus. E eu vi você gostando tanto disso, a ponto de não desistir mais. Quantas pessoas, no mundo, nós encontramos assim? Dois corpos, duas almas e duas pessoas completamente diferentes trocando peles e experiências sem desistência? Por quantas pessoas no mundo você mudaria? Eu acho muito provável que sua contagem não dê mais que 5 dedos. E é justamente por isso que passei a noite em claro. 


Eu mudei por você e dizem que o que vale nisso tudo é o bem um do outro, certo? Eu não sou difícil de decifrar. Quando me escondo, quero alguém que me encontre. Quando digo que não é nada, é muita coisa e eu não estou afim de discutir. Quando digo que te odeio, é só meu jeito de dizer que te amo sem querer. Eu sou o oposto de muita coisa que eu digo, por isso não se concentre tanto nas minhas palavras e sim nas atitudes que não precisam de descrições. Não desiste de mim, não. Cê sabe que a minha vontade louca de jogar tudo pro alto só existe porque eu sei que, depois, nós temos todo o tempo do mundo para reorganizar a casa. Não desiste de mim, não. Vamos arrumar a casa, a bagunça, a vida e os sentimentos. Nosso final feliz mora numa tarde fria de segunda-feira.



Um amor para chamar de meu

07 agosto 2014



Você reconheceria esse momento antes? Você poderia jurar por todos os deuses e todas as crenças que nunca sentiu algo assim? Eu nunca soube quando era amor. Nunca soube distinguir um batimento cardíaco acelerado por paixão de um ataque de desgosto. Eu fazia um esforço absurdo para sentir alguma coisa além de nada, mas sempre desistia na metade do caminho. É como me imaginar agachada no chão do quarto, com dedos cruzados, esperando por um milagre chamado sentimento verdadeiro, mesmo defendendo a irracionalidade dele. Inevitável. Lamentável. Por favor, não pense que sou louca. Ou perseguidora. Muito menos dramática. É que sou sensível, sabe? Passei a vida toda escondendo minha sensibilidade em buracos negros dentro de mim. É como se, caso ela fosse descoberta, tudo acabaria. Tudo desmoronaria e eu ficaria em pedaços.


Amar é sofrer. Mas como conviver com a solidão de não amar? Sempre me isolei emocionalmente para que não tivesse frustrações indesejadas. Sempre carreguei o meu deserto particular para que, em meio à multidão, eu pudesse ter meu cercadinho branco cheio de cactus dolorosos e afiados. Aí você vem com lindos lábios e palavras insistentemente doces, o que eu poderia fazer? Eu não encontrei nenhuma estrada que não me levasse até você. Ouvir "eu te amo" e ficar corada nunca fez parte de mim, nem do meu sistema nervoso. Mas você se infiltrou até nas minhas veias e eu te carrego para todos os lados agora. Eu nunca amei de verdade, mas você, com sua droga de meiguice me convenceu de que a vida é muito mais bonita e encantadora quando partilhada.


Eu lutei arduamente contra esses sentimentos coloridos que invadiram meu mundinho preto e branco. Mas, provavelmente todos os poetas e poetisas estejam certos sobre a necessidade de amar e eu perdi a batalha. Eu encontrei um amor para chamar de meu. E essa foi, provavelmente, a guerra mais bonita que eu perdi.

Vida Breve

17 julho 2014



Não importa o quanto você corre, foge ou o quanto tenta se esconder, o fim do dia sempre chega para que um novo possa começar. Não importa o quanto você adie os ensaios e os dramas da sua vida, ela acontece da mesma forma e em uma intensidade absurda. Não importa quantos amigos você deixa ou encontra, quantos amores liberta ou aprisiona, quantas idas e vindas se deixa viver, porque tudo gira em torno da ideia de que o mundo gira. E tudo volta e vai embora e depois retoma o caminho e muda a direção e assim sucessivamente. A vida acontece enquanto você brinca de se esconder. Ela escorre pelos dedos enquanto você faz joguinhos sentimentais ao invés de se entregar de uma vez por todas e ser feliz de verdade.


Não fica parado aí, não. Não se acomode tanto ao ponto de acreditar em tudo o que te dizem. Vá atrás das tuas verdades, dos teus anseios, crie novos medos e ria de você mesmo por ser mole demais às vezes. Os dias têm a mesma quantidade de horas, mas não são iguais. Cada um deles nasce com o propósito de criar mais uma experiência na sua vasta lista guardada na memória. Cada manhã traz uma oportunidade diferente da de ontem e as coisas mudam sempre. Busque as bênçãos que estão estocadas esperando seu acordar. A beleza da vida está nos detalhes do cotidiano, nas pequenas coisas que muitas vezes passam despercebidas. Tudo depende de você: a forma como você vive e as coisas que você recebe como recompensa.


A vida passa e tudo acontece rápido demais. Saiba viver. Saiba ir além. Descubra quais são seus limites e ultrapasse-os. Esteja por um triz para que alguém te salve ou brinde a insanidade de viver a vida verdadeiramente.



“Vida louca, vida breve. Já que eu não posso te levar, quero que você me leve.”

Cura

11 julho 2014



Acostume-se com o fato do amor estar em tudo. Na fila de um banco, na padaria ou dentro das escolas. Você vai encontrar o amor quando ver um jovem casal sorrindo ao caminhar de mãos dadas ainda com o uniforme do colégio, vai percebê-lo quando um neto der o lugar a sua avó no ônibus ou quando um pai abraçar ternamente a filha que sentou-se em sua coxa e fielmente acreditou que aquele era o lugar mais confortável do mundo. Não adianta você negar e dizer que não confia ou não acredita no amor. Porque aquele bolo de chocolate que sua mãe fez para arrancar-lhe um sorriso é puro amor. Porque aquela vez em que seu melhor amigo bateu a porta do seu quarto chateado por algo que você disse sem pensar, aquilo também era amor. A lágrimas que você derramou e só o seu travesseiro conseguiu absorvê-las também era amor.



A questão não é o que machuca e sim o que cura. Se tem uma frase que faz sentido na minha cabeça, sem dúvidas, é que o amor cura. Porque é o que ele faz. Não digo homem e mulher, cama e edredom. Esse ai também cura, mas é outra historia. Eu falo sobre aquele beijo no joelho que sua mãe dava e prometia sarar. Eu digo sobre o abraço terno de uma tia que se preocupa de verdade com você ou por amigos que são capazes de ficar na sua casa em um sábado de verão pelo simples fato de você não poder sair porque aquela sinusite atacou e você não consegue andar de dor de cabeça. Esse é o amor que cura. Cura feridas, sinusite, sábados tediosos e domingos duas vezes mais. É o amor que cura os outros amores que vacilaram e se perderam. É o acreditar outra vez que te faz amar.


Não me entenda mal, isso não é mais um discurso de positivismo para você levantar da cama e recomeçar sua vida. Isso é mais um discurso para te acostumar com a verdade. Não dá pra fugir do amor que sua mãe coloca na comida que ela faz, logo não é possível fugir de algo que você tem tentado fugir. Você tem gastado suas forças de forma errada, desculpa pela sinceridade, mas não vai rolar. Bate de frente e aceita que as doses diárias que você recebe estão por toda parte e é mais fácil baixar a guarda do que levantar muralhas que depois vão te dar um trabalhão para serem derrubadas.


Todas as vezes que eu resolvi negar, me arrependi. Todas as vezes que tentei lutar contra algo que chega e bate o pé dizendo que vai ficar e não tem quem tire, eu perdi. Não dá pra lutar com a verdade e com o instinto: você nasceu sim para viver um grande amor. Por mais errado que tudo tenha dado, por mais errada que sua história possa parecer, AINDA ASSIM, existe amor nela. E sempre vai existir.

Abre os olhos, veja quantos atos de amor você recebe durante as 24 horas do seu dia.


Digo e repito que o amor cura porque me curou. Porque me cura todos os dias e eu faço questão de deixar com que ele seja o melhor remédio de todos e sem contraindicações.



Sobre a autora: Aline Madera, mais uma radialista criativa em formação. 18 anos, apaixonada pela faculdade de Rádio, Televisão e Internet, só encontrou uma válvula de escape: escrever.Talvez tenha nascido com o dom de jogar bem as palavras em uma folha de papel, talvez seja súbita inspiração, só lendo para descobrir.


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Tá faltando amor

24 junho 2014



Quando me perguntam sobre o que eu acho da situação atual do mundo, respondo com certeza e sem titubear: tá faltando amor. E quando digo isso, não estou querendo pagar de romântica incurável, é real. É sério. É drástico e triste. Tá faltando amor no mundo. Tá faltando sensibilidade no cara que tem coragem de botar fogo em um ônibus sabendo que tem uma criança dentro dele. Tá faltando um coração batendo de verdade em grupos de amigos que, por diversão, atacam e agridem pessoas que não tem onde morar. Só porque estão dormindo nas ruas, sem incomodar ninguém, merecem apanhar, levar facadas e serem queimados vivos. Tá faltando amor nessas pessoas que não notam gente assim também. O ser humano está tão acostumado com a promiscuidade, violência e egoísmo que nem se dá ao trabalho de se importar mais. Todo mundo veste um escudo cheio de não-me-toque-nem-me-olhe-muito-menos-fale-comigo, sorri amarelo e finge que está tudo bem enquanto essa falta destrói o resto.

Você abre o jornal e a manchete do dia é sobre um cara que matou a ex por ciúmes. É uma mãe que jogou o recém-nascido no lixo e está sendo indiciada. Tem filho matando pai por hobby. Tem gente se matando por não aguentar viver num mundo tão fantasmagórico assim. É policial abaixando a cabeça pra bandido por não ter forças para lutar sozinho. A corrupção deixou de existir só na política e está corrompendo o que restou de bom. A falta de consideração pelo próximo está desgastando o amor que nos ensinaram a ter por nossos semelhantes. Tá virando um caos, tá ficando sem controle. Aí você vem e me diz que não faz, nem nunca fez nada disso. Nunca matou ninguém, nem abusou e muito menos roubou.

Tá. Mas e no dia-a-dia quando você passa correndo pelo porteiro e nem dá bom dia? E quando paga de bonzão pros seus amigos humilhando algum garçom que está apenas fazendo seu dever? A falta de amor não está só nas manchetes da vida. Está no bom dia que você não fala, na grosseria que você não esconde e no mau humor que você deixa tomar conta do seu dia. Está na sua incapacidade de ser gentil com quem não tem nada a ver com seus problemas e na sua indiferença que sai por aí ceifando os sentimentos alheios. A falta de amor está acabando com o mundo. Consequentemente comigo. E com você.



* Texto publicado no blog da Isabela Freitas no dia 24/06/2014.

Sobre escolhas erradas e amores perdidos

08 junho 2014



De todas as coisas que eu quis para a minha vida, você foi a melhor delas. De todas as pessoas que passaram por mim, você foi o que mais marcou. De todas as imensuráveis entregas, de todos os porres, de todos os porquês, você foi a justificativa mais sensata e óbvia que eu escolhi como resposta. Esse texto é para te dizer que ainda sinto um vazio no peito e tristeza quando penso nas escolhas erradas que fizemos. Esse texto é para te mostrar que por mais que você me veja feliz, realizada e com outra pessoa, ainda sinto ódio da nossa burrice e cegueira sentimental que não nos permitiu enxergar o que perderíamos.

Dizem que com o tempo melhora, mas a cada batida do relógio, eu te vejo mais distante. Indo. Seguindo. Me deixando aqui como se não fosse digna desse sentimento e culpada pelo nosso fim (tem como ter um fim, sem ter ao menos um começo?). Você é tolo demais. Eu largaria tudo por você. Quebraria corações, barreiras, pularia os parágrafos e iria direto para nosso final feliz. Reinventaria um, se preciso fosse. Me atiraria em você sem medir meus abraços, sem calcular minhas palavras e, sem medo, eu poderia ser – finalmente – sua. Mas enquanto isso você fica aí culpando o destino, a má sorte, os deuses, as circunstâncias, as distâncias. Fica aí me perdendo ao invés de lutar. Continua aumentando nossos quilômetros ao invés de pegar o carro e vir até mim.

Eu te observo de longe e enquanto isso vou seguindo até onde der. Não prometo te esperar até o fim da vida, mas garanto que seu espaço ainda tá guardadinho aqui, você sabe que não supero tão rápido assim. Você sabe que o arrepio e o coração acelerado não são sintomas de amores passageiros. Você sabe que o beijo, o cheiro e as coisas que nos marcaram tanto não foram em vão. Nem que eu quisesse eu te esqueceria. Só não fique aí parado por muito tempo, não. Não continue apostando nas pessoas erradas enquanto sua felicidade certa já está garantida e (ainda) tão próxima de você.

Não aposte tanto nessas pessoas que você talvez até mereça, mas nunca quis. Você perdeu sua melhor chance com essas escolhas erradas, instintivas e impulsivas demais. Está na hora de fazer alguma coisa certa e garantir nossa felicidade. Sou sua demais para querer minha felicidade sozinha. Prefiro você aqui, mas não posso mais implorar amor. Não mais. Sou tão sua, mas sinto que ainda posso ser muito minha. Só te peço para que, se você ainda sente algo tão intensamente quanto eu, não me deixe ter essa certeza. Volte antes do seu prazo acabar.

Ame mais e sem medidas

31 maio 2014



Quantas pessoas você já perdeu em sua vida? Minha pergunta é bem genérica porque não se trata de momentos específicos, e sim sobre perdas. Um dia desses minha amiga me perguntou se eu sentia falta do meu avô. A única coisa que eu conseguia pensar era: como não sentir? Ele acompanhou meu crescimento, fez um papel de pai insubstituível (porque perdi o meu aos 8 anos de idade) e faleceu quando eu tinha acabado de fazer 19 anos. Ele era forte, saudável e enxuto aos 87 quando me deixou. Acho que justamente por isso foi um baque de cair o queixo, a estima e a vontade de qualquer coisa. O que me entristece mesmo é que essas coisas acontecem quando a gente não está esperando, entende? Eu havia começado 
em meu primeiro emprego de verdade quando ele adoeceu. E, justamente por se tratar do primeiro emprego, por mais que eu quisesse, eu não podia simplesmente abandonar tudo e ficar com ele para sempre. E é nessa deixa que minha consciência pesa tanto.

Eu queria que Deus mandasse um sinalzinho dizendo: “ei, hora de se despedir!”, e talvez assim eu não sentisse um aperto tão grande ao me lembrar das pessoas que se foram sem ter aquela despedida que fizeram por merecer a vida toda. Sem ter aquele carinho absurdo que deram sem esperar reciprocidade alguma. Se eu soubesse que seria a última vez, teria permanecido quieta no quarto, segurando a mão dele e dizendo palavras confortáveis e bonitas. Se eu soubesse que maus tempos estavam chegando, teria largado o emprego e passaria tardes inteiras assistindo a Vale a Pena Ver de Novo ou Sessões da Tarde sem qualquer pesar por ficar sem grana no final do mês. Eu passaria mais dias e tardes e noites ouvindo suas histórias. Mas você sabe, na vida nada é tão perfeito, nem tão justo.

Atualmente tenho 21 anos, não tenho avós, nem pai e muitos tios já se foram. Não estou dizendo isso para atrair a piedade de ninguém, é apenas um apelo para que você acorde: a vida passa, e passa depressa demais! Tire um dia de folga e aproveite sua família como se fosse seu último dia com ela. Ou talvez você nem precise de folga, só precisa mudar um pouco seus hábitos. Ao invés de ficar trancado no quarto ouvindo música ou bisbilhotando a vida alheia em redes sociais, se dê a liberdade de rir com coisas bobas na mesa do jantar. Troque suas grosserias por gentilizas. Não há felicidade, nem momento, nem dinheiro no mundo que compre uma tarde em um lar que transborde amor pela presença de pessoas queridas.

A vida não te dá a chance de se despedir, nem de compensar o tempo perdido. E quando a gente vê, já foi. Por isso deixe seu orgulho de lado e aproveite seus momentos tão especiais e únicos. “Dê valor as pessoas enquanto elas estão por perto, pois saudade não será motivo para que elas voltem.” E o aperto que fica no peito, dificilmente sara. Então abrace, beije, ame e aproveite as pessoas com quem você se importa de verdade. 

Não há, no mundo, orgulho que substitua a leveza de um ‘eu te amo’ ou um ‘eu me importo com você’ dito sem restrições.

O grito

27 maio 2014



Ele saiu no meio do meu pavor para se tornar uma gargalhada inteira. Meu grito ecoou por toda rua quando um pastor alemão latiu, me tirando do planeta em que eu estava. Sabe quando você está andando lentamente e muito, mas muito distraída mesmo e de repente… TCHARAM! Vem um cachorro filho da mãe que ameaça te atacar. Me arrepiei por conta do susto. O grito alto e escandaloso saiu como consequência e sem vergonha. E aí, nesse exato momento, me vi despida de todas as minhas defesas e estereótipos. Eu, que sempre me julguei espontânea, precisei de um pastor alemão para soltar um grito verdadeiro e rir alto enquanto as pessoas me encaravam.

Estamos tão acostumados com o julgamento alheio, que nos aprisionamos em um casulo de onde só sai o que é aceitável. Mulher que é mulher senta de perna cruzada, se veste como uma lady, anda maquiada como uma Barbie, ri baixo, não fala nomes feios, tampouco pensa. A gente deixa de acreditar no que realmente é e acaba levando tudo assim. Seguindo assim. Fingindo assim. E quando somos pegas de surpresa por uma atitude estranhamente escandalosa e engraçada, nos sentimos bem.

Acontece que ninguém veio a esse mundo para ser um robô. Se você me irritar, provavelmente eu mande você ir se danar. A possibilidade de eu beber em um dia ruim é tão grande quanto meu ódio dessas coisas ensaiadas. Se eu bater o dedinho em alguma quina qualquer, é bem provável que eu mande um puuuuuuuuta queeeeeeee pariuuuuuuuu, porque às vezes só um xingamento traduz nossa raiva momentânea. Nós somos humanos, entende? E não há nenhuma lei de etiqueta no mundo inteiro que te dê tanta felicidade quanto uma reação natural.

As pessoas querem que sejamos ideais. Isso quer dizer, uma boa companhia, moça de família, boa namorada, esposa e mãe. Acontece que ser ideal não precisa ser, necessariamente, uma máquina entediante. Eu posso ser eu mesma e ainda assim ser legal. Posso ser divertida e ainda assim mulher. Se a vida se resumisse a essa busca pela monótona perfeição, todos já teríamos morrido de tédio. Então, não espere a chegada de um grito de pavor, para ver que pavor mesmo é não gritar. Seja de alegria ou indignação. De amor ou ódio. E perceba que o grito mais bonito e libertador que você pode dar, é esse que, como um desabafo, vem da alma.

Ela é completa

05 maio 2014



Ela não gosta que toquem no seu umbigo; na verdade, detesta. Tem horror! Fique longe. Beije suas orelhas, às vezes. Entretanto, tem que ser aquele pouco-quase-nada, só para deixá-la louca e mostrar teu recado: tu a queres! E isto vai ser necessário para manter a relação de vocês viva, contínua, pegando fogo. Ou a casa incendeia ou ela joga água na chama e te manda embora. Apegada, não muito. Carente, sempre foi. Contudo, o seu amor próprio vem antes te avisando que ela não é guria que gosta do morno, tem fobia de metades, quando muito, é equilibrista para viver em cima do muro.

Ah, coloque Scracho como música de despertador quando acordarem cedo. Enquanto ela estiver no banho, correndo pelada pela casa, gritando atrás das roupas, prepare seu café. Um suco de laranja, pão com queijo e uma mão abusada de despedida; já terás o teu ticket de retorno. Como já percebeste, sua vida é agitada, cheia de planos e sonhos. Ajude a realizá-los, sonhe junto com ela. Se te mostrares diferente de todos os que vieram e os que ainda podem vir, tua nova guria perceberá e irás tê-la até enquanto alimentares este amor. Sabes, né?! Amor sem atipicidade é o investimento para o tédio assassinar o tesão.

E por favor, não esqueça: sempre que vocês forem sair, pegue um casaco. Friorenta por natureza, vai ficar de mau humor fácil. Nunca a deixe passar frio ou sentir fome. Uma hora ou outra ela amarrará a cara, irá fazer beiço e ficar quieta. Deixe-a. Não pergunte, nem tente entender o porquê. Ela é assim: “aluada”. Respeite seu espaço. Cuide, seja generoso, ame viajar, tenha vontade, proteja a ingenuidade dela da maldade alheia. Agora, tu és o cara! Se a conheço bem, desculpas não é sinônimo de arrependimento, sentir saudade não será o suficiente para tê-la de volta. Eu sempre a chamei de exigente, mas hoje eu percebo que, ela nasceu completa para então, não ter que aceitar metades.


Sobre o autor: Guilherme Pintto é blogueiro, abusado e pai de Hermione, a filha que late. Trabalha no Hospital Escola da Universidade Federal de Pelotas inserido no programa que atende pacientes com câncer e outras patologias. Além de ser apaixonado por histórias, nutri um amor incondicional: escrever sobre pessoas e seus comportamentos.


Vocês o encontram também no blog Amor Abusado. Corre lá que vale a pena conhecer!

Hora de partir

31 março 2014

 

Minha dúvida neste momento era saber se ligava ou não para marcar nosso último encontro. Você sabe, sempre levo tempo demais para decidir sobre qualquer coisa em minha vida. Mas aqui estou, numa espécie de súplica para que você não deixe de ir. Não se abstenha da obrigação de me dizer adeus dignamente. Talvez eu demore, mas cumprirei meu papel com força e a sanidade que ainda me resta. Ou não. E se você perceber que meu carro não vem pela avenida, retome seu caminho que só vai adiante e não olhe para trás. Me espere uma hora, mas não mais que duas. Você não tem mais a amarga obrigação de esperar qualquer coisa de mim.

A verdade é que eu me cansei. Estou cheia, farta e saciada dessa nossa relação sem nexo algum. Não dá para viver em um relacionamento que só leva a gente para baixo, sabe? Não dá para aceitar uma relação que ao invés de acrescentar, aprisiona. Não dá para aceitar – não mais – esses silêncios intermináveis e a falta de um “eu te amo” verdadeiro. Você nem precisaria dizer, apenas mostrar, demonstrar e viver essas três palavrinhas. Mas ambos sabemos que eu ando fazendo isso tudo por nós e você assistindo a tudo de camarote.

A gente sabe que acabou quando percebe que ficar de joelhos não muda o estado da porta, que continua aberta anunciando uma partida. Dizer que vai ser diferente não altera sentimento algum. Lágrimas não libertam comoção. E o amor é mais que isso, entende? É bem mais que qualquer busca pelo inevitável. É bem mais que conversas e discussões que não chegam a lugar nenhum.
Eu estou farta. E eu vejo que portas batidas, gritos e climas fúnebres pelo o que está prestes a morrer de vez não recuperam sentimentos antigos. A gente precisa aprender a deixar as coisas irem. E mais que isso, eu precisava aprender a hora certa de abrir mão da gente, antes que nos destruíssemos de vez. A nossa hora de partir chegou.

Estou levando nossas boas lembranças na mala e deixando as minhas com você neste momento. Estou deixando você ir adiante. Talvez você sinta tristeza, agonia e pense que não sabe viver sem mim, mas acredite, você sabe. A gente acredita que ama muito mais uma pessoa depois que ela vai embora. E isso não é amor, querido. Entende onde quero chegar? Chegamos ao nosso limite. É uma pena que ainda não tenham inventado remédio para exaustão de amores.

Amar vale muito mais a pena

18 março 2014



A única coisa que eu tenho certeza nessa vida, é que não tenho certeza de absolutamente nada. Levei muito tempo para descobrir que certezas são quase sempre frustrantes. Levamos uma vida inteira para provar ao mundo o quanto estamos certos e perdemos as melhores oportunidades no caminho. Juramos que somos capazes de fazer o amor desabrochar em um ambiente inóspito, quando na verdade, a gente é quem inventa possibilidades em meio a tantas improbabilidades. Sempre que me obrigo a gostar de algo por muito tempo, me frustro. Porque percebi cedo demais que, qualquer que seja o sentimento, para ser de verdade, é preciso que a gente solte as amarras e aceite que laço enfeita, não prende.

Decidi não esperar demais. O ser humano tem essa mania boba de se prender as esperas da vida. Sempre torci pela recompensa, paciência e compreensão, mas dessa vez, só dessa vez, resolvi aceitar o que me é dado. Não estou dizendo que vou prostituir meus sentimentos e entregar de bandeja meu coração, mas aceitarei o que acho que mereço sem esperar pelo "plus" por bom comportamento que nunca vem. Ninguém tem bola de cristal, entende? E aí eu vi que se quero alguma coisa, tenho que pedir. Se almejo muito algo, tenho que lutar por aquilo. A vida não é simplesmente esperar que tudo saia como o planejado. Não é sentar em uma poltrona confortável e achar que o mundo tem a obrigação de me servir. A vida não se trata de esperar. A vida não foi feita para preguiçosos.

O que eu sei é que perdi muito tempo dando valor às coisas erradas. Então, que fique aqui meu juramento de recomeço. Vou começar largando meu notebook e dando um abraço em minha mãe. Vou dar continuidade ligando pro meu namorado pra dizer que é um prazer imenso em tê-lo comigo. Vou correr pro quintal e beijar meu cachorro pra mostrar que, mesmo tão ausente, o amo como se fosse um filho. Vou desaprender essas coisas que o corre-corre dos dias impregnam em nossa alma. Vou esquecer essa urgência em ganhar a vida e ter uma necessidade absurda de sentimentos sinceros. Vou fazer questão de me lembrar, todos os dias, que o saldo da minha conta bancária não substitui uma tarde repleta de conversas e risos e lembranças.


Desprenda-se de tudo o que te rouba o riso. E lembre-se que você não precisa perder as melhores coisas da vida, para ganha-la. Aproveite as pessoas que estão ao seu redor, enquanto elas estão. Eu não tenho certeza de absolutamente nada em minha vida, mas quando não estiver mais aqui, saberei que a única coisa que ficou de verdade, foi meu amor por todas as pessoas que amei como se não houvesse amanhã. Porque ele é a única herança que perdura no tempo e não há, no mundo, substituição que o apague. 

Deixa de orgulho, e vem!

09 março 2014




Não vou começar esse texto com promessas. Que fique claro que não é que eu não tenha vontade de te prometer toda felicidade e amor do mundo, mas é que hoje, só hoje, quero focar nos fatos reais e cotidianos. Sinto sua falta. Pensou que eu nunca admitiria isso, não é? É que a saudade me acorda toda madrugada com um tapa na cara e eu apanho quieta. Tem seu lugar vazio no outro lado da cama, seus vestígios espalhados pelo quarto e eu me sentindo sufocada no meio de tanto espaço. Eu sei que nunca fomos perfeitos juntos e na verdade, eu nem quis que fôssemos. Não, porque eu gostava (e ainda gosto) do seu jeito meio inconsequente que batia sempre de frente com a minha razão. Desde o gosto musical a um ser mais caseiro e outro amante da balada, entende? As diferenças são complementares. E a beleza disso tudo era evidente, porque cada um fazia um esforço sob humano para se encaixar na rotina, no peito e no coração do outro.


Cá entre nós, eu não quero mais ficar sozinha. E faço questão de remeter minhas palavras a você, porque a minha saudade é específica demais. Tem nome, sobrenome, endereço, telefone e um gosto musical horrível. Mas o sorriso encantador compensa todo o resto. Você sabe, meu amor por você é enorme e minha preguiça por coisas novas também. O novo nunca é o suficiente, nem preenche por muito tempo. E a culpa nem é dele, é minha, que só aceito um velho amor como consolo. Não quero encontrar novas saídas e caminhos, mas ficaria feliz em refazer nossas trilhas de mil modos diferentes. Quero amanhecer, dormir e enrolar uns minutos na cama ao teu lado. Quero você. Faz assim, esquece tudo o que passou e vem. Volta para o lugar de onde você nunca deveria ter saído e a gente esquece tudo de uma vez. 



Eu falto do trabalho, levo um atestado na faculdade e sumo do mapa com você. Dou-nos uma semana, só nossa, sem interrupções, que é pra gente refazer nossos planos e nos amarmos sem medidas. Aprendemos a cozinhar coisas novas. Vamos dar risada até a barriga doer e esquecer a falta de tempo que nos rouba tanto de nós mesmos. Vem, coloca teu orgulho naquela estante empoeirada da sua casa que é pra você olhar futuramente e se orgulhar de tê-lo abandonado. Não demora não, sua cerveja ainda tá na geladeira, seu cigarro na cabeceira e eu ainda estou aqui, tudo continua do jeitinho que você deixou.


Viu só? Eu poderia jurar que não falaria sobre promessas neste texto, mas como sempre, você me fez repensar minhas falas, atitudes e tudo mais. Então, abaixe suas armas de combate e levante a bandeira branca. Segundas chances são sempre bem vindas aqui, querido. Vem que eu te dou mil beijos, te faço um carinho e um poema. Vem, que já passou muito tempo e nosso destino foi escrito há vidas atrás. Aproveita que ainda é cedo e não se esqueça de que o nosso infinito começou há muito tempo. Aproveita essa segunda chance, e vem!
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